Notas iniciais
Oi pessoal. Depois de um bom tempo, um novo capítulo e trouxe novidade. Léo e eu estamos escrevendo uma história sobre pokemon, voces leriam? Bom, agora o capítulo!

Josh parou o carro no acostamento da rodovia e nós fizemos o mesmo. Meus pés já estavam formigando, foi ótimo parar. Finalmente podia me mover.

– Estão cansados? – Josh olhou para nós e era óbvio que estávamos.

Todos responderam que sim.

– Estamos indo para o litoral. – respondeu Josh. — São 92 km até lá. Vamos para o porto. Tem um barco especial lá esperando por nós. Agora entrem nos carros, temos mais asfalto pela frente.

Entramos no carro, mas antes eu parei na porta e respirei fundo. Estava cansada e minha vista doía, mas a cabeça era pior. Liam e eu trocamos de lugar e eu apertei ao máximo meu cinto. Gostava de ter aquela sensação falsa de segurança.

Ficamos em completo silêncio. Comecei a abrir e fechar o vidro repetidas vezes, mas ninguém reclamou. O tédio era tão grande que até isso havia se tornado agradável. O tempo passou e finalmente chegamos. Josh pediu para nós não nos afastarmos dele. O seguimos até chegarmos a uma embarcação chamada “VERDADEIRA CASA”. Josh pediu para nós subirmos e foi isso que fizemos, silenciosamente. Até que os motores foram ligados e nós seguimos a viagem pelo mar. Não demorou muito até que Josh me chamasse.

– Sabe para onde estamos indo?

– Não tenho ideia. – respondi.

– Para o centro de comando mutante, A Ilha. – ele gesticulou com as mãos como se estivesse abrindo uma janela. — Vamos deixar essa lancha naquela ilha e depois seguiremos em barcos separados. – ele apontou para um pequeno ponto ao longe.

– Por que me chamou?

– A ilha que vamos é extremamente protegida. – Josh apontou de novo. — Há muitas armadilhas nessa ilha. Seja cautelosa e se te pegarem você diz quem é ou eles te matarão.

– Dizer meu nome? – aquilo não fazia sentido. — É isso mesmo que eu entendi?

– Não, não! Diga que você é a imortal, o dragão.

– Certo.

Distanciei-me dele. Liam foi encontrar comigo e já veio dizendo com o tom de quem não gostava. E eu não o culpava. Também não confiava tanto em Josh. O que Shark havia dito ainda ecoava em minha mente. Josh cometeu outro engano. Outro.

– Você tem muitos segredos com esse cara. – disse Liam.

– Preferia não ter. – respondi.

– Por quê?

– Eu fico confusa quanto a quem eu sou. – o abracei. — Fique comigo mesmo se as coisas se tornarem difíceis ou impossíveis. Fique comigo mesmo quando eu já não for o que você realmente conhece.

– Prometo. – ele beijou minha testa. — Temos uma promessa, lembra? Eu nunca vou te deixar.

A lancha parou e Josh pediu para todos nós descermos.

– Ainda não estamos na praia da ilha mutante. – falei, em seguida escutei Josh gritando.

– A partir de agora quero que fiquem em grupos de quatro pessoas. – dizia Josh. — Do outro lado daquela ilha há barcos para cada grupo. Sejam rápidos e cautelosos. Há muitas armadilhas para acabar com intrusos aqui.

– Mas somos especiais. – Ginna cruzou os braços.

– Vocês são, os superiores sabem disso. – Josh respondeu. — Mas se derem azar, vão ser capturados e caso isso aconteça, vocês precisam mostrar imediatamente os poderes ou eles matam vocês na hora.

Abracei Liam. Ryan e Yoko vieram até nós.

– Vamos com vocês. – Yoko sorriu como se aquilo dependesse somente dela.

Conseguia ouvir o pensamento de indignação de Liam, ele nunca gostou de Yoko e eu tinha razões para não confiar nela.

– Tudo bem. – respondeu Liam.

Quando olhei para os lados somente nós quatro estávamos na lancha. Devíamos ser rápidos.

– Mariah você ainda não sabe nadar, né? – Ryan perguntou.

– Eu a levo pelo ar. Yoko te leva pela água. – Liam me segurou com mais força e quando percebi já estava flutuando com ele.

Yoko fez com que a água arrastasse Ryan até a praia. Ela era violenta até mesmo com o elemento que manipulava.

– Estamos ferrados! – Ryan olhou para os lados, todos os grupos ainda estavam ali.

– Não estamos. – comecei a andar.

– Precisamos pensar um pouco antes de enfrentar a mata. – Yoko ficou imóvel.

