The Key - Fanfic Interativa
2 Lorena Chevalier
Notas iniciais
Minhas costas se chocam com o chão da sala de boxe, de novo.
– Levante, soldado Chevalier!- Capitão Georges grita, como sempre faz.
Apoio meu cotovelo no chão sentindo o osso se irritar com o atrito. Nada de moleza aqui, não a tatame, só a o chão de cimento duro para uma mulher aprender a lutar como qualquer soldado deve aprender. Acho que tive uma chance maior de permanecer aqui, se não, como uma mulher que não consegue desferir um soco em alguém sem antes levar pelo menos dois no estomago estaria aqui? Devo agradecer meus pais.
– Quer uma mãozinha, Chevalier?- ouço Travis Mikaelson gritar da arquibancada.
Olho carrancuda para ele e para todos meus colegas, recebendo apenas sorrisos de deboche. Me levanto, sentindo pontadas em meu estomago e a cabeça latejar.
– Quer fazer uma pausa?- Esteves, meu amigo mais chegado, sussurra quando me preparo para enfrenta-lo de novo.
– Não.- confirmo e tento disfarçar a dor exposta em meu rosto.
– Lorena...- sussurra meu nome com pena.
– Ande logo com isso, Esteves! Ou mandarei Mikaelson terminar, já que você não parece capaz.- ouço o Capitão gritar da arquibancada, irritado.
– Desculpe.- Esteves diz e parte para cima de mim.
Tento desviar, mas Esteves é tão rápido quanto eu. Recebo um tapa de mão aberta no meio das costas, mesmo ele tentando não bater tão forte caio de peito no chão. Aproveito que estou no chão e tento dar uma rasteira em meu oponente, que pula, vejo o punho de Esteves a centímetros de meu estomago, não quero sentir aquela dor de novo, então rolo para o lado e me levanto num pulo, sentindo pontadas em todo lugar de meu corpo, passo uma rasteira em meu amigo e ele cai, coloco meu pé em sua garganta, ouço Travis rir debochado, Esteves agarra meu pé e quando vejo estou no chão, ele me imobiliza.
– Já chega, Lorena. Estamos nisso ha uma hora, você não vai conseguir se mexer amanhã.- Esteves diz me irritando.
– Cala a boca!- Digo teimosa, um de meus defeitos.
Tento tirar ele de cima de mim, mas não consigo. Quando tento de novo escuto o sinal do almoço soar ensurdecedor por todo o lugar.
– Salva pelo gongo!- Travis grita e todos riem se levantando da arquibancada e seguindo para o refeitório.
– Me desculpe, Lo.- Esteves pede me soltando.
– Tudo bem, Esteves! Foi só um treinamento.- sorrio.
– Só não queria ter te machucado.- me estende a mão para me ajudar a levantar
– Deixa de ser molenga, Esteves. Assim você não vai muito longe.- sigo até minha garrafa de água, a pego e tomo um gole.- Digo com todo carinho. Agora vamos, estou morrendo de fome.- tento disfarçar a dor em meus músculos.
– Vamos! Fracote!- caçoa.
– Não sou fracote!
– Mas falando sério... por que você não se esforça para fazer algo relacionado a burocracia? Você é inteligente, não precisa ser espancada quase todos os dias para provar que é capaz de alguma coisa.
– Esteves, pela milésima vez, eu preciso fazer isso! É o que eu quero! Entenda.- explico, de novo, e quando me preparo para entrar no refeitório escuto meu nome ser chamado.
– Soldado Chevalier, o Comandante quer te ver.
– Agora?- indago ao homem, que usa o mesmo uniforme que o meu.
– Sim!- responde entediado.
– Okay, até mais Esteves.- digo e sigo para a sala do comandante.
Ando por alguns corredores, passo por um patio aberto, subo por uma escada e chego.
– Queria me ver, comandante?- digo batendo no batente da porta, que estava aberta.
– Sim, sente-se.- Comandante é um senhor de uns 60 anos, com voz de trovão, pele negra e com uns dois metros de altura. Ele fica me encarando, sem dizer nada, depois de alguns segundos começo a me sentir envergonhada.
