The Iris child

6 Capítulo 6 – Gesto Valoroso


Notas iniciais
Desculpem a demora *me escondo atrás do Octavian* é que as minhas aulas começaram e agora eu tenho aula a tarde! Então estou totalmente sem tempo para as coisas, mas eu finalmente postei. Bem eu demorei bastante para pensar em qual seria o gesto Valoroso da Val para que ela entrasse oficialmente para a Legião, me digam o que acharam e se ficou bom por favor Bem obrigada por todos os comentários, sério e eu dedico este capítulo a Nikyce que mandou uma recomendação linda para a fanfic

A sorveteria era daquelas de esquina com diversos sabores para escolhermos e podíamos escolher entre 1,2 ou 3 bolas na nossa casquinha. Era necessário ir no caixa e pagar antes, assim retirando uma ficha . Foi quando chegamos no caixa que eu lembrei que não tinha o dinheiro daqui dos mortais, eu só tinha denarios e não as moedas daqui. Estava bem quente então um sorvete seria bem vindo mas eu não deixaria uma garota pagar para mim, além de ser completamente humilhante e grosseiro eu ficaria devendo uma para ela. Mesmo que eu saiba que posso pagá-la em denarios agora mesmo.

– Duas casquinhas de três bolas cada – falou Valentina passando uma nota de vinte dólares para a atendente, eu tentei falar que não ia querer nada mas fui ignorado pelas duas.

Isso é completamente humilhante, uma garota comprando sorvete para mim. O certo não é o rapaz pagar tudo, quer dizer se isso fosse um encontro o que não é já que ela não é o tipo de garota com quem eu sairia. Não que eu já tenha saído antes com outras garotas, mas a minha família espera muito de mim e além da espectativa de que um dia eu vire pretor está a de que eu tenha um casamento com uma boa romana de boa família, com um bom status na legião e de preferência filha de algum deus importante.

Obviamente não é fácil encontrar alguma garota minimamente interessante e que não seja tediante nestas condições, acima de tudo uma garota que me queira e que eu a queira. De qualquer modo Valentina não se encaixa em nada do que seria adequado para mim e obviamente mesmo que fosse adequada eu não me interessaria por ela, porque me interessaria?Porque ela é legal demais comigo? Porque ela me houve ou porque todo o acampamento gosta dela. Ridiculo.

De qualquer modo eu deveria ter pagado o meu sorvete, cada um pagar o seu não quero que ela fique falando por ai que eu precisei que ela pagasse algo para mim seria uma vergonha e uma mancha na minha reputação. Precisar que alguém pague um misero sorvete para mim, humilhante. Estendo os denarios para ela, mas ela apenas faz que não de forma exagerada com a cabeça fazendo com que os seus cabelos voem.

– Eu convidei, eu pago – ela disse e se apoiou no balcão para poder ver todos os sabores de sorvete – quer sorvete de que?

Não havia muitas opções de sorvete, havia os mais tradicionais e alguns exóticos de sabores que eu não pensava em tomar. Acabei optando por chocolate, baunilia e morango porque apostar no tradicional é sempre uma aposta certa. O antigo que se mantém intacto apesar do tempo é o correto, sempre aprendi isso e é algo que podemos levar para todas as ocasiões da vida. Valentina não foi tão inteligente quanto eu pegando os sabores framboesa, carambola e pêssego. Ela é grega demais, desacostumada demais com a realidade. Os sabores que ela misturou não parecem ficar bons nem sozinhos!

Saimos da sorveteria e o sol forte já nos castigava o que só tornava mais difícil tomar o sorvete sem que ele derreta todo nas nossas mãos, a tarefa estava difícil para nós dois mas ela parecia estar se saindo melhor com aquela bagunça de sabores. Mas devo dizer que a minha está bem melhor, os sabores são gostoso e combinam entre si.

– Quer um pouco, está delicioso – ela sorri para mim enquanto andávamos na rua.

Faço uma careta porque é claro que eu não ia querer aquela bagunça, ela deve estar odiando aquilo mas se eu falasse que não eu não poderia começar a salientar sobre como é importante não ser tão feliz, colorido e achar que tudo combina sempre, preciso ter argumentos. Suspiro e troco de casquinha com ela para provar essa mistura de sabores que ela inventou e me surpreendo, não estava ruim. Era diferente mas não ruim, não ficou assim tão estranho quanto eu achei. Não que eu vá falar isso em voz alta, apenas voltei a tomar o meu sorvete sem falar nada. Ela dá um sorriso leve com isso.

