The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
22 Capítulo 18 - Através do Portal
Notas iniciais
–Eu não acredito! — disse, correndo de um lado para o outro e pegando tudo que precisava. — Finalmente!
–Acalme-se criatura! — exclamava Kryn.
–Finalmente eu vou sair desse inferno! Só espero não ir para algum lugar pior.
–Calma, você não vai para um lugar pior.
–Assim espero.
Depois de um tempo me observando, Kryn perguntou:
–Já acabou?
–Sim, estou pronta. – olhando o ambiente, procurando ver se não faltava nada.
–Ok, me siga.
Peguei minha bolsa e coloquei minha jaqueta de couro com gola rolê e segui Kryn.
Quando saímos da casa era escuro e todos estavam dormindo. O silêncio era fúnebre e as ruas, vazias.
–Não faça nenhum barulho, ninguém deve saber que estamos saindo.
–Tá.
Continuamos o caminho. Em um ponto da estrada entramos em um carro, onde o motorista parecia hipnotizado.
–O que houve com ele?
–Calma, ele nem vai lembrar que passamos por aqui.
–Magia?
–Me desculpe?
–Magia, você usou magia nele?
–Um pouco. Foi o mais sensato a fazer.
Passado um tempo, o carro parou e nós dois saímos. Antes que continuássemos, Kryn fez um sinal para o motorista que virou o carro e voltou para o lugar de onde veio.
O local onde estávamos parecia um pouco isolado. Realmente não havia ninguém. Andamos só um pouco antes de entrar em um túnel estranho. O túnel era todo de metal e, ao chegar no fim, Kryn abriu uma porta disfarçada que deu em um local totalmente diferente.
Um chão de pedra, com várias marcas e desenhos no chão, no meio, havia um espaço, em forma de esfera. De uma bolsa, Kryn tirou a bola de cristal e retirando — a de sua base dourada, a enfiou no espaço.
A esfera começou a brilhar em azul e eu senti o chão começando a se mexer. De repente ouvi um barulho e recuei um pouco. Um grande arco de pedra se ergueu do solo na nossa frente, e dentro do arco havia um brilho azul. Kryn tirou a bola mágica do chão e a estendeu para mim, que a peguei e guardei na bolsa, junto da base.
–Vamos, está na hora de irmos.
Kryn atravessou o arco e, logo depois, me direcionei a ele. Hesitei um pouco, respirei fundo, e, de olhos fechados, atravessei a estrutura de pedra, lentamente.
Quando abri os olhos, estava naquele familiar ambiente azul brilhante, como de quando entrei na sala do Kryn pela primeira vez, mas havia algo diferente. Algo no ar, alguma coisa que não era a mesma.
–O que aconteceu?
–Essa não é a minha sala, caso esteja pensando que é.
–Então o que é?
–É algo parecido.
Kryn andou um pouco e olhou para baixo.
–Eu odeio isso. GERONIMO! — ele se jogou.
Só olhei para baixo e vi Kryn desaparecer no brilho do azul. Tentava descobrir qual distancia cairia, mas era impossível, porque o azul parecia infinito.
–Kryn? – gritei.
Não recebi nenhuma resposta. Estava certa que teria que pular também, então foi isso que eu fiz.
Comecei a cair, assim como tinha caído naquele dia que entrara naquela aventura insana. E, depois de um tempo caindo, senti o meu corpo encostar no chão, tinha parado, finalmente. Lentamente, me levantei, ganhando novamente equilíbrio.
–Finalmente, estava começando a achar que você não vinha. Está bem? – Kryn perguntou. – Uma vez que esteja bem é só entrar.
Uma vez de pé, me direcionei a uma porta grande de metal. Ao atravessá-la, dei em uma sala imensa.
A sala era muito maior do que a de Kryn, pelo menos parecia maior. E não era agoniante, se você entrasse nela você poderia ver o chão e as paredes. O chão era de metal, e ocupava um círculo gigante, as paredes eram escuras, e na sala tinham sofás, bancos, uma mesa e várias outras coisas. Também tinha um painel de controle, só que muito maior do que o da outra sala, e também parecia muito mais desenvolvido. A única parte da sala que ainda continha o azul era na parte em cima do painel, mas era um azul diferente, era mais escuro, e não brilhava tanto.
– Para onde vamos agora?
–Agora, eu finalmente vou deixar você escolher para onde ir.
–E eu não vou acabar em alguma coisa suicida, certo?
–Assim esperamos.
–Posso? — perguntei, apontando para o painel de controle.
–Claro. — ele se afastou um pouco da mesa. – Só não aperte nada!
–Esse painel é um pouco diferente do outro, é mais baixo. – disse, me apoiando no tal. – Me lembra um pouco o painel da TARDIS.
–É, eu sei. Só que é muito mais avançado. — ele se aproximou de um botão. — E também tem isso.
Assim que Kryn pressionou o botão, na frente do painel, o azul sumiu, dando lugar à uma cena impressionante.
