The Killers II- Interativa
11 10- Living Madness
Notas iniciais
Vivendo a Loucura
“Acho que o amor realmente deixa as pessoas malucas”- Celestia Ludenberg
Executioner andava lentamente pelas ruelas do que um dia fora uma cidade inteira, levando consigo o rifle que adquirira há uns meses atrás. As botas estavam manchadas de sangue seco, a fuligem dos escombros manchava sua roupa, mas ele não se importava. Ele realmente havia trucidado todas as pessoas daquela cidade, saiu atirando em todos que via pela frente até que não restasse nada além de escombros e pessoas mortas. Não sabia por que exatamente estava fazendo aquilo, seu corpo, sua alma, sua essência era puro desespero, e ele gostava de transmitir isso às outras pessoas. Um dia o executor tivera esperança, sim, ele tivera. Mas essa esperança desapareceu em meio ao caos e foi difícil continuar.
Viver sem esperança, um corpo vazio vagando pela terra, era assim que se sentia. Ele tinha certeza de que sua esperança ainda estava viva, andando por algum lugar em meio ao caos que aquele planeta havia se tornado. Mas ele nunca iria encontra-la de novo, nunca. Não enquanto o desespero vivesse nele e o desespero viveria para sempre nele. Viu algo mexer-se em meio aos escombros e atirou diversas vezes criando um estrondo imenso. Aproximou-se lentamente deparando-se com um gato morto, fuzilado, sem chances de escapar. O Executor não deixaria nada viver, não enquanto sua esperança não voltasse.
° ° °
Yuuka Misaki
Voltar aquele lugar tinha uma sensação horrível, eu não queria ter que passar por tudo aquilo mais uma vez, era como se o mundo tivesse desabado sobre minha cabeça. O tribunal mantinha o mesmo visual do que da última vez que viemos, no entanto, dois lugares estavam agora ocupados por cavaletes com fotos póstumas de Kazuyo e Miya. Três de nós já haviam partido e provavelmente mais um morreria ainda hoje, seria executado por ser descoberto- se for descoberto, pois caso contrário estamos todos ferrados- Monokuma mantinha o seu costumeiro ar de vitorioso, ele com certeza era o único que adorava tudo aquilo.
— Ora, ora, parece que vocês tiveram de voltar não é mesmo? Upupu, todas essas emoções que os tribunais trazem me dão o mais alto êxtase. Eu poderia perder o meu tempo de urso explicando a vocês como isso funciona, mas vocês já sabem, então vão em frente, hoje vocês irão decidir quem matou sua colega.
Class Trial Start
Fomos aos nossos respectivos lugares, Onihiru mantinha ao seu lado uma caixa de papelão com todas as provas físicas que tínhamos. Olhei para a foto de Miya, lembrando-me de como achamos seu corpo, mergulhado naquele aquário. Era realmente horrível pensar naquilo, mas eu precisava, tinha que dar o máximo de mim.
— Bom, estamos aqui de novo- comentei- por onde devíamos começar?
— Vamos começar do final- Annie falou olhando para mim com ar risonho, eu já sabia o que ela iria dizer- ontem à noite eu vi Onihiru e Miya conversando na entrada para o hotel, ou seja, ele devia estar com ela na noite em que ela morreu. Logo tem mais chances dele ser o assassino.
— Isso é verdade Onihiru-kun?- Aya exclamou surpresa.
— Sim, eu estive com ela por um tempo ontem à noite, nós conversamos e eu voltei ao meu quarto. Eu não sou o assassino de Miya- ele falou calmamente- não existe nada que prove que fui eu quem a matei.
— Na verdade Onihiru-kun- falei temerosa, não queria estar acusando ninguém daquele jeito, mas era necessário- existe uma coisa que pode te colocar como o assassino da vez. Você comentou algo sobre uma casa de ferramentas no parque de diversões onde poderia estar a arma do crime, mais alguém aqui já visitou essa casa de ferramentas?- olhei para todos os meus colegas e não obtive resposta- se você era o único que sabia dela, então só você teria acesso à suposta arma do crime, que no caso, seria este pé-de-quebra que você mesmo trouxe ao tribunal.
