Notas iniciais
Oi pessoal. Primeiro capítulo definitivo. Léo e eu esperamos que gostem. Boa leitura!

Despertei com uma voz fina de mulher me chamando. Senti a cama dura e abri os olhos suavemente, tentando identificar o local. O que via era o rosto fino de uma garota com enormes cachos ruivos e um par de olhos azuis claros e grandes.

— Quem é você? – perguntei.

— Sou Taran. – ela respondeu animada com um sorriso enorme.

— Eu sou…

— Não precisa dizer, todos nós sabemos quem você é.

— Legal. – comentei assustada. — Só que mais legal ainda seria se você me deixasse respirar.

— Como assim?

Olhei para ela tentando mostrar que ela estava me sufocando e como o esperado, ela percebeu.

— Onde estou? – perguntei.

— No Centro Clínico da Ilha ou simplesmente a área hospitalar.

— Por quê? – perguntei confusa.

— Ora! Não lembra que caiu desmaiada no teste?

— Lembro, mas…

— Mas nada! – ela não parava de sorrir. — Nós cuidamos de todos que sofrem ou se machucam. E o seu emocional estava um tanto quanto ferido, a cabelo de água te feriu feio.

— Yoko. Quem a escolheu?

— T.C., ele não queria, mas C.B. o obrigou. Coruja Branca, como sempre dando ordens. Ela que manda aqui no centro clínico, por isso é nas terras dela.

— O que aconteceu depois que eu apaguei? – perguntei me sentando enquanto Taran não parava de mexer as mãos, ela sentada em uma cadeira de madeira de frente para mim.

— Bom, eu não sei. Eu não estava lá. – ela riu. — Só disseram que você havia feito algo incrível e inesperado.

— Posso sair logo daqui?

— Pode claro que pode. Só que não agora. – ela abriu um enorme sorriso, mostrando todos os dentes brancos. — Já mandei avisarem a C.B. que você tinha acordado, logo quando ela chegar você será liberada.

Sentei novamente e fiquei em silêncio, observando o local. O local não possuía janelas e nem uma porta, apenas um vitral azul em formato de círculo no teto. As paredes e o chão eram de madeira escura. Havia prateleiras com diversos frascos de vidro contendo líquidos coloridos e estranhos. Próximo a mim estava um criado-mudo e em cima deste, uma bacia em formato de cuia com uma toalha branca emergida em um líquido azul e brilhante. Encarei Taran, seus pés eram pequenos, estavam calçados com um par de botas marrom e bem engraxados que subiam até seu joelho se encontrando com as várias camadas do vestido branco de bolas azuis. As mangas de renda do vestido caíam sobre seus dedos em uma delicadeza assustadora e o sorriso parecia nunca sair de seu rosto.

De repente ouvimos um toc toc vindo do chão. Taran correu para uma espécie de apertura no chão que estava tampada antes por uma placa grande de madeira, a retirou e de lá surgiu Coruja Branca. Eu imediatamente abri um sorriso.

— Ela se recuperou? – C.B. perguntou para Taran que respondeu que sim. — Você será liberada.

Abri um sorriso e concordei.

— Consegue andar? – C.B. perguntou e eu assenti enquanto me levantava e dava passos pelo quarto. — Ótimo, já podemos levá-la daqui.

Pelo lugar onde Coruja Branca surgiu, nós saímos. Uma escada em formato caracol de madeira imponente, o corrimão liso e com desenhos de asas. No fim da escada estava um enorme corredor retangular de madeira, com muitos mutantes de branco, vestidos quase iguais a Taran, sorrindo e aplaudindo C.B., até que um menininho loiro e de casaco branco até os pés, segurou minha mão e deu parabéns. Fiquei confusa. Quando olhei para cima percebi que onde estava era um tronco de árvore transformado em um quarto de hospital e que no corredor haviam vários troncos, assim como o que eu estava.

Continuei seguindo C.B. e Taran pelo corredor, até que chegamos a uma grande porta com dois homens de casacos brancos peludos. Eles sorriram e abriram a grande porta e por trás da grande porta estava um elevador que se abriu para entrarmos, logo chegamos no chão. Olhei para cima. A exuberância da clínica de C.B., com três grandes árvores unidas pelo enorme corredor e acima do corredor, árvores menores sendo os quartos médicos, mas logo parei de olhar para cima quando percebi que meus pés estavam gelados assim como meus dedos. Estava pisando na neve.

— Onde estamos? – perguntei surpresa.

— Nas montanhas, minhas terras. – C.B. respondeu e me conduziu pelo local. — Acho que você quer ver seus amigos, vamos para os dormitórios.

Andamos pouco por uma estrada marcada de pedras cinzentas, até que chegarmos a um enorme muro com um portão branco No muro e no portão, estavam desenhos de corujas voando, provavelmente mostrando que a partir dali o território pertencia a Coruja Branca. Ela estendeu a mão em direção ao portão que se abriu instantaneamente. Do outro lado estava a mesma grama de onde os testes eram realizados, só que ali era diferente. Havia árvores grandes e provavelmente centenárias, nos galhos mais próximos ao chão, sinos prateados soavam com o vento, produzindo um som agradável. Era tudo muito bonito, era tudo muito harmonioso e calmo, me sentia segura pela primeira vez.

