The Journey: Into the Darkside
29 Cap. XXIX - "Sob Pressão"
Notas iniciais
Ilha de Yakushima, sul do Japão. Aquele era um lugar naturalmente pouco povoado e, portanto, preservado, que abrigava uma grande porção de um parque nacional que mantinha intactos a flora e a fauna daquela região. Livres, os animais podiam esbanjar uma vida isenta de qualquer ameaça humana, estando tão somente a sorte do que o destino frente a cadeia alimentar lhes reserva. No coração de uma densa floresta que jazia ali, no entanto, existia algo que nunca foi imaginado nem pelo povoado que mora próximo, nem por quem já fez uma trilha naquelas matas: um dos perigosos dojos do clã Nihan no Keisho-sha (NIKEI). Não era muito grandioso, ilustre, mas sua arquitetura era agradável aos olhos especialmente por remeter a estética simplicista e orgânica do período feudal. Para além de seu costume, um considerável movimento de pessoas ocorria em seu interior.
Um grande pátio, outrora utilizado pelos sábios como zona de treinamento, professando o ensino da antiga sabedoria de combate samurai, com um grande kanji “yuu” em seu centro. Próximos a uma imponente porta de madeira, uma fileira de homens revestidos com uma armadura negra, um quimono vermelho sob ela, uma wakizashi na cintura e uma katana em sua bainha nas costas. Sabia-se que pertencia ao grande senhor daquela instalação, mas estava sendo usada por alguém que detinha muito mais autoridade para tal “família excêntrica”. Um rádio estava ligado sobre a mesa, ao lado, um noticiário que ecoava ao ouvido de todos. Eles escutavam jubilosos os desastres noticiados, pois sabiam que todos eram uma prova do poder de seu clã. O país havia declarado estado de sítio, eventos em ambientes públicos haviam sido oficialmente proibidos e agentes das Forças de Autodefesa do Japão estavam patrulhando todas as rodovias, cuidando para que cada ponto estratégico não estivessem desprotegidos. Um toque de recolher para a população havia sido decretado, e como o inimigo – os próprios NIKEI – não eram previsíveis, uma sensação de pânico ecoava sobre todos.
O primeiro ministro, Shigeru Ishiba, suplicava em um comunicado oficial para que os NIKEI abandonassem essa guerra e buscassem o contato com o Ministério da Defesa, e o ministro Shinjirō Koizumi, para poderem tentar negociar uma paz como pessoas civilizadas. Ele não entendia o motivo por estarem há mais de dois meses aterrorizando o país com todos os seus ataques, o quê ganhavam com isso, mas estava disposto a cooperar se isso significasse que o povo japonês poderia dormir seguro. Infelizmente para Shigeru, ninguém que realmente importava ouvia sua mensagem. Afinal, naquele momento, Takeshi Takahashi, o líder daquele clã, estava ocupado recebendo um importante aliado: o oyabun da yakuza Taigazu fu-yuri, Akuma Izumi. Aquele que prestava recursos logísticos para os NIKEI terem como realizarem suas missões, desde suprimentos até transporte. Ambos estavam frente a frente, dois homens com a idade mais avançada, semblante sério, temidos e verdadeiramente audazes.
Takeshi começa agradecendo seu parceiro por ter se disponibilizado a ir até lá pessoalmente tratar desse assunto, que não poderia ser discutido senão entre os dois olhos no olho. Akuma comenta que o caminho até lá era um tanto difícil, mas com tanto investimento feito sobre os NIKEI não poderia ser diferente. Takahashi diz que o apoio que a Taigazu estava lhes fornecendo era precioso e não seria esquecido entre muitas gerações, mas algo lhe incomodava. Algo que precisava ser trabalhado entre ambos. Dizendo que os próximos dias serão decisivos para o futuro de tudo o que ele planejou, e não pode permitir que certos problemas acontecessem. Akuma o questiona do quê ele falava, e Takeshi aponta traidores na yakuza revelando suas intenções para o governo. Algo que definitivamente cessou quando os NIKEI tomaram controle completo de tudo o quê obtinham da organização criminosa. O oyabun afirma que a questão é um pouco mais complicada do que parece. Havia um esquema de favorecimento do Estado sobre aqueles da Yakuza que queriam se tornar delatores, recebendo apoio depois para mudarem de vida e meios de fugirem de seu julgamento. Ele estava fazendo o possível para os identificar entre seus kobuns, e pretendia fazer algo a respeito para honrar sua aliança.
Takeshi sorri, mas pede que algo seja feito a respeito quando forem identificados. Desejando que fossem encaminhados aos NIKEI para penalidades. Akuma se irrita, diz que a Taigazu resolve seus próprios problemas. Porém, Takeshi então o lembra que o maior prejudicado com essas delações estão sendo o NIKEI. Permitindo que seja de interesse dele uma eventual vingança pela traição, naquele momento fazendo um olhar sombrio sobre Akuma, quase uma pressão silenciosa, que evidência a um desequilíbrio de poder entre os dois. O oyobun não parece feliz com a ameaça, mas assente e afirma que fará o possível para satisfazer as exigências. Takeshi agradece. Contudo, então ele comenta que teve conhecimento sobre algo de valor que o clã recebeu vindo do estrangeiro, o soro Evergreen, que gostaria muito poder contar também entre seus homens. Neste momento, Takeshi vira de lado olhando para a janela e sua paisagem silvestre, afirmando que eles irão receber muitas vantagens. Mas, primeiro, ele precisa atingir seu objetivo. Ele diz que a reunião estava conclusão, e informa Akuma que um dos seus homens lhe aguardava na porta. Este agradece e se retira.
Assim que ele se retira, a filha de Takeshi, Haruka Takahashi, irrompe para dentro da sala querendo falar com seu pai. Este pergunta sobre o quê ela gostaria de conversar, sendo que era justamente sobre o soro. Ela clama para que ele não o distribua para os membros do NIKEI porque desconfiava das intenções daqueles que lhes forneceu. Segundo ela, já havia os encontrado em ricas experiências em seu passado recente, e sabia que não eram de confiança. Nem sequer acreditava que era uma fórmula segura para se administrar no corpo, apontando que versões anteriores levaram seus usuários a estados de perda da racionalidade, uma forte demência. Takeshi então aponta que uma boa parte do clã já a injetou em suas veias e nada fora do previsto aconteceu. Informação que choca Haruka, como quem não queria que isso acontecesse. Ela ainda afirma que suspeitava de que eles apenas quisessem os fazer alvos dentro de uma guerra geopolítica, terroristas perigosos em território japonês, para fazerem futuros clientes de governos internacionais comprarem o Evergreen para fortalecerem seus soldados e os abater. Seu pai então ri, descrente de que isso fosse possível.