— Espere, não faz sentido- Aru retrucou- se ele fosse o assassino, porque ele falaria assim tão abertamente sobre à casa de ferramentas e a arma do crime? Seria burrice da parte dele.
— Na verdade é uma tática antiga, usada por muitos criminosos. Ajudar a polícia dando pistas sobre o crime que ele mesmo cometeu, desse jeito a polícia o enxerga como aliado e ignoram inconscientemente as pistas que apontam para ela- Kon falou de forma calma enquanto mexia os dedos calmamente- mas nesse caso, supondo que Onihiru-kun é o assassino, teria dado certo caso não existisse uma testemunha.
— Entendo suas suspeitas, mas não fui eu que a matei. Nós éramos amigos, e eu não teria coragem de fazer nada a ela- Onihiru falou com um brilho em seus olhos- nós nos encontramos, isso é verdade. Mas eu não fiz nada a ela, nós apenas conversamos um pouco e ela falou que tinha um compromisso com o Monokuma, eu estranhei, mas não disse nada.
— Encontro com o Monokuma?- falou Percy- está tentando nos enrolar por acaso?
— Espere- falei exaltada- havia um bilhete no quarto da Miya, em que Monokuma a convidava para falar sobre o tesouro dela. Não é verdade Annie?
— Sim, é verdade.
— Vamos acabar com essa confusão desnecessária- Mikamaru que estava quieta até então falou enquanto mexia os polegares impaciente- vamos desconsiderar a suspeita de que foi Onihiru que a matou por enquanto, vamos falar sobre o corpo.
Segundo o Monokuma Files, a causa da morte foi traumatismo craniano causado por algum objeto pesado, seu corpo estava levemente inchado pelo tempo que passou no aquário, havia muitos cortes recém-feitos em seu corpo, além de sinais de que ela fora arrastada para outro lugar. Provavelmente a pessoa teria de ser forte o suficiente para carrega-la até o parque aquático, embora eu ainda não tenha entendido por qual motivo o assassino a carregou.
— Provavelmente alguém bateu na cabeça dela, fez um monte de cortes em seu corpo e depois a jogou no aquário. Tenho quase certeza de que estamos lidando com algum tipo de psicopata maldito- grunhiu Cody- eu realmente odeio quem fez isso...
— Tem algo que me intriga- Percy comentou olhando nos olhos de cada um- porque o assassino a cortou depois de tê-la matado? Se ele queria torturá-la, porque ele não fez isso antes? E o que ele usou para fazer isso.
— Não sabemos como responder a primeira pergunta- eu falei calmamente enquanto andava até a caixa de papelão e retirava de lá o colar- mas acho que os cortes foram feitos com esse colar. Olhem, a ponta está manchada de sangue seco e ele estava próximo a cena do crime. Ele é familiar para alguém?- todos ficaram calados olhando para mim- ao que parece ele é do jogo Asteroids. Um brinde por um grande recorde, ele é seu não é? Nathan.
O garoto de cabelos brancos encarou-me assustado, ele levou a mão ao pescoço como se tivesse notado a falta do colar somente agora. Seus olhos de cores diferentes cintilavam ao mesmo tempo enquanto que todos o encaravam. Seria ele o assassino? Será que aquele mistério estava finalmente resolvido? Era isso o que precisávamos saber.
— Sim, é meu, mas eu não a matei. Eu juro, não fui eu que fiz isso- seu olho azul cintilava mais que o vermelho, era estranho como eles mostravam suas emoções.
— Como se fossemos acreditar em você? Seu psicopata maluco- retrucou Watashima- você a matou e depois cortou seu corpo, você merece a pior morte possível.
Dentre todas as reações possíveis, aquela era realmente a mais estranha. Ele começou a rir, gargalhava de forma macabra enquanto seu olho vermelho faiscava. Todos o encaravam assustados, ninguém esperava que ele fosse fazer aquilo. Ele devia ser um psicopata, nos enganou esse tempo todo com essa pose de garoto tímido apenas para que ninguém prestasse atenção no que ele fazia.
