The Hunters - The story of our life
18 Julgamento
Notas iniciais
Um mês depois, e eu ainda não havia superado o fato de Alec ter voltado á Volterra. Nós não estávamos nos falando como combinado, pelo simples fato de que, toda vez que ele tinha tempo alguém ou algo atrapalhava. Ele estava sempre metido em missões prolongadas demais, sem tempo ou com algum problema pra resolver. E eu, fiquei aqui o tempo todo me perguntando se algo havia mudado. Pra mim não, mas e para ele?
Ouvi duas batidas na porta. Era uma seca manhã de domingo, como eu gosto; céu cinzento de claras nuvens, uma chuva forte e alguns relâmpagos caindo do céu. Me levantei depois de alguns segundos, e antes que outra batida terminasse abri a porta e vi Grazi me olhando com um ar preocupado.
– Oi. — Eu disse.
– Oi amor. Posso entrar? — Ela olhou pra bagunça de lençóis e travesseiros que havia se tornado a minha cama.
– Claro que pode.
Dei-lhe passagem e depois fechei a porta. Ela se sentou num lado da cama, e eu no outro, ficando de frente para ela. Senti seus olhos verificarem meu rosto, minha postura e a forma como meu quarto — um dos mais arrumados da casa — estar parecendo o quarto de um adolescente de uns 13 anos ou algo do tipo. Sua expressão era curiosa, e revelava uma certa preocupação. Me ajeitei e liguei a TV para disfarçar o clima. Ela sorriu levemente, como se tentasse me confortar.
– Belle, eu tenho notado que você anda mais desanimada do que antes. Você está bem mesmo? Não caça com a mesma frequência de antes, não arruma muito o quarto e também não sai muito dele. O que está te deixando assim?
– Eu.. eu nem sei o que eu devo dizer. Eu estou confusa dentre muita coisa.
– O que, por exemplo?
– Eu e o Alec, bem, não estamos nos falando diariamente. Ficamos quase uma semana sem nos falar, e a última conversa que tivemos foi um 'Oi tudo bem?, to com saudade' 'eu também, te amo amor. Tenho que ir. Espero te ver logo'. Sabe como eu estou me sentindo? Vazia. Eu nem sei se isso é só uma idiotice minha, se ele sente mesmo a minha falta.
– Amor, não fique aflita, você sabe o que ele sente por você. Por que você não liga agora e fala tudo o que sente, e que precisa dele? Porque não vai até Volterra por um dia e mata a saudade?
– Porque eu não gosto dos outros de lá, mas obrigada, vou ligar agora. — Sorri e me levantei para pegar o celular na mesinha do computador.
– Eu vou te deixar falar a sós com ele, se precisar eu estarei no meu quarto. — Ok, obrigada Grazi, te amo. Ela sorriu e se levantou graciosamente.
Saiu e fechou a porta. Me enfiei sob as cobertas e disquei o número. Esperei atender.
– Alô?
– Alô. Quem é?– Disse uma voz feminina e desanimada.
– Onde está o Alec?– Perguntei entredentes.
Senti a raiva subir minha cabeça, aguardei a resposta como um leão á presa. Aquela voz não era da Jane, e não acho que as 'esposas dos mestres' Volturi atenderiam o celular dele.
– Está no banho.
– Basta.– Eu disse e desliguei o telefone.
Atirei meu celular na parede, que acabou formando uma rachadura circular na parede que parecia ter sido atingida por um martelo.
Em toda minha vida senti raiva, mas nunca por me sentir enganada. Essa foi a primeira e a última vez. " Uma fato sobre as pessoas. Elas não prestam. Todo mundo é egoísta. Essa é a verdade. " Não poder chorar era a pior sensação daquele momento. Minha garganta estava queimando e eu não tinha como dar um fim á isso, eu nem ao menos conseguia falar. Ah meu Deus, o que eu faço? Jogar aquele perfume e o anel fora? queimar todas as fotos?
Me joguei na cama e afundei meu rosto no travesseiro e tentei não pensar em mais nada. Ouvi várias batidas repetidas na porta. Levantei o rosto e tirei forças pra responder.
– Vai embora. — Gritei.
– Abra a porta amor. — Grazi disse com uma doçura que foi estranha naquele momento.
– Não quero falar com ninguém.
– Abre essa porta ou eu arrombo. — Yanca disse.
– É sério. Por favor, preciso ficar sozinha.
– 1, 2 e..
Antes que ela terminasse, corri e abri a porta. Elas me olharam chocadas pelo meu estado. Tentei não parecer mal, mas não teve como. Minha garganta começou a arder e eu lembrei de tudo. Tentei afastar o pensamento e deixar o torpor vir, mas não ajudou. Abri os olhos e vi a Naná me chacoalhando pelos braços.
– O que você tem? Ouvimos o baralho de algo contra a parede, e parecia um celular. — Carol disse e espiou as paredes ainda do lado de fora.
– Eu.. eu não sei como explicar.
– Comece pelo início. — Naná disse.
– Vamos entrar, você senta e a gente te ouve com mais calma. — Helo sorriu e me abraçou.