–Isso é...?
–Sim, o universo. Estamos voando, caso esteja se perguntando.
–É maravilhoso, Kryn. — me aproximei do vidro que me separava do infinito cheio de estrelas. — Eu me pergunto por que no meu tempo essas coisas só existem nos filmes.
–Um dia elas passaram a existir na realidade para as outras pessoas, é só ter paciência.
–O problema da paciência é que se você ter demais você simplesmente fica esperando para sempre.
–Sim. — ele disse, se sentando.
–Exatamente como eu estou esperando. – me virei. — Já me cansei de ser paciente.
–Do que você está falando?
–Como se você não soubesse. Você mesmo me disse que me observa desde que eu tenho 10 anos, e mesmo assim você não consegue perceber? Estou cansada, Kryn. Eu quero respostas. Justificativas. Esclarecimentos. Eu mereço essas coisas.
–Respostas? Respostas para quais perguntas?
–Você sabe muito bem! Para todas! Por que eu estou aqui, por que eu ganhei aquele livro, a bola de cristal, se isso aqui é sonho ou realidade, se eu realmente tenho poderes ou se estou só sonhando, e, se tenho poderes, quais são eles, se são muito mais do que imagino, ou se são só simples truques de mágica, se eu tenho algum destino eu exijo que me conte agora.
–Eu não posso responder essas perguntas. — afirmou Kryn, agora sério.
Antes que pudesse retrucar, já levantando o indicador, ele disse:
–Mas eu conheço alguém que pode te ajudar a respondê – las.
–Quem?
–Um antigo amigo. — respondeu, se levantando. — E ele vive na Terra – Média.
–Quem é ele? Gandalf?
–Não.
–Então é quem?
–Um amigo, você não conhece ele.
–Ah, claro. Então aonde ele vive?
–Na Cidade do Lago.
–Por que algo me diz que não vai ser somente você me deixando lá feliz da vida só para conversar com ele?!
–Você é rápida demais, isso está começando a ficar irritante. — comentou Kryn, se levantando. — Antes que você vá para lá eu preciso que você faça uma coisa. E, também, eu não posso mandar você diretamente para lá.
–Por que não?
–Longa história. Primeiro eu preciso das coordenadas do lugar, e eu só tinha na outra sala. Na verdade eu também tinha nessa só que alguns dos meus dados foram queimados incluindo os que tratavam de boa parte da Terra – Média, como os da Cidade do Lago. Mas sem contar com isso, eu ainda tenho os dados que eu preciso para você me fazer um favor.
–Que fav-
–Eu preciso que você fale com alguém. – ele começou a mexer em alguns documentos, como livros e alguns papéis. — Digamos que eu te indiquei como um grande explorador que está pronto para qualquer aventura que estivesse disponível.
–Que tipo de aventura?
–Ai, você vai amar! – disse ele, empolgado, totalmente me ignorando.
–Jesus, tenho até medo do que vou ouvir. – murmurei, fazendo o sinal da cruz.
–Calma, não é que nem os Jogos.
–Pare de comentar os Jogos, por favor.
–Ok, me desculpe.
–Tá, mas qual é a aventura?
–Você verá. Mas antes eu tenho que te dizer uma coisa. – ele se virou para mim.
–O que é?
–Você é uma mulher.
–Eu acho que eu já tinha percebido isso.
–Não é isso que eu quero dizer. Se eles souberem que você é uma mulher nunca vão te deixar participar.
–Eles quem?
–O pessoal da aventura. Então, olha. Eu preciso que você use a pedra. Com ela você pode se disfarçar de homem e participar da nossa aventura feliz! – ele deu um sorrisinho.
–Um homem?
–Sim, o bom é que você pode escolher como ele vai ser, fisicamente e psicologicamente. Só uma coisa: aja como um homem, por favor.
–Fácil, eu viro homem todo dia. – disse, sarcasticamente.
–Eu estou falando sério.
–Assim fica difícil. – ele fez uma cara séria, e depois eu também. – Ok, mas ele tem nome ou eu terei que inventar alguma coisa.
–Nisso você se vira.
–Mais alguma coisa que eu precise saber?
–Não. – fui me virar, mas ele levantou dois dedos para cima e se aproximou – Só uma coisa: não mude a história.
–Que hist-
De repente, Kryn tocou os dois dedos na minha testa e ela comecei a enxergar tudo turvo.
–Eu preciso que você se concentre. Essa máquina não funciona como a outra, e muitas coisas precisam ser ajustadas. – a voz dele parecia estar sumindo.
Ele me empurrou, fazendo com que eu caísse em uma cadeira que de alguma forma não parecia estar lá antes, como se os movimentos de Kryn durante a conversa tinham feito eu acabar naquela posição.
–Isso vai doer um pouco. – disse, antes de enfiar uma espécie de...agulha no meu braço, que de alguma forma me conectava ao painel.
Ele puxou uma alavanca em seu painel e me olhou, de longe:
–Boa sorte.
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