The Joker.
5 The reality
Notas iniciais
O silêncio do quarto... As paredes em tons pastéis, que antes deveriam ser branco, o barulho de pessoas do lado de fora, os carros buzinando...
O sangue coagulava, e tentava escorrer pelo curativo, meus lábios ficaram levemente secos, e tentei lambe-los, mas gemi pela dor que senti ao lembrar-me do corte profundo que se estendia do lábio até a bochecha.
A dor me impossibilitava de lamber os lábios o tempo todo, uma mania que tinha adquirido quando pequeno, a única solução era aguentar.
O hospital público em decadência, pessoas do lado de fora gritando em desespero.
Sentia os pontos dos meus lábios doendo conforme eu respirava pela boca, me obrigando a respirar pelo nariz.
O contraste das paredes com a luz da janela doía meus olhos.
Lembro-me de tudo... Como se isso ficasse na minha cabeça para me alertar que eu não deveria recuar.
Eu e minha mãe chegávamos do circo, nunca fui muito fã de circo, tinha um profundo medo por palhaços, achava estranho o sorriso deles, era puxado de orelha-á-orelha, era de arrepiar.
Eu e minha mãe não éramos ricos, ela estava muito doente, não tínhamos como pagar o hospital e os remédios do qual ela necessitava, ela me levava em um pequeno circo caído aos pedaços que tinha perto de casa, ela dizia que amenizava a dor, que era tão tranquilo, por que os palhaços faziam as pessoas rirem como se o mundo ao redor não fosse um caos... Tolice.
Minha mãe tinha uma expressão abatida, olheiras profundas, extremamente magra, se movia lentamente, mal sustentava seu próprio peso, odiava palhaços, mas em silêncio, pois minha mãe perto deles sorria, e eu achava que quem tinha de fazer isso era eu.
Voltamos para casa como sempre, em um silêncio já prevendo tudo de novo, eu ficava quieto assistindo televisão, uma bem pequena e preta e branca com ruídos irritantes, a casa era pequena e modesta, mas arrumada, enquanto ela fazia a janta, eu ficava esperando, íamos comer, rezávamos, agradecia pela comida de todo dia, e por sobreviver mais um dia.
Estávamos na cozinha lavando os pratos.
Não bastava minha mãe ser muito doente, meu pai a agredia, ele tentava me agredir mas ela intervia, e acabava sobrando para ela, eu esperava crescer para poder da o troco.
Eu tinha só 12 anos, um menino franzino, que mal sabia se defender, como iria defender minha mãe de um homem de 1,87 de altura como o meu pai? A única coisa que eu poderia fazer no momento era ficar ao lado dela, esperando que um dia tudo isso acabasse, escutamos o barulho ensurdecedor da porta sendo fechada bruscamente, fiquei pálido e vi o olhar de desespero de minha mãe.
Ela me sussurrou.
- Suba Jake, suba por Deus ! – Ela pedia desesperada tremendo levemente.
Pela primeira vez eu temi pela minha mãe, eu senti que não deveria deixa-la, eu sentia isso.
Cansei de sentir medo, cansei de recuar, cansei de abandona-la enquanto ficava no meu quarto esperando tudo passar, não deveria ser assim, eu deveria apoia-la.
Cansei de ver minha mãe doente, pálida, e cheia de hematomas espalhados pelo corpo e no dia seguinte meu pai olhar pra gente como se nada tivesse acontecido nada.
Ele já não é bom da cabeça, bêbado era pior ainda... E era o que eu temia.
Olhei no fundo dos olhos dela e neguei veemente com a cabeça, ela ficou desesperada, eu lembro-me dos olhos suplicantes dela, escutei meu pai gritar.
- Mulher, sua vadia .
Depois disso lembro vagamente de meu pai entrando abruptamente na cozinha, xingando ela de todas as formas possíveis e eu segurando sua mão, ela encolhia tentando não se mover, quando vi que ele ia bater nela, cansei e peguei a faca de serra, e fui pra cima dele, por ser pequeno e franzino e ele facilmente me desarmou.
Ele enfiou a faca na minha mãe, enquanto olhava nos meus olhos, eu fiquei em choque ao ver aquilo, a faca atravessou ela, e ela caiu morta com os olhos mirados em minha direção... Sem vida.
Ele tinha enlouquecido de vez, ele vinha na minha direção dizendo.
- Por que tão sério? Por que tão sério filho? Vamos por um sorriso na sua cara.
Puxou a faca e fez isso na minha boca, lembro-me de gritar, por isso piorar as marcas, por ser de serra... Doeu bem mais.