Entramos e eu contei tudo. Cada palavra que saía era como a sensação de ter um golpe no estomago. Um golpe muito forte. Eu havia tido minha confiança traída, como poder me recuperar disso depois de tudo que já passei?
– Esse Alec é um idiota mesmo. Eu dou uma surra nele e ele vai ver só. — Grazi me abraçou com força e eu pude sentir seu cheiro, o conforto que uma criança sente aos abraçar seus pais, proteção.
– Obrigada, mas isso não nos levará a nada. Prefiro que vocês fiquem aqui em paz, sem arranjar problemas com os pinguins malignos.
Alguns dias haviam se passado, o Christopher ficou sabendo e foi lá me encher. A gente discutiu feio, Ele ficou magoado e eu me senti culpada. Christian e até Anthony conversaram comigo, me deram conselhos e tal, foi estranho o modo como me trataram, com carinho. Acabei decidindo passar um tempo fora.
Arrumei minhas malas e tentei me acostumar com a ideia de ir pra casa onde morei com meus pais em Roma, acho que ele não iria lá falar comigo, até mesmo porque não contei dessa parte. As garotas não gostaram muito da ideia, sei disso. Mas eu tive que convencê-las, afinal, é a minha vida. Eu sei que ficar aqui remoendo não ajuda nada. E apesar de saber a falta e a saudade que elas vão me fazer, eu não me arrependo.
Peguei as minhas malas, que eram uma grande e uma média. Eu não pretendia passar o resto da vida lá, no máximo três meses. Haviam roupas, meu celular, notebook, carregadores, fone, headfone, dinheiro, cartões, documentos 'falsos', chaves, pendrives, fotos,maquiagem, sapatos e alguns livros, filmes e CD's.
Assim que cheguei a casa, fui para meu antigo quarto e usei uma vassoura que estava lá — de dez em dez anos eu ia lá ajeitar o lugar. Fazer reformas básicas. — Depois limpei os móveis. Haviam alguns tapetes empacotados e enrolados num armário, que usei na sala e no quarto.
Na sala, que não tinha quase nenhum móvel, assim como os outros cômodos, joguei um enorme tapete bege ao centro. Peguei algumas almofadas e arrastei uma poltrona antiga até lá. Um banquinho onde coloquei um castiçal ficou ao lado dela dando um toque aconchegante. Depois de usar outro banquinho num canto da parede para empilhar meus livros, tomei um banho e me sentei para ler um jornal local.
Ouvi uma batida na porta e logo fui abrir. Uma figura anã, loira e maquiavélica apareceu em minha frente. Ela e um homem-armário, ambos encapuzados. Me olharam com um olhar sério, que me fez questionar o motivo da presença deles.
– O que querem? — Perguntei seca.
– Acho que alguém andou fugindo. O que você aprontou Hunter?
– Nada de mais, duende.
– Se eu fosse você, seguraria essa linguinha maldita. Os Volturi não dão segundas chances.
– Eu também não, já podem se mandar daqui.
– Olha lá como fala garota estupida. Você é suspeita. Fugiu as pressas da sua casa não é mesmo? Imortalizou alguma criança mortal? Apareceu para algum humano tolo? Se revelou contra os Volturi?
– É lógico que não. Eu não perco meu tempo com grandes merdas, muito menos com a última opção, porque o que eu mais quero é esquecê-los.
– Venha conosco e veremos.
– Eu não vou á lugar algum.
Senti uma dor tremenda me tomar, e quando percebi, Félix estava me carregando sobre o ombro. Tentei usar meu dom, mais algo me impedia. Um outro vampiro apareceu ao meu lado. Um sorridente vampiro de olhos carmim recém alimentados, pelo que pude ver, cabelos pretos escuros repicados caíam sobre um dos lados do rosto e sobre o pescoço, alto, magro e forte.
– Não vai conseguir moça. Sou um escudo, e minha função é proteger a guarda. Um dos melhores. Você não vai conseguir atingi-lá em minha presença. Soube do seu dom, e creio que estaria melhor na guarda do que num grupo de garotas rebeldes.
– Primeiramente, não sou de grupo nenhum. Minha família não é rebelde coisa alguma, apenas não somos seres monstruosos e masoquistas. Segundamente, eu não me interesso por vocês clã de pinguins malucos e sádicos. Errei em me interessar por um, e já concertei esse erro.
– Soube que você é a namorada de Alec. Não sei o motivo pelo qual está sendo traga, mas acho que ele não vai poder interferir.
– Namorada não. Não temos mais nada. E eu não fiz nada. Aro vai ver e vocês teram de me deixar em paz, sem mais.
– E irritadinha. Bonita, gostosa e nervosa. Intendo o porque da obsessão dele por você.
– Obsessão?
– Ele não intende o fim do relacionamento de vocês, e vive vendo fotos suas.
– Culpa dele.
– O que foi que aconteceu?
– Uma garota atendeu o celular dele. Provavelmente uma vadiazinha qualquer.
– Cara idiota; ah, meu nome é Jonathan. Jonathan Christopher.
– Isabelle. Odeio isso.
– Isso o que? — Volturis e apresentações.
– Pelo visto é das minhas.
– Idiota.
– Parece que está na hora de irmos ver os mestres.
– Vamos logo.
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