– Você sai muito de nova Roma? – ela pergunta enquanto tenta evitar que o sorvete deixe os seus dedos ainda mais melados.

Devo dizer que essa tarefa é realmente difícil, tomar três bolas de sorvete no calor do verão enquanto se anda e tenta conversar. A facilidade com que o sorvete tende a esconder até os nossos dedos os deixando melados, aquilo era meio irritantes porque eu não gostava de ficar com os dedos melados então tinha que me esforçar ainda mais para impedir essa ação. Devo dizer que sou melhor nisso do que Valentina.

– Não, antes de entrar para a legião nunca havia saído e depois que entrei sai apenas algumas poucas vezes, aqui não é tão bonito ou interessante quanto o nosso majestoso acampamento – digo a verdade, porque eu gostaria de ficar em uma cidade suja onde eu ainda por cima poderia ser atacado por algum monstro, mesmo que como legionário eu não atraia tantos deles.

O mundo mortal não é muito interessante, e eles tem pouco para oferecer. Talvez apenas alguns equipamentos tecnológicos que infelizmente atraem muitos monstros então é algo inviável em muitos dos casos. Já havia passado da metade do meu sorvete o que significa que já consigo controlá-lo melhor.

– Você já foi em um parque de diversões? É um dos lugares que eu mais gosto com tantos brinquedos coloridos e divertidos – ela diz alegremente.

– Não – digo terminando de tomar o meu sorvete finalmente.

Devo acrescentar que eu sou muito melhor nisso do que a Valentina, não só nisso já que eu sou mais romano do que ela, mas ela já estava com a mão melada de sorvete porque se distraia muito fácil me ouvindo falar. Isso é meio que legal, mas só meio, porque ela realmente presta atenção no que eu digo mas isso só mostra ainda mais o quanto ela não tem muita concentração e isso não é o tipo de coisa que se espera.

– Ainda vou te levar um dia, é muito legal... Tem tantas pessoas e uma energia tão leve – ela diz e então se lembra do sorvete e ri antes de tentar consertar o estrago.

Ela é mesmo sem sobra de duvidas uma negação, os seus cabelos estão tão coloridos como sempre e parecem brilhar mais na luz do sol, a sua pele estava um pouco vermelha por estar exposta ao sol também. De algum modo ela não parecia ser aquela garota irritante que todos gostam, ela só parecia ser uma garota legal e... No que eu estou pensando? Estou ficando tão idiota quanto todos os outros que caíram de amores pela miss arco-iris só porque ela é bonitinha e gentil. Valentina está tramando algo e se eu for ficar todo bobo perto dela estarei perdido.

– Eu já sai de Nova Roma você hoje, não significa que vou ficar fazendo isso toda hora – digo em um tom sério.

Não me importo que ela esteja se tornando influente no acampamento, eu ainda sou mais influente e o plano é que eu vá usá-la e não o contrário. Não vou ficar fazendo o que ela quer toda hora, ela tem que fazer o que eu quero. Eu sou um legado que está em uma família que a gerações manda campistas para a legião.

Noto que o seu sorriso diminuiu um pouco, mas ela foi se preocupar com o sorvete que já havia escorrido pela sua mão e rido um pouco, quando ela conseguiu controlar o problema e finalmente terminar a casquinha já estávamos na porta do acampamento.

– Isso faz sentido, afinal fizemos uma coisa que eu queria... Deviamos fazer algo que você goste da próxima vez, não? Assim fica mais justo – ela falou arrumando o cabelo.

Naquele momento eu notei que ela havia se sujado de sorvete, o que era bem esperado já que ela não é muito boa nisso de tomar o sorvete e conversar com alguém ao mesmo tempo. Ela estava suja no queixo, me aproximo e limpo a sujeira apenas para não ter que ficar olhando para ela e para que quando entremos juntos no acampamento ninguém ria de mim por estar ao lado de alguém sujo, é só por isso obviamente.

– Obrigada, ah e o que achou de hoje? – ela diz de forma doce.

Mas é claro que ela está perguntando isso só porque fizemos a aposta e ela quer saber se ganhou para poder pedir o premio. E certo até que não foi uma perda total de tempo mesmo eu tendo conhecido o pai dela. O pai dela até que é legal, mesmo sendo estranho e nós pintamos várias coisas e talvez eu tenha rido um pouquinho durante um curto espaço de tempo e eu descobri uma combinação estranha de sorvete que fica boa mas... mas eu não posso deixar ela ganhar! Eu não posso ficar devendo nada para ninguém, ficar em debito com alguém é um sinal de fraqueza pior do que a derrota! Ela pode me fazer realizar uma tarefa degradante!