Ele jogou-me no chão e foi embora, eu mal conseguia me movimentar de tanta dor que sentia, senti espasmos no corpo e fui me arrastando até minha mãe peguei sua mão gélida e a segurei firmemente enquanto sentia grossas lágrimas escorrer pelas minhas bochechas e se misturarem com o sangue.
Encontrei no bolso do casaco de minha mãe, um baralho do circo que fomos, e nele tinha a carta do Coringa...
Demorei, mas eu achei.
Passou-se um tempo, mas eu o achei, o que acabou comigo, acabou com minha mãe.
Aquele que deveria ter sido meu pai, mas foi um monstro na minha vida, movido pela vingança e pela loucura, o procurei e aos 16 anos o achei.
Mendigando na rua, como um bêbado qualquer sem esperanças na vida, o vi olhar melancolicamente para todos.
Aos 16 anos, as crianças do orfanato são largados na rua, fui humilhado por 4 anos, pois as pessoas são extremamente criticas, repudiavam meu sorriso...
Tive olhares de repúdio, de pena, de nojo, desprezo, ninguém suportava encarar as cicatrizes, tremia por dentro, com o ódio nas veias.
Eu vou ser mais do que todos já foram.
Vou fazer todos de Gotham ter um sorriso na cara... Como o meu.
Minha pintura de guerra... Um coringa.
Nada mais que um palhaço.
Aos 16 virei refugiado da policia, pois matei o meu pai, o desgraçado finalmente se foi, me vinguei lentamente dele, acabei com ele aos poucos, o torturei em memória a minha mãe.
Fiquei conhecido por Gotham, mostrei a todos que uma nova era estava por vi, e agora aos 29 anos, eu digo á todos...
Why so serious?
Conheci vários ladrões, fiz enormes inimigos, e aliados do crime, finalmente apareceu um páreo a minha altura... Batman, mas ele estava sendo muito inconveniente.
Mas ele parecia que tinha manteiga, escorregava por entre os dedos...
Vou ter que acabar com ele, de todos os métodos possíveis.
Batman não tinha identidade, isso dificultava tudo, me fazia querer destruí-lo mais ainda, ele descobriu sobre mim, sobre meus pais, sobre minha identidade, mas mesmo assim ainda uso minha mascara de guerra...Pois agora esse é meu verdadeiro eu.
Ele tentou me fazer desistir, usou de tudo e todo para me fazer desistir usou até sentimentos inúteis.
Que tolo.
Por um deslize meu, eu quase pus tudo a perder, principalmente a minha vida, Batman não mata, mas o Duas-caras mata, e ele apareceu, me surpreendeu, sim, ele atirou, e eu senti a dor no meu peito, tentei fugir, mas ele atirou na minha perna, cai no chão com a dor, comecei a rir, pelo simples fato de achar tudo engraçado, toda vez que eu sentia dor , me lembrava quando meu pai cortou minha boca, e como tudo era tão delicioso, e nada mais ficava tão ruim , a dor passou a ser boa, e afeto passou a ser ruim, tudo tão inverso, ele veio em minha direção, apontou a arma para minha cabeça, e enquanto eu repuxava o máximo que conseguia o sorriso, o Batman tentou impedi-lo de atirar, mas ele conseguiu, e acertou...e depois não senti mais nada, só, o vazio de onde eu vim, é de onde voltarei.
Mas eu tinha uma meta a cumprir.
Senti agonia nos braços, meus olhos doíam... A dor, se eu sinto ela é por que não morri, forcei rapidamente os olhos para se abrirem e senti a dor da luz ,e do movimento brusco, senti uma pontada forte na cabeça, e quando acostumei a visão percebi que estava em um hospital, com agulhas no braço onde passava o soro, percebi que tinha policiais me cercando do lado de fora pelo barulho, esses 'rosquinhas' não são silenciosos, levantei, olhei pela janela, e até pela janela eles me cercaram, depois de um tempo arquitetando, o médico entrou com mascara, tremendo com receio, consegui imobilizar e mata-lo sem fazer barulho, e sem melar a roupa hospitalar , me vesti , disfarcei de médico e sai, consentindo que podiam entrar, quando entraram sai em disparada, me escondi entre os enfermeiros, entrei no elevador, e sai pelos fundos, sorte que não tinha policias lá atrás, estúpidos, quem mandou me soltar, depois disso, me refugiei por alguns meses até a cicatriz da cabeça fechar , para pensar em alguns planos.
Fiz de tudo para acabar com o Batman e destruir Gotham
Mas depois que conheci Claire...
Ideias e mais ideias me veem a cabeça...
Eu espero que o Morcegão não se sinta triste de deixa-lo de lado por um tempo.
Estranhos, somos todos estranhos.
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