— Ah, a Miya-san era tão divertida. Sempre me espionando pelos cantos quando ninguém estava vendo, desde o primeiro dia que estivemos aqui ela sempre manteve um olho vivo em mim. Ela era uma pessoa muito interessante, mas curiosa demais. Invadindo minha privacidade daquele modo, eu não poderia permitir, não poderia deixar que ela visse mais alguma coisa, ela precisava desaparecer.
— Então foi você?- Mayu disse surpresa- você a matou porque ela invadiu sua privacidade?
— Oh? Não, não pude ter esse prazer de mata-la. Eu queria muito pode ter derramado o sangue, ter dilacerado aquela pele tão branquinha como porcelana. Mas infelizmente quando eu a encontrei, ela estava mortinha, foi uma pena realmente. Então eu peguei o meu colar e me diverti um pouquinho com ela, embora não tenha sido o suficiente.
— V-você é um doido- gritou Aya aterrorizada- não vamos acreditar no que você está dizendo, você é o verdadeiro assassino!
— Não, não Aya-chan, não fui eu e eu posso provar que não sou o assassino- Nathan me encarou de forma estranha, um sorriso macabro decorava seu rosto- nas regras dizem que o anúncio de descoberta de cadáver, só é dado quando três pessoas o encontram. E me diga Yuuka-san, quantas pessoas além de mim estavam lá? Duas não é? Comigo são quantos? É mesmo, três.
Tínhamos voltado a estaca zero, nem Onihiru e nem Nathan haviam matado Miya, pelo menos já tínhamos algumas respostas, mas ainda precisávamos de muitas se quisermos sair daqui com vida. Nunca esperei que Nathan fosse esse tipo de pessoa, mas parece que tudo a minha volta tem sido uma mentira, não sei mais em quem posso confiar. Mas tenho de continuar, por Albert, por Miya e por mim mesma.
— Se você não é o assassino, poderia nos dizer então tudo o que fez noite passada?- o encarei séria, ele apenas me olhou de soslaio com um sorriso ensaiado em seu rosto.
— Tudo bem, mas poderia, por favor, devolver meu colar?- Joguei o colar para ele com raiva, o garoto o pegou no ar de forma risonha, ele devia ser mesmo um lunático- Pois bem, ontem à noite eu resolvi dar uma pequena volta pelo novo bairro, o fliperama é liberado durante o horário noturno então passar a noite jogando parecia ser algo bom. Então eu saí no exato momento em que a pirata entrou no seu quarto. Como vi que Miya e Onihiru conversavam, eu apenas me escondi e esperei que eles fossem embora, Onihiru voltou para o seu quarto e Miya foi a algum lugar. Esperei cerca de quinze minutos e fui até o fliperama, e qual não foi minha surpresa ao ver um rastro de sangue que saía da loja de presentes e ia até o parque aquático e assim que encontrei o corpo de Miya, bom, eu me diverti um pouco com ele e fui embora.
— Rastro de sangue?- Kon falou subitamente- não havia nenhum rastro de sangue hoje pela manhã, e tenho certeza de que o assassino não o limpou.
— Espere- eu falei- o Monokuma nos falou hoje de um sistema de limpeza automático da cidade, talvez isso tenha limpado o sangue que foi deixado pelo nosso assassino, dessa forma hoje pela manhã nós não o encontraríamos.
— Sistema de lavagem?- sibilou Cody- sério?
— De qualquer forma- Percy interveio- tem mais alguma coisa a falar sobre ontem Nathan?
— Bom, quando eu segui o rastro, poderia jurar que tinha alguém na loja de presentes, apenas um vulto, como se estivesse trocando de roupa ou algo assim, então eu apenas corri para o meu quarto antes que fosse visto.
(Prova N°8- Testemunho de Nathan)
Era realmente uma loucura, até onde tínhamos descoberto poderíamos encaixar algumas coisas. A pessoa que Annie viu sair do quarto era Nathan, e Onihiru não estava com Miya quando ela morreu, que o assassino já estava no local do crime antes de qualquer um chegar lá e que o local do crime provavelmente era a loja de presentes, a arma do crime foi o pé de cabra que Onihiru encontrou. Então havia apenas duas perguntas: Porque o assassino removeu o corpo do local do crime e porque Miya foi encontrar-se com ele no meio da noite.
