The Iris child

4 Capítulo 4 – Jogos de Guerra


Notas iniciais
O Nico apareceu, sim! Queria mostrar um pouco mais como é a relação de melhores amigos dele e é claro fazer Octavian e Valentina se aproximarem mais

Depois disso passei o resto da tarde me preparando para os jogos de guerra e colocando as armadilhas na nossa fortaleza, preferi não ficar pensando na nova miss colorida do acampamento Jupiter ou na aposta que fizemos. Uma aposta estúpida que perderei um domingo livre mas que ao ganhar terei algo a usar contra a garota. O meu prêmio pode ser muito bem utilizado, principalmente se ela continuar com essa popularidade. Não preciso de amigos, preciso de aliados. Amigos traem, aliados continuam juntos por ambições em comum.

A janta de hoje foi rápida, todos estávamos animados com a principal atividade do acampamento os jogos de guerra. Comi rapidamente assim como os outros centuriões e depois fui para dentro do forte ver se todas as armadilhas estavam certas, assim que todos chegaram comecei a ver se todos se lembravam de seus papeis, não iria admitir falhas, nós não vamos perder.

Na sala onde os nossos estandartes que devemos proteger estão, há um grupo dos mais fortes na luta mano a mano junto comigo e os outros centuriões, além de obviamente a garota de Iris que era responsabilidade de Gabe. Valentina parecia nervosa, estava com os cabelos presos em uma trança e segurava a espada de ouro imperial da legião dela. Não que eu ache que ela precisará da espada já que o inimigo não chegará tão longe.

Os canhões d’água se encarregaram de levar quase que uma Coorte inteira embora pelas águias, sem aquele grego de Poseidon eles jamais iriam tão longe são só uns perdedores inferiores obviamente. Só que algo começou a dar errado e alguns deles liderados por aquele irritante filha de Plutão controladora da nevoa e que deveria estar morta havia passado pelas barreiras e vinha até nós em um caminho livre onde ninguém estava próximo o bastante para interceptá-los a tempo.

– Temos que mandar alguém atrasá-los – digo olhando para os outros centuriões.

O problema é que não temos pessoas o bastante para mandar e deixar o que devemos proteger desprotegido, mas eu não posso permitir uma derrota, a derrota é para os fracos e inferiores e eu não sou nenhum deles. Não posso permitir falhas, não posso me acostumar com algo assim. Nenhum dos outros incompetentes sabia o que fazer até que Valentina levanta a mão como se estivesse em um colégio e soubesse a resposta da pergunta do professor.

– Eu posso atrasá-los – ela diz e todos a encaramos descrentes – Eles estão em 4, preciso apenas de duas pessoas e um pouco de fumaça, se eu mandar uma mensagem de Iris para Hazel com bastante água daqui ela vai achar que chegou na sala do estandarte e que ela está lotada de gente, isso pode distrai-los até termos mais gente.

Mensagem de Iris, isto era algo que os gregos usavam a forma primitiva deles de se comunicarem só que falar isso da mãe da garota não é uma boa ideia quando todos a olham com cara de idiota. Iris era só uma deusa menor idiota que ninguém dava atenção antes dela chegar, não que agora ela seja uma deusa importante só que ninguém diz isso em voz alta porque não querem ofendê-la. Patético, todos se vendem por um sorriso brilhante.

O pior foi o bando de paspalhos se oferecendo para ir apenas para agradá-la, é bom que a ideia dela dê certo porque se eu perder por culpa dela não vou me importar se ela é a miss popularidade ou não, ela vai me pagar. Uma derrota por culpa de uma garota que nem é totalmente romana seria uma mancha no sangue da minha família e eu tenho que honrar o sangue que tenho.

Vi ela usar o canhão de água para fazer uma boa quantidade de água, assim como usar uma luminária para iluminar a mesma, os dois patetas que conseguiram ser os escolhidos para ajudá-la foram para os seus postos para preparar a fumaça. Quando ouvi o apito que a fumaça estava pronta ela já estava em frente a água.