– Você tem que escolher, enfrentar ou ser enfrentado. No momento, prefiro que eu seja a ameaça. – respondi.

Os três começaram a me seguir. A mata era escura, mas não tão densa como imaginei. O vento era quente, logo estava com sede.

– É algum tipo de truque. – olhei para as árvores que eram diferentes.

– Sorte de quem está com Robert no grupo. – Yoko comentou.

– Devia ter ido para o grupo dele. – Liam andava muito próximo de mim.

– Ele já estava com Wesley, Frank e Vick. Eles não querem uma estranha.

O calor só aumentava.

– Não é truque nenhum. – Liam riu. — Frank está próximo, posso sentir o ar de idiota dele ao longe.

O grupo de Frank apareceu dando passos apressados.

– Não deve andar por aí com isso na mão. – falei para Frank que estava com a chama pronta.

– Podemos ser pegos a qualquer momento. – ele me respondeu continuando a andar e Vick pedia repetidas vezes para parar.

– Não podemos. – Robert respondeu.

– Como deixa Frank ficar no comando Robert? – perguntou Yoko.

– Ele disse que ia me tostar, então eu deixei.

– Quero mudar de grupo. – Vick falou baixinho para somente eu e Liam ouvirmos.

– Yoko, vai com eles. Vick agora vem conosco. – Liam empurrou Yoko que concordou e sumiu na mata com eles.

– Agora sim eu gostei! – Ryan comemorou.

– Cala a boca. – Vick começou a andar.

Ficamos quietos enquanto víamos o dia indo embora. Agora seria difícil para caminhar até o outro lado da ilha. Sentamos no chão e começamos a reclamar de sede.

– Puxe os ventos, Liam. Quem sabe há um rio por perto. – Ryan encostou numa árvore.

– É uma ótima ideia. – Liam fez isso e começou a andar. — Pena que não há nenhuma gota no ar, Frank evaporou tudo.

– Vamos morrer. – Vick se deitou, colocando as mãos sobre a barriga que roncava como um leão.

– Não, nós não vamos. – comentei.

– Por que? – ela perguntou.

– Somos do nível zero, não morremos por sede ou fome ou coisas do tipo, só se formos mortos. – respondi.

– Então, essa sede é coisa da nossa cabeça. – Ryan deduziu. — Podemos continuar seguindo. Andem, levantem, não temos tempo para dormir, quero chegar logo onde Josh tanto fala! Deve ter mulheres incríveis lá.

– Idiota. – Vick jogou uma pedra nele.

Nós nos levantamos e seguimos reto a caminho para o outro lado da ilha. Estávamos tomando cuidado, pisando lentamente no chão. Não vimos nenhum animal e nem as pessoas que estavam conosco. Até que um galho se quebrou.

– Ouviu isso? – Vick perguntou assustada.

– Não. – menti, afinal não queria que ela sentisse medo.

Mais um galho se quebrou.

– Escuta de novo. – ela parou. — Eu não dou mais nenhum passo!

Isso fez com que Ryan também ficasse imóvel.

– Se nós ficarmos parados vai ser pior. – Liam não parou com os dois.

– Andem. – falei dando dois passos e ouvindo o quebrar cada vez mais alto. — Ou não, os poderes! São os seguranças da ilha, com certeza. Os poderes! – falei um pouco desesperada.

– O que? – Liam parou atrás de mim. — Como assim os poderes?

– Se mostrarem que são mutantes eles não nos matam. – abri um sorriso enquanto levitava lentamente as folhas secas que cobriam o chão.

O barulho parou e consegui identificar um vulto na escuridão da mata.

– Façam o mesmo agora! – falei.

Vick estava com medo e começou a cantar com uma voz doce e suave, ela era encantadora. Sua voz era tão bela que fez com que eu ouvisse os pássaros que estavam distantes de nós, uma coruja branca de olhos azuis claríssimos pousou em seu ombro.

Mais vultos apareceram.

Liam fez um pequeno redemoinho de vento com o resto das folhas secas que eu não estava manipulando.

Ryan estava parado, quase babando ao ouvir a voz de Vick, talvez fosse culpa das pernas da morena.

Estávamos cercados. Olhei para Ryan que estava hipnotizado. Ele tinha que fazer alguma coisa.

– Ryan! – gritei. — Ryan!

Até que ele finalmente percebeu e fez os músculos se impulsionarem, parecia até mais alto.

Os seguranças que não conseguia enxergar muito bem se aproximaram de nós.

– Mutantes! – um deles disse com empolgação.

Ryan deu um passo até eles. Senti medo do que ele iria fazer.

– Não ataque! – Liam pediu.

– Devemos mostrar apenas nossos poderes! – gritei.