— Miya era mais esperta do que aparentava, ela iria fugir se visse algo suspeito, se percebesse que aquilo era uma emboscada, então como ela foi pega pelo assassino? Tem que ter algo que se encaixe nisso tudo.
— Espere, é isso- gritei de forma animada- Aya-chan, lembra-se do manequim que você encontrou jogado no meio da loja? Cody-kun lembra-se das roupas de palhaço?- ambos acenaram em afirmativo- acho que sei o que aconteceu aqui. Miya foi pega de surpresa pelo fato de achar que não havia ninguém além dela lá.
— Como assim?- Percy perguntou.
— Lembram-se do manequim de palhaço que ficava a frente da loja de fantasias? O assassino colocou-se no lugar dele, assim Miya não desconfiaria de nada quando chegasse e tenho certeza de que ela foi acertada sem chance de defesa. E como existe um corredor que conecta as duas lojas, explica o fato de Nathan ter visto alguém na loja ao lado, é algo bem simples.
— Isso explicaria a tinta branca também- Mikamaru falou- era a tinta usada para pintar o rosto do palhaço, o assassino deve ter sujado o corpo enquanto o levava até o aquário.
— Acho que finalmente estão chegando a algum lugar- Monokuma riu em seu trono- mas sabem, é melhor resolverem logo, isso está ficando muito entediante.
— Bom, vamos por eliminação então. Para assumir o local daquele manequim era preciso ser um tanto alto, então de cara já podemos eliminar Nathan, Cody, Mayu, Aya e Kocho que entre nós são os menores. Yuuka também, pois ela foi uma das que encontrou o corpo de Miya- Onihiru comentou com a mão no queixo- o álibi de Annie é bem consistente por isso podemos eliminar ela também. Restam apenas eu, Mikazuki, Percy, Kon, Aru e Watashima.
— E o assassino a atraiu com um bilhete em que ele ou ela se passava pelo Monokuma- Annie falou enquanto encarava cada um dos seis suspeitos- logo ela iria sem se importar, afinal Monokuma costuma aparecer para nós ás vezes. Quem mandou o bilhete só pode ter sido então um de vocês.
Olhei bem para o rosto de cada um dos meus seis colegas, um deles era o assassino de Miya, um deles havia se rendido aos joguinhos do Manda-Chuva e nos traído de forma covarde. Olhei para o local onde deveria estar Miya, fico me perguntando o que aconteceu com o corpo, não só dela, mas dos outros. Deus, nós nem pudemos fazer um enterro para eles, mortos sem nenhuma dignidade. Não, eu tinha que me concentrar, me perder em pensamentos apenas atrasaria as coisas. Um deles era o assassino e precisávamos descobrir qual, ou todos nós seríamos mortos de maneiras horríveis. Tinha que ter algo, um cheiro, um toque, uma fala, qualquer coisa que nos ajudasse como no caso anterior, qualquer coisa... Espere, eu encontrei.
— Você me disse uma vez que estava acostumado a se vestir de palhaço para festas infantis com seus pais, estava bem interessado na loja de fantasias quando chegamos ao novo bairro, e em momento algum você sequer ousou falar algo durante todo o julgamento, apenas frases curtas, Percy, isso não é do seu feitio. Está escondendo alguma coisa?- perguntei o encarando, ele apenas engoliu seco enquanto tentava manter a postura.
— Sim, eu disse isso, mas não entendo onde você está querendo chegar com tudo isso.
— Pois eu vou explicar para você, você tem altura o suficiente para tomar o lugar daquele manequim, conhece de fantasias e pinturas de rosto, tem força para arrastar Miya de lugar então você é o meu principal suspeito.
— Vamos Yuuka-san, não seja ridícula- ele sibilou- eu nunca sequer falei com Miya, porque eu iria mata-la? Tudo o que está tentando fazer é encontrar uma saída forçada, o Onihiru era o único que sabia da casa de ferramentas e ele estava com ela na noite em que ela morreu- ele disse isso em meio a risadas- eu não sou o culpado.
