The Hunt

12 Capítulo 12 - Acredite nele, Filho


Notas iniciais
Ai vai o capitulo 12! Tenham uma leitura adorável e espero que gostem :3

Verkhoiansk, Rússia 2013

– Acorde! Anda logo cabeção! Já está na hora de abrir a taberna — Jasper empurrou Küpper no chã com algum esforço, ele podia ser baixo, mas com certeza não era uma pena.

– Hmmmmm? — Küpper abriu um pouco os olhos e voltou a cabeça para o chão — Me deixe em paz seu inútil

– Mas que demonstração de amor mais linda essa! Agora vamos, aquela taberna não vai vingar sozinha — Jasper deu um chute de leve na perna de Küpper e ao sair do quarto acendeu a luz.

"Jasper eu ainda te mato" Küpper pensou cheio de raiva, todo santo dia era aquela mesma coisa, Jasper acordava e se arrumava, empurrava Küpper da cama, ele não acordava, então Jasper o chutava e saia do quarto deixando a luz acesa. Küpper perdeu as contas de quantas vezes jurara vingança, mas o mais perto que ele chegou disso foi rasgar a manga da camisa de Jasper, mas no fim a camisa dele só ficou mais legal.

Quando Küpper finalmente terminou de se arrumar, Jasper já estava lavando alguns copos e pratos na taberna -que era em uma extensão da casa deles- como Küpper se livrou disso, ele foi pegar o paninho e o produto para começar a limpar as mesas.

A taberna deles era bem arrumada, tinha uma decoração rústica, mas muito bonita, de algum modo a decoração era meio vicking, e para uma taberna não tão perto da cidade era muito bem frequentada.

– Sabe Jasper, aquela menina, ela esconde alguma coisa, ela não é quem diz ser, vai acabar levando Liev, Mikhail e Igor à morte — Küpper estava serio, não era mais uma de suas piadinhas

– Deixe de ser paranóico Küpper! De onde você tirou isso hein? De mais um de seus sonhos?! — Jasper não aguentava mais escutar as ladainhas do irmão, era sempre a mesma coisa, ele dizia que sonhava com tal coisa, dizia que via tal coisa, que escutava tal coisa, mas no final Jasper só o julgava maluco.

– Isso não é brincadeira Jasp!! Você me chama de maluco, mas quando aquela ruiva te usar para algum feitiço macabro qualquer, AH! Aí você vai ver! E eu não vou te ajudar!

Acontece que a família Smith tinha um segredo antigo -mais antigo que Saddie talvez- algumas gerações dessa família possuíam dons especiais, como ter visões, ou simplesmente ver o que olhos humanos comuns não podem ver, Küpper por exemplo, ele podia ver coisas e senti-las também. Quando ele conheceu Nyox ele pode ver a fumaça negra-acinzentada que a circundava, e com os anos e as orientações de seu falecido avô, ele aprendera que aquilo significava feiticeira negra, o que era muito ruim, já quando ele conheceu Annyat, ele viu sua forma de tigre, não exatamente nela, mas a rodeando de uma forma protetora, como uma mãe faz com seus filhotes.

Quando Küpper tentava explicar o que acontecia, o dom que ele tinha a Jasper, esse o tachava de doido e dizia "Você é louco! Igualzinho ao nosso avô!" -o que não deixava de ser verdade- mas por alguma razão oculta, talvez por serem irmãos, Küpper não desistia de tentar mostrar a verdade a Jasper.

O sininho da porta tocou, anunciando um cliente o que fez com que Jasper levantasse os olhos e Küpper se preparasse para atendê-lo, o cliente era um homem muito alto, devia ter cerca de 1,90, tinha cabelos da cor de carvão e olhos castanho escuro, usava uma capa preta com gorro -de couro, talvez?- e tinha a barba mal-feita, mas de um jeito que apenas valorizava suas feições. Os braços fortes e definidos estavam cobertos pelas mangas da capa, e a calça jeans dele tinha um rasgo no joelho esquerdo.

– Bom dia senhor, vai querer alguma coisa? — Jasper se adiantou do balcão, já que o irmão estava paralisado e encarando o homem.

O que Küpper via o deixava perplexo, nunca, mas nunca na vida ele vira algo igual -e acredite, ele já viu coisas muito estranhas, de algum modo a Rússia parecia atrair pessoas "diferentes"- ao redor do homem, fluindo livremente, tinha água, muita água, mas o chão não estava molhando, nem as roupas dele. A água formava o que seria um tipo de bolha ao redor do homem, protegendo todas as partes de seu corpo.