Logo chegamos numa espécie de estrada de cascalho onde belas cerejeiras em flor ofereciam sombra. Nessas árvores também havia sinos prateados, só que o som era mais alto. Algumas estradas iguais se juntam a esta, formando uma única. Os cascalhos mudavam de cor até virarem pedras cristalinas como aquelas que são fáceis de achar a beira-mar. Andamos mais um pouco até chegarmos aos alojamentos, confesso que meus olhos não sabiam para onde olhar.

Havia quatro conjuntos de dormitórios diferentes pelo o que percebi. Os alunos da Coruja Branca ficavam no alto de duas gigantescas sequoias, em casinhas circulares pintadas de branco e adornadas com corujas prateadas, todas distribuídas nos galhos das enormes árvores e no pé das árvores uma porta branca. Os alunos de Leopardo Dourado ficavam no chão, perto das sequoias, em espécies de chalés, pintados de amarelo com varandas enfeitadas de filtros dos sonhos e redes de palha, pregado em cima da janela do segundo andar estava uma cabeça de um leopardo pintado de dourado. Os alunos de Cobra Verde ficavam em túneis subterrâneos, que só naquele momento percebi que estava bem em cima, uma enorme espécie de vitral terreno, por ele conseguia ver uma escada giratória bem funda e no meio uma enorme estátua de uma cobra, a escada chegava de encontro a superfície em uma única parte aberta do vidro que era na lateral contrária a que eu estava. Os alunos do Tubarão Cinzento ficavam no lago, que era um pouco mais afastado dos outros dormitórios, uma ponte permitia a entrada deles em suas casas flutuantes e submersas azuis, não conseguia ver detalhes por conta da distância, mas conseguia ver que em cima de cada casa havia uma estátua de tubarão, pintada de azul escuro.

— Onde vou ficar? – perguntei para Coruja Branca.

Leopardo Dourado veio até ela, sorrindo e com os olhos brilhando. Ele me cumprimentou e abraçou C.B. que ainda estava confusa.

— Está mostrando o local para nossa novata? – ele perguntou e C.B. respondeu séria que sim. — Já mostrou tudo para ela? Até onde será o quarto dela?

— Você e C.V. estavam providenciando isso. – Coruja Branca respondeu. — Vocês estavam juntando a equipe de materializadores, enquanto eu e meus discípulos estávamos a recuperando. Cada um faz sua parte.

Eu ia dizer obrigada a Taran, mas logo que me direcionei a ela, notei havia ido embora.

— Desculpe, eu estava ocupado apresentando os quartos para meus novos queridos. – disse Leopardo Dourado. — Eles são muito habilidosos e fortes. Acho que Mariah chegou a ver a Rachel, ela é muito boa e rápida, isso para mim é essencial.

L.D. parecia muito simpático e amigo de seus alunos. Coruja Branca foi para o alojamento dos alunos dela e enquanto eu e L.D. ficamos esperando Cobra Verde chegar com os materializadores, que eram alunos dela.

— Você parece uma boa garota. – disse Leopardo Dourado.

— Você diz isso pelo poder.

— Digo pela a essência. – naquele momento o superior não parecia tão simpático assim.

— Parece difícil de entender.

— E é, por isso não vou explicar, porque isso vem de você e não de mim. – ele era muito confuso. — Ninguém pode dizer se é boa ou ruim, eu falo o que sinto. Eu sinto a essência das pessoas, assim como alguns mutantes anciãos. Agora vamos falar sobre minha colega C.V., ela é uma cobra.

— Nem deu para notar. – soltei um risada.

— É sério, ela é… ela é bipolar. Você pode achá-la legal quando treina com ela, mas depois você percebe que ela é cruel. Todos percebem quando conversam com ela. Ela é grossa demais, ela vai rir de você e concordar e logo depois ela vai te encarar com ódio e vai estraçalhar sua opinião. Embora ela seja assim, continua sendo incrível, como pessoa e mutante.

— Ela deve ser legal então. Mas acho difícil alguém ser mais frio que Coruja Branca. Eu vi como ela tratou Jane, como se fosse só mais um aluno.

— Ela estava com pressa, ela sempre está, porque ela é a superiora mais atarefada daqui, cuida do hospital e treina muitos alunos por dia, nunca fecha os olhos, nem para dormir. – L.D. respirou fundo. – Alguns falam que ela nunca dorme.

— E quanto a T.C.?

— Ele é um velho amigo. É animado e leva tudo na brincadeira e sabe ser sério, mas tem um pequeno problema.

— Ele valoriza seus melhores alunos. – concluí.

— Isso mesmo, ele leva a meritocracia muito a sério.

