The Inter - Worlds (Parte 1): As Aventuras - Ano 2
3 Capítulo 1 - Um Ano Novo
Notas iniciais
Então, ano novo. O ano passado tinha sido tão rápido. Eu mal pude perceber a tão grande velocidade como os dias passaram. Parece que tinha sido ontem que eu tinha feito aniversário e tinha entrado nesse sonho doido. Parecia...como parecia. Agora lá estava eu. A merce de um reality show que me faria morrer antes do final, ou me faria matar todo mundo que me impedisse de chegar no final.
Era tudo tão confuso. Eu não podia simplesmente acreditar que era um sonho. E eu não tentaria a sorte. Dizem que em sonhos quando estamos prestes a morrer nós acordamos. Se isso funciona comigo eu não sei. Eu já quase morri várias vezes e até agora não acordei. E eu não faria alguém realmente me matar para ver o que acontece.
Mas, ainda tinha tantas dúvidas...quem seriam esses superiores de Kryn? Será que, se eu ganhar os jogos, eu algum dia vou sair de Panem? Porque isso tudo estava acontecendo? Tantas perguntas e tão poucas respostas. Assim que isso tudo for resolvido, eu com certeza vou descobrir tudinho o que preciso saber, espero. Mas, voltemos aqui.
Eu estava lá, refletindo sobre a vida, e escrevendo no bloquinho. Peguei o lençol e me enrolei nele, já que estava frio. Tomara que eu não me mexesse demais e caísse da árvore, isso não daria muito certo. Estava cansada, então, me entregando a pura sorte e vontade de Deus, eu adormeci.
M
A única coisa realmente capaz de me acordar foi um grito estridente que ouvi no meio da noite. A primeira coisa que fiz foi olhar para todos os lados procurando ver se tinha alguém por perto. Ouvi o canhão. Mais um tributo morto. Na verdade, logo depois, ouvi outro canhão. Agora eram 12 tributos mortos no total, e isso só no primeiro dia. Assim, eram 12 mortos e 12 vivos. Felizmente, eu era um desses 12 que ainda estavam vivos.
Depois disso, respirei fundo e voltei a dormir, rezando para que ninguém me visse na árvore.
***
Na manhã seguinte, eu acordei aliviada. Ainda estava com o pescoço inteiro, ótimo. Desci, assim que guardei o lençol e desamarrei a corda, com muito cuidado, é claro, para não escorregar bater a cabeça e morrer ou outras coisas do tipo.
Assim que atingi o chão, me reergui e comecei uma longa caminhada atrás de comida, e aproveitei para tirar a bandagem do meu dedo que já tinha o seu corte fechado.
Ok, checagem de sobrevivência.
Ponto um: estava inteira, viva.
Ponto dois: tinha água.
Ponto três: estava armada.
Ponto quatro: precisava de comida.
Tá bom, o que eu deveria comer? Talvez alguma fruta ou, se possível, caçar alguma coisa.
Eu, obviamente, estava com o arco na mão, nunca se sabe quando seria necessário.
Eu vi um lago. O lago era largo demais, e dar a volta nele demoraria uma eternidade. Por isso, tive que me arriscar a tentar pisar nas poucas e pequenas elevações que ficavam fora da água.
Eu não sabia muito sobre a 72ª edição dos Jogos Vorazes, e o vencedor dessa edição era desconhecido, traduzindo, eu ainda tinha chances. O máximo que sabia era que tinha acontecido em um pântano cheio de armadilhas, e foi aí que percebi que isso era totalmente verdade.
Estava andando, quando, de repente, me vi de cabeça para baixo. Uma corda, sem que eu esperasse, prendeu o meu pé e me deixou pendurada por um galho de árvore que ficava em outra parte das elevações. Por sorte, eu achava, aquela elevação tinha um caminho para fora do lago, como uma ponte, mas, o que fazer agora?
Já que tinha sido algo totalmente inesperado, o meu facão tinha caído na água, assim como minhas flechas e minha aljava improvisada.
Coloquei o arco no espaço de terra embaixo de mim e peguei a faca e comecei a roçar ela na corda. No meio da névoa que começou a cobrir o lugar, vi uma flecha voando na minha direção, da qual desviei por muito pouco.
Mesmo sem as flechas e o facão, pelo menos ainda tinha o...onde estava o meu arco? Tinha caído no lago também. Só podiam estar de sacanagem comigo. Pelo menos ainda tinha a faca, isso eu ainda tinha.
Eu estava presa, só com uma faca como arma, e ainda tinha alguém tentando me matar? Maldito caminho!
Comecei a cortar a corda ainda mais rápido. Seria questão de minutos até que alguém aparecesse para me matar. Estava tudo muito bem para ser verdade. Agora a sorte estava contra mim.
Foi exatamente no momento que vi pessoas se aproximando que a corda estava prestes a se partir. Respirei fundo, balancei a corda e fiz o corte final. Caí na água. Nadei o mais rápido que pude, ainda submersa, indo a superfície somente raros momentos para respirar.
Um bom tempo depois, estava fora da água. Encharcada, mas ainda viva. Respirei por alguns segundos, me recompondo. Depois, me levantei, saindo do local o mais rápido que podia.
Droga, agora a única arma que tinha era a faca. Tinha que acontecer uma coisa assim, não é? Sempre acontece.
Então, uma aliança. Quando estava na corda e vi as pessoas atravessando a névoa pude ver que era mais de uma pessoa, e estavam juntos, um grupo. Um grupo que seria mortal se mantido unido, essa ameaça tinha que ser eliminada.
Mas, o importante naquele momento era que eu tinha sobrevivido. Estava viva! Ufa, ótimo!
Continuei o meu caminho, até achar um local que parecia bem longe do resto das pessoas, um rio. Tirei as botas, que estavam roçando na minha perna, e também tirei a capa de chuva e a jaqueta. Torci, virei, apertei, espichei. Fiz tudo o que pude para tirar o máximo possível da água que se acumulava nos meus trajes. Depois coloquei as botas de novo, mas, já que não estava com tanto frio, guardei a capa e fiquei só com a jaqueta, e abri um pouco o zíper da blusa (era uma blusa de gola rolê que podia abrir e fechar um pouco na frente).
Assim, bebi um pouco da água cristalina do rio, e me levantei. Depois que atravessei o rio, comecei a fazer uma longa caminhada a procura de comida e de mais armas.
No caminho, dei de cara com uma ameixeira. Finalmente um pouco de sorte! Escalei a árvore até conseguir arrancar várias ameixas. Depois, me sentei e peguei uma para comer.
Dei a primeira mordida, o sabor suculento e refrescante de ameixa infestava a minha boca. Tinham tantas ameixas que eu cheguei até a dar um pedaço para um passarinho que pousou do meu lado.
De repente, o pobrezinho caiu duro no chão. Ao ver isso, olhei para a ameixa que começou a se transformar do rosa arroxeado a um tom negro, e sua casca se tornou estranha, como se fosse venenosa.
Assim, larguei automaticamente a “ameixa” no chão.
Aos poucos, minha visão começou a ficar turva, e eu estava ficando tonta. Caí de frente no chão, lutando para ficar acordada. Então, depois de aguentar muito, eu desmaiei.
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