The Intended: Mutant
18 Os Superiores
Notas iniciais
Quando acordei todos já estavam acordados, menos Jane e Amy que estavam muito cansadas por conta do dia anterior.
Levantei-me e fui até a porta e lá estavam todos, sentados em uma mesa grande e cheia de comida. Corri para me sentar. Fazia bastante tempo que não comia comida de verdade.
Josh trouxe Jane e Amy a força para a mesa. Dava para perceber seus olhos ainda sonolentos, pesados e distantes. Elas se sentaram e Jane comeu pouco, como o de costume. Ela era preocupada demais com a aparência e mesmo sendo um palito, se achava gorda como uma vaca. Já Amy era diferente, magra e comia como se fosse sua última refeição. Logo quando elas pararam seu pequeno banquete, Josh se levantou:
– Estão preparados?
Não, eu não estava, não fazia ideia do que iria fazer para mostrar meu dom. Caso eu realmente tivesse um dom. A maioria respondeu que estava e outros se mantiveram calados, assim como eu.
– Ótimo. Logo os quatro superiores vão buscá-los e levá-los para o grande gramado onde os testes serão realizados.
– Somente nós vamos estar lá? – Robert perguntou.
– Não. – Josh respondeu. — Cinco representantes de cada superior vão observar vocês, fora pessoas como eu ou auxiliares e seguranças.
– Público para o meu triunfo. – Frank colocou as mãos para trás da cabeça. — São poucos, mas já está bom. É assim que se constrói a fama.
– Confia muito em si mesmo. – Lucy encarou Frank. — Pessoas assim como você, chamo de arrogantes e elas tendem a ser, bom, fracassados no futuro. – ela terminou dizendo tudo que muitos na mesa tinham vontade de dizer.
– Você é só uma criança. Uma materializadora qualquer. – ele olhou com desprezo para Lucy.
– Nível zero. Há poucos de mim pelo mundo. – ela respondeu com um sorriso.
– Pelo que eu sei são três, Lucy, Lucyo e outra que ainda está nas mãos da Proteção Asiática, na América, as Proteções são muito frágeis, lá não é bem assim. – informou Josh.
– E quanto a mim, somente eu. – Frank riu e faz careta, enquanto a menina se manteve sorridente e superior.
– Mantenho o que eu disse. – ela respondeu fazendo todos ficarem quietos, todos concordavam com ela.
– Bom, melhor deixar a atmosfera mais leve e descontar no teste que é logo. – Josh falou enquanto avistamos os seguranças vindo na nossa direção.
Rapidamente eles chegaram.
– Vamos. – um dos seguranças nos falou, fazendo todos se levantarem e deixarem a comida que ainda estava sobre a mesa.
Fomos conduzidos dando passos nervosos e tropeços nos próprios pés. Todos de punhos fechados e deixando o suor escorrer. Confesso que meu medo estava tomando conta de meu todo. Meu suor já alcançava meus punhos, minhas mãos tremiam. Não conseguia focar em nada, tropecei no meu pé quatro vezes. Liam ofereceu ajuda, mas eu preferi não levá-lo ao chão com um futuro tombo.
Chegamos onde todos estavam reunidos. Espalhamo-nos lado a lado. Josh sussurrou algo para nós, mas eu não consegui ouvir direito.
A poucos metros de nós estavam quatro pessoas sentadas. Um nós já conhecíamos, Tubarão Cinzento. Ele se levantou e começou a falar.
– Vocês já me conhecem, fui o único a receber vocês. Eu poderia mostrar meu poder agora, mas eu morreria por conta de estar fora d’água. Quero que vejam meus cinco queridos discípulos, eles são os cinco mais poderosos que eu treino. Para mim vocês precisam ser surpreendentes e dispostos a tudo, água e força.
Cinco pessoas foram até a frente. A primeira pessoa a falar era uma garota musculosa. Vestia com um macacão apertado e cinza escuro. Nos pés estavam botas de cadarço até os joelhos. As unhas eram longas e afiadas. O cabelo castanho e cacheado estava preso num rabo, os olhos azuis faziam um belo contraste com a pele morena.