Takeshi afirma que os NIKEI possuem um diferencial que nenhum exercício no mundo possui. Não são só seus novos poderes, mas anos de preparo embutido em treino e dedicação, para tornarem seus corpos armas letais. Algo que nenhum inimigo oculto conseguiria replicar, e que tais aliados seriam tolos se quisessem trair sua aliança para apenas terem mais opções dentro do mercado internacional. Haruka não parece menos aflita pela fala de seu pai, algo que ele percebe. Então, ele insiste para ela aceitar que ele é o responsável pela coordenação dos NIKEI, aquele quem deveria se preocupar com as questões maiores, e que ela apenas deveria manter confiança e enquanto cumpre seus deveres. A moça de cabelos loiros tingidos, ainda sem tranquilidade no rosto, diz que fará o seu melhor e se retira. No pátio, encontra seu velho amigo de infância, também primo, Isamu Takahashi, que lhe cumprimenta. Ela, agitada, faz o mesmo. Algo que ele percebe.
Haruka, então, diz que gostaria de conversar com ele. Mas, não poderia ser ali, pois envolve assuntos delicados demais para serem falados em público.
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Naha, avenida Kokusai-dori. Entre muitos prédios de aparência moderna e estimulantes, além de um trânsito barulhento e consideravelmente mais reforçado, estava Satochi Koboyoshi – o Daxam – sentado no interior de um carro preto, no banco de motorista, em uma chamada de vídeo com o comandante Tsuyoshi Uerugi, que é vinculado às Forças de Autodefesa do Japão. Os dois pareciam visualmente sobrecarregados, penando pela situação do país que não estava nada boa. Tsuyoshi comunica que há dias não têm notícias de seus informantes na yakuza Taigazu no-furi, e que os NIKEI continuavam a orquestrar mais ataques a bases norte-americanas e japonesas, como a Fleet Activites Sasebo ou a Marine Corps Air Station, sem deixar rastros ou pistas de onde seriam os próximos ataques. Eles são imprevisíveis, deixando apenas clara a mensagem de que querem os humilhar frente a sua capacidade de promoverem segurança.
Satochi pergunta sobre os dados que enviou a ele, se serviram para levar a guerra para as instalações dos NIKEI, as localizando. Tsuyoshi diz que os levou ao departamento de informática e cibernética, chefiado pelo Toshiro Suzuki, e que encontraram através de satélites três possíveis locais: em Kushima, Minamisatsuma e Ebino. Porém, as missões de reconhecimento em duas dessas referências terminaram em desastre. O comandante afirma que analisou as imagens tanto da operação quanto dos atentados e percebeu que o padrão de ataque dos membros do NIKEI estão diferentes. Mais rápidos, mais ágeis. Não parecem mais humanos, parecem verdadeiras máquinas de matar. Além disso, eles mesmos estão sendo menos atingidos pelos disparos dos fuzis dos soldados, que agora parecem simplesmente serem ineficientes. Satochi estranha o comentário, querendo saber se ele acha que eles ficaram mais perigosos. Tsuyoshi diz que é exatamente isso, e que odeia ser pessimista, mas tem a sensação de que estão sem o controle dessa sensação.
Ele diz que a última esperança está sobre a equipe de Satochi, que eles investiguem Ebino, mais especificamente o monte Karakumi, e que tentem achar alguma informação que seja útil contra o clã inimigo. Já que, como mutantes, eles são substancialmente mais poderosos que seus agentes. Satochi confirma que irá passar a missão para os outros, e Tsuyoshi então termina desejando ter boas notícias vindas de sua expedição. Ao desligar a chamada, Daxam visualmente demonstra estar apreensivo e até cansado, colocando a mão no rosto antes de abrir a porta e descer rumo a um hotel que estava a sua frente. Nele, em um quarto, estava o trio: Karslie Imota, Isabelle Reebirck e Rodney Accotach. O primeiro estava observando a paisagem da cidade, pensativo, enquanto a moça tomava um refrigerante encima da cama e comentava como sentia que tinham menos açúcar comparado aos do Estados Unidos. Ela então pergunta o quê o amigo estava pensando, e ele apenas aponta para a TV, que exibe notícias sobre o caos que o Japão estava com a escalada da guerra NIKEI.
Rodney, que estava em uma cadeira ao lado, reconhece que a situação estava feia. Karslie pergunta se eles achavam que eles realmente tinham capacidade de lidar com isso. Isa diz que é algo delicado, mas deviam ser confiantes porque da última vez foram exitosos. O rapaz, com um olhar mais sério, um tanto marcantes diante de um profundo olho azul, a lembra que salvaram “uma base e meia” frente tantas outras que caíram. Ele acreditava que não eram suficientes e, se quisessem realmente fazer alguma diferença, deveriam mobilizar os Twelve para intervirem. Isa o lembra que tal agência era secreta e que dificilmente saíram das sombras para se expor e resolver esse conflito, mesmo que tenham capacidade. Karslie insiste em tentar, e ela diz que poderiam. Mesmo assim, reconhecendo a pequenez do grupo, não poderiam deixar de tentar nem sequer se for para remediar os danos.
Rodney ainda o lembra que prometeram dar suporte a Satochi nessa luta, e Karslie diz que não se esqueceu disso. Só estava ficando descrente e tinha medo de sofrerem um destino semelhante a Arthur Luczien graças sua insistência. Neste momento, a porta do quarto se abre e Daxam aparece, pronto para começar o seu bliefing.
