The Iris child
14 Capítulo 14 – Em paz
Notas iniciais
Octavian narrando
Eu não estava só um pouco bravo, eu estava completamente furioso com aqueles gregos estúpidos. Ele arrancaram a Val de um lugar seguro como o Acampamento Jupiter que não só nos prepara constantemente para a batalha como também nos dá um lugar seguro para meio-sangue viverem. Estes dois a arrancam daqui, a levam para sabe-se lá onde que se recusam a nos contar e voltam com ela quase morta. Que tipo de namorado esse di Angelo acha que é para a Valentina?
Esse é o problema do sangue grego dele, se ele tivesse sido criado com os honrados costumes romanos ia saber como cuidar de uma garota. Mas isso é melhor para mim, assim a Val vai logo ver que ele não a merece. Ele deveria protege-la e zelar pela segurança dela e não coloca-la em um perigo em que não pode protege-la. Não é ela quem deve salvá-lo é ele que deve salvá-lo como o homem que é. Se bem que o Nico di Angelo não é assim tão homem quanto todos pensam... Mas este não é o momento certo para revelar o pequeno segredinho dele.
Quando eu revelar o que eu vi nos agouros as coisas não ficarão assim tão boas para ele, além de que é claro as coisas ficaram bem melhores para mim quando a Val descobrir que o namorado com toda essa pinta de bad boy não só, não gosta dela como prefere caras. Eu tentava me concentrar nisso principalmente para não socar o Nico toda vez que ia na enfermaria para ver se a Valentina já havia acordado ou mostrava algum sinal de vida.
Passei quase uma hora me perguntando se deveria ou não levar flores ou alguma coisa para deixa-la feliz. As pessoas costumam levar presentes para os doentes, se eu não me engano. Eu obviamente nunca levei presente nenhum para ninguém que foi internado porque além de eu não ter amigos eu não sou amigo de pessoas fracas que se machucam a ponto de ficar internadas. Mas eu sou amigo da Val e gosto muito dela a ponto de não querer vê-la mal. Eu tinha milhares de ursinhos de pelúcia, dois inclusive foi ela quem me deu e não seria realmente trabalhoso pegar um e levar para ela. Exceto pelo fato de que eu realmente uso esses ursinhos...Eu pensei em dar flores, certamente daria para colher algumas pelos cantos do acampamento mas sair por ai carregando flores, por mais que eu goste da Valentina eu ainda tenho uma imagem a zelar, mas ainda assim eu queria que ela lembrasse de mim e visse que eu me importo. Que coisa mais complicada, existe um manual para essas coisas? Eu poderia perguntar para o Gabe, já que ele já teve milhares de namoradas, mas como nenhum namoro dele deu certo me parece obvio que ele também não entende nada do assunto.
Então eu lembrei do obvio, todas as garotas gostam de doces...Então acho que comprar um pouco é bom, talvez eu pudesse colocar algum cartão de melhoras, não ia ficar muito ruim eu acho e a minha letra é realmente bonita e tenho quase certeza de que ela não viu a minha letra, e uma letra bonita e bem feita é algo que pode me dar alguns pontos a mais com ela obviamente.
Pego da minha mesada e compro uma caixa com alguns bombons para ela, a caixa obviamente cabia estrategicamente na minha túnica assim eu não ia parecer um idiota andando por ai com uma caixa de chocolates. Fora que o assunto com toda certeza chegaria na minha família que continuaria achando que eu e a Valentina não só estamos transando como que ela está me colocando a coleira e ela não é esse tipo de garota.
Estava chegando na enfermaria quando encontro com Reyna e Frank, aparentemente Nico acordou. Eu definitivamente não perderia isso por nada e como membro do congresso eu tenho mais do que o direito de saber o que exatamente eles estavam fazendo e porque ela se machucou tanto.
– Nós... Nós fomos visitar um tumulo de uma meio-sangue que morreu a alguns anos atrás em uma missão, nós a conhecíamos e sempre levamos flores para honrar a sua memória – Nico começa a contar com uma tranquilidade e frieza típica de um filho de Hades – mas caímos em uma armadilha do ex namorado da Val.
Eu não sabia que a Val já havia namorado com alguém antes do di Angelo, para mim já era ultrajante pensar que ela já havia namorado o di Angelo mas ainda existe outra pessoa antes dele? Tudo bem eu entendo que ela passou bem mais tempo com os gregos que as vezes agem como uns libertinos e ficam trocando de namorado o tempo todo mas.....Eu não queria pensar que ela já esteve com mais alguém, isso só tornará as coisas mais difíceis para conquista-la... Quer dizer ela obviamente tem mais experiência nessa coisa de namoro do que eu e no geral não é o contrário?
