The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
49 Capítulo 42 - Acordando na Fortaleza
Notas iniciais
Aquele mundo distante. Aquela luz que meus dedos não conseguiam alcançar. Eu caía na escuridão. Na escuridão profunda e desconhecida...mas seria ela mesmo desconhecida? Ou será que já conhecia os seus caprichos, mesmo que não lembrasse?
Senti meu corpo cair no chão. Meus ossos batendo no chão. Estava deitada. Deveria levantar? Ou deveria ficar ali, para toda a eternidade?
Senti algo se aproximar e levantei parte do meu corpo. Sentada no chão negro, pude ver que algo estava vindo. Mas, por alguma razão, não queria descobrir o que era, então, involuntariamente, levantei e comecei a correr, desesperadamente e sem rumo.
Corria, mesmo que meu corpo doesse. Por alguma razão, eu tinha que fugir. Mas por que? Por que o meu corpo involuntariamente fugia? Por que eu não podia descobrir o que estava tão próximo de mim?
Então eu vi a luz. A luz estava ficando próxima, mais uma vez. Cada vez mais. Estendi uma mão, querendo alcança-la.
Entretanto, aquilo não era algo que eu pudesse tocar. Para falar a verdade, eu acabei atravessando a luz, e então comecei a cair novamente.
Quando parei, vi um chão tingido de roxo e marrom. Observei o ambiente. Estava na floresta? Ainda estava lá? Não tinha saído ainda? Eu estava sonhando minutos atrás? Mais uma ilusão?
Então, percebi que estava de vestido. Um vestido branco manchado de preto. E o meu cabelo estava solto.
Levantei, tentando achar um rumo, o qual parecia não existir. O que eu ainda estava fazendo naquela floresta? Não deveria já ter chegado no outro lado? E por que eu tinha voltado?
–Ana! – ouvi alguém chamar.
Me virei, vendo o elfo de cabelos dourados, príncipe daquele reino.
–Legolas!
Ele usava uma túnica branca com detalhes prateados. Sua imagem era quase como luz naquele lugar. Porém, estranhamente, a floresta não estava tão escura como de costume.
–O que você está fazendo aqui...assim? – perguntei.
–Pergunto o mesmo para você.
–Eu não sei, eu só acordei assim. A última coisa que me lembro foi ter desmaiado. Mas eu não estava assim. E desde quando aqui tem tanta luz.
–Não tem...
–Então por que-
–Você ainda não percebeu?
–O que?
–Isso não está acontecendo. Isso é...um sonho.
–O que diabos você está dizendo?
Então, eu percebi. Eu estava alucinando. E aquele Legolas ali era a total prova disso. Ele representava a minha mente tentando fazer eu acordar.
–Ah, claro. Você é só uma parte da minha cabeça. Eu realmente estou sonhando.
–Uma parte da sua cabeça? Mas esse sonho é-
O que era esse sonho? O que era?
Não pude ouvir o resto, pois do nada a imagem do príncipe começou a sumir assim como sua voz. E, de repente, não estava mais nem na floresta nem na escuridão.
Meus olhos se abriram e eu respirei com força. Tinha acordado.
Me sentia um pouco tonta. Não conseguia enxergar direito devido à excessiva luz do ambiente, mas pude perceber que era algum lugar cheio de tons claros. Aos poucos, minha visão foi se ajustando.
Então, observei o ambiente. Estava deitada em uma cama larga. O chão era de madeira clara e as paredes de uma um pouco mais escura. No fundo havia uma mesinha com uma jarra de água em cima e outra de...seria aquilo vinho?
Além de ser de ainda estar claro, o quarto era também iluminado em várias partes, e perto da cama havia uma espécie de porta opaca de tons azulados. Tentei abrir, mas parecia fechada. Talvez desse para o lado de fora? Bem que eu lembrava de ter visto umas parecidas quando estava chegando na fortaleza.
Existia também outra porta, esta dava em um toalete. Não era um como os dos nossos tempos atuais, mas era jeitosinho.