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Monte Karakuni, Ebino. A quase mil metros acima do limite do mar, em meio a uma densa neblina em um ambiente agora distante de qualquer tipo de civilização, estava o quarteto escalando e vasculhando cada canto imaginável daquele lugar. Já fazia pelo menos meia-hora que eles estavam vagando sem um rumo certo, apenas procurando qualquer sinal do que poderia ser um dono do NIKEI e nada. Isa pede para eles pararem porque ela já estava muito cansada, querendo se hidratar. Satochi comenta que ainda não fazia tanto tempo assim para ela estar daquele jeito, insinuando que não a achava alguém muito atlética. Ela pergunta se o Toshiro não conseguiu, através das informações que ela conseguiu para ele, determinar com algum tipo de precisão para onde eles deveriam ir. Com um ar de deboche, já que era essa uma de suas especialidades. Daxam diz que caminhões de suprimentos param bem abaixo do monte, e que seus conteúdos poderiam ser levados a pé em até 5km de distância do local da entrega, segundo previsões relatadas por seu especialista em informática.
Rodney questiona a Karslie sobre sua incapacidade dele mesmo localizar o dojo, já que eles estão seu elemento. Uma referência a capacidade do rapaz de 29 anos em exercer controle sobre a terra e diversos tipos de rocha, sendo o quê há de maís abundante. Karslie diz que é algo que tentou desde quando chegaram lá, mas o solo daquele lugar é instável. Afinal, basicamente, é um vulcão adormecido. Ele não consegue o sentir normalmente com seus pés, mais parece uma bomba de energia do que um caminho para mapear. Isa se questiona como uma instalação daquele tipo passaria ilesa diante de uma varredura executada através de satélites sobre todo o monte, e Satochi responde que só se estivesse invisível, não podendo ser vista de cima. Sem muita vegetação, Karslie reconhece que isso só poderia ser possível se estivesse abaixo do solo, mas naquele cenário em específico era impossível. “Não no subsolo, mas em uma caverna”, Daxam responde. Ele pede para o colega tentar usar seus poderes para rastrear uma nas proximidades.
Karslie o faz e sente uma a 500m. Eles vão até lá, apenas para perceberem que era escura e quase impossível de fazer um reconhecimento. Porém, ele percebia que ela parecia única naquelas redondezas e incentiva que entrem para a vasculhar. Satochi usa seus poderes para gerar uma corrente elétrica que pulsa sobre seu braço e ilumina os arredores, e eles entram nela. Após alguns passos, percebem que realmente o palpite estava certo e havia uma instalação ali feita com pedras, mas parecia vazia. Eles se aventuram em entrar nela e reconhecem pelo kanji “yuu” esculpido que pertencia mesmo ao NIKEI. Algumas frestas de luz vindas do teto permitiam eles reconhecer que estavam em um enorme saguão, e que haviam muitas caixas com alimentos sugerindo que ali era habitado. Mas, o fato de estar vazio gerava o maior estranhamento, sugerindo que estava abandonada. Isa acreditava que não, pois muitos dos vegetais ainda estavam frescos. É neste momento que eles escutam outros passos e uma figura aparece: um senhor já careca de barba grisalha, mas estatura alta e aparentemente forte pela definição muscular. Aquele era Tomoya Takahashi, senhor daquele dojo.
Tomoya afirma que sabia, desde as notícias que teve vindas de Kushima e Minamisatsuma, que havia grandes probabilidades de sua casa ser invadida pelos “reacionários” que tentavam impedir o avanço do clã pelo Japão. Ele não podia deixá-los triunfar sobre ela, optando por fica e a defender por todos os que partiram. Satochi estranha essa afirmação, se perguntando para onde eles haviam ido. Tomoya apenas responde que “cumprir desígnios maiores”, enquanto puxa sua katana e se prepara para uma luta. Karslie comenta que achava que aquilo estava ficando fácil demais, em ironia, enquanto usa rochas próximas para revestir seus punhos e os fortalecer. Rodney se transforma em sua forma monstruosa, similar a uma criatura aquática. Isa resolve se esquivar, sabendo que não poderia o enfrentar diretamente e que seus amigos fariam um melhor trabalho que ela. Na verdade, com outra intenção em mente.
O ancião puxa sua espada até próximo ao seu rosto, afirmando em tom de juramento que naquele momento iria recobrar sua honra derrotando seus inimigos e garantindo a proteção de sua fortaleza. Então, ele avança sobre o trio rapidamente desviando de um relâmpago vindo das mãos de Satochi. Ele usa uma velocidade incomum e salta para tentar o decapitar, mas Rodney o intercepta e o empurra para trás. Ambos duelam em um jogo de combate corpo-a-corpo, com a pele do jovem canadense sendo muito dura para ser penetrada pela lâmina. Usando movimentos únicos, Tomoya até consegue o puxa pelo dorso e o fazer cair no chão. Mas, nisso acaba atingido por mais uma rajada elétrica de Daxam e cai tentando se restabelecer. Karslie prende suas mãos e pés no chão, as envolvendo com rocha, mas Tomoya consegue se libertar e usa da escuridão como um meio de se camuflar, pronto para atacar.
De repente, ele surge detrás de Karslie e o atinge no ombro, cortando-o profundamente enquanto cai no chão e percebe sua katana suja de sangue. Algo que o faz sorrir. Ele grita de dor, mas Rodney logo usa dessa distração para avançar em Tomoya por trás e usar suas garras para rasgar sua armadura e também lhe ferir. O NIKEI o derruba, tentando perguntar sua arma em seu peito, mas ele consegue se livrar dessa situação e abre caminho para Satochi também se envolver nessa luta. No caso, com ambos atacando Tomoya ao mesmo tempo com vários golpes seguidos. Daxam pergunta a ele o quê estava acontecendo de tão importante para o dojo estar sendo resguardado apenas por ele, de novo, e o inimigo afirma que ele saberá quando for a hora. Cansado desse embate, Satochi alcança os braços de seu adversário e o eletrocuta até desmaiar. Com Tomoya caído, eles se atentam ao ferimento de Karslie. Através do comunicador em suas orelhas, eles são chamados por Isa para um cômodo próximo. Para verem algo.