– Eu poderia ter aproveitado o meu tempo livre de uma forma mais proveitosa, creio que eu venci a aposta – digo já sabendo que poder escolher o prêmio poderia me abrir muitas possibilidades.

Noto que ela ficou um pouco chateada, o seu cabelo ficou com tons mais escuros e o seu sorriso diminuiu um pouco, mas isso é compreensivo afinal ninguém gosta de perder mesmo que já fosse previsível que eu fosse ganhar. Mas talvez a parte grega dela não a ajude a ver isso com clareza.

– Eu queria que você tivesse se divertido de verdade, visto como o mundo lá fora pode ser divertido também – ela diz enquanto íamos mais para dentro no acampamento – talvez você também não gosta de conhecer a família mortal dos outros, sinto muito por isso... Mas, ainda somos amigos, certo?

A última parte ela falou um pouco mais rápido do que o normal, já percebi que ela sempre faz isso quando fica nervosa. Sobre o pai dele ele não é ruim, ele só não é ortodoxo ou romano. Ele também não é muito maduro na verdade e não tem um emprego de verdade... Amigos, eu não tenho amigos apenas aliados, amigos não são reais eles sempre querem algo em troca.

– Certo, mas agora tenho que resolver algumas coisas já que passei o dia fora — digo me despedindo dela e dizendo o que ela quer ouvir, já estava para sair quando ela segura o meu pulso e eu me viro para olhá-la – o que foi?

– Espero que um dia você me diga o que sente e não o que eu quero ouvir – ela sorri e me da um beijo estalado na bochecha – nos vemos depois.

Suspiro vendo ela sair dali, ainda tinha que pensar no melhor momento para tirar proveito do meu prêmio. Poder pedir qualquer coisa, ela foi realmente tola em me deixar ter este prêmio. Mas eu não irei utilizá-lo agora, não mesmo. Eu aprendi desde cedo a agir com calma, um prêmio como este de uma pessoa que está se tornando relativamente influente tem que ser utilizado na hora certa.

Estava andando até o meu quarto para me trocar quando vejo Gabe correndo na minha direção, o que ele quer. Não havíamos marcado nenhuma reunião para hoje, não temos jogos de guerra e o acampamento não pegou fogo enquanto eu estive fora. Ele se aproxima e eu apenas ergo uma sobrancelha me perguntando o que ele pode estar planejando e qual a emergência que ocorreu. Realmente ficar fora do acampamento por tanto tempo pode abrir espaço para coisas ruins acontecerem, em contra partido isso pode fazer com que notem a minha real importância.

– Cara é verdade o que falaram? Que você teve um encontro com a Valentina? – ele pergunta, é claro que agora tudo tem que girar ao redor dela.

Um encontro com ela, eu nunca tive um encontro com nenhuma garota antes. Não que eu vá admitir isso em voz alta, seria um grande mico um rapaz de 19 anos admitir que nunca saiu com uma garota, pegou na mão dela ou até mesmo beijou. Gabe já se relacionou com várias garotas, a maioria delas não vale a pena mas eu não posso falar isso em voz alta. Assim como eu não posso falar que tive um encontro com ela, além da minha família jamais aprovar eu NÃO tive um encontro com ela. Quando eu sair com uma garota ela tem que atender a todos os critérios certos e será a garota certa com quem eu ficarei o resto da vida. Não sou um rapaz de cometer erros, erros são imperdoáveis, e ter tido mais de uma namorada significa apenas que você errou várias vezes até achar a garota certa. Quando eu ver a garota certa, eu vou saber e não cometerei erros.

– Não, ela apenas queria me mostrar um lugar... Ela não é o meu tipo de garota – digo simplesmente, não poderia ofendê-la e falar os seus defeitos se não ofenderia todos os fãs, esta parecia ser a melhor resposta.

Gabe suspirou de alivio ao ouvir isso e então começou a contar sobre o que todos ficaram falando quando nos viram saindo juntos. Aparentemente todos adoraram fantasiar sobre como tivemos um encontro romântico, principalmente quando Valentina recusou várias propostas para ficar o dia todo comigo.


