The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
30 Capítulo 26 - Entre Elfos e Orcs
Notas iniciais
–Precisa de ajuda, milady? – perguntou uma voz.
Ao me virar notei um elfo, este também em um cavalo branco. Sem elmo e sim com uma tiara élfica, podia notar um belo e longo cabelo marrom. Seus olhos eram de um verde penetrante. Ele tinha traços delicados, ostentando uma bela formação facial. Rapidamente, quando nossos olhos se encontraram, reconheci o elfo.
–Elrohir! – exclamei.
Nesse momento, eu procurei me levantar e então o elfo estendeu a mão me ajudando.
–Obrigada. – sorri.
–De nada. – ele respondeu. – Eu vou ver se consigo acertar mais alguns dos orcs. Volto em alguns minutos. Se mantenha distante deles e não morra. Esconda-se atrás das rochas, entendido?
–Tá bem.
Assim, Elrohir conduziu o cavalo na direção dos outros cavaleiros, acertando vários dos orcs em sucessão e com a graça que só os elfos tinham.
Fiquei observando a situação de longe e atrás das rochas, como Elrohir tinha instruído. Um dos caçadores tentou se aproximar, mas rapidamente foi acertado por uma lança élfica que o fez cair morto no chão em um instante.
Mesmo que os elfos fossem guerreiros de habilidade inquestionável, os orcs tinha vantagem numérica. Haviam quase quarenta orcs lutando contra uns quinze elfos, os quais estavam segurando o grupo muito bem, devo admitir. Mas, mesmo tendo a vantagem, um dos orcs soou uma trompa, como se fosse um chamado, como se ele fosse chamar mais orcs. E nesse momento eu só pude ver um orc se distanciando do grupo.
O que eu não conseguia entender era porque os orcs queriam tanto me matar (ou capturar, sei lá). Eu nunca tinha feito nada a ninguém e eles já estavam me caçando. O que eu tinha a ver com aquilo? Eu só queria respostas.
Foi observando de longe que notei uma cena que quase fez o meu coração parar. Como já havia comentado, os orcs eram bem mais numerosos do que os elfos (mesmo que estes já tivessem destruído uma parte considerável destes). No meio da luta, eu simplesmente vi os elfos sendo massacrados. E foi aí que notei Elrohir cair no chão, pronto para morrer, com um warg prestes a devorá-lo.
O elfo tentava alcançar a espada, que se localizava perto de seu corpo, mas não perto o bastante. Trocando olhares entre o inimigo e à arma ele tentava pegar o cabo da espada para poder se defender.
–Onde está a garota? – o orc se deu o trabalho de usar Westron ao fazer a pergunta para o elfo.
–Eu nunca vou te contar, miserável. – o elfo ainda tentava pegar a espada.
O warg ia dar a mordida, mas seu crânio foi rapidamente acertado por uma flecha vinda do meu arco, assim como seu montador.
Nesse momento, o bando se virou para a minha direção, por isso me abaixei automaticamente, me escondendo. Mas, independentemente que o bando que lutava contra os elfos me visse ou não, outra guarnição havia acabado de se juntar ao grupo e estes começaram uma patrulha bem perto das rochas onde estava para me encontrarem.
Ao ouvir um barulho, olhei para cima e notei um deles com a espada desembainhada, tentando achar o meu cheiro no ar. Tentando encontrar alguma pista que o direcionasse para mim.
–Droga. – murmurei.
Ele foi avançar para frente, mas, se fizesse isso, me encontraria e eu estaria cercada. Então, armei uma flecha e rapidamente acertei o infeliz na testa, causando sua morte. O warg pulou sobre mim, enquanto eu armava novamente o arco, sem ligar para o fato que seu montador jazia morto próximo a ele.
Eu me abaixei, mas mesmo assim o warg conseguiu acertar a minha face, fazendo com que suas garras me causassem um ferimento terrível que ardeu na pele. Rolei para trás ao ser acertada, deixando o arco cair para trás. Mas, sem desanimar, peguei a flecha que estava perto de mim e acertei no animal uma vez que ele aterrissou de seu pulo. Puxei a flecha para cima, cortando seu abdome cruelmente, e este fez um barulho ensurdecedor.