Quando todos se reúnem em um depósito não muito distante de onde estavam, ela aponta para caixotes vazios com a logo da empresa Aurex Nippon Pharmaceuticals tingida em sua tampa. Era intrigante observar que todos pareciam provir de um mesmo destino, e que possuíam um revestimento que garantia isolamento térmico. Isa nem sequer imaginava o que continham, mas via que era importante e propõe investigar a Aurex. Satochi aponta que já notou que esta era usada por criminosos como meio de esconderem produtos ilegais dando uma aparência de legalidade a eles, e suspeitava que um de seus acionistas ainda pertencia a yakuza Taigazu fu-yuri, que sabidamente ajuda os NIKEI. Era certo que estavam escondendo algo, e Façam aponta que a principal sede da empresa, onde preparavam a maior parte dos medicamentos que seriam comercializados, estava em Osaka. Karslie, ignorando seu ferimento, aponta que seria interessante irem lá fazer uma visita.
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Birdstown, Califórnia. Estados Unidos. Praticamente do outro lado do mundo, uma manhã calma e ensolarada começava a se formar. Muitos pássaros, animados com os primeiros raios solares que viam atingir as copas das árvores, voavam em bando entre os galhos como quem apenas buscava brincar, cantarolando por aí, se divertindo, sobre os céus de muitos dos cantos daquela cidade. Mesmo um lugar fúnebre como o Cemitério Municipal Horácio Gregório acabava esbanjando certa graça a partir do quão radiante estava a natureza naquele dia, um verde tão vivo em muitas de suas tonalidades, quase como uma pintura de um artista exímio, percebido através das muitas folhas da vegetação. Quase que sozinhas caminhando sobre uma trilha de pedra, vestidas com um preto que destoa denunciando um sentimento pesado de luto e de perda, estavam Claire Luczien e Alecsandra Petrovich, a primeira com um vasto arranjo de flores violetas nas mãos que levava para enfeitar o túmulo de seu finado filho.
Assim que as duas chegam a seu destino, Claire orna a lápide com tais flores, ela decide agradecer a outra moça por estar a acompanhando naquele lugar. Se desculpando por ter a feito acordar tão cedo para isso. Alex sorri, e diz que era um ótimo motivo para dormir mais cedo e ainda sair de casa, sendo quem estava grata pela oportunidade. A mãe de pouco mais de 60 anos, com seus olhos castanhos tão claros, quase que esverdeados, mergulhados em lágrimas, lamenta estar vivendo o momento de enterrar seu único descendente. Alegando que era muito difícil passar por isso sozinha, ainda mais para quem não podia contar com nenhum outro parente da família. Alecsandra afirma que imagina como está sendo para ela, e que já viveu a infeliz outra face da mesma situação. Não sendo fácil lidar com a morte, ainda mais de uma pessoa tão querida como era Arthur. Claire relembra que sempre desestimulou o filho a seguir o caminho que estava trilhando... Um herói público, determinado a desarticular o crime organizado e grupos terroristas... Era algo tão perigoso que fazia quase certa sua morte precoce. Mas, ele era obstinado e não podia ser despersuadido. Alex observa que isso era uma qualidade, não um defeito.
A mulher então pergunta para a jovem qual era sua relação com o seu filho, tendo em vista que sabia que eles eram próximos, até moravam juntos, mas estranhava que não eram namorados já que quem ocupava este posto era a também falecida Bridgette Torres. “Você também já foi namorada dele?”, ela questiona. Alecsandra diz que a relação deles era mais complexa do que parecia, não era amorosa, mas sim fraternal. Que ele foi uma âncora em um momento difícil de sua vida e, depois, tinha o carinho de o ver como irmão. Claire sorri, dizendo que ter relatos de pessoas verdadeiramente ajudadas por Arthur era o que mantinha seu orgulho por ele. Alex concorda, dizendo que ele era um homem sensível de muitas qualidades e que sentirá muita falta dele. Neste momento, Claire nota que a moça havia ficado emocionada e pergunta se estava tudo bem. Alecsandra diz que sim, mas que estava sendo difícil para ela também estar lidando com a morte.
Com uma expressão madura, como quem havia percebido algo muito mais profundo enterrado no olhar frágil da acompanhante, Claire pergunta se é a primeira vez que ela passa por isso. De perder alguém querido, próximo. Alex diz que não. Na verdade, estar passando por isso de novo está sendo doloroso para ela por já ter enfrentado lutos traumáticos no passado, sendo que está sendo obrigada a reviver emoções antigas e difíceis de serem tragadas. Ela, então, pergunta quem Alecsandra perdeu. Ela revela que foi sua mãe, aos 11 anos, em um acidente de carro que anos depois descobriu ser de índole criminosa. Um assassinato. Claire diz que “sente muito”, que entendia como era perder um dos pais e que deveria ter sido difícil em tão tenta idade. Alex pontua que não foi a única pessoa quem perdeu, tendo mais recentemente visto morrer sua meia-irmã, Hannah Petrovich, cujo relacionamento era tempestuoso, e a irmã quem adotou por terem histórias semelhante, Anne Marrie Lebronck. Seu pai ainda estava vivo, mas com tantas decepções estava morto em seu coração. O tom de voz, naturalmente grave, de Alecsandra, vai se tornando cada vez mais melancólico e Claire vai percebendo que a moça carrega muita dor dentro de si.
Ela então lhe pergunta como ela se sentia diante disso, e Alex revela que “se sente sozinha”. Presa em suas emoções enlutadas, a garota de 28 anos começa a chorar enquanto é consolada pela mãe de seu irmão adotivo. Após obter o amparo necessário, ela diz que conseguirá lidar com isso. Ainda assim, sente falta de seu namorado, Karslie, que está em missão no Japão naquele momento. “Ótima hora para estar distante”, ela confessa em tom irônico. Claire então diz que sabia que não era fácil “lidar com a cruz que Alecsandra carregava no peito”, mas passar por isso tudo não seria o fim do mundo para ela. Poderia ser difícil, mas o quê ela precisava fazer era encontrar um significado dentro deste luto. Um algo porque lutar, e seguir em frente mesmo que tudo pareça incerto ou que vai dar errado. Alex agradece o conselho. As duas observam, paradas, o túmulo de Arthur, com a jovem comentando que mesmo assim não gostaria de estar passando por isso.