POV – Valentina

Passar o dia com Octavian foi bom, mesmo que ele diga que não se divertiu eu não consigo acreditar completamente nisso. Eu na verdade tenho outra teoria, me parece mais que ele se divertiu mas não conseguiu admitir porque quer ganhar. Isso é uma pena porque eu adoraria que ele admitisse que se divertiu, mas só dele ter aceitado passar o dia de hoje comigo já foi uma grande vitória. Espero conseguir colorir mais a sua vida aos poucos.

O sol já estava se pondo e não consigo evitar olhar para o céu e pensar como os meus irmãos estão. Apenas eu e Buth não estamos no acampamento, ele falou que iria passar lá para ver os nossos irmãos e eu estou aqui. Que saudades, me pergunto se eles também estão vendo esse céu. Se também estou com saudades, nossa eles realmente fazem falta mas eu não posso voltar... É triste pensar que talvez tenha ficar para sempre longe do acampamento meio-sangue, a minha casa e dos meus irmãos.

Respiro fundo e pego um pouco de água gelada para levar para o pessoal que está de vigia tomando conta da porta, semana que vem ficarei dois dias tomando conta da porta do acampamento como a minha tarefa. Eles devem estar cansados, subo na vigia e sorriu para Julieta e Bernardo lhes entregando a água, eles me agradecem. É meio que um rodízio entre os mais novos na legião cuidar dos portões, não é uma tarefa ruim, na verdade estou meio que animada com a chance de fazer isso pela primeira vez já que no acampamento meio-sangue não precisamos fazer isso.

– É verdade que você teve um encontro com o Octavian? – pergunta Julieta, filha de Vênus com certeza.

Vou admitir que não gostei muito do tom de voz dela, como se isso fosse inacreditável. Não sei se era inacreditável Octavian querer ter um encontro comigo ou eu com ele, ainda não entendo muito das coisas por aqui. Há famílias conservadoras por aqui e sei que não sou o tipo esperado, mas não quero um namorado, não acho que vá querer um por um bom tempo... Eu realmente não sabia o que dizer, principalmente porque os dois me encaravam com expectativa demais como se esperassem a próxima grande fofoca.

De algum modo eu fui salva pelo gongo, mas preferia que não tivesse sido ao ver esta situação. Duas crianças corriam até aqui desesperada, uma delas segurava um arco sem flechas enquanto a outra tinha sangue na roupa, logo depois vejo um ogro grande carregando um porrete correndo atrás deles. As crianças estavam em perigo.

– Nós temos que salvá-los – digo desesperada, se demorássemos muito eles não sobreviveriam.

– Não podemos, nós somos novatos aqui jamais venceríamos – Bernardo fala como se fosse obvio e começa a descer as escadas do posto de observação – vou chamar Reyna ou Frank.

Aquilo não podia estar acontecendo eles iam morrer e não iam nem tentar ajudá-los a ganhar tempo ou a tentar entrar aqui! Eu odiava lutar, odiava qualquer tipo de violência e odiava matar monstros porque o Tártaro é um lugar horrível e nem eles merecem ficar lá... Mas não gostar de atacá-los não significa que deixarei dois inocentes morrerem, já tivemos mortes demais com a última guerra.

– A onde você vai! – Julieta parecia um pouco histérica com isso.

– Ganhar tempo para eles, não se preocupe – digo descendo do posto de vigia e saindo do acampamento – hei grandão, que tal dar uma folga para eles?

Gritei a última parte para chamar a atenção do Ogro que me olha e ri, é eu sei que não sou nada intimidadora com a minha total falta de altura e cabelo colorido, mas isso não significa que não sou uma ameaça e que não posso protegê-los, porque eu posso. Eu me empenhei em aprender a lutar para poder ajudar todos aqueles que precisassem e não conseguissem se defender.Puxo um dos pingentes, o que era uma chave de ouro e encaro o ogro que batia o seu porrete no chão.

– Chave que guarda o poder das luz, mostre os seus verdadeiros poderes em nome de sua guardiã. Liberte-se (Quem lembra de Sakura Card Captors?) – digo e a pequena chave se transforma em uma espada metade de ouro imperial e metade de bronze celestial, a lamina era fina, cortava para os dois lados e o cabo era branco com vários cristais que brilhavam com a luz.

Ganhei está arma da minha mãe logo depois de ser proclamada, ela apareceu para mim durante uma caça a bandeira e me explicou tudo, o que significa ser uma filha de Iris, o meu cabelo, como encontrá-la e o que eu teria que fazer para ela. Depois disso ela me deu o colar com os pingentes e explicou a função de cada um. Esse colar com todos os seus pingentes é a minha principal ligação com a minha mãe e os meus irmãos.