Ao olhar para trás notei que o bando havia finalmente percebido a minha localização, pois tinha saído de trás das rochas. Um deles deu um tipo de grito de guerra e rapidamente vários orcs, não só os do novo bando que havia chegado, se aproximando de mim, na tentativa de me capturar.
Elrohir também se virou, percebendo o que eu tinha feito. Pegou a espada e rapidamente se levantou, montando o cavalo assim que este respondeu seu chamado.
–Khila Amin! – gritou o elfo para seu grupo.
Os elfos foram correndo na minha direção, tendo que enfrentar mais alguns que se colocavam no seu caminho. De qualquer jeito, os wargs de Gundabad eram muito rápidos e chegaram antes.
O primeiro que chegou reduziu o meu arco a pedacinhos antes que eu pudesse me aproximar destes.
–Ai que maravilha. – comentei.
Recuava ao ver que mais deles se aproximavam, mas eu notei que haviam mais se aproximando por trás. Por isso, segurei o cabo da espada, pronta para atacar o primeiro que se atrevesse a tentar encostar um dedo em mim. Eu estava cercada por vários deles, eu teria que lutar, dar o meu máximo.
Os elfos continuavam tentando se aproximar do grupo maior para dar o seu contra-ataque, mas os orcs bloqueavam seu caminho de forma feroz. E assim, eu percebi que uma luta sanguinária começaria por mim.
Desembainhei a espada, apontando-a para qualquer um que ameaçava se aproximar. Meu corpo tremia, meu coração batia rápido e eu podia sentir a adrenalina percorrendo todo o meu corpo. Eu estava nervosa e suava.
Os orcs já estavam mais preparados por causa do último encontro que tive com os companheiros deles, sobre o qual eles na certa haviam sido alertados. Estes eram mais rápidos e inteligentes e por isso decidiram que não atacariam um por um.
Pelo menos uns cinco dos que me cercavam se jogaram para perto de mim para me atacar, isso sem contar wargs que não tinham montadores. Com a longa espada élfica golpeei o máximo deles que pude, desviando sempre que podia.
Me acompanhando, os elfos começaram a atacar alguns dos orcs, abrindo o caminho até mim.
–Tem muitos deles! – gritou um dos guerreiros.
–Eu sei! – eu ouvi Elrohir responder.
Um dos orcs me acertou no braço, cortando um pouco da minha manga e causando um leve corte na pele. Em seguida eu o acertei, finalizando-o. Parei para dar uma rápida olhada na ferida, quando um orc acertou sua maça na minha barriga fazendo com que eu caísse no chão.
A espada rolou para frente e, antes que pudesse pegá-la, um warg sem montaria se colocou na frente dela. Antes que pudesse lutar contra ele, senti o meu cabelo ser agarrado e alguém me puxou para trás e depois para cima, me levantando.
Era um orc um pouco maior que eu e este pegou sua espada e a colocou no meu pescoço e se virou para os elfos, ameaçando:
–Se tentarem reagir ela morre!
Os elfos pararam de lutar quase que imediatamente, se virando para o orc, sem reação.
–Ana! Não! – gritou Elrohir tentando se aproximar para me livrar.
O orc em resposta somente começou a cortar o meu pescoço, ameaçando o capitão élfico.
–Não! Pare!
–Só vamos parar se vocês recuarem e nos deixarem com a garota!
–Não...-ele murmurou.
Nesse momento, um orc chegou por trás do elfo e lhe deu um golpe na cabeça, causando sua queda. Este tentou se arrastar para frente para fugir do orc, mas este também o puxou, colocando uma espada em cima de sua garganta, ameaçando matá-lo. Mesmo que eles ainda estivessem um pouco distantes eu consegui ver a cena e fiquei sem reação.
–E se isso não for o bastante, mataremos o seu chefe! – gritou a criatura nojenta.