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Yokohama, Kanagawa. Japão. Um dia havia passado, estando naquele momento em um memorável fim-de-tarde com o céu crepuscular, muitos detalhes em tons vermelhos e alaranjados contrastando com o azul mais escuro que pronunciava a noite. Refletido sobre as águas da baía de Tóquio, o horizonte se tornava inebriante e muito chamativo , quase como uma distração para qualquer um que esteja executando os seus negócios no porto da cidade, mais diretamente no píer Minamu-Honmuka. Em uma caminhoneta vermelha estacionada em uma das vagas do estacionamento, a única ocupada, estava Haruka Takahashi com um telefone celular na orelha conversando. Ela, como sempre, em um visual minimalista, sem maquiagem, com roupas civis disfarçando sua relação com os NIKEI. Do outro lado da linha, Isamu, e o conteúdo da conversa não parecia nem um pouco oficial para a agenda do clã.
Isamu reconhece que muitos que pertencem a sua tropa, responsável por acompanhar e proteger Takeshi em suas batalhas, estão consideravelmente desnorteados sobre o quão longe seu mestre deseja chegar para alcançar seus objetivos. Que são, sabidamente, o domínio do país. Eles percebem que ele está muito bem encaminhado, articulado, informado, e por isso têm fé sobre ele e dosm suas vidas para sua causa. Ainda assim, estão cegos quanto para onde estão indo e isso é uma realidade para os outros dojos do NIKEI. Ninguém sabe o quê passa na mente de Takeshi. Haruka afirma estar preocupada sobre isso, porque do tempo que ela conviveu no ocidente, aprendeu sobre geopolítica o suficiente para saber que não basta ele tomar o poder de figuras de autoridade de uma nação para ser proclamado governante. Outros países não vão reconhecer isso, entre eles os Estados Unidos, e a guerra apenas estará começando quando o Japão for eles. Isamu reconhece não entender das coisas sobre este prisma, mas elogia Haruka como sendo muito inteligente.
Ela diz que precisam agir, e perguntou para Isamu se ele nunca pensou ter uma vida diferente da que leva atualmente. Ele responde que a posição que conquistou era um sonho de muito tempo e servia de orgulho para seus pais, no vale do Iya, há anos. Porém, ela insiste em querer saber se o amigo já se imaginou para além dos muros do NIKEI. Isamu responde que já teve curiosidade sobre muitas demonstrações artísticas e culturais do Japão, que apenas ouviu falar em missões mais ousadas com o clã. Mas, sempre teve suas ambições amparadas nele. Haruka expõe que temia que muitos membros do NIKEI não soubessem o quê era a vida de verdade por estarem presos nessa perspectiva de serem guerreiros. Isamu, então, diz que ser guerreiro já é uma vida honrosa e satisfatória, seguindo os preceitos do bushido. Ela, como alguém que sempre foi guerreira, diz que ele não sabe o que está falando. Então, ela reforça se realmente não poderia contar com ele caso queira insurgir contra seu pai, pelo bem de todos, e Isamu diz que não. Que é muito apegado a ideia de lealdade ao clã, mas a incentiva ainda assim se ela sente que é o certo.
Haruka pontua que é o “único jeito” enquanto desliga a ligação e saí do carro, caminhando pelo píer em direção a um contêiner ao lado de um navio de propriedade da Aurex Nippon Pharmaceuticals. Já atracado, que ela abre e vê muitos caixotes contendo doses do soro Evergreen. Um líquido viscoso azul marinho, quase preto, armazenado em uma ampola que serve para injeções. Ela olha para ele e reflete sobre seu papel, até então, em refrear e impedir o desenvolvimento de drogas capazes de replicar os efeitos do metágene. Agora, estava ali, ajudando na distribuição desses lotes levando-os para uma transportadora em Sendai, Miyagi. Algo, porém, estava errado. Ela nota que não havia visto praticamente ninguém desde que entrou no porto, cuja nem mesmo a segurança parecia estar sendo efetiva. Não haviam guardas, funcionários. Ninguém. Praticamente, muito fácil para ela só chamar seus subordinados para recolher os caixotes e os levar para aonde são requeridos. Haruka, então, decide deixar o contêiner de lado e patrulhar as redondezas. De fato, uma figura misteriosa escondida ao fundo estava a observando. A jovem japonesa procura por qualquer ser humano ali e não encontra nada, até deduzir o óbvio.
Ela manda que o agente da Twelve se revele, pois já havia entendido a operação. Connor Francis Giuseppe, o imponente líder dessa agência de segurança global, aparece e questiona quanto tempo ela demorou para deduzir sua presença. Haruka revela que tinha suspeitas disso desde quando passou pela cancela da entrada. A mulher, então, diz estar impressionada que alguém tão importante como ele veio pessoalmente a interceptar. Perguntando se ele sentia mágoas dela, recebendo como resposta o silêncio. Connor pergunta seu verdadeiro nome, reconhecendo que Diana Fudiangan era um engodo. Haruka se apresenta, dizendo que já fazia muito tempo que queria falar com ele. Então, ela o indaga o que o trazia ali. Se era o soro Evergreen, ou uma missão para parar os NIKEI. Connor revela não fazer parte do grupo especializado nesta crise no Japão, mas sim que veio encontrá-la. Sorrindo, ela pede sua ajuda para poder parar seu pai. Desprezando qualquer confusão que poderia girar em torno do que essa afirmação insinua. Connor ri, alegando não ser tão ingênuo como ela pensa.
Então, ele veste luvas metálicas reforçadas, as quais ele chama pelo nome de IRG (Impact Reinforced Gloves). Para Connor, Haruka era uma traidora com informações sigilosas comprometedoras do funcionamento interno dos Twelve, que abusou de sua boa vontade apenas com o intuito de infiltração, para aprender sobre eles. Ele não acreditava mais nela, não queria a ouvir, então revelando que seu objetivo era executá-la. Afinal, alguém tão perigoso agindo em um grupo terrorista não poderia agir livre. Haruka se mostra decepcionada com o seu antigo chefe, mas também cética, já que seu corpo, seus músculos, eram brutalmente mais resistentes que os de uma pessoa normal. Com a finalidade de demonstrar, Connor usa um dispositivo de teletransporte e desaparece, reaparecendo próximo da jovem e a nocauteando com um soco empoderado pelas luvas. Basicamente, elas forneciam energia suficiente para suas mãos simularem o impacto de uma força muito superior a humana, uma estratégia que poderia de fato machucar Haruka.