— Então onde você estava ontem à noite?- perguntou Mikazuki.
— No meu quarto, fiquei lá a noite inteira desde que Monokuma deu o novo motivo, eu não tive nada a ver com esse assassinato. Cody é a prova, ele bateu a minha porta perto da meia-noite e eu nem atendi a ele, não queria falar com ninguém.
— É verdade, eu apareci lá, bati na porta e ele não respondeu- Cody falou temeroso, eu sentia o pavor em seus olhos- achei que ele estivesse dormindo.
— Diga-me Percy, não atendeu porque não queria ver ninguém, ou porque nesse mesmo momento você estava esperando que Miya aparecesse e você pudesse cometer o assassinato?- um silêncio se fez no ar e de súbito, Percy começou a rir, rir de forma desesperada- o que é engraçado?
— Você Yuuka, tentando me colocar como culpado de qualquer jeito, tentando se passar por boazinha o tempo todo, mas não fui eu e você não tem provas contra mim. Nada além das suas mentiras.
— Como pode dizer que eu não tenho provas?
— E você não tem você é apenas uma jornalista idiota, uma babaca querendo se fazer de vítima- ele dizia enquanto apontava para mim, cheio de ódio e raiva, eu tentava me manter concentrada- não existem mais provas.
— Na verdade eu tenho mais uma prova, hoje quando achamos o corpo, alguém perguntou como iríamos tirar Miya do aquário, você falou de uma claraboia por onde se podia entrar. Como sabia dela? Se me lembro bem, Monokuma me falou que deixou um dos alunos responsável pelos peixes, Mayu nem sabia da existência deles até que eu contei, foi você Percy? Era você o responsável pelo aquário?
Ele calou-se, sua boca mexia-se tentando formular alguma palavra, mas apenas reinava o silêncio. Todos o encaravam surpresos, não se ouvia nada além dos soluços de Cody que chorava timidamente em seu canto encarando o amigo de forma estranha. Percy abaixou os olhos e respirou fundo diversas vezes.
— Sendo assim, vou fazer o resumo deste caso:
“Miya Watanabe havia recebido um estranho convite aquele dia, para comparecer a loja de presentes onde ela deveria conversar com um suposto Monokuma sobre seu tesouro. O assassino que havia se fantasiado de palhaço e se colocado no lugar do mesmo esperando a vítima. Quando Miya chegou foi acertada na cabeça com um pé de cabra morrendo na hora devido a força do impacto, o assassino então arrastou-a até o parque aquático, ele ira jogá-la dentro do aquário e colocar novas pistas, mas antes precisava se livrar do sangue na loja de presentes e das roupas que usava. Enquanto isso Nathan encontrou o corpo dela e por ser psicótico brincou com ele depois foi embora, o culpado assustado, não se preocupou com sangue, apenas jogou o corpo da garota dentro do aquário e devolveu o pé de cabra ao seu devido lugar, depois disso voltou para seu quarto como se nada tivesse acontecido, não é mesmo? Percy Schneider! ”
— Sim, eu sou o culpado, fui eu que matei a Miya.
— E porque você fez isso?- Cody gritou correndo até o garoto, segurando na sua camisa com força, os olhos vermelhos- como pode Percy? Depois de tudo que passamos juntos você me trai desse jeito? Eu odeio você! Eu te odeio!
— Eu fiz isso por você- o moreno protestou segurando os braços do loiro- você é meu tesouro Cody, você estava lá naquela foto, se eu não matasse ninguém em um dia ele te mataria, junto com os tesouros dos outros, eu não podia permitir. E se eu tivesse sucesso, você sairia daqui comigo, eu sairia levando o meu maior tesouro: você. Foi tudo por você!
— Upupu, se já sabem quem é o culpado votem- todos votaram como na ocasião anterior, em meio aos gritos desesperos de Cody- Yahoo! Está correto, o assassino de Miya Watanabe é ninguém mais, ninguém menos que Percy Schneider! Cody você não votou em ninguém? Vou deixar passar como aviso, mas da próxima será punido- o urso lançou um olhar severo ao loiro que apenas chorava agarrado ao moreno.