Falando em toaletes, o que eu mais precisava naquele momento era um banho. Tinham tirado as minhas botas, mas eu ainda estava com a mesma roupa. Ela parecia um pouco mais rasgada que antes e eu estava cheia de bandagens. Notei que algumas partes da roupa estavam faltando, percebendo que estavam em outra mesa que havia no cômodo, uma maior, onde estavam meus itens assim como algumas peças da minha roupa (o colete e os braceletes, por exemplo). Sobre as roupas que restavam, eu estava com uma vontade insana de somente retirá-las e me banhar.
Entretanto, isso não foi possível no momento. Do nada alguém entrou no quarto. Me virei quase que automaticamente, vendo uma elfa surpresa. Ela carregava uma bandeja, mas a colocou rapidamente na mesa e saiu correndo, sem nem mesmo fechar a porta.
Assim, eu fiz isso por ela. Depois, continuei a minha exploração pelo quarto, notando que em cima da mesinha havia um recado.
“Você ficou adormecida por um bom tempo. Se está lendo isto, é porque acordou. Preferimos não invadir sua privacidade, então você ainda está com a roupa da floresta. Você pode se banhar no banheiro e já providenciaram uma vestimenta para você. Só cuidado com seus ferimentos, no caso deles ainda não terem sarado completamente.
Nos falaremos em breve. Se eu não for até você, venha me procurar assim que estiver pronta.
Legolas”
Tudo certo então. Finalmente teria direito ao meu banho de beleza. Mas antes, fui checar o conteúdo da bandeja trazida pela moça. Tinham algumas lembas, frutas e do lado algum tipo de líquido que eu desconhecia. Pelo cheiro, devia ser algum tipo de remédio.
Decidi não tocar na comida, ainda.
Conferindo se a porta estava bem fechada, comecei a me despir. Tirei a túnica surrada e rasgada, estendendo-a na mesa.
Comecei a abrir a blusa. Ela era do tipo que se fecha com cordinha, então seria uma longa batalha para abri-la. Comecei o meu contorcionismo insano para abrir aquilo.
Finalmente consegui abrir um pouquinho, mas em cima era quase uma missão impossível.
Girei para um lado e para o outro. Fiquei de cabeça para baixo, deitei no chão. Fiz de tudo, nenhuma posição parecia favorável.
–Deixe que eu te ajudo com isso.
Então, a elfa de cabelos ruivos que eu tinha visto na floresta apareceu, entrando no quarto e fechando a porta.
Não tive nem tempo de protestar, ela só se aproximou e começou a abrir a blusa. Por que eu tinha que estar de pé bem naquele momento?
–Não tem problema, não é? Afinal, nós duas somos mulheres.
–Ah, claro.
Claro, se eu não fosse o ser mais tímido do mundo quando se vem a nudez ou até algo próximo do que isso. Nunca se perguntaram por que eu uso roupa demais?
Então, ela finalmente acabou de abrir. Eu tive que segurar a blusa na frente para que ela não caísse e revelasse demais. Tentei não corar e demonstrar como estava com vergonha. Tentei manter a calma.
–Desculpa ter entrado assim, é que você parecia precisar de ajuda. Meu nome é Tauriel. – ela estendeu uma mão. — Você seria a Ana, certo?
–Sim. – respondi, apertando sua mão. – Obrigada pela ajuda.
–Não foi nada. Estaremos nos encontrando em breve, eu acredito. Por ora, eu a deixarei a sós.
–Até, então.
–Até. – ela disse, saindo do quarto.
Que tipo de pessoa sai entrando assim? Tá bom que ela me ajudou, mas sério, eu quase tive um treco. Eu nunca deixo ninguém me ver sem blusa ou algo próximo disso, ainda mais uma estranha.
Porém, tentei esquecer aquilo naquele momento. Retirei a blusa, colocando ela ao lado da túnica.
Logo em seguida, arranquei as calças. A sensação de ter as pernas livres daquelas roupas grudentas e imundas era tão boa.
Me estiquei um pouco, estalando alguns ossos. Meu corpo ainda estava doído. Fui pegar um pano, com o qual iria me secar depois do banho, e me envolvi nele.