– Ah, sim, bom dia, uma cerveja, por favor — O sotaque alemão dele muito, mas muito bem disfarçado, quase que imperceptível.

– Uma cerveja saindo — Jasper se abaixou e pegou a lata, depois o copo, enchendo-o ate a boca e o estendeu para o homem.

– Nunca te vi aqui em Verkhoiansk, chegou faz pouco tempo? — Küpper tentou começar uma conversa normalmente, como quem não quer nada, mas ele queria mesmo era entender o que era aquele homem.

– Sim, antes eu morava em São Petersburgo, decidi vir para cá alguns dias atrás — O homem se mantinha calmo, mas Küpper pode ver a água que fluía entorno dele correr mais rápido, ele estava alerta.

– E por que decidiu isso? São Petersburgo é um lugar lindo!

– Sim, realmente é, mas eu procurava um lugar mais calmo, com menos gente — "com menos gente que sabe o que eu sou" ficou bem claro nas entrelinhas

– Entendo — Antes que Küpper pudesse continuar com seu interrogatório, Jasper o interrompeu, já sem paciência

– Desculpe pelo meu irmão, ele sempre se mete onde não deve, não é mesmo Küp? — Jasper deu um belo de um sorriso sarcástico para o irmão, e se voltou para o homem — Vai querer mais alguma coisa?

– Não, não, obrigado .......? — O homem deu uma abertura, como quando se faz um silencio proposital para que a pessoa complete com o nome.

– É Jasper, a conta ficou em £ 1,38 — Jasper pegou o dinheiro da mão do homem e quando ele ia saindo perguntou — Hey, amigo! Qual o seu nome?

– É Niklaus — ele disse, sorriu e saiu

– Niklaus — Küpper sussurrou para si mesmo.

O dia correu normalmente, com os clientes conhecidos e fiéis à Taberna Smith, Niklaus foi o único rosto estranho o dia inteiro. No final do expediente, as sete, o telefone tocou e Jasper atendeu.

– Pois não?

– Jasp Jasp! Quanto tempo!

– Harry!!! Você anda muito sumido pelos últimos... Hmmm dois anos! Por onde andas?

– É, bem... Problemas com o pai, mas estou de volta na cidade e estava pensando, o que vocês acham de um daqueles Happy-Hours tão famosos do Küpper hã?

– É uma ótima ideia na verdade, assim chamamos os Marazov e a nova amiguinha deles, aaaah Harry, você vai adorar conhecê-la!!

– Heey, então está ótimo! Faremos na cidade? Ou na taberna mesmo?

– Façamos aqui, é melhor para todos

– Tudo bem então, amanha as sete?

– Sim senhor, já vou ligar para os outros, te espero aqui amanhã Harry

– Pode esperar Jasp, tchau

– Tchau Harry

Jasper desligou o telefone todo animado, fazia dois anos que ele não via Harry, apenas conversavam por telefone de vez em nunca.

– Küpper você não vai acreditar!! Harry voltou para cidade e combinamos um happy-hour pra amanha — Jasper sorria todo cheio de si, mas tinha certeza que o irmão não reagiria da mesma forma, ele nunca gostou de Harry afinal.

– Eu já te disse pra não confiar tanto nele Jasp, ele tem uma nuvem inteira em volta dele, três vezes maior do que a que Nyox carrega!

– Você tomou os remédios, irmão? Eu acho que é melhor você ir descansar, está imaginando coisa de novo.

Jasper foi empurrando o irmão que gritava coisas como "Depois não me venha pedir ajuda!" Ou até "Ele é um bruxo Jasp! Ou pelo menos tem sangue de um correndo nas veias!" Mas Jasper não ligava, ele aprendeu a conviver com isso ao decorrer do tempo, sua mãe sempre lhe dissera que ele teria que ter muita paciência com Küpper, e teria que acreditar nele, mesmo parecendo loucura, mas acreditar nele ele não conseguia, era tudo muita loucura! Mas ainda as palavras cheias de amor da mãe ecoavam em sua cabeça "Acredite nele, Filho".

Notas finais
Bom o que acharam?? Comentem suas opiniões, sugestões e conselhos! São todos bem-vindos XD espero que tenham gostado amores :3 Xoxo