– Mãe peço que faça está ligação por mim – ela toca a água com a ponta dos dedos – Hazel Levesque.

Vi a imagem mudar para a filha de plutão com os amigos todos estávamos os encarando com caras sérias e sacando as espadas, menos Valentina que acenou docemente para a inimiga que a olhou surpresa e sorriu de volta.

Depois disso uma confusão aconteceu e no meio da fumaça os 4 garotos lutavam com os nossos dois, mas pela bagunça e fumaça que eles faziam junto conosco a luta parecia bem maior. Não gostava disso, da enrolação em vez da briga de verdade como os romanos fazem mas se eu considerar isso como uma estratégia de guerra não fica tão ruim. Olho pelo canto de olho para Valentina e noto que no mesmo instante ela se virou para me olhar e sorriu para mim. Desviei o olhar rapidamente voltando para a tal de mensagem de Iris, porque ela tem que sorrir toda vez que me encara?Ela não fica com dor nas bochechas por sorrir demais?

Os nossos reforços finalmente chegam e assim que Hazel, a última deles, é derrotada ouvimos Reyna tocando a trombeta indicando que vencemos. Valentina sorri e toca na água fazendo uma prece e agradecendo a mãe pela ajuda enquanto todos erguemos as espadas gritando pela vitória. Ela ainda tem tanto para aprender sobre como virar uma romana de verdade.

De repente sinto algo pular nas minhas costas e fico tenso já me preparando para derrubar a pessoa quando ouço a risada não irritante dela e todos nos encarando. Nunca ninguém pulou nas minhas costas rindo de alegria, esse é o tipo de atitude infantil que faz com que as pessoas nos vejam como crianças, a ouço falar...

– Nós conseguimos, conseguimos mesmo... Isso não é emocionante? – ela falava de forma rápida e animada antes de me soltar – nós todos fomos tão incríveis.

A encaro olhando para baixo enquanto vejo o modo como os seus olhos pareciam brilhar tamanha a alegria que sentia e seus cabelos se colorirem para combinar. Suspiro e dou um curto sorriso sem mostrar os dentes para ela, geralmente quando venço e comemoro com os outros legionários é com um discursos contando os momentos da batalha e vangloriando o que eu fiz de forma sutil para depois receber os apertos de mão, com ela eu não tive que falar nada para que ela queira vir comemorar comigo.

Porque ela quer tanto ficar perto de mim aliais? Vejo ela abraçar o resto do pessoal enquanto era parabenizada pela ideia, ela talvez tivesse algo para oferecer ao acampamento e a legião no final das contas. Fomos todos até o pátio para fora da fortaleza para recebermos as palmas dos campeões para depois irmos comemorar em uma festa digna de Baco. Enquanto os perdedores devem dormir os campeões tem uma festa animada com boa comida e bebida, boa música e o momento perfeito para ressaltar as alianças.

Assim que chegamos lá e somos saldados Valentina e Hazel conversam, a menina arco-iris fica vermelha, provavelmente porque a filha de plutão já descobriu o que realmente houve. Não que isso importe por agora afinal nós vencemos e eles perderam, tudo como realmente deve ser.

Vamos até o refeitório com algumas das crianças mais novas rindo e gritando vivas ainda estasiadas pela vitória, nada de importante mas teria que ver como faria o discurso para o puxar mais para o meu lado, já que Valentina foi quem realmente nos garantiu a vitória e Gabe é o mentor dela, porém ela tem passado os almoços comigo e ninguém sabe sobre o que de fato falamos.

Haviam vários tipos de doces e refrigerantes espalhados por lá e teríamos uma hora antes do nosso toque de recolher, a maioria deles corria para tentar pegar os maiores e mais suculentos doces se estapeando e se cotovelando para pegar alguns doces que não durariam nem alguns segundos nas suas mãos. Uma atitude de bárbaros, depois das minhas primeiras vitórias eu parei com uma atitude tão tola me concentrando em coisas mais importantes.

