The Hunters - The story of our life
3 Um beijo
Notas iniciais
Fui pro meu quarto e peguei umas roupas que vi pela frente eu não tive nem paciência pra escolher muito, peguei-as e corri para o banheiro. Tranquei a porta e enchi a banheira. Me lavei bem, quase unhando o corpo pra tirar o sangue do alce que havia caçado minutos antes. Me sequei bem e me troquei. Fui em direção ao quarto, senti uma mão tocar meu ombro e logo reconheci o cheiro, Alec.
– Não liga pro idiota do Demetri, é o que todos tentamos fazer. Eu até teria dado um jeito nele, se ele não fosse útil para Aro e os outros. — Ele disse quando me virei.
– Ta legal, eu vou tentar não arrancar a cabeça dele. — Eu disse e sorri de canto.
Ele sorriu e então abri a porta. Entrei e fechei-a. Me sentei e coloquei os fones de ouvido. Passei a tarde toda lá escutando Royals, Halo, Heartbraker, Give me love, It's time, The way, Mirrors, We can't stop, Wake me Up, Hey brother e outras. A noite, resolvi descer e mostrar as fotos que achei. Peguei um álbum e levei comigo. Eram umas três caixas decoradas de papelão .
Desci e vi Carol e Yanca rindo muito na cozinha, Naná e Grazi vendo TV, a Helô e o Demetri se agarrando e o Alec de vela, como sempre. Ele olhou pra mim e depois desviou o olhar. Me sentei ao lado das meninas e fingi que prestava atenção no programa. Fiquei umas duas horas ali, no meu 'mundo paralelo' sem ouvir o que diziam.
Acho que eu estava parecida com uma zumbi, quase morta, como uma débil mental ali sentada. Suspirei e então percebi que a Helô e o Demetri haviam subido um segundo atrás. As luzes estavam apagadas e estava escurecendo, clima que eu gostava. Me afundei no sofá e puxei uma almofada para o meu colo.
– Eu vou pro meu quarto, preciso pintar as unhas. — Yanca disse e se levantou.
– Pera aí, vou com você a gente faz uma a da outra. — Ela pulou do sofá e quase derrubou Yanca.
Ficamos eu e Alec. O tédio estava aumentando. Me levantei e fui em direção a estante da TV, me sentei no tapete e peguei uns DVD'. Não tinha nada que eu não houvesse visto ou que eu não estivesse cansada de ver, então achei 'Percy Jackson e o Ladrão de raios'.
– Pode ser esse? — Perguntei sem olhar para Alec, apenas levantei o DVD.
– Ok, não tem nada pra fazer mesmo. — Ele disse.
– Eu até faria pipoca, se a gente comesse. — Eu ri.
Ele sorriu e balançou a cabeça para os lados. Pulei no sofá ao lado dele e puxei as almofadas para nos apoiarmos. O ruim, é que não podia dormir, se não eu dormia ali no chão mesmo só pra não ficar no tédio. Assistimos o filme, quando fui ver já eram quase nove da noite.
– Bom, acabou. — Eu disse guardando o DVD.
– O que tem nessas caixas? — Ele apontou.
– Umas fotos que eu tirei há uns tempos. — Eu olhei para elas.
– Posso ver? — Ele perguntou.
– Pode. — Eu disse e abri a primeira que vi. Havia umas das fotos mais recentes por cima.
– Você tirou várias fotos. — Ele disse.
– É, e uma forma idiota de ver o lado bom de ser vampira: não ficar velha e cheia de rugas ou flácida. -Eu disse.
Ele riu. Peguei algumas fotos, e no meio delas, achei umas de quando era pequena. No mesmo momento o sorriso deu lugar a um expressão de dor, angústia. Eu queria esmurrar o chão, doía tanto lembrar da minha vida porque não tinha como não lembrar dos meus pais. Me encolhi e coloquei o rosto entre os braços acima dos joelhos, agora flexionados. Senti uma pontada lá no fundo do peito que me derrubou em meio as lembranças escuras da visão humana.
– O que foi? — Alec perguntou.
Levantei o rosto para olha-lo, eu devia estar com cara de doente.