Aparentemente Reyna já sabia algo sobre esse suposto namorado da Valentina, já que ela ergueu os olhos surpresa e depois lançou um olhar alarmado para os gregos. Certo o ex namorado da valentina é um louco que tentou mata-la, mas como a Reyna sabe disso? Por mais que a Valentina seja bem, a pessoa mais legal de todas, eu realmente não consigo imaginá-la tendo papos sobre garotos com a Reyna.
– Eles conversaram a sós? Acha que ele a machucou? – pergunta Reyna séria e eu começo a me questionar da sanidade mental da nossa pretora a Valentina esta inconsciente!
– É obvio que ele a machucou, se não ela não estaria inconsciente – digo olhando friamente para os dois gregos – por culpa da irresponsabilidade dos gregos uma das nossas legionárias está inconsciente.
Se eu estava irritado com o que houve, sim eu estava, era totalmente injusto o que houve com a Valentina e o pior é que a conhecendo como eu a conheço ela não vai brigar com eles, tenho certeza que ela nem vai colocar a culpa neles porque ela é tão boazinha que parece incapaz de fazer algo assim e ficar realmente brava com alguém. O que me deixou ainda mais irritado foi o fato de ter sido expulso de lá. Eu ainda sou não só um centurião mas o único que lê os agouros.
Sai de lá mais do que bravo, as coisas definitivamente não iriam terminar assim, não vou ser colocado para trás por gregos e ainda mais em um caso como esse. Eles podem esperar que eu não vou deixar as coisas ficarem assim, não serei passado para trás por eles.
Valentina narrando
Eu ouvia barulhos desconexos que não faziam sentido, tento abrir os olhos mas tudo o que eu via eram borrões ao redor ao meu redor, eu sentia a minha cabeça doendo e o meu nariz parecia estar entupido, tento falar mas a minha garganta está seca. O número de pessoas que gruda ao meu redor é alto mas eu tenho uma certa dificuldade em entender o que falam.
Algo é colocado nos meus lábios e tem o gosto mais delicioso de todos os tempos, era algo doce e gelado, um gosto conhecido por todo meio sangue que já se machucou seriamente ou lutou em uma guerra. Aos poucos os meus sentidos voltam ao normal, o sol já estava para nascer e eu me pergunto onde eu estava. Olho ao redor um pouco alarmada enquanto a minha cara estava lotada de pessoas.
Eu estava na ala hospitalar, ou enfermaria, do acampamento Jupiter. Ao meu redor eu conseguia ver um Percy com uma camiseta laranja berrante do acampamento meio-sangue abraçando um Nico que parecia mais pálido e doente que o normal e se apoiava em Percy de um jeito que eles estavam bem próximos. Se eu não estivesse tão tonta e mal eu acharia incrível o modo como estão se aproximando e já teria sorrido para o Nico o que o deixaria vermelho. Olhei para os outros rostos e consegui identificar também a Reyna me olhando preocupada, o Frank e a Hazel de mãos dados ao meu lado e por último o Octavian. Um parte de mim ficou realmente feliz por vê-lo ali, acho que ele também se importa bastante comigo.
– A quanto tempo... – começo a falar e fecho os olhos, as lembranças da batalha no ferro velho e do meu encontro com o Marcus e...
Eu não queria mais falar ou pensar no assunto, ele havia me encontrado, eu havia sido descuidada e ele havia me encontrado. Tudo o que eu fiz foi ser descuidada, eu poderia inclusive ter sido pega quando sai com o Octavian para ver o meu pai. O Marcus conhece o meu pai, sabe no que o meu pai trabalha e o meu pai é famoso na área dele. Ele poderia ter me encontrado, e se ele me encontrou? E se já descobriu onde eu estou? Um verdadeiro pânico se apoderou de mim nesse instante, os poucos segundos em que ele ficou próximo foi o suficiente para que eu temesse que todo aquele inferno recomeçasse, eu não podia deixar que tudo aquilo voltasse.
– Foram dois dias – o Nico é o primeiro a falar – nós falamos com o Quiron, já que o Percy só ia voltar para o acampamento quando você acordasse... Decidiram que o Marcus faria as atividades do Percy, Jason falou que garantiria que tudo ficaria bem para que você não se sentisse culpada por qualquer coisa.
Lagrimas queriam escorrer dos meus olhos, por mais que eu fizesse tudo errado e só me atrapalhasse nas coisas eu parecia ter uma sorte enorme para ter os melhores amigos do mundo que mesmo eu não podendo contar o que realmente acontece, eles tentam me ajudar, tentam manter o meu segredo a salvo. As vezes me pergunto o que eu fiz para merecê-los.