O meu copo estava cheio de coca-cola sem gás porque o gás da bebida é uma das coisas mais horríveis que já provei desde que entrei para a legião, porém sem o gás isso até que se torna algo bebível, havia acabado de tomar outro gole do refrigerante quando vejo ela na minha frente. Os cabelos coloridos agora estão soltos e ela tem uma pequena quantidade de doces nas mãos.

– Vi que você não foi pegar os doces, então peguei alguns para você também – ela sorri em tom gentil.

Franzo as sobrancelhas, porque ela tinha essa mania irritante de ser legal demais comigo e com todos que a cercam? Porque querer incluir todo mundo, porque toda essa preocupação comigo?Ela por acaso quer que todos se preocupem com ela do mesmo modo? Qual o plano dela, o que essa garota está tramando para agir de um modo tão gentil. Olho os doces e acabo pegando algumas dentaduras doces e levando a boca, eram realmente gostosas eu não lembrava disso.

Antes que eu pudesse ser minimante educado e agradecer, vejo uma garotinha legada de Mercurio aparecer não me lembrava do nome dela porque não era assim tão importante e a família não era tão influente além dela ser a caçula da família. A menina pede alguns doces a Valentina que os dá sem grandes problemas ou olhar irritada para a garota, como a maioria faz já que o pessoal literalmente se estapeia para pegar os melhores doces.

– Porque você sempre faz isso? – pergunto na lata depois de engolir outra das dentaduras, ela me olha e pisca os olhos sem entender – porque você fica sendo tão legal com todo mundo, o que você ganha com isso?

O que ela planeja com isso? Quais os planos dela, a encaro nos olhos com seriedade não iria me deixar enganar por ela, não iria cair nos planos dela seja lá eles quais sejam. Ela quer conquistar a todos, quer ter todos na palma de sua mão mas para que? Não irei ser mais um dos tolos que caíram na lábia dela, preciso descobrir o que ela está tramando, porque realmente veio aqui.

– É chato quando alguém se sente deslocado, deixado de lado então eu me esforço para evitar que alguém se sinta assim – ela diz sorrindo de leve e passando os dedos nos cabelos.

Tem como alguém ser tão legal e estupidamente gentil por um motivo tão besta? A olho desconfiado, não vou acreditar nessa versão dela de sou legal porque não quero que ninguém se machuque. Mesmo ela sendo uma filha de Iris, o que a torna algo meio fora do comum em todos os padrões da legião, mas vou observá-la de perto apenas para garantir. Pegou mais um dos doces e ela sorriu de forma leve.

– Como foi? – não entendo a pergunta dela – como foi o seu primeiro jogo de guerra? Como se sentiu?

Foi nesse momento que eu percebi o quanto aquela pergunta era estranha, não era algo que em algum momento fez parte da minha vida de modo que a situação era estranha para mim. Sinto a minha garganta secar enquanto começo a falar entre pequenas pegadas dos docetes dela e alguém vindo parabenizar Valentina pela ideia dela, sabia que logo estaria na hora do discurso e que eu devia planejar com cuidado o que falar, mas a conversa com ela era algo agradável.

Não importava o quanto eu usasse o meu dom para mostrar o quanto eu fui heroico ela sempre me interrompia para perguntar o que eu senti em determinada situação, nunca o que eu fiz mas como eu me senti. Depois das primeiras vezes eu percebi que a pergunta não era por educação ou para me cortar, mas porque ela realmente se importava e queria. Essa era uma descoberta estranha e eu não sabia como lidar com ela. Talvez ela tivesse algo de realmente legal.

Só paramos de falar sobre a minha brilhante e assustadora primeira vez nos jogos de guerra seguida pela minha primeira festa de comemoração como o agouro que adorava doces e só fazia profecias se lhe davam mais dos doces gostosos. Doces não eram a melhor forma de chantagear os outros e trocar pelas minhas previsões mas eu era só uma garoto de 11 anos afinal de contas.... De qualquer modo só paramos de falar quando foi a hora do discurso, ela sorriu para mim enquanto eu me juntava aos outros centuriões.