Ela é derrubada pelo soco, em seu ombro direito, que ela sente como uma agressão direta. Doía. Sem muitas opções e assustada, ela se levanta apenas para ver Connor surgir de um clarão esverdeado e lhe socar no rosto, lhe desnorteando. Ele some, mas aparece por trás e lhe golpeia na cintura. Isso, não a dando tempo para reagir. Quando ela se prepara para retrucar, agora não se acanhando de sua força, Connor aparece, segura um dos seus braços, e gruda explosivo plástico em seu rosto que detona, fazendo Haruka estremecer. Com a visão prejudicada, ela se levanta, apenas para ser empurrada para um contêiner e o amassar com seu corpo. Mais uma vez no chão, Haruka se apoia com os dois vendo sangue escorrer pelo seu nariz. Então, algo estranho acontece. Um portal negro, quase que da sua altura, se abre pouco atrás dela e suga tudo para seu interior. Como um buraco negro, na verdade. Ela o reconhece e tenta se apoiar no chão para não ser sugada por ele, mas não consegue. Para sua sorte, uma empilhadeira entra em seu lugar e o portal se fecha. “A zona negativa! Você quer me mandar para a zona negativa!?”, ela exclama.
Connor aparece, de repente, e a soca mais uma vez nas costelas, mas ela consegue lhe desferir um golpe antes dele partir que o machuca. Voltando, de longe, ele cambaleando passa as coordenadas de onde ela está via rádio. Mais um portal surge, mas ela consegue jogar um contêiner para o tapar. Quando ela escapa, outro aparece atrás dela, que precisa se jogar para frente para não ser engolida. Desesperadamente, ela soca o chão e retira um pedaço de concreto que o direciona para o evento físico que ocorria ali. Cansada dessa situação, ela localiza Connor e pede as palmas da mão com muita força, criando um abalo sônico que consegue destruir o rádio dele. Assim, o impedindo de se comunicar com sua equipe e abrir mais “buracos negros” controlados para a zona negativa. Ele então exclama que essa era a alternativa para ela continuar viva, mas se era esse seu desejo a mataria com suas próprias mãos. Haruka diz que apenas quer conversar com ele, e que ele não entende suas razões para “trair” os Twelve com os NIKEI. Connor diz que não se importava, mas Haruka percebe que estava uma luta muito pessoal e que provavelmente ele não tolerou ter sido enganado.
O agente mais velho volta a se teletransportar para perto dela, mas dessa vez ela consegue segurar sua mão e usa sua força para destruir uma das luvas, o jogando para a água. Connor retorna ao píer molhado, e ela insiste em querer dialogar. Afinal, ela não havia o enganado. Quem ele conheceu era de fato quem era ela. Só precisava ser menos “cabeça dura”, pois foi exatamente por conta disso que Arthur acabou morrendo. Connor ironiza que Haruka está trabalhando agora para seu assassino, e ela revela que ele era seu pai. Isso choca seu oponente, que decide abaixar a guarda e não voltar a atacar. Ele questiona se seu objetivo era parar os NIKEI, algo que ela confirma. Então, ele ordena que assim seja feito. Haruka, então, lhe pede ajuda para isso. Mas, Connor diz estar de mãos atadas já que deveria respeitar a soberania do Japão. Haruka, com o rosto ensanguentado e alguns hematomas visíveis, se percebe frustrada, enquanto Connor evade do porto usando seu teletransporte. Apenas, antes, a ameaçando de que se ela não cumprisse sua promessa, ele pessoalmente iria surgir para a eliminar.
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Paralelamente, ocorreria mais um dos atentados provocados pelo NIKEI a mais uma base estratégica da Força Terrestre de Autodefesa do Japão (JGSDF). Desta vez, porém, ele estava chamando a atenção nacional, sendo acompanhado pela imprensa, e atentamente entre figuras importantes ligadas a defesa do país, porque entre os outros era um dos mais astutos. Afinal, aquela guarnição era uma das mais próximas atacadas até então da capital, Tóquio. Acampamento Asaka, 18h30min da noite. A escuridão favorecida por uma Lua minguante, mas não suficiente para tornarem úteis a iluminação dos muitos postes de luz espalhados pelo lugar, criava um ambiente de guerra acirrado e intenso entre muitos agentes de segurança japoneses e poucos homens e mulheres pertencentes a tropa do NIKEI. Estes se dividiam em duas direções diferentes, sul e norte, mirando em alvos diferentes da instalação e garantindo com que a batalha ficasse dividida em duas frentes dificultando o trabalho do general Ryohu Nakamura, que protegido em um setor chave de inteligência coordenava seus homens e resguardava os interesses de seu país.
Seu conselho era que eles se ajuntassem em grupos de seis e cada um focasse exclusivamente sobre um dos inimigos, acompanhando seus movimentos e atirando freneticamente até que um dos tiros de seus fuzis os atingisse. O motivo era que a maneira como eles se comportavam em campo de batalha os tornava alvos extremamente difíceis de serem atingidos. Através daquilo que o soro Evergreen proporcionava em suas veias, os terroristas exigiam um vigor e velocidade únicos, praticamente não ficando parados em um único ponto e usando das árvores daquele parque, próximo a um lago artificial ao norte do acampamento, como meios para se camuflarem e desnortearem os atiradores. Nenhum NIKEI, sob essa estratégia, foi atingido. Mas, claro, cobrava um preço. Afinal, era um esforço físico enorme. Sob o comando dos irmãos Hayato e Kanako Takahashi, progressivamente eles avançavam promovendo um massacre de todos que se colocavam em seu caminho. O quê provocou o desespero em Ryohu, que delegou ao general Masato Ishihara o dever de coordenar uma fuga de oficiais de Alta patente que provavelmente seriam assassinados se ficassem ali.
Aquele não era um simples dia para aquela instalação. Sob a consultoria do general-de-brigada do Comando de Operações Especiais dos Estados Unidos, James T. Whitmore, havia uma reunião de uma importante cúpula convocada pelo Ministério da Defesa, que estava trabalhando no desenvolvimento da operação Kontoruru o torimodosu, juntos para discutir a melhor maneira de lidar com a crise que estavam enfrentando. Aquele ataque, naquele momento, não era puramente ao acaso. Era ostensivo, um recado mais direto contra o Estado japonês afirmando a força daquele clã. Em verdade, todos aqueles homens de grande prestígio e anos de carreira estavam impotentes, vulneráveis, aguardando a salvação vinda na forma de um contundente de helicópteros enquanto sabiam que inevitavelmente aquela “fortaleza” iria cair. De fato, por detrás de um grupo que matava todos aqueles que entrava em contato, haviam alguns poucos membros do NIKEI que carregavam explosivos prontos para detonar prédios.