– Eu só dou trabalho, desculpem por isso – digo e sinto o meu cabelo ficando vermelho, o toco e noto que ele está um pouco desbotado acho que estou pior do que imaginei.
– Vamos deixa-la descansar, porque amanhã quando souberem que ela está bem isso aqui vai ser a maior loucura – Reyna diz e me da um sorriso torto que me mostrava que está tudo bem – vai ficar tudo bem Valentina, os romanos cuidam um dos outros...
O olhar que Reyna me lançou antes de sair me dizia que ela sabia a verdade, que ela já havia adivinhado que era de Marcus que eu fugia e que ele havia me encontrado, que ele podia não saber que eu estava no acampamento romano mas era uma questão de tempo. Frank e Hazel me desejam melhoras. Nico ainda parecia fraco, mas ele disse que não queria mais ficar na enfermaria. Ele estava apoiado no Percy e os dois falaram que viriam me visitar bem cedo e iriam trazer pilhas de comida vegetariana para mim. Como eu queria ver eles juntos, desde o termino com a Annabeth o Percy andava meio triste, mas vê-lo perto do Nico...Ele não parece assim tão triste.
O último foi o Octavian que ficou me olhando sem falar nada, me senti ficar constrangida e por alguns segundos eu fiquei com medo que ele tivesse descoberto sobre mim e sobre o Marcus, se ele tivesse descoberto o que houve? E como descobriu, e se descobriu que Marcus sabe o maior segredo que a minha mãe a deusa Iris me confiou? O que eu devo fazer, o que eu devo fazer.
– Nunca mais faça isso, está me ouvindo? Nunca mais – ele diz me olhando sério e o seu tom era tão gélido e furioso – você tem noção do perigo que correu? Tem noção de que poderia ter morrido? Você luta bem mas não é invencível!
Eu ainda estava tonta e um pouco fraca eu me senti aquece por dentro porque ele se importava comigo e eu também me importava com ele, eu sei disso faz tempo, mas ter conquistado esse espaço com ele me encheu de alegria. Senti o meu corpo doer enquanto eu me sentava na cama mas não liguei, apenas me forcei a conseguir abraça-lo, ele tinha cheiro de sabote e colônia, era gostoso.
– Me desculpe por te preocupar – sussurro enquanto sinto ele me abraçar de forma hesitante – eu sou mesmo uma boba as vezes.
– Com certeza – ele diz também baixinho – mas eu vou cuidar de você, não sei como você sobreviveu até agora sem cair em todas as armadilhas possíveis por conta do seu defeito mortal.
Dou um pequeno sorriso para ele, ele realmente prestou atenção no que eu disse e se preocupava comigo, e silenciosamente eu prometi para mim mesma que também iria cuidar dele, que não iria deixar que o machucassem ou que o defeito fatal dele o destruísse, iria ajuda-lo a cuidar desse orgulho que o consome aos poucos.
Nos afastamos e ele me ajuda a me deitar, a iluminação era fraca mas eu podia notar que ele estava corado como eu também devia estar. Eu sei que essa coisa de contato físico é novidade para ele e que para mim ficar tão próxima de um rapaz é difícil, mas acho que não estamos nos saindo tão mal nessa história de amizade. Ele me encarou e desviou o olhar algumas vezes antes de colocar a mão dentro da túnica e tirar um pacote pequeno e vermelho e estender para mim sem me encarar nos olhos.
– Obrigada – digo sorrindo e percebendo que tem um cartão – muito obrigada mesmo, isso é realmente importante para mim.
Sorri e abro o cartão, ele é em um papel branco e sem desenho, a única coisa era uma escrita muito bonita e elegante que parecia ter sido feita em caneta tinteira. Havia poucas palavras mas eu imaginava que aquele foi o primeiro cartão de melhores que ele escreveu e eu acabei sorrindo ainda mais pensando nisso, que ele se importada o bastante para isso.
Espero que você melhore logo, os meus almoços não são os mesmos sem você...Parece que falta um pouco de cor neles.
Sorri para ele e toquei na sua mão delicadamente chamando a sua atenção, notava o quão constrangido ele estava e isso só me deu mais vontade de abraça-lo e cuidar da nossa amizade. Ele me da um sorriso tímido de volta e faz um carinho no meu rosto.
– Eu tenho que ir embora... o toque de recolher – ele comenta parecendo tão sem saber o que falar direito- amanhã eu volto....
– Obrigada, eu realmente gosto muito de você – eu sorrio para ele e ele em da um curto sorriso antes de ir embora e deixar que eu embalasse no mundo dos sonhos. Mas naquele momento eu estava mais em paz do que achei que seria possível, eu não estava com medo de nada, me sentia tão em paz.
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