O ogro veio para bater em mim com o porrete mas eu desvio para o lado olhando para as duas crianças que pareciam paralisadas, queria que elas corressem logo para a área segura do acampamento, mas elas não se mexiam. Outra vez o ogro quase me acerta mas eu desvio indo para o outro lado, se continuar neste caminho poderei me aproximar delas para conversarmos. Ficamos nesse processo de desviar dos golpes do ogro por algum tempo até eu finalmente chegar perto das crianças.

– Como vocês estão?Conseguem andar? – pergunto baixo olhando para o ogro, desvio novamente, mas tento continuar perto das crianças.

A garota que parecia ser a mais velha faz que não com a cabeça e levanta a capa que usava mostrando uma fratura na perna, faço uma careta o irmão caçula não conseguiria levá-la até a área segura do acampamento, ele jamais conseguiria carregá-la. Não estou o subestimando eu só vejo o quão exaustos ambos estão.

– Se escondam, vou tentar cuidar disso – digo encarando o ogro – porque você está atrás deles? O que eles te fizeram?

– Comida...eles são comida- fala o ogro ainda tentando me acertar.

Certo eu sabia que a maioria dos monstros comia semi deuses, ou gostava de nos matar, mas nós também matávamos muitos deles o que justificava. Será que não há um modo de fazermos um tratado para que ninguém ataque ninguém? Dou um salto e paro em cima do porrete do ogro que me olha assustado e eu apenas dou um sorriso leve para ele, talvez eu conseguisse conversar com ele e convencê-lo a mudar de ideia.

– Mas porque você não tenta ser vegetariano? É uma alimentação bem mais saudável e que não tenta te levar para o tártaro – digo e tenho que sair de cima do porrete já que ele começa a meche-lo, pulo em cima de uma árvore.

Minhas bochechas já deviam estar vermelhas devido ao esforço físico que estava fazendo, mas não era exatamente minha culpa. Ficar saltando de um lado para o outro gasta MUITA energia física, afinal ficar pulando para vários lugares em um curto espaço de tempo requer muito dos meus músculos.

– Semi- deuses são mais gostosos – diz o Ogro e eu lhe dou um sorriso compreensivo.

– A minha mãe, a deusa Iris, tem uma loja só com esse tipo de comida e ela cozinha bem é a comida de uma deusa. Porque você não tenta? – digo ainda tentando evitar uma luta.

Odiava lutar em todos os sentidos da palavra, na primeira guerra contra Cronos eu fiquei na linha de frente para tentar proteger a todos quando começassem a cair em combate, mas ver tantas mortes por todos os lados destruiu o meu estomago o suficiente para que na guerra contra Gaia eu ficasse atrás cuidando dos feridos e os protegendo. O ogro ainda não havia me matado e parecia estar pensando e isso me parece ser um bom sinal.

– Você é aquela garota que os monstros falam? – ele diz parando de mexer com o porrete e agora coçava a cabeça.

Então eu sou meio que conhecida entre alguns monstros, não é nada demais é só porque eu sempre tento convencê-los a não atacar mais semi deuses, que há outras coisas que eles podem fazer e os mando se alimentar na loja da minha mãe. Um dos meus irmãos fala que metade dos lucros da loja da mamãe vem por causa da minha propaganda boca a boca. As vezes eu realmente consigo convencer os monstros a fazerem isso e irem para uma vida mais saudável e amigável, mas só as vezes. As vezes eu tenho que lutar, mas consigo imobilizá-los e não precisar matá-los. O pior é quando tenho que matar algum monstro, é algo que me deixa realmente abatida.

– Acho que sou – digo apoiando a espada no chão – o que custa tentar? Você pode tentar por um tempo seguir essa dieta, vai conhecer novas pessoas, correr menos chances de ir para o Tártaro e vamos ser amigos, sempre que precisar de ajuda poderá contar comigo.

Dou um sorriso leve, o sol já estava se pondo e a brisa da noite batia em nós de uma forma boa, eu ao menos gostava dela. O Ogro ficou me olhando por um tempo enquanto coçava a cabeça e eu estava torcendo para que virássemos amigos e então ele me estende a mão e eu toco nela, mas a minha mão era minúscula perto da dele.

– Amigos... – ele diz e eu sorrio – vou lembrar disso.