Enquanto todos paravam de falar para ouvirem o meu discurso sobre o ocorrido e cada palavra que usaria, montar esse tipo de discurso e usar as palavras ao meu favor, brincar com elas era um dom que eu a muito tempo aprendera a dominar. Ergui o meu rosto encarando todos os rostos pronto para falar quando a veja, a vejo de costas saindo do refeitório com o grego. Com o filho de Hades e embaixador do mundo inferior, o que todos diziam ser o seu namorado.

Senti um gosto amargo na boca enquanto fechava o punho, ela era apenas uma hipócrita que gostava de fazer o tipo simpática mas em vez de ouvir o que eu tenho a dizer ela está saindo para namorar e se esfregar em um grego, que tipo de outras coisas eles podem estar fazendo por ai? Fecho os punhos com força antes de respirar fundo, relaxar o corpo e começar a falar como se nada tivesse acontecido não a deixaria me atrapalhar.


POV – Valentina

O jogo de guerra foi algo interessante, é diferente da Caça a bandeira mas tão emocionante quanto e eu não morri/fui eliminada do jogo, então também fico feliz por isso. Consegui ajudar o meu time graças a ajuda da minha mãe, tudo bem que eu e os meus irmãos sempre podemos mandar mensagens de Iris de graça, mas essa eu usei como uma estratégia de batalha. Vou queimar um pouco de comida mais tarde para ela.

Descobri que os romanos não brincam quando o assunto é carne, infelizmente, e doces foi bem difícil pegar os doces mas eu me empenhei para conseguir dar para os menores que não conseguiriam pegá-los e para Octavian que nem havia ido lá. Todos gostam de doces mas ele não parece gostar da bagunça que ocorre para consegui-los.

Cada vez que falava com Octavian mais próxima eu me sentia dele e mais eu queria ser sua amiga, amiga porque não quero voltar a ter um namorado tão cedo, porém quanto mais conheço do verdadeiro eu dele mais eu sinto vontade de conhecer o resto. A surpresa que eu vi nos seus olhos por eu lhe perguntar como se sentia me fez ter mais vontade de abraçá-lo.

Os doces foram bons para forrarem o meu estomago porque eu estava morrendo de fome, os lares nos dão a nossa comida favorita nos padrões: “nos manterão firmes e fortes”, ninguém pode almoçar sorvete e aparentemente eu não posso comer comida vegetariana porque só salada não é bom para eles, segundos os lares isso não vai me manter em pé. Para eles tem que ter muita carne na minha comida e isso me deixa de estomago embrulhado. Octavian já havia ido se preparar para falar quando ele apareceu, sorri e atravessei todo refeitório para ir atrás dele.

O único sem a blusa roxa do acampamento, a pele pálida, as olheiras, o cabelo bagunçado, a espada negra e a expressão de quem não se importa com nada. Quando nos encontramos o abraço forte, tínhamos quase a mesma altura e ele tinha o costumeiro cheiro da noite, o meu melhor amigo Nico di Angelo.

– Principe das trevas – sussurro feliz em vê-lo.

Sinto ele me abraçar de leve, a pele dele é fria e ele odeia abraços mais do que tudo e eu devo ser a única que insiste em abraçá-lo sempre que consigo. Todos precisam ser abraçados de vez em quando, abraços fazem bem para a saúde por isso já andei com placas de Free Hugs por NY. Ficamos abraçados por poucos segundos antes de eu soltá-lo, ele me encara antes de dar um suspiro frustrando.

– Você sabe que eu odeio abraços, princesa arco-iris – ele diz mas havia um quase sorriso se formar no canto dos seus lábios.