Após cruzarem o lago e começarem a caminhar pelas ruas do acampamento, agora tendo de lidar não só com um pelotão armado com fuzis, mas motorizados em jipes camuflados, o NIKEI enfrenta seu primeiro momento crítico quando, em um salto, Kanako é atingida na coxa e cai, indefesa, pronta para ser morta. Num rompante absurdo, o próprio Takeshi surge na luta vestindo sua icônica armadura completamente preta, com duas satanás nas costas e ombreiras com kanjis “yuu” em vermelho, além de um no peito. Salvando sua comandante, ele atira shurikens nós atiradores próximos cortando suas gargantas. Então, ordena que Kanako se levante e prepare o caminho de fuga, pontuando que com certeza seriam perseguidos. Mesmo com dor e sangrando, por detrás de suas calças pretas, ela obedece e agradece seu mestre. Mostrando referência e respeito. Takeshi, então, volta-se contra os agentes da JGSDF, pegando suas espadas e as empunhando cada uma em uma mão. Com uma agilidade sem igual, ele avança sobre cada um deles conseguindo os derrubar antes de ser visto.
Se aproveitando do apoio do líder, os outros instalavam os explosivos e começavam a demolir alguns edifícios. Takeshi continua a matança, mas percebe um girar de hélices que denunciavam a fuga de seus alvos. Entre eles o general Yasunori Mashita e o chefe do Estado-Maior, Yoshihide Yoshida. Puxando uma kusarigama, Takeshi tenta apresar o seu ritmo já impressionando buscando esfaquear ou decapitar seus oponentes enquanto a girava, mas não chega a tempo e é obrigado a os ver partir. Neste momento, percebe uma figura diferente no campo de batalha: o próprio James havia descido para colaborar com o pessoal da JGSDF e, reconhecendo Takeshi como o mais perigoso, manda todos se concentrarem em atirar nele com seus fuzis. Assim, com todo o pelotão mirando sobre ele. Takeshi tenta desviar, até usa suas satanás para ricochetar as balas, acertando snappers escondidos nós telhados, mas acaba sendo obrigado a ser salvo por seus homens, que o defendem partindo para cima deles e, em consequência, se permitindo ser acertados.
Antes de todos caírem, Takeshi consegue alcançar James e parte seu fuzil ao meio com o corte preciso de sua espada curvada. Ele então escuta ser chamado de “extremista louco”, enquanto ele esbanja e morreria com honra sabendo que já matou muitos como ele, fazendo do mundo melhor. Sentindo-se desafiado, Takeshi guarda suas katanas e questionando se James sabe o quê é morrer com honra, lhe propõe um duelo de combate. Aceitando, James usa sua alta estatura e força como um meio de o intimidar, dispensando vários golpes. Mas, sendo esquivado e acertado por mais socos de Takeshi até eventualmente cair em sua frente. Quando isso acontece, ele puxa sua espada sob o pescoço do adversário alegando que não havia honra em controlar outros países na base da força e os usar como fantoches para seus interesses particulares. Sendo que ele era capazes de recuperar a honra que militares como ele roubaram de seus senhores de direito, agradecendo o desafio e o matando. Alguns minutos depois, o norte do acampamento Asaka havia sido tomado.
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Osaka, Kansai. À noite, naquele mesmo dia, o quarteto de mutantes que colaborava com o governo japonês estava investigando mais diretamente a sede da empresa do ramo farmacêutico Aurex Nippon. Cujas instalações se localizavam na região leste, mais industrializada, da cidade, ao lado de muitas outras de renome. Discretamente escondidos no interior de um carro preto, não muito longe de onde pretendiam, eles estavam observando as movimentações das pessoas que estavam do lado de fora daquele lugar, priorizando não levantar muitas suspeitas. Guardas jovens e uniformizados espalhados por cada canto do prédio, uma segurança bem reforçada, mas nada muito fora do padrão. Porém, os novos poderes de Isabelle Reebirck se provaram muito úteis quando ela foi capaz, com a única interferência de seus pensamentos, de puxar o sinal das câmaras de segurança para o seu minicomputador portátil. Aquele acessório básico na forma de bracelete dos Twelve. Onde vê, no interior do edifício, que a maior parte dos que estão presentes usavam vestes que remetiam ao estilo samurai, com Satochi reconhecendo alguns como sendo dos NIKEI.
A verdade era que a yakuza Taigazu fu-yuri, de fato, cedeu aquele lugar para que os NIKEI pudessem se organizar e se preparar para algo. Haviam muitos caminhões que estavam estacionados na garagem e, com o emblema da Aurex, não chamariam a atenção da polícia, favorecendo o transporte dos terroristas. A maioria estava no primeiro andar, entre salas e escritórios, aparentemente esperando o tempo passar. Mas, no último andar, Daxam reconhece que Yuzuru Takahashi, que ele sabia ser o senhor de um dono que ele não sabia precisar onde ficava, estava com alguns homens trabalhando em algo importante. No telefone com outros membros proeminentes do NIKEI, em algo como uma reunião on-line, e verificando mapas e alguns dados nós computadores. Como se estivesse estudando o ambiente que iriam atacar. Rodney pergunta o quê iriam fazer, e Satochi diz que sua vontade era a de explodir todo o prédio. Mas, poderiam conseguir problemas legais com isso. Karslie, cujo ombro havia passado por avaliação médica e teve que dar pontos para fechar o corte, aponta que precisavam saber o quê eles estavam planejando.
Isa sugere uma infiltração, algo que todos olham para ela com expressão de deboche. Karslie era praticamente polaco, a pele de Rodney era bronzeada, e a própria Isa tinha olhos verdes grandes demais para se passar por qualquer guerreiro japonês. Satochi seria o mais ideal, mas possuía uma enorme cicatriz próxima do olho direito que o denunciava. Ele, porém, diz que poderia fazer dar certo. Porém, precisava saber qual era o plano de Reebirck. Ela libera rastreadores de seu bracelete que poderiam ser acoplados aos caminhões, na parte debaixo da carroceria. Apunhalando um dos guardas que estava mais isolado, a oeste, ele poderia entrar e somente plantar esses dispositivos. Ela sugere que Karslie poderia invadir a sede da Aurex por cima e tentar obter os dados dos computadores sem ser visto. Ele pergunta como Faria isso enquanto eles estão sendo usados, apenas para ela o lembrar de um chip magnético que os braceletes disparavam que, se colidisse com uma CPU, poderia lhes fornecer os dados.