–Elrohir! – gritei.
–Então, como será? – o orc gritou.
Naquele momento, eu entendi o que tinha que fazer. Eu tinha que abandonar o medo, o nervosismo, e usar qualquer coisa que restasse dele em mim a meu favor. Eu não podia simplesmente deixar todo mundo morrer ali. Eu tinha que fazer algo. Eu era a única que podia.
–Eu vou te mostrar como vai ser. – respondi.
Depois disso, tudo aconteceu em questão de segundos. Rapidamente dei uma cotovelada com o braço direito na barriga do orc, fazendo com que este curvasse o corpo um pouco. Em seguida, dei uma cotovelada com o esquerdo bem no braço em que o orc segurava a espada, fazendo com que ele a tirasse de perto do meu pescoço. Me virei e levantei a mão para ele e jogando-o para trás de uma forma mágica, e assim seu corpo foi reduzido a cinzas por meu poder de choque.
Me virei logo em seguida acertando com m raio o braço do orc que, ao ver que tinha finalizado seu companheiro, levantou a mão, indo dar o golpe em Elrohir. O braço rapidamente se reduziu a pó, fazendo com que o elfo caísse ao chão. Levei o raio ao lado, destruindo o resto do corpo do orc e de sua montaria.
Nesse momento parei, e todos me encaravam, surpresos, não só os orcs como os elfos. Mas se pensavam que eu só tinha feito aquilo para deixar os elfos atacarem, estavam errados. Eu estava pronta para lutar. Eu não estava lá para ser um fardo, eu tinha que fazer as coisas por mim mesma. Eu tinha que provar para mim mesma que estava pronta para enfrentar a aventura que estava bem na minha frente.
Respirei por alguns segundos e saquei as adagas. Girei uma delas no ar e rapidamente a direcionei a um dos orcs, começando o meu contra-ataque. Com a mesma magia peguei a adaga de volta e comecei a rodar, acertando os wargs que estavam por perto.
Esperava (rezava, na verdade) encontrar os elfos encorajados por eu estar acabando com nossos inimigos, mas não, eles pareciam tão chocados quanto os orcs com o que eu estava fazendo. Mas naquele momento, Elrohir deu um grito de guerra e começou a parte deles do contra-ataque.
Assim, o bando reagiu agressivamente, correndo na minha direção para me atacar. Usando a minha magia, reduzi vários deles que se aproximavam a cinzas, enquanto acertava outros com as adagas.
Dos céus trouxe outro raio verde e ao jogá-lo no chão causei um impacto que fez com que vários de meus inimigos caíssem.
Eu desviava dos golpes de cada espada, acertava-os com choques e com as adagas, sem ter piedade. Realizava golpes mortais, tirando qualquer vida que restasse dentro daquelas criaturas. Eu movia os raios, desintegrando qualquer ser que passasse por eles. Nisso eu já tinha eliminado pelo menos metade da quantidade original de orcs que tinham lá.
Estava pronta para desferir mais um golpe de minha magia quando senti algo acertar meu joelho. Ajoelhei uma das pernas, para olhar o ferimento. Uma flecha de tonalidade negra, cravada na minha pele. Eu gritei de dor, mas isso não fez diferença nenhuma para os orcs que acertaram outra flecha em mim, agora no meu ombro. Comecei a me sentir tonta, mas eu não podia ficar parada ali, acabaria morrendo desse jeito.
Com muita dor tirei a flecha do joelho. Mas quando fui tirar a do ombro, aquela mão me puxou novamente. Elrohir, de volta no seu corcel branco me colocou no corpo do animal, me segurando.
–Recuar! Khila Amin! – gritou Elrohir.
Assim, o grupo de elfos saiu em disparada atrás de seu líder, que se meteu no meio das florestas, rumo ao vale, o lar de seu pai. Enquanto isso, eu sentia a vida tentando abandonar o meu corpo.
Palavras em Sindarin
Khila Amin = Siga – me (sigam-me)
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