E então ele ainda bate com aquele porrete no chão algumas vezes antes de dar a volta e ir embora, suspiro aliviada e olho para a minha espada a chamando para voltar a ser um pingente, coloco o pingente novamente no meu colar junto com a placa de probatio. O ogro ainda se vira para me dar um tchau sacudindo o porrete e eu fico na ponta dos pés acenando. Assim que ele sai da minha vista eu corro até as duas crianças para ver como estão, preciso levá-los até a área segura. Vou até a garota e a apoio nos meus ombros enquanto o garoto me olha assustado e com os olhos arregalados, dou um sorriso leve para ele e eu já ia dizer que tudo ficaria bem quando vejo um grupo enormes de romanos vindo armados para cá.

Dava para ver uma águia que pousa rapidamente e vira Frank, Octavian, Reyna, Gabe e alguns outros rostos que eu já conseguia reconhecer também estavam ali armados. Todos nos olham e depois se viram para Bernardo.

– Tinha um Ogro os atacando, eu juro – fala o garoto parecendo assustado.

– Então onde ele está? – pergunta Reyna furiosa.

Droga, será que de algum modo eu deixei Bernardo com problemas? Eu ainda estava andando carregando a garota que eu não sabia o nome e o garoto novinho para perto quando Frank me ajuda e pega a garota no colo, vou admitir que isso é bom porque não sou tão forte assim fisicamente.

– Ele foi para a loja da minha mãe – digo e todos me olham, minhas bochechas ficam rubras – então... Eu não podia deixar os dois sozinhos enquanto o Bernardo ia buscar ajuda, a Julieta falou que eu não devia ir mas eu tive medo que eles não sobrevivessem. Ai eu usei a minha espada, desviei de alguns golpes e convenci no meio disso o Ogro a virar vegetariano e ir comer a comida da loja da minha mãe em vez de semi-deuses e agora nós somos amigos.

Digo tudo em um fôlego só tentando explicar o que aconteceu e falar que a culpa da confusão e de que eles tiveram que vir até aqui armados sem ter um problema era minha. Ainda não entendi bem como as coisas funcionam mas eles pareceram ficar bem irritados por terem que vir todos armados no dia de folga deles e não ter uma ameaça e eu entendo e talvez eles quisessem lutar com o Ogro,não sei. Todos ainda estavam me olhando e depois olhando para os dois.

Ninguém disse nada durante alguns instantes e isso só me deixa mais nervosa. Frank, Reyna e Octavian trocam olhares e vem mais perto enquanto todos os outros ainda me encaravam. Droga eu fiz alguma besteira e estou encrencada, totalmente encrencada...

– Está dizendo que você saiu da área segura para enfrentar um Ogro e no meio disso o convenceu a virar vegetariano e o mandou para... a sua mãe não é uma deusa? – pergunta Reyna – e onde está a sua arma?

– É isso... a minha mãe tem uma loja de comida natural e como eu não gosto de mandar monstros para o Tártaro eu sempre tento convencê-los a comer os produtos da minha mãe ai eles não tentam nos matar e nós não tentamos matá-los... A minha arma é este pingente foi a minha mãe quem me deu – digo um pouco nervosa e com medo da confusão onde eu me menti.

Então Frank começa a rir, rir de verdade e isso me deixa ainda MAIS nervosa e com ainda mais medo. Será que ele não acreditou em mim?Será que ele acha que eu estou mentindo?Será que... São tantos serás que se eu pensar em todos nunca vou sair deste ponto.

– Valentina você é igual a sua mãe, já fui na loja dela e realmente é impossível não ver que você é filha dela e não só pelos cabelos... Mas você já pensou que ele podia não virar vegetariano – Frank disse tudo em um tom gentil para mim e eu faço que sim com a cabeça porque eu já tinha pensado nisso.

– Eu ia tentar imobilizá-lo para ele ir embora, apenas em último caso eu o mataria.. Eu não gosto de violência e o Tártaro parece ser um lugar horrível pelo que o Nico me contou – admito.

Certo então eu não estou encrencada, nem um pouco na verdade. Aparentemente está tudo certo e o que eu fiz não foi errado mas sim um gesto valoroso, mesmo que para eles tenha sido burrice e que eu pudesse ter morrido. O importante é que eu não vou ter problemas e aparentemente eu vou sair do estado probatio e entrar na legião, queria que Nico, Percy ou algum dos meus irmãos pudesse me ver agora.