Então, de forma bem ninja, retirei minhas roupas íntimas. Acho que depois que aquela Tauriel entrou no quarto eu fiquei com um terror de que alguém mais entrasse.
E não foi que entraram?
Naquele momento eu estava pensando tanto naquilo (eu tentei não pensar, mas foi inevitável) que nem percebi quando bateram na porta.
–Ana, você está b-
Só o que ouviram foi um grito e uma Ana tão vermelha quanto um tomate correndo para trás de uma pilastra.
–Ana?
Por que diabos ELE tinha que entrar em um momento desses? Por que diabos todo mundo tinha que entrar no quarto naquele momento? Parece até que era festa para me ver sem roupa.
–Eu não estou no momento para conversar agora. – disse.
–Por que? O que houve?
Eu sentia que ele ia se aproximar.
–E-eu e-eu.
Não estava nem raciocinando direito mais.
–Legolas! – ouvi Tauriel gritar.
–O que é?
–Não entre no quarto de uma dama assim! – quem era ela para falar? – Ela está indo se banhar!
Nesse momento, Legolas recuou para fora quase que imediatamente, quase se matando por ter feito aquilo.
–Minhas mais sinceras desculpas. Eu não pretendia ofender. – ele disse, se ajoelhando ao lado da porta. – Estou me retirando.
E então ele fechou a porta. Se eu quase morri? Eu não quase morri. Eu morri e ressuscitei naquele momento.
Finalmente fui ao banheiro e larguei o pano. Então comecei o tão esperado banho.
Eu provavelmente fiquei horas naquele lugar. Estava tão bom. Tão tranquilo e relaxante.
Uma vez que acabei de me banhar, me sequei e fui separar tudo o que iria usar.
Assim, procurei na minha bolsa algo para ajeitar o meu cabelo e bijuterias para colocar. Então, lembrei de Kryn e que fazia muito tempo desde nossa última conversa.
Não, faziam séculos desde que não conversávamos. Fazia mais de um mês! Nos falamos da última vez aonde? Em Rivendell? E ainda era inverno! Nossa, tinha até me esquecido dele.
Peguei a esfera e chamei o homem azul.
–Ana? Quanto tempo.
–Não é?
–Já estava achando que tinha esquecido de mim.
–Para falar a verdade eu esqueci.
–Bom saber. – ele disse, exalando desprezo.
–Então, já conseguiu ajeitar a sua nave?
–Quase, logo logo poderei transportar você. E já que você está bem perto isso não será tão complicado.
–Bom saber. Eu poderia te pedir uma coisa?
–Isso seria?
–Eu preciso que você arranje algo para mim...
Depois de muita imploração, consegui que Kryn arranjasse um kit de maquiagem para mim e algo para eu me depilar. Eu estaria na presença de gente importante. Além disso, eu estaria na presença de elfos. Eu tinha que estar ajeitada.
Depois de arrancar todos aqueles medíocres pelos, fui me vestir com a roupa que tinham feito para mim.
Era um vestido longo e verde. Suas mangas eram até os pulsos e coladas. Possuía alguns detalhes em um marrom bem escuro, quase preto. Era também com aquela maldita cordinha, mas dessa vez arranjei um jeito de fechá-la por mim mesma.
Foi um grande desafio, pois o vestido estava um pouco apertado. Acho que o meu corpo não era exatamente do modelo standard élfico. Mas tinham algumas partes que cabiam perfeitamente bem. Talvez tivessem me medido enquanto ainda estava adormecida? Acho que os reais problemas mesmo eram os meus seios (ah, esses inúteis mais uma vez me trazendo problemas).
Junto havia um par de sapatilhas dos mesmos tons. As coloquei e pareciam ser exatamente do meu tamanho.
Então, me maquiei, com um batom cobre de leve e lápis de olho escuro. Fiz um penteado meio preso com coque. Por último, coloquei um par de brincos e um cordão dourado.
Agora, estava pronta. Que horas deveriam ser? Não importava, eu tinha que falar com Legolas, como dito no recado.
E estava na hora de desvendar alguns mistérios.
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