Cause you only live forever in the light you make

Porque você só vive para sempre na luz que você faz

When we were young we used to say

Quando éramos jovens costumávamos dizer

That you only hear the music when your heart begins to break

Que você só ouve música quando seu coração começa a quebrar

Now we are the kids from yesterday

Agora nós somos as crianças de ontem



Uma semana de aula estressante e o mais incrível era trabalhar depois do almoço e isso me acalmava. Sempre ia ate a casa do Alec para irmos junto para o trabalho. Para meus pais éramos apenas colegas de escola e trabalho, para a gente tinha uma coisa a mais. Lembro-me da primeira vez que o pai dele abriu a porta e me viu parado ali, esperando pelo filho dele. Achei que nesse dia ele ia me dar um tapa ou algo do tipo. Eu ia parar longe, mas logo Alec apareceu e se despediu do pai e fiz o mesmo acenando para o pai dele. Nesse dia faltou pouco para eu me borrar de medo. Depois disso o pai dele percebeu que o filho tem amigos.

Percebi que Alec estava com um cachecol e o mais estranho era ele usar esse adereço em um dia quente.

– Alec não está com calor usando isso? – Apontei para o meu pescoço.

– Não.

Foi nesse não que eu percebi que tinha alguma coisa de errado. Tá certo que ele gostava de se arrumar, mas um cachecol no calor era estranho demais. Conforme fomos caminhando e conversando não pude deixar de ver a marca avermelhada.

– Alec, o que é isso ai no seu pescoço? Essa marca vermelha.

– Nada.

– Quem nada é peixe.

– Foi meu pai. Ele estava bêbado, outra vez, e acabou me batendo.

– Alec, ate quando você vai sofrer por causa dele? Tá certo que ele é seu pai, mas ele fazer isso com você é cruel.

– Tem horas que eu não sei o que fazer.

– Mais eu já sei o que vamos fazer.

– E o que é? – Ele tentou parecer mais feliz, mas esboçou um sorriso no rosto.

– Já estamos trabalhando há um bom tempo aqui. E já temos bastante dinheiro guardado pelas minhas contas, acho que já podemos fazer nossas malas e fugir no mês que vem, já que mês que vem é a nossa formatura, não?

Já estávamos chegando ao trabalho, ele prometeu me responder no caminho de volta. Teríamos longas seis horas pela frente, atendendo os clientes da cafeteria. De hora em hora eu olhava para o relógio da parede atrás do balcão. Enquanto mais um dia de serviço não chegava ao seu fim, Alec e eu anotávamos os pedidos, íamos ate o balcão para alguém preparar o pedido do cliente.

Quando relógio marcou 7 AM, Alec e eu fomos ate o banheiro colocar nossas roupas e fomos embora. Quando chegamos em frente a sua casa, nos despedimos como se fossemos apenas amigos, pois se abraçássemos ou fizesse qualquer coisa do tipo, o pai dele poderia estar espionando pela janela.

– Você ainda não me respondeu? – Lembrei ele que não tinha respondido minha pergunta no caminho de ida.

– Acho que dá pra fazer o que queremos.

Despedi-me mais uma vez e segui com meus passos ate minha casa. Meus pais já estavam dormindo, tomei um banho rápido e deitei na cama, fiquei pensando como seria a nossa tão aguardada fuga.