Acho que começamos com esses apelidos logo depois que ele fugiu do acampamento e todos soubemos de quem ele é filho. As pessoas o chamavam assim pelas costas e eu tinha medo que isso o magoasse mas achei que ele deveria saber, ele disse que não ligava. Eu falei que o chamaria assim como um elogio e na frente dele, porque ele é nobre como um príncipe ou como Bruce Wayne o cavaleiro das trevas. Ele quase riu por isso, mas os seus olhos riram e ele disse que eu também merecia um titulo real. Desde então somos os príncipes do acampamento, ao menos um para o outro.

Fomos lá para fora e ficamos sentados na fonte que ontem eu usei para falar com o Percy, estou meio preocupada com ele na verdade mas não é uma boa ideia falar sobre isso com o Nico, tenho medo do que isso faria com ele. Não sei se ele ficaria feliz ou triste pela crise no namoro do Percy com a Annabeth e tenho medo de lhe dar esperanças demais. Ele apoia a mochila no chão e tira um embrulho de papel reciclado.

Sorrio e ouço o meu estomago roncar de fome me fazendo ficar constrangidas, eu conhecia bem o embrulho da Arco-Íris Comida Orgânica & Estilo de Vida, ou ACOEV para quem conhece a loja da minha mãe para semi-deuses. Dentro do embrulho tinha sanduíches natural, água, ambrosia e suco de laranja, nossa como eu estava morrendo de fome.

– Quer um pouco? Você é o meu salvador, sério Nico! Eu te daria um beijo se não corresse o risco de morrer por isso – digo rindo e lhe oferecendo um sanduíche que ele nega – qual é, não me deixe comer sozinha e eu aposto que consigo sentir as suas costelas! Não te alimentam bem no mundo inferior?

Ele me olha sério e ficamos fazendo uma guerra de encarar para ver quem consegue ficar mais tempo sem piscar, eu obviamente perco pois não aguento e começo a rir. Tenho que treinar mais isso porque é muito chato SEMPRE perder para o Nico, preferia quando as nossas disputas eram relacionadas ao jogo mitomagia, eu conseguia ganhar... as vezes bem raramente mas as vezes conseguia.

– Por favor, só umas mordidas para eu ter certeza que você não vai virar um esqueleto – digo brincando por causa dos esqueletos que ele convoca, mas eu realmente tenho medo porque ele não se alimenta direito.

Tudo bem que o Nico é um dos poucos semi-deuses, assim como eu, que vê muito o parente divino mas isso não significa que eles cuidem de nós. Nunca fui para a casa do Nico no mundo inferior mas acho que ele não recebe o tipo de amor e carinho que merece e que um ser humano precisa. Então eu gosto de mostrar que me preocupe e que ele pode contar comigo, porque eu realmente faria qualquer coisa por ele.

De forma relutante ele pega um dos sanduíches naturais e totalmente vegetarianos e o leva a boca comemos em silencio durante alguns segundos mas depois eu não aguento e lhe pergunto como estão as coisas. É, talvez eu fale um pouquinho demais.

– Não tenho ido no acampamento já que todos acham que está comigo no mundo inferior... – ele comenta como se falasse do tempo — e as coisas por aqui?

Conto o que contei para Percy acrescentando as coisas do dia de hoje e Nico também não gosta de Octavian, ninguém gosta dele poxa? Ele não é tão ruim assim e os olhos dele realmente brilham quando fala do que sente, quando se sente querido e eu quero que ele saiba que pode contar e confiar em mim. Porque eu vou estar lá por ele, e não é porque quero algo em troca mas porque seremos amigos e eu protejo todos os meus amigos os que eu já conheci e os que ainda irei conhecer.

– Você não está gostando dele, tipo se apaixonando, certo? – Nico me lança aquele olhar acusador como se estivesse lendo a minha alma.

– Não, não quero me envolver com ninguém por um bom tempo Nico – suspiro parando de comer e olhando para os meus sapatos.