— Não estou entendendo nada- comentou Watashima enquanto encarava a cena perplexa.
— Vou explicar para você- Onihiru disse- eles dois são um casal. A Miya sabia disso, ela viu eles se beijando no jardim, ela me contou isso na mesma noite em que foi assassinada, antes de me dizer que precisava se encontrar com o Monokuma e ir até a loja de presentes. Foi por isso que a escolheu? Porque ela sabia de vocês dois?
— Não- Percy respondeu secamente- nunca tive vergonha disso, de quem eu sou. E-eu não poderia matar alguém que não tivesse feito algo errado, não poderia matar um inocente. E eu sabia que Miya havia cometido um crime antes então foi como se eu estivesse fazendo a justiça, facilitou tudo.
— Crime? A Miya?- exclamei.
— Sim, como prêmio por cuidar do aquário Monokuma me deu um segredo de um de vocês, e ele me deu o dela. Ela tinha matado o namorado e fez parecer que foi tudo legítima defesa, tenho certeza de que ela manteve isso em oculto por anos. Então eu mandei um bilhete para ela dizendo que eu sabia de tudo e que ela devia me encontrar para conversamos, o outro bilhete eu coloquei depois no quarto dela como uma distração.
— Mas isso não te dava o direito de fazer o que fez!- gritou Onihiru- eu gostava dela, ela era minha amiga, você não podia ter matado ela por um desejo egoísta como esses. Nós íamos achar um jeito de sair dessa.
— Eu sinto muito- Percy enxugava as lágrimas- mas eu não ia suportar perder o Cody, ele é a única esperança que eu tenho de viver, eu não podia... Foi por isso que eu a matei, espero que um dia vocês possam me perdoar.
— Percy... Não...- Cody chorava desesperado, sabíamos que em breve tudo iria acabar, era uma situação horrível, ver como tudo terminara daquele jeito, parecia um romance trágico em que tudo terminava de forma triste- quando você me salvou naquele dia eu pensei que fossemos ficar juntos para sempre, você prometeu Percy! Prometeu que nunca me deixaria sozinho.
— Eu sinto muito Cody, de todos você era o único que eu não queria magoar, eu sou um idiota, sei disso. Mas continue sem mim, continue com esperança, ajude os outros a sair daqui e faça o seu melhor lá fora. Não se renda ao desespero Cody!
— Upupu, com esperança ou não esse julgamento precisa de um fim, está chegando a melhor hora de todas!
— Não, por favor Monokuma, não faça isso- Cody correu até o trono do urso, ajoelhando-se diante dele- eu imploro, deixe-o viver, por favor!
— Sinto muito querido, regras são regras. E é chegada a Hora da Punição!
— Eu te amo Cody- Percy disse- te amarei para sempre.
E as mesmas correntes pegaram Percy e o arrastaram para o seu triste destino. Como as regras diziam, nós tínhamos pego o culpado e ele tinha de ser executado.
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Game Over
Percy Schneider foi decidido como culpado.
Começando a Punição.
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Big Discovery: Despair’s Gene
Percy é lançado em um local semelhante a um laboratório, centenas de geneticistas usando máscaras de Monokuma olham curiosos em aparelhos eletrônicos como se esperassem por alguma coisa. Percy olha em volta confuso tentando procurar uma saída, mas os cientistas o barram sempre que ele tenta sair do local, prendendo-o o ali. Quando um deles começa a gritar coisas incompreensíveis para os outros e aperta um botão vermelho, uma grande tela aparece mostrando as fibras de DNA humano. Esta logo começa a ser contaminada por manchas pretas e brancas.