– Sou Rayka. Minha raça é bem comum, sou uma levantadora ou arremessadora, tenho facilidade em levantar coisas com os membros superiores, sou do nível dois. – ela pegou facilmente a pessoa do lado.
A segunda pessoa era outra mulher. Sua pele era extremamente branca, vestida com uma calça cinza e camiseta com um decote enorme, parecia que os seios iam pular para fora. Os cabelos eram loiros e com pontas alaranjadas. Os olhos eram tão claros que não sabia dizer se eram verdes, azuis ou cinza. As sobrancelhas arqueadas davam um ar de desafio, nariz empinado, lábios carnudos e vermelhos. Ela tinha um sorriso assustador como o de um assassino, deixando claro os dentes pontudos como os de um vampiro.
– Sou Ilia. Metade sereia, metade vampira. Os vampiros são uma raça comum, mas não valorizada. – ela fez uma pequena pausa. – Eu viro um morcego, enxergo a noite, enxergo de dia sem nenhuma dificuldade. Sou rápida e forte. Caso eu entre na água eu ganho uma calda, hipnotizo também como uma sereia comum. Nível um, novatos. – logo quando ela acabou de falar, virou um morcego de trinta e cinco centímetros e a cor se misturava entre o azul marinho e o preto, novamente virou mulher. — E claro, todo vampiro precisa beber sangue, comigo é mais tenso, só posso beber sangue de animais marinhos.
Ilia esqueceu de falar que sua raça não é valorizada, pelo fato da maioria não ter controle sobre sua sede.
O terceiro era um garoto que parecia ter acabado de entrar na adolescência. Calças e camiseta cinza, coturno surrado e preto. O cabelo era espetado. Tinha olhos puxados que quase não nos deixava ver os olhos azuis. Estava pálido e nervoso, era sua primeira vez ali na frente, com toda certeza. Ele demorou quase dois minutos para perceber que era a vez dele.
– Sou Yuri, desculpe, sou novo nisso. Eu viro peixe, todos os peixes possíveis, menos baleia, baleia é um mamífero e eu não sou uma mamífero, na verdade eu sou… ou não sou… eu não sei. – Yuri estava muito nervoso. – Eu... me desculpe Tubarão Cinzento, eu não consigo.
– Tudo bem garoto. Deixe para eles verem você na água. – Tubarão Cinzento sorriu.
– Certo… bom… eu sou do nível dois. – ele saiu correndo pela grama, como se estivesse fugindo de nós.
A quarta pessoa também era do sexo masculino, só que este era um homem quase da mesma idade de Josh. Pele morena, músculos bem definidos por baixo da camisa cinza que era muito apertada. Cabelo liso e negro até os ombros. Olhos negros e vazios como os de Sam.
– Sou Gerard, bem diferente do nosso colega Yuri eu sou experiente nisso aqui. Sou da raça mão, acho que acharam engraçado o nome da raça, mão. – ele começou a rir. — Eu também acho engraçado, sou mais ou menos como Rayka, só que eu sou mais forte, tenho mais habilidade e digamos que até um pouco mais de controle. Sou do nível um. – em menos de um segundo ele deu um soco no chão e um buraco bem fundo surgiu.
A quinta pessoa era um homem que parecia ter a mesma idade que nós, na casa dos vinte. Grandes músculos definidos, calça e camiseta justa da mesma cor das dos outros. Moreno de sol. Os cabelos dourados formavam um belo topete que o fazia parecer vaidoso. As sobrancelhas grossas eram perfeitas, olhos verdes bem claros e um nariz bonitinho para um homem monstruoso no físico como ele. Em seus lábios um sorriso confiante e lateral se formava. Ele apertou as próprias mãos e nos encarou.
