The Key
3 Capítulo 3 - O contato
"[...] mas o máximo que faziam, era olhar pela janela para ver se alguém passava, para pedir ajuda."
No terceiro dia, depois de um almoço reforçado eles resolvem andar pelo bairro. Antes de saírem, Maureen pega sua mochila rosa da Mimí, um personagem urso de um desenho que ela gosta, ao lado de sua cama. Por volta das treze horas os três se preparam e saem. Ao irem para a rua, observam o quanto estava deserto, com lixos espalhados em aguns lados e alguns corpos no chão com tiros na cabeça. Eles levam um susto e Pamella tampa os olhos de sua prima. O desespero toma conta dos três, quando o celular da Maureen toca dentro de sua mochila. Meio desconfiado e com muito medo, Luís atende e ouve uma voz distorcida que pergunta:
Onde está? – Logo em seguida a ligação é encerrada.
Alô? Quem é? Precisamos de ajuda! – Luís grita, tentando ter alguma resposta, mas é tarde demais.
Sem entender, ele explica para as meninas, que também não entendem e acham estranho.
Continuando a caminhar, mas não indo muito longe, viram que tinha um homem parado de costas para eles e no meio de uma das ruas, um pouco mais a frente. Luís e Pamella foram em sua direção, mas Maureen parou e sentiu aquele medo de quando estava debaixo da cama. Imediatamente ela gritou: “ELES”, foi quando o homem se virou e os avistou, dando logo em seguida um impulso descontrolado, começando a correr em direção às crianças. Os três logo que viram, perceberam que ele não estava bem, já que suas roupas estavam ensanguentadas e escorria sangue de sua boca. Em uma decisão rápida, Luís puxou as duas e correu pra dentro de uma casa próxima. Eles entraram pela sala, que estava intacta, passaram por um corredor extenso, passaram pela cozinha e saíram pelas portas dos fundos. Logo em seguida o homem entrou correndo pela casa, revistando tudo, com ira nos olhos e foi quando ele passou pelo longo corredor, encontrando o quintal dos fundos, com uma árvore grande e uma casa de madeira nela. Procurou pelo quintal, mas ele não os encontrou.
Já era noite e o homem, tentando senti-los pelo olfato, ainda estava ali no quintal, andando lentamente para um lado e para o outro. De repente, próximo dali, houve uma grande explosão, com um imenso cogumelo de fogo se formando no céu. As crianças que, segundos antes do homem chegar ao fundo do quintal, subiram por uma escada caracol ao redor da árvore, se espantaram e viram de onde vinha a bola de fogo, viram também o homem voltando pra rua e indo em direção a explosão.
Vinte e duas horas, eles descem pela escada, entram pela porta por onde saíram e resolvem trancar todas as portas, para ter uma “segurança maior”. Depois de terem feito isso, eles voltam para a cozinha e ao olharem na geladeira, viram que não tinham nada para comer. A única mochila que tinha era a da Maureen e só havia um celular, nada mais. Depois eles voltaram para a sala, onde perceberam que a casa estava arrumada, diferente da casa que eles estavam. Viram uma escada para o segundo andar e ao chegarem ao topo, se depararam com quatro portas. A primeira na direita era um imenso quarto, com uma imensa cama. A segunda era na esquerda, outro quarto um pouco menor e outro mais a frente, na direita. Um banheiro fechava o corredor. Os três entraram no primeiro quarto, o trancaram e se acomodaram na imensa cama. Antes de encerrar o dia por ali, Luís se lembrou do telefone que estava dentro da mochila de sua amiga e o pegou para tentar ligar para seus pais. Ele ouviu uma frase que não queria ter ouvido:
“Seu saldo é insuficiente para efetuar chamada. Por favor, recarregue seu celular”.
Só me faltava essa! – Ele grita com raiva e decepção
O que foi, Luís? – Pamella o indaga.
Apenas não temos créditos para pedir ajuda. – Ele a responde ainda com raiva.
Papai vai nos ajudar. Ele é grande e forte. – com olhos cheios de lágrimas e apertando sua mochila, Maureen os responde.
Luís e Pamella se olham e terminam o assunto com os três se abraçando. Com água na barriga, mas muito aconchegados, com edredons e travesseiros gordos, eles se deitam e finalmente dormem.
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