Um grande rebuliço inicia-se no local, e os geneticistas desesperados começam a quebrar as máquinas como se fugissem de um vírus. Um deles aperta outro botão e o nome “Autodestruição” aparece, Percy então começa a olhar em volta assustado e avista um garoto loiro escondido no canto. Ele pensa ser Cody e corre em sua direção, abrindo espaço em meio aos geneticistas que loucos quebram todo o laboratório. A contagem de autodestruição chega a 5. Percy abraça o garoto loiro enquanto a contagem diminui cada vez mais. Quando ele olho para o rosto de “Cody”, vendo que este era também outro robô com a face de Monokuma. Percy grita assustado enquanto a contagem chega a 0 e tudo vai pelos ares, matando Percy.
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— Isso é horrível- Aru gritou, em meio aos choros desesperados de Cody que implorava para ter Percy de volta- eu não aguento isso, não aguento mais!
— Upupu, isso foi tão excitante- Monokuma apareceu subitamente, nós o encaramos com medo, quem estava por detrás daquilo era realmente muito cruel- não fiquem assim tão tristes, agora vocês sabem que a melhor alternativa é viver aqui para sempre, larguem essa teimosia e essa esperança, pois nada disso existe.
E dizendo isto ele sumiu, mas não sem antes lançar uma folha de papel para trás, corri e peguei-a no ar me perguntando o que era aquilo. Espere, era uma das folhas daquele diário, Monokuma me deu aquilo, li com todo cuidado, para ter certeza de que era verdadeira.
Hope’s Peak Academy- 16 de junho de ****
Nós fugimos, não tinha mais como continuar ali em meio a todo aquele desespero. Sabíamos que iríamos ser perseguidos se saíssemos daquela escola, mas não podíamos correr o risco. A classe 78 ficou para trás e se trancou na escola, achando que estão seguros, os demais estudantes se espalharam pelo mundo, alguns deles espalhando desespero para todos os lados. Eu e meus colegas nos refugiamos em um acampamento no meio da floresta até encontrar outro lugar melhor, preciso encontrar meu pai, antes que ela o encontre. A causadora de tudo isso.
Nosso grupo está fraco, alguns deles vão acabar se rendendo ao desespero se continuarmos assim e eu não vou perder meus amigos, não vou perder mais ninguém. Nenhum de nós dezesseis vai morrer, vamos continuar juntos até trazermos a esperança de volta ao mundo. Somos dezessete agora e estamos traçando uma viagem até uma cidade um pouco longe daqui, a cidade provavelmente está deserta agora então servirá como abrigo por um tempo até nos estabilizarmos. Espero que tudo dê certo, senão vai ser tudo em vão.
Todo o resto estava manchado de alguma coisa, eu devia procurar por mais folhas daquele diário, saber quem o havia escrito e o que aconteceu com a escola enquanto estivemos fora, talvez aquilo fosse a única resposta por detrás de tudo o que estávamos passando.
° ° °
Percy jogou os livros de biologia em cima da mesa da biblioteca, não precisava estudar nada daquilo, tinha tudo dentro de sua cabeça afinal era com aquilo que ele trabalhava todos os dias. Estava pronto para as provas e depois entraria em férias, bocejou enquanto olhava em volta, a biblioteca estava vazia, exceto por uma garota de cabelos pretos que lia diversos livros em silêncio, ele a conhecia, era daquela classe.
Balançou a cabeça, não valia a pena lembrar do que acontecera. Levantou-se e saiu andando devagar, segurando o livro de biologia com cuidado. Tinha que encontrar Cody ainda hoje, não o veria durante as férias, pois o garoto iria para um campeonato na Austrália e passaria todas as férias lá, precisava se despedir:
— Aonde vai com tanta pressa- a garota de cabelos pretos sibilou o encarando por detrás de seus óculos- é a minha presença que te incomoda?
— Não, é só que eu tenho que me encontrar com uma pessoa agora, senhorita...
— Fukawa Touko. Você é o Percy não é? Da classe 82, eu vejo você quase sempre no laboratório.
— Sim, eu passo muito tempo lá.
— Pode ir Percy sei que está apressado, na verdade eu também- ela falou pegando os livros em seus braços enquanto se levantava- só tome cuidado, “ela” não vai deixar você fugir com tanta facilidade.
As palavras lhe assustaram mais do que o olhar daquela garota, ele sabia, ela realmente nunca o deixaria ir.
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Alunos Sobreviventes: 12/16
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