– Eu sou Alan. – ele se apresentou. — Tenho o poder da força, sou o único aqui que é desta raça. Sou mais forte que todos e mais bonito também. – ele alisou o topete para cima levemente. — Sou o favorito do T.C., me desculpe colegas, mas essa é a verdade. – ele sorriu confiante, era mais um arrogante. — Eu poderia ficar aqui falando o quanto sou bom e dizer baboseiras sobre o poder dessa raça, mas eu tenho coisas mais interessantes para fazer e olhar para seus rostos cansa meus músculos. – assim que acabou de falar ele saiu andando sem nem mostrar seu poder.
– Desculpe pelo Alan. – T.C. parecia decepcionado. — Ele é muito cheio de si, mas é o melhor mutante daqui, pelo menos dos que eu treino.
– Melhor parar de mimar seu preferido T.C., os bons só fazem o que devem. Todos devem ser bons. – a mulher ao lado de T.C. falava cuidadosamente as palavras, ela era uma superiora também.
Ela usava um casaco branco com extremidades de pluma. Nos pés um par de coturnos brancos e o solado mais alto do que os de Tubarão Cinzento. As calças brancas quase não. As luvas de couro branco tampavam seus dedos longos. A pele era claríssima, parecia até ser albina. Seus cabelos brancos e cacheados estavam para trás. A testa era pequena e as bochechas gordinhas. Os olhos eram grandes como os de uma coruja e a íris era branca. O nariz era delicado e adunco. Não tinha nenhum sinal de maquiagem ou truque para parecer jovem ou bonita, mas mesmo assim ela me parecia estar entre trinta e cinco ou quarenta anos. Ela sorriu para mim, somente para mim e eu retribuí o sorriso.
– Ah, eu já ia me esquecendo. – a mulher se levantou. — Fui interromper o pedido de desculpas do T.C. e esqueci-me de dizer quem eu sou antes disso. – sua voz era rouca, calma e bonita. — Sou uma superiora, meu nome é Coruja Branca. Prezo a inteligência e o ar que nos envolve. Trouxe apenas um representante dos meus discípulos queridos. Saibam que a pessoa que vai se apresentar aqui é sorteada, pois todos para mim são bons. Antes, eu preciso me mostrar a vocês.
Ela firmou as duas pernas e esticou os braços para os lados. De repente ela virou uma coruja e voou livremente pelo céu, em seguida ela pousou de onde saiu.
– É tão desimportante que aposto que dois ou três nem viram a mutação tomando conta de meus braços, os fazendo virar asas. Infelizmente é normal as pessoas não terem concentração. Vamos logo ao meu discípulo sorteado.
Uma adolescente deu passos nervosos até Coruja Branca. Usava botas brancas até a metade da coxa, sua calça branca quase não aparecia. Usava uma blusa branca com mangas transparentes e soltas até as mãos. O cabelo era cacheado e loiro até a metade das costas. Seus os olhos eram castanhos e tinha os cílios grandes. Estava nervosa.
– Sou Gena, eu manipulo o gelo, minha raça é a elementar. Vai ser uma honra ter alguns de vocês no grupo da C.B., estou um pouco nervosa me desculpem. Sou do nível três.
Gena tirou do bolso traseiro da calça um cubo de gelo e o colocou no chão, rapidamente com movimentos suaves dos dedos, o pequeno cubo ficou com mais de um metro.
– Obrigada. – ela agradeceu enquanto diminuía o cubo, o colocando no bolso outra vez.
– Gena demonstrou exatamente o que presamos, ela foi humilde, é uma grande mutante. – C.B. falou com orgulho. — Mas minha vez de falar já se foi, melhor meu colega começar.
– Obrigado por lembrar C.B., mas eu não esqueço da minha vez. – o homem ao lado disse rapidamente.
Parecia ter quarenta anos. O cabelo era curto e castanho claro. Usava um par de coturnos dourado. A calça e o casaco eram de couro, dourados também. Era forte, mas não quanto Tubarão Cinzento. Sua cintura era fina. A pele era morena e seu rosto repleto de sardas. Os olhos eram amarelados. Na boca estava sorriso com dentes afiados.
