The Hunt
19 Capítulo 19 - Maçãs de Outono
Notas iniciais
Igor chegou em casa furioso. A ideia de as coisas não sairem como planejado por ele o tiravam do sério.
Harry. Harry Grayson! Quem era ele para dizer se Igor devia ou não se afastar de Annyat? Até onde ele sabia, Harry convivia tanto com seu pai quanto Mikhail ou Liev. Ali, Igor se julgava o mais apto a dizer se devia ou não se afastar de Ann, ele sim conviveu bastante com Alexander, ele sim sabia do que aquele monstro era capaz, ele sim poderia dizer se era mais sensato seguir o conselho do amigo, ou simplesmente ignora-lo.
Foi abrir a porta de casa, bastou apenas isso para Igor se sentir ainda mais frustrado e irritado. Annyat estava na frente da lareira com Mikhail e Liev, estavam rindo bastante e jogando o que parecia ser algum jogo de cartas. A cena irritou-o profundamente, e fez com que ele fechasse a porta de entrada com um tremendo baque e seguisse marchando para seu quarto.
Annyat ficou olhando muito confusa para Igor, afinal, ele saira da casa de bom humor, realmente, ficara fora o dia todo, mas isso não justifica a cara fechada e as batidas de porta.
Notando a confusão de Ann, Liev logo se adiantou.
– Não gaste suas energias tentando entender ele Ann, Igor nunca precisou de um motivo para fechar a cara — Ele pausou, analisou sua mão, ainda tinha um As de Copas e algumas cartas mais baixas, estava para ganhar o jogo, ele sempre ganhava — Daqui a pouco ele sai do covil-do-mau-humor e se junta a nós.
– Hmmm, tudo bem, eu acho — Até o momento Annyat não tinha percebido nenhum sinal de algum humor muito diferente no ar, então apenas concordou com Liev e voltou a jogar.
Era a primeira vez que Ann jogava "Truco", e ela estava realmente amando, não ia deixar uma cara feia de Igor estragar seu jogo. Mesmo que, no fundo, ela ainda achasse que algo estava errado.
♤♡♢♧
Harry chegou em casa exausto, ele pensou durante o caminho de volta inteiro sobre Micknoviktocsk e sua proposta/ordem suicida. "Por que, em nome de tudo que há, alguém iria querer Janine morta??" Logo depois de formular esse pensamento Harry percebeu quão estúpido que era, afinal, a pergunta certa seria: Quem não quereria Janine Gauthier morta? Ela era cruel, mesmo que proibida de sair de casa -assim como todos os seus irmãos- por Elói e Eloise Gauthier, a vampira saia durante as noites de lua Nova, e, com certeza, Janine não hesitou em criar sua fama. Ela era, e com razão, a vampira mais temida de toda a França.
Se Harry concordasse em levar para frente esse trabalho, muito possivelmente esse seria o último de sua vida. Não que ele tivesse muita escolha, a levar pela última conversa que tivera com Micknoviktocsk, ele tinha trinta dias para trazer a cabeça de Janine a seu cliente, isso ou ter a sua cabeça levada a seu cliente por Janine em pessoa.
– Tenho que sair daqui — Harry começou a se desesperar, ele tinha que sair de casa, colocar os pensamentos em ordem. Ele se aproximou da mesinha de centro de sua belíssima casa decorada pelo melhor do ramo, mas assim que pegou as chaves do carro na mão ele as soltou, se um passeio durante a manhã não tinha o acalmado, não acalmaria agora. Ele iria andar.
O moreno alto pegou seu rifle antes de sair de casa, mais por precaução, aquela ligação tinha realmente o assustado. Depois disso seguiu andando para lugar nenhum, e ele tinha que concordar, era mesmo revigorante andar por ali, não é pra tanto que Igor vivia saindo andando sem rumo por ai.
Harry andou por cerca de vinte minutos, apenas ouvindo os sons dos pássaros próximos e de seus próprios passos, ali, sozinho, tranquilo, era como se pudesse conversar com a floresta. Sua mãe era uma bruxa muito ligada à natureza e a vida, quando penqueno muitas vezes Harry a pegava conversando com as plantas, Orquídeas na maioria das vezes, Emily as adorava, passava horas de seu dia cuidando das lindas e delicadas flores. Certa vez, quando ela estava colocando Harry para dormir, contou a ele uma história, mas não do tipo que ela costumava contar, de livros, histórias prontas, dessa vez Emily contou a Harry histórias de feras enormes que dominavam os céus, criaturas brancas que se alimentavam do sangue de inocentes, florestas que falavam e diversas outras coisas bizarras que, com os anos Harry acabou por concluir serem todas verdades. Essa foi a última vez que ele viu sua mãe, viva pelo menos. Emily foi encontrada morta na manhã seguinte em sua estufa, Alexander a matara, é claro. Essa última história que ela contou ao filho ficou ecoando em sua cabeça durante muitos anos, ainda, de fato, ecoava. Harry muitas vezes sonhava com a história, mas nem sempre eram sonhos bons. Na última noite, por exemplo, Harry sonhara com a parte da história que falava sobre dragões, grandes e esplendidos dragões, não foi lá um sonho muito agradável, pois tudo o que tinham de beleza, essas criaturas tinham de cruéis, a salvar pelos dragões de gelo, esses são mais tranquilos de lidar, são um pouco mais amigáveis, mas tão perigosos como seus primos do fogo.
Um estalo fez com que Harry despertasse de seus devaneios, como ele olhou para trás e não viu nada chegou a rir de si mesmo, até fez algum comentário do tipo "Tudo bem mãe, vamos conversar com a floresta", mas as piadas acabaram quando ele escutou mais estalos, estavam muito perto.
Harry armou seu rifle e girou 360 graus pra ver se conseguia avisar alguma coisa. Ao som de outro estalo ele se virou bruscamente e viu uma silhueta, andou para mais perto, mais perto, mais perto e...... era uma mulher?!
O rifle de Harry caiu na neve, enquanto este apenas ficou encarando a menina. Ela tinha cabelos escuros, pele clara e olhos cor de avelã, assim como os seus, suas feições era tão delicadas e ela parecia tão indefesa e inocente..... ela parecia com Emily, tão linda e tão delicada como uma flor. Ela usava um vestido de mangas compridas, na cor verde-aguá, era um estilo medieval, o que fez com que Harry a achasse mais atraente ainda, ele sempre gostou da era medieval, vivera bons momentos nessa época, foi um período de muita paz para ele, quem sabe algum dia ele poderia se sentir daquele jeito novamente?
A menina colhia maçãs, e essa era a origem dos estalos, eles eram resultado da maçã sendo arrancada dos galhos, a essa altura a menina tinha uma cesta cheia delas, todas vermelhinhas e prontas para comer... eram tantas que... espera, maçãs não crescem no outono, e aquela cesta estava repleta delas!! Assim como a árvore! "Bruxa...." pensou Harry. Foi ai, e só ai que a menina percebeu a presença do menino