Eles concordam com o plano e partem para execução. Karslie ajuda Satochi a desacordar o infeliz NIKEI que foi escolhido para ter seu uniforme roubado, dando-lhe um golpe na nuca com uma rocha forte o bastante para o desacordar. Enquanto Daxam se troca, ele pergunta se Karslie teria dificuldade em escalar o prédio graças ao seu ferimento, mas ele diz que pegaria uma carona rápida com algumas pedras que tinham no chão, usando seus poderes para as mover apoiando-se nelas para cima. Quando Satochi estava pronto para entrar, passando pela janela, ele reconhecesse Ryonosuke Takahashi conversando com alguns subordinados, provavelmente quem estava responsável pela segurança. Tendo um flashback de sua infância, quando assistiu sua cidade natal, Awa, ser massacrada graças a ordens vindas dele. Uma profunda raiva irrompe sua mente, e Karslie percebe. Perguntando sobre, ele compartilha que Ryonosuke estava no prédio e que sentia forte desejo de o matar. Pela missão, o colega tenta o acalmar pontuando que no tempo certo pegariam ele.
Eles então partem para seus objetivos. Karslie consegue subir os dez andares do edifício sem ser visto por ninguém, abre a janela de fora e entra, esgueirando para chegar até uma das salas que estava sendo usada como central de operações pelos NIKEI. Para sua sorte, todos estavam entretidos e preocupados com o que estavam fazendo, e assim ele consegue mirar e acertar uma CPU com seu dispositivo transferindo suas informações para a Isa, como o desejado. Satochi também consegue entrar na garagem e instalar os rastreadores sem ser percebido, todavia, o seu caso teve um atrapalho que não pôde ser ignorado. Ele cruzou com Ryonosuke, que interagiu com ele pensando ser um dos seus homens grosseiramente exigindo que voltasse ao seu posto. Ouvir sua voz amarga, rude, proporcionou uma catarse tão grande nele que fez seus olhos brilharem em azul. O NIKEI percebeu, enfim notando a cicatriz e o reconhecendo como quem era. Porém, nem desconfiando de seu papel decisivo em sua história. Percebendo que seu disfarce havia sido entregue, ele disparou um relâmpago tão forte em Ryonosuke que fez a luz daquele prédio piscar, com várias lâmpadas estourando.
Isa pergunta o que ele estava fazendo pelo comunicador, mas Satochi diz que era mais forte do que ele. A recomendação era que ele fugisse, enquanto Ryu Takahashi levava os seus homens para o andar térreo para ver o que estava acontecendo. Apesar de ter severamente seus queimado, Ryonosuke não morreu e se levanta com raiva querendo se vingar desse acontecimento. Os “guardas” que estavam vigiando a parte externa do prédio surgem, fechando as saídas, encurralando Daxam que se vê obrigado a lutar pela liberdade. Mirando mais um relâmpago com as mãos em Ryonosuke, este se defende com sua katana e avança nele, que se vê obrigado a esquivar de muitos cortes da lâmina enquanto outros NIKEI faziam o mesmo. Karslie soube do ocorrido e queria ajudar, já que sem equipamentos dos Twelve, Satochi não poderia se teletransportar para fora dali. Apesar de frustrada, Isa o desestimula dizendo que intervir seria os condenar por estarem em menor número. Karslie se enfurece, dizendo que iam matá-lo, mas já era tarde demais. Satochi foi superado e acaba desmaiando com um golpe após receber vários golpes de várias katanas.
Ryonosuke sorri, dizendo que ficará feliz em ter para seu nome o título de ser aquele quem matou Daxam. Porém, Ryu intervém, repreendendo o colega. Ele pergunta porquê não matá-lo, uma vez que ele até mesmo tem poder suficiente para causar estragos quando estiver acordado. Ryu questiona se ele não vê, pois era uma oportunidade única de obterem informações sobre o governo japonês e até onde eles sabem sobre eles. Ryonosuke esbravece, alegando que ele jamais iria colaborar. “Sob a tortura certa, todos colaboram”, ele responde.
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Torrance, Califórnia. Estados Unidos. Um singelo raiar do Sol da manhã atravessa a janela de um dos quartos do Harbor-UCLA Medical Center, mais especificamente da ala de terapia intensiva, clareando o rosto de um homem de meia idade que parecia estar ali há um bom tempo. A enfermeira, cujo apelido escrito em seu crachá era Mandy, ajustava as medicações nós soros dos internos quando nota que esse mesmo rapaz começava a se mexer. Sem acreditar no que via, ela fica pasma ao perceber seus olhos esverdeados abrindo. Uma expressão de pânico, um susto. Rapidamente, ele levanta de seu leito não reconhecendo aonde estava. A enfermeira se aproxima e pede para ele se acabar, ainda mais por ver que ele estava muito agitado. Então, ela pergunta o seu nome. Como quem não queria o revelar, ele diz: “Charles... Charles H. Northwood. Onde eu estou? O quê aconteceu?”.
Mandy lhe explica que ele foi resgatado após a devastação que ocorreu em Honolulu, Havaí, há dois anos. Ele afirma que a última coisa que se lembra foram muitos demônios no céu, que estava vermelho como o sangue, e o ascender do apocalipse com o despertar de Satanás. Ele a questiona se isso foi real, com seu olhar pesando, dizendo que infelizmente sim e que perdeu sua mãe em meio aquelas catástrofes. Charles, porém, sobreviveu, mas permaneceu inconsciente esse tempo todo, sendo um verdadeiro “milagre” ele estar vivo. Termo que lhe incomoda. Ele, então, pede para ficar sozinho, com ela indo chamar o médico avisando que ele acordou. Um profundo ódio toma seu rosto, assim que ela saí, com ele olhando pela janela e vendo seu sombrio reflexo alumiado pelo brilho dourado solar.
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