– Então...?- indago sorrindo. Ele cruza as mãos sobre a mesa.
– Recebi uma carta hoje. Era sobre você.- diz, por fim.
– E o que dizia?- pergunto curiosa e um pouco receosa.
– Dizia que você estava interessada em fazer parte do Primeiro Departamento de Soldados Especiais.
– Esta certo, mas não entendo o que existe de mau nisso.- sorrio.
– Oh, mau nenhum, é que você foi aceita.- diz naturalmente e eu perco meus sentidos.
– Como?- questiono não acreditando.
– Zeev Crawford está meio que te pedindo emprestado.
– Oh meu Deus! É sério?- passo a mão pela cabeça.
– Sim, já fiz sua transferência, um pouco contrariado, mas fiz. Um veiculo virá te buscar daqui uma hora, então sugiro que vá arrumar suas malas. Boa sorte!- sorri e me ordena a saída.
Saio da sala ainda sem acreditar, vou ser uma soldado especial, como meus pais. Imagine o quanto eles ficariam orgulhosos de sua filha! Da "magrelinha sem chances". Realmente esta difícil de acreditar.
Sempre me senti um pouco diferente das meninas com quem convivia e só comecei a entender isso melhor ao crescer. Não era o tipo que brincava com bonecas, que gostava de usar vestidos floridos, eu brincava de ser uma salva vidas, de ser uma policial que prendia bandidos, percebi que nasci para lutar pelo que quero, para ser teimosa, para ajudar as pessoas. E agora isso esta se tornando realidade!
Zeev Crawford... me lembro desse nome, passamos alguns verões juntos em um acampamento militar quando crianças, não sei se ele se lembrará de mim.
Acelero meus passos e sigo para o refeitório a procura de Esteves, ele não vai acreditar. O encontro em uma mesa, sentado com alguns caras.
– Esteves, você não vai acreditar.- sussurro me sentando ao seu lado.
– O que?- pergunta curioso, e coloca alguma gororoba na boca.
– Fui convocada para ser uma Soldado Especial.- digo sem rodeios e Esteves começa a tossir, engasgado com o que comia.
– O que?!- indaga agora parando de tossir.- Você mal aguenta isso aqui!
– Eu aguento muito bem isso daqui!- esbravejo e ignoro os olhares que recebemos.
– Okay, você aguenta, mas isso já é pesado para você, imagine o treinamento deles!- insiste.
– Eu pensei que você ficaria orgulhoso.- confesso desapontada.
– Eu estou... orgulhoso e um pouco... chocado.- gagueja.
– Adeus, Esteves! Foi bom te conhecer!- me levanto e corro para arrumar minhas coisas.
Não existe muitas coisas minhas, só alguns pares de roupa, uma sapatilha e uma foto de meus pais. Eles eram muito rígidos, faziam de minha casa e família um regime militar, não demonstravam muito amor, nunca diziam que me amavam, ou nem mesmo me abraçavam, mas quando eles me disciplinavam eu aceitava aquilo como um "eu te amo", porque sei que se seus pais te disciplinam é porque te amam.
– Lorena...- escuto Esteves me chamar. Me viro e ele está parado perto de uma das varias camas ali.
– Sim?- sorrio.
– Só vim me desculpar e te desejar boa sorte!- sorri de lado.
– Obrigada!- solto minha bolsa no chão e ando até ele abraçando-o.- Vou sentir sua falta, vê se bate bastante no Travis.- esbanjo uma risada.
– Farei isso!- me garante.
– Agora vamos! Tenho que esperar lá fora.
****
Fico ao lado de Esteves no portão até ele ser chamado pelo capitão. Depois de alguns minutos uma mini van preta para no portão, o motorista é um senhor de uns 70 anos que usa um uniforme preto. Ele desce, sorri para mim e abre a porta de trás me indicando a entrada.
– Vamos, garota! Preciso pegar os outros ainda.
Sorrio para o senhor e subo na van, me preparando para uma nova parte de minha vida.
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