– Eu lembrei da minha antiga vida vendo as fotos. — Disse pausadamente.
– Ta tudo bem? Podemos achar outra coisa pra fazer. — Ele disse tirando uma mecha de cabelo do meu rosto.
– Não, eu to bem. — Tentei disfarçar mais a dor continuava queimando meu rosto, eu não consegui fingir que estava bem.
– Que foi? Pode falar, to ouvindo. — Ele disse.
– Bem, você não sabe porque eu fui transformada né? — Perguntei.
– Não. — Ele disse e vi pela sua expressão que realmente não sabia.
– Tudo começou com um passeio de família. Eu morava em Roma, os meus pais foram comigo a Volterra fazer um passeio. A Heide nos chamou pra entrar no castelo Volturi. Eu ouvi ela cochichar algo com o veado do Demetri, e desconfiei. Eu comecei a ouvir uns gritos, e então, me abaixei no meio da multidão e corri para fora. Eu não consegui achar meus pais, então fugi sozinha mesmo. O Demetri não foi atrás de mim na mesma hora porque estava muito ensolarado do lado de fora, e havia muita gente, chamaria atenção demais. Eu corri e tentei pedir ajuda, mais não deu muito certo. Um pouco depois, ele saiu todo encapuzado e eu tentei correr, me enfiei numa ruazinha vazia e ele foi atrás de mim. Me derrubou deixando a minha perna ferida demais pra que eu pudesse me levantar, e então.. a Naná ouviu meus gritos e apareceu. Ela deu um jeito nele, e eu, que estava toda ralada e já havia perdido bastante sangue fui transformada por ela. Um tempo depois, eu voltei pra dar cabo dele, mais a sua irmãzinha me impediu, a gente brigou feio e a Naná acabou dando um jeito de me tirar de lá viva. Ela convenceu Aro, Caius e Marcus que eu não era uma ameaça, apenas quis me vingar do Demetri. Esse idiota vem me enchendo desde então. — Eu disse.
– Eu não soube.. desculpa. — Ele disse e franziu a sobrancelha.
– Tudo bem. — Eu disse.
– Essas aqui são legais. — Ele disse e me entregou algumas fotos em que eu e as meninas fazíamos caretas.
– Eu amo fazer caretas nas fotos. — Eu sorri.
– Você ficou bonita nessa. — Ele disse e me entregou uma foto onde eu sorria no meio de umas flores no jardim dos fundos.
– Obrigada. — Eu disse.
Ele acariciou meu rosto e eu senti um arrepio pelo corpo todo. Alec se aproximou e nos beijamos. Foi um beijo doce, meigo, e muito, extremamente bom. Eu me afastei e o olhei no fundo dos olhos. Eu queimava por dentro e não sabia como reagir. Nesses anos, nós nunca havíamos nos aproximado muito, mal nos falávamos e quem diria que nos beijaríamos? Ele me olhou e então sorriu. Eu abaixei o rosto. Sorri toda boba, devia ser só mais uma que ele beijava e eu ficava assim porque nunca tinha beijado ninguém.
– Eu.. eu vou.. subir. Vou pro meu quarto, já ta amanhecendo e eu vou limpar essas caixas e as fotos pra por no álbum. A gente se vê. — Eu sorri e me levantei.
– Ei, eu te beijo e você foge de mim? Ele me puxou pela cintura sorrindo maliciosamente.
– O que eu deveria fazer? — Eu disse.
– Ficar comigo. — Ele disse passando a mão pelo meu rosto novamente.
– É sério,eu to indo. Até mais. — Eu disse e corri até o meu quarto.
Me tranquei e me joguei na cama, toda sorridente porque tinha sido bom. Eu no fundo sabia que só era mais uma. Aquilo devia ser só mais uma das conquistas baratas dele, e eu tinha sido idiota de deixar que acontecesse. O sol veio aos poucos enchendo o quarto de brilho ao tocar em minha pele, provavelmente tentando me tirar dos devaneios. A raiva me tomou depois de pensar aquilo tudo, mais me segurei. Peguei meu caderno de desenho e comecei a rabiscar um pouco.
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