Notas iniciais
NA: Oi, mas um cap. para vocês! Vou responder os comentários em breve... Nesse capítulo: Ana descobre perigos na Grande Estrada do Leste. Música: https://www.youtube.com/watch?v=n28qVDd5wWQ&index=26 Link: Warg-Scouts [OBS: no início do cap. óbvio que a música não se encaixa, mas mais na metade sim :) ]

O dia seguiu chuvoso como nunca, agora eu já havia saído do interior da Mata dos Trolls e seguia pela Grande Estrada do Leste, na qual o solo era imensamente barroso. A lama retardou um pouco a viagem e agradeci que quando a noite chegou, eu encontrei uma caverna para me abrigar. Estava frio e, por sorte, consegui fazer uma fogueira com minha magia e com todos os galhos que pude encontrar e secar.

Passei a noite em claro, ouvindo o pingar das gotas que desciam do céu. Dormi no máximo uma ou duas horas durante a madrugada. Por isso, assim que a chuva sessou na manhã seguinte, segui caminho na minha primeira oportunidade.

A trilha ainda estava um pouco lamacenta, mas dava para caminhar nela. Era um silêncio mortal, não haviam pássaros como na floresta ou qualquer outro animal. Era tudo silencioso.

Será que ainda demoraria muito para chegar em Rivendell? Essa era a única pergunta que preenchia minha cabeça no momento.

No meio do local totalmente arborizado onde eu estava, havia esta estrada pela qual seguia caminho, na qual, além do barro, não havia mais nada que me impedisse de seguir caminho com altas velocidades.

No solo fora da trilha era tudo gramado, assim como em boa parte da floresta, afinal, ainda estava dentro dela, mesmo que não no seu interior profundo e medonho infestado de trolls.

Durante esse tempo, lembrei que poderia chamar Fênix. Peguei o colar mágico e disse o feitiço, então depois de alguns segundos, olhei para trás ao ouvir um barulho.

A égua se aproximava em uma velocidade normal, carregando minhas bagagens e a cela. Montei nela e continuei o caminho, só que com mais velocidade, para compensar o dia de chuva. Com o tempo a lama foi diminuindo, facilitando ainda mais meu caminho.

Durante a tarde, quando o sol já ameaçava descer, a chuva voltou novamente e tive que recolocar o capuz. Uma vez que o céu já estava escuro, tive que parar novamente pela falta de luz que dificultava a viagem.

Dessa vez não encontrei uma caverna, então tive que me encolher ao lado de uma rocha que encontrei no caminho. Pernas encostadas ao corpo e meus braços segurando — nas. A noite foi um tanto perturbadora por causa da minha posição desagradável, na qual tive que ficar a noite toda, dificultando meu sono.

Ao acordar me senti alegre ao ver que o dia tinha tudo para ser ensolarado, diferente dos dias anteriores que se não estivesse chovendo, estava nublado.

Neste dia, ainda na estrada, comecei a ter uma sensação estranha, como se o perigo estivesse à espreita. E, como de costume, estava certa.

Me sentia um tanto quanto entediada, já que a paisagem parecia totalmente uniforme. Só árvores, árvores, mais árvores e não podemos esquecer de MAIS MALDITAS ÁRVORES.

Interrompendo os mais diversos pensamentos, senti algo passar voando por mim, causando um corte na minha bochecha (justo aonde eu tinha me cortado da outra vez e que eu já havia curado). O sangue começou a escorrer e percebi isto claramente ao tocar na ferida.

Ao olhar para trás, virando um pouco Fênix, notei figuras se movimentando há distância. Apertei os olhos e pude perceber algo semelhante a um lobo grande com alguém montado em cima. Automaticamente me veio à cabeça: eram wargs e orcs, novamente. O grupo se movimentava rapidamente na minha direção, mas ainda estavam longe. Com certeza aquele orc maldito tinha avisado ao primeiro bando que eu havia escapado.

Ao ver isso, virei o Pégaso para frente e comecei a correr em disparada. Em questão de alguns minutos muitas flechas começaram a voar na minha direção e eu desviava delas de todos os jeitos possíveis, as vezes até fazendo movimentos radicais montada em Fênix que poderiam acabar em minha queda. Muitas vezes também desviava com o próprio animal. Eles ainda estavam longe, mas já haviam notado que eu os tinha percebido.

Depois de alguns minutos de perseguição, uma flecha acertou Fênix fazendo com que ela caísse comigo. Ao cair no chão, rolei para frente e ao parar, balancei a cabeça e apertei os olhos, parando um pouco a tontura de ter rolado.

–Fênix, levante-se. – eu tentava acudir o Pégaso, recebendo de resposta só grunhidos de dor.

Olhei a ferida, estava séria. Olhei para frente rapidamente, procurando ver se ainda faltava muito para o grupo me alcançar. Tirei a flecha do local, recebendo um grito da Fênix.

–Acalme-se!

Tentei curar com minha magia, mas nada funcionava. Comecei a ficar desesperada. Não sabia o que fazer e a cada segundo o bando se aproximava mais.

– Exi a me. Fugite et salvabit. – disse Fênix, de alguma forma, fazendo com que eu a escutasse na minha mente.