— Por que C.B. não gosta dele?

— Ela gosta, ela só não suporta o fato dele ser divertido, viu que ela também não suporta C.V.? – respondi a ele que sim. — Ela não gosta de Cobra Verde por ela ser extremamente sensual e por sempre conseguir o que quer, C.V. nunca falha.

— E você?

— Eu? Sou apenas um superior, amigo dos meus alunos. Treino agora quarenta e dois alunos, não sou nada especial. Gosto de falar, é... com certeza, você já percebeu.

E quando L.D. ia perguntar finalmente sobre mim, C.V. apareceu com um grupo de quinze materializadores.

— Tudo isso? Só vamos construir duas casas. – disse Leopardo Dourado.

— Olha, eu tive que buscar dez materializadores que estavam treinando com uma secundária minha, não vamos desperdiçá-los agora. Onde está o cara que é um animal? – ela perguntou sobre Théo.

— Serve aquele garoto. – L.D. apontou para Théo que vinha andando de braço dado com duas manipuladoras, uma era Paola. — Suas alunas são mesmo rápidas, acho melhor treinar as minhas. – ele gargalhou.

— Não fale mal de minhas alunas L.D., elas são manipuladoras, só estão se divertindo um pouco, é um treino.

As manipuladoras soltaram Théo assim que viram que C.V. estava ali, em seguida se dispersaram.

L.D. fez alguns comentários maldosos e brincalhões sobre as garotas para Théo e este apenas riu e concordou com tudo, provavelmente ele nem tinha ideia do que tinha acontecido. Os dois logo ficaram sérios e nos chamaram para procurar um local para construir nossos alojamentos.

Théo disse que queria que o seu fosse perto da entrada, porque assim ele andaria menos. C.V. mandou oito dos materializadores para fazerem a casa dele.

— Sua vez Mariah. – disse Cobra Verde.

Procurei uma árvore por ali, mas não eram como a que eu queria. Perguntei aos materializadores se eles conseguiam criar uma e eles a fizeram, do jeito que eu pedi. Então eu fechei os olhos:

— Duas árvores, seus galhos se encontram fazendo uma base reta e perfeita, as folhas sempre num tom avermelhado, as raízes expostas e grandes, a copa tão grande quanto. Na base dos galhos, a casa, uma escada giratória por baixo dela, ficando no canto, sem portas, uma janela de cada lado, a casa é um retângulo. O banheiro no canto oposto a escada, normal e sem detalhes. Quanto a cama, feita de madeira e com um colchão bem macio, com um dorsal curvado como cipó, uma cômoda de madeira com desenhos de dragões, uma poltrona roxa perto da janela mais clara, cortinas negras de tecido fino e leve, a luz noturna de uma forma que espalhe luz para todo quarto.

Quando abri meus olhos, lá estava meu alojamento, do mesmo jeito que eu havia descrevido. Mas era ainda mais bonito e detalhado.

Fui agradecer aos materializadores, mas eles já haviam ido. Estavam próximos a mim apenas L.D. e C.V., logo os quatro superiores. Parados, me olhando como se quisessem que eu fizesse algo e eu fiz. Subi as escadas e vi o interior. Era exatamente como imaginei. Quando desci os superiores perguntaram se eu havia gostado, mas minha reação foi apenas agradecer. Os superiores me deixaram sozinha logo em seguida.

Subi para minha casa e lá fiquei debruçada na janela, admirando a vista que a janela mais clara oferecia, esta era de frente para o lago. Lá na ponte estavam os alunos de Tubarão Cinzento, todos com roupas da cor cinza, os homens fortes e as mulheres com longos cabelos. Comecei a me colocar no lugar de Ryan, este deveria estar gostando bastante de lá, afinal os homens são como ele e as mulheres deviam ser agradáveis, provavelmente ele já deveria ter feito algum amigo, pois sempre foi bom nisso. Ryan demonstrava admiração a pessoa e rapidamente virava amigo íntimo, o que as vezes era confuso e estranho. Desviei meu olhar para círculos dos alunos da C.V., às vezes um ou outro saía da toca. As mulheres sensuais e os homens chegavam a ser irritantes com tanta arrogância que exibiam nos olhos. Olhar para eles me cansava então observei os chalés dos alunos de L.D., eram tão bonitinhos vistos de cima, formavam uma comunidade exprimida e perfeita. Comecei a imaginar como seria se fossem vistos de cima das sequoias, devia ser como um formigueiro. Os alunos que saíam de lá eram engraçados e unidos, embora às vezes um ou outro tivesse uma aparência diferente e solitária. Fiquei com um pouco de pena e olhei para as casas que ficavam nas duas sequoias gigantes. Liam já devia ter conhecido sua casa e lá feito um amigo. Ele também era bom nisso.

Foi então que escutei passos na escada e retirei a tampa de madeira que tampava a entrada. De lá Liam me abraçou.

Notas finais
Oi pessoal! Hora de comentarem. Nada de serem fantasmas!