– Sou um superior. – ele falou rapidamente. — Leopardo Dourado, ou simplesmente L.D., eu gosto de pessoas rápidas. Enfim, vou ser bem rápido. – ele começou a rir. — Na verdade eu sou!
L.D. virou um leopardo e correu na campina rapidamente. Voltou em menos de dez segundos para o mesmo lugar onde estava anteriormente, tornando-se homem novamente.
– Eu fiz o mesmo que minha colega C.B., sorteei o aluno de hoje.
Um garoto pequeno e magro foi andando até a frente, parecia ter doze anos. Vestia uma calça amarela de couro e uma camisa branca larga, seu cabelo era ruivo e cacheado quase nos ombros. Tinha pequenas sardas nas bochechas coradas e os olhos eram num tom de verde quase florescente.
– Oi. – ele tinha uma voz fina e rouca. — Eu sou Foo. Nasci aqui, fui criado por L.D., fiquei muito feliz quando meu nome foi tirado para representar os alunos dele. Leopardo Dourado é como um pai para mim. Sou da raça animal, eu viro apenas raposa, mas todas as raças de raposa que vocês poderem imaginar, sou do nível quatro. – o garoto sorriu com timidez e virou uma pequena raposa alaranjada, depois uma branca e felpuda, logo após em outra raposa, agora marrom e pequena, assim ele se manteve por todo o resto do evento.
A mulher ao lado do superior L.D. era magra, muito magra. Calçada com um salto verde que lembrava pele de cobra. A calça era justa de couro e verde, com uma jaqueta de couro verde e por baixo um espartilho bastante apertado. O cabelo era liso na altura dos ombros, negro com as pontas na cor verde sépia. Os olhos eram puxados e verde escuro. Era extremamente magra. Ela parecia ser muito mais jovem do que Coruja Branca.
– Bom dia, novatos. Eu sou Cobra Verde ou C.V., me transformo em cobra. – ela puxava o “s”. — Meus alunos, devem ser espertos e orgulhosos de si, pois cada mutante deve agradecer o dom que possui. Escolhi apenas dois alunos meus para se apresentarem.
O homem foi até a frente, dando passos largos. Era alto e forte. Sua pele era negra. Usava uma calça verde escuro e de couro e camiseta preta. O cabelo raspado e olhos negros.
– Sou Rapha. Eu sou um manipulador de animais, vejam só.
Rapha formou um círculo com as duas mãos, colocando uma sobre a outra, as levou até a boca e sobra por elas, de repente vários pássaros.
– Nível dois. – ele terminou de falar e voltou para onde saiu.
Em seguida uma mulher foi até a nossa frente. Calçada com um salto alto verde escuro, uma meia calça arrastão negra, uma saia curta e de couro negro. A camiseta era decotada e verde escuro. O cabelo era liso e até o final das costas. Pele morena de sol e olhos azuis com pequenos círculos brancos.
– Bom dia. – ela tinha uma voz sedutora. — Sou Paola, sou uma manipuladora do nível um. Controlo desde objetos a seres humanos. Vejam.
Ela afastou um pouco os pés, movimentando lentamente os dedos em direção a Théo, os olhos dele se dilataram e de castanhos ficaram brancos, ela fez um gesto para ele ir até ela. E ele foi. Théo estava hipnotizado por Paola. Ela fechou as mãos subitamente e Théo parou quase encostando o nariz no dela. Paola o beijou e em seguida estalou os dedos. Théo deu um passo para trás sem entender nada.
– Muito bem taradão. – Peter começou a rir.
Théo voltou para onde saiu balançando a cabeça e tentando entender o que houve. Ele estava perdido. Ryan, Peter e Chris ficavam dando a ele parabéns mesmo sabendo que Théo não sabia o que havia acontecido. Paola foi até Théo novamente.
– Docinho, estou torcendo para C.V. te escolher, vai ser um… prazer. – ela disse sensualmente. — Boa sorte.
E foi neste momento que os garotos comemoravam a vitória de Théo. Era injusto, ainda mais porque Théo nem fazia ideia do quanto eram perigosos os manipuladores.
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