Rapidamente minha mente traduziu as palavras que ela disse para “Me deixe. Fuja e se salve.”.

–Eu não posso te deixar aqui. Eu preciso de você.

–Vá! – ela gritou em minha mente e seus olhos brilharam um azul mágico.

–Vos redire potest ad spiritu mundi! – gritei, com o colar de Pégaso na minha mão e rapidamente o espírito retornou à pedra mágica.

Depois disso guardei o colar na bolsa, já me virando e começando a correr. Eu corria que nem uma desesperada, corria o mais rápido que podia. Olhava algumas vezes para trás, procurando ver o quão longe eles ainda estavam.

Aqueles eram wargs, eu não sabia naquela época, mas eram wargs de Gundabad, conhecidos por sua velocidade e ferocidade. Só um milagre poderia me salvar se eles se aproximassem, pensei. E eles se aproximariam. Rapidamente me alcançariam, ainda mais agora que estava a pé.

Ao notar a velocidade com que se movimentavam, eu tive que começar a pensar em modos de atrasá-los. Nesse momento que pensei em usar meus poderes para algo além de acertar os inimigos diretamente.

Ainda correndo, misturei algumas magias minhas para fazer com que uma árvore caísse no meio da estrada, acertando alguns dos orcs e atrasando outros. Ao continuar da perseguição fiz outras coisas do tipo. Tive que derrubar mais uma ou duas das árvores (eu não queria ter que fazer isso, mas no momento não podia pensar duas vezes). Também levitei algumas pedras que vi no caminho, retardando mais alguns.

Nessa confusão de atrasá-los, não percebi quando uma pedra se colocou no meu caminho, já que estava olhando para trás. Tropecei, começando a rolar em uma ladeira que se encontrava próxima a uma curva que a estrada fazia em uma leve depressão do terreno.

Ao me levantar, estava novamente na estrada. Percebi como os orcs tinham se aproximado. Faltava pouquíssimo para me alcançarem, pelo menos se comparado ao momento em que os notei. Virei para frente e continuei a correr.

O próximo deslizamento não foi tão inesperado, por isso o realizei sem rolar e sem me atrasar mais. Digamos que eu até fiz com um pouco de estilo. E me levantar foi algo tão automático que nem tive tempo de olhar para trás como da outra vez.

Depois de muito corre-corre, acabei em uma área bem mais aberta da estrada, onde esta se tornava tão fina que parecia quase invisível.

A área continuava cheia de gramado, mas não haviam muitas árvores, e sim, muitos pedaços grandes de rochas espalhados pelo terreno.

Me meti no meio de um complexo de rochas, na tentativa de despistá-los, mas não deu tão certo como esperava. Alguns dos wargs subiram as rochas e me acompanharam por cima. Agora só faltavam alguns segundos para me alcançarem.

Ainda haviam alguns (aqueles que tinha atrasado) que estavam um pouco na distância, mas um grupo temeroso estava bem perto. Estes eram muito rápidos e estavam prestes a me encurralar.

Ao sair do complexo de rochas, dei com um destes, que pulou na minha frente. Eu parei, recuando um pouco. Segurei o cabo da espada, pronta para atacar. Mas ouvi um rugido próximo e virei a cabeça levemente, notando que haviam outros três atrás de mim. Dois em rochas e um no gramado que existia entre as pedras.

Foi nesse momento que parei para observar a quantidade absurda de caçadores orc naquele local. Era, pelo menos, o dobro do tamanho que encontrei com Thorin (e quando digo pelo menos, estou sendo gentil, com certeza deviam ser mais que podia contar). Pelo menos, só quatro estavam próximos de mim o bastante para me atacar.

O do meio foi pular em mim, mas, de repente, flechas voaram do desconhecido e acertaram todos, tanto montador como montaria, e no meio de rugidos, ouvi trompas soarem. Mas de qualquer jeito, o warg já havia começado o movimento e, mesmo morto, vinha na minha direção.

Eu travei totalmente, sem saber o que fazer. O animal e seu cavaleiro vinham na minha direção e tenho que admitir que até o warg conseguia ganhar de tamanho de mim, mesmo que não de altura.

Antes que a dupla horrenda me atingisse, senti uma mão me puxar e ouvi o barulho dos cascos de um cavalo tocarem o chão. A mão me puxou me conduzindo para frente e impedindo que o cadáver me atingisse. Depois me colocou devidamente no chão (a pessoa não simplesmente me jogou no chão e sim se abaixou um pouco para me colocar lá).

Agora estava deitada com a cara no chão. Levantei a cabeça e observei o ambiente, tentando avistar o meu salvador. Um pouco na distância vi cavalos brancos com cavaleiros totalmente distintos dos orcs. Esses cavaleiros usavam armaduras que brilhavam com a luz do sol e muitos deles também contavam com elmos, usavam capas vinho ou marrons lisas (seriam elas de veludo?), armas com uma aparência majestosa e encantadora e pareciam até aqueles príncipes de filme. E advinha só: eram elfos.

Claramente deviam ser elfos de Rivendell, já que a distância para o vale agora não era tão grande. Mas, antes que pudesse pensar em qualquer coisa, senti uma aproximação atrás de mim.

–Precisa de ajuda, milady?