Ryan parecia não me escutar. Ele estava frente a frente com um deles.

– Por favor! – Vick gritou ainda com a coruja no ombro.

Quando Ryan já estava com o punho fechado para atacar e ouviu a voz de Vick, ele abriu as mãos e levantou as duas em seguida, com a respiração ofegante. Dois seguranças o seguraram.

– EU NÃO VIM ATÉ AQUI PARA SER PRESO! – Ryan gritou.

– Fique calmo rapaz. – um segurança com a voz rouca pediu enquanto Ryan se debatia tentando se soltar deles. — Vão ficar aí parados? – ele devia ser o comandante.

Dois deles me seguraram, fazendo com que as folhas que ainda estavam no ar desmoronassem. Senti o toque áspero das luvas, não seguram com força, mas também não conseguia me soltar. Mutantes.

– Não vamos machucar vocês. – disse um dos seguranças.

– Já ouvimos isso da Proteção! – Ryan dizia ainda tentando se soltar. — E sabe, ficamos presos prestes a morrer.

– Fiquem calmos! – a segurança que estava me segurando falou. — Vamos levá-los para a verdadeira casa, lá os superiores saberão quem são vocês!

Eles começaram a andar, nos carregando presos.

– QUE MERDA! Todos nos confundem com a Proteção! – o homem da voz rouca falou.

– As pessoas que dizem que não vão machucar ferem do mesmo modo. – a mulher disse enquanto me arrastava. — Eu entendo o medo de vocês. A Proteção também disse isso para mim.

Os seguranças nos levaram até a praia. Estávamos do outro lado da ilha.

– São somente vocês quatro? – o homem da voz rouca perguntou.

– Não. – Ryan respondeu.

– Onde estão os outros? – o homem perguntou.

– Não sabemos, fomos soltos em grupos de quatro pessoas. – Liam respondeu.

– Vamos levar somente vocês. – disse um dos seguranças.

– Está escuro ainda! – a mulher argumentou.

O homem da voz rouca fingiu não ouvir.

– Os cavalos não fazem esse percurso a noite. – ela concluiu.

Tivemos que esperar o céu clarear, mas demos sorte por não demorar muito. Consegui finalmente ver as roupas dos seguranças. Calças negras, um casaco negro de couro, aberto sobre uma camisa negra que parecia brilhar, botas até os joelhos, vários cintos sobre o outro com frascos com líquidos coloridos. O rosto deles estava coberto com máscaras que eram possíveis apenas ver os olhos de cada um, olhos azuis quase brancos com estrelas.

A mulher assobiou três notas. Uma espécie de carruagem surgiu de dentro das águas, vindo até nós, puxada por dois animais de uma espécie estranha.

– O que eles são? – Ryan perguntou.

– Cavalos do mar. Possuem nadadeiras e guelras, mas não deixam de serem cavalos. – Vick respondeu já próxima ao animal e acariciando sua pele azul e verde que parecia viscosa.

– Como sabe? – a mulher perguntou.

– Eu não sei.

Nós subimos e os cavalos começaram a cavalgar sobre o mar. Vick parecia se sentir em casa, mas eu não me sentia assim e nem Liam, ele estava pensando o mesmo que eu, “Para onde vamos?”. Ryan parecia estar bem, não tirava os olhos de Vick e nem dos seguranças que nos acharam, ele estava desconfiado e vidrado, conseguia ver em seus olhos. A mulher segurança também atraiu sua atenção.

– Estamos chegando. – o homem disse para a mulher dando um tapinha em seu ombro.

A mulher assobiou novamente e os cavalos do mar pararam.

– Por que pararam? – Ryan perguntou.

– Precisamos voltar, vocês vão nadando reto até enxergarem na praia. – o homem respondeu. — Não vai demorar muito.

– Por que vão voltar? – Ryan continuou com as perguntas.

O homem ignorou.

– Alguém do grupo atacou um segurança, eles vão para dar reforço, conter o mutante. – respondi.

– Como sabe? – o homem perguntou.

– Li sua mente, vocês são comunicadores. – respondi. — São como eu, só que são treinados para ler por longa distância e conseguem se comunicar. Por isso me acharam.

– Esperta. – a mulher disse com um leve sorriso.

– Só conheço muito sobre raças de mutante. – respondi.

– Inteligente. – a mulher corrigiu. — Mas é melhor descerem. O esquentadinho feriu três dos nossos colegas.

– Frank. – Vick riu. — Podem matá-lo se quiserem.

– Não fazemos isso. – o homem respondeu.

– Mas caso ele seja uma grande ameaça a nós, poderemos pensar no caso. – a mulher completou.