Não acho que conseguiria fazer isso de novo, confiar em alguém a ponto de me envolver tão intimamente como foi com Marcus. Eu confiei nele plenamente e ele me traiu quando foi para a cama com outra garota e depois...depois por me forçar a fazer aquilo com ele, por me deixar suja e abusar de mim de uma forma tão brutal. Não acho que conseguiria confiar em alguém novamente, não para me abrir tanto para a pessoa não para deixar a pessoa fazer parte da minha vida deste modo novamente.

– Não devia ter falado nisso... – começa Nico mas ele não pode terminar.

Octavian aparece sério e eu sorrio para ele, como sempre sorrio, e ele como sempre não retribuiu só que dessa vez nem os seus olhos parecem estar felizes. Será que aconteceu alguma coisa enquanto eu estava aqui com o Nico que o deixou irritado? Talvez alguém tenha falado algo que o desagradou.

– Você tem que ir para o seu alojamento agoram todos já foram – ele diz me olhando sério.

O TOQUE DE RECOLHER! Já passou tanto tempo assim? Dou um pulo e arregalo os olhos, ainda estou na minha primeira semana aqui e já fiz algo assim! Ao menos aqui não tem as harpias que podem devorar a nossa cabeça se não seguirmos o toque de recolher. Uma pena que eu e o Nico não tivemos tanto tempo para conversar.

Lhe dei um beijo estalado na bochecha e ele me olhou como se fosse me matar o que acaba me fazendo rir de leve e bagunçar os meus cabelos. Outro olhar mortal e eu achei melhor parar de provocá-lo, mas claro que como sua melhor e mais fiel amiga farei isso novamente.

Octavian insistiu em me acompanhar o que é bom, porque assim posso tentar saber o que houve de errado enquanto estive fora, talvez ele esteja segurando a raiva e a magoa a algum tempo e ninguém naquele salão notou. Não que os romanos sejam ruins ou frios, eles só não conseguem entendê-lo.

– O que houve? – pergunto porque eu realmente não aguento o silencio.

– Não sei como os gregos fazem isso, mas aqui nós temos regras e não ache que está acima delas só porque ajudou a sua Coorte um dia em um jogo – sentir ele usando as palavras para fazer você se sentir mal era horrível – e ainda não tem educação ao se esquecer que seria mencionada no relato de vitória pois estava mais ocupada com o namoradinho do que em ouvir o seu nome ser dito, sabe quantos probatios já tiveram essa sorte?

Engulo em seco finalmente entendendo o que aconteceu quando chegamos na porta do meu alojamento, não importa quantas vezes ele já tenha feito esses discursos e o quão poderoso ele seja com a fala. Ele esperava me ver lá, ele iria mencionar o meu nome (ou mencionou) e eu não estava lá quando ele esperava que eu estivesse e eu falhei como amiga para com ele.

O olho nos olhos, aqueles olhos azuis que mais uma vez haviam se fechado e o abraço com força apoiando a cabeça no seu abdome enquanto ele fica ali parado sem mover um único músculo depois ergo o rosto e na ponta dos pés beijo o seu queijo que é onde eu alcanço.

– Desculpe... Estava com saudades do Nico, ele é o meu melhor amigo e por isso não pensei em você e que você esperava me ver lá... Desculpe por tê-lo desapontado – digo e abaixo o rosto o abraçando novamente – prometo que vou me esforçar para não fazer mais isso...

– Acho melhor você entrar está atrasada – ele diz se afastando – boa noite.

Sorrio porque aquele boa noite foi sincero e talvez as coisas possam ficar bem entre nós agora, não o conheço tão bem para saber o que o magoará ou não mas vou me esforçar para conhecer porque não quero mais lhe fazer mal algum ou ficar novamente em falta com ele. Octavian não merece isso e se eu quero que ele me considere sua amiga não posso ser uma má amiga.

Notas finais
Viram só a imagem acima pessoal? A fanfic ganhou o primeiro fanart e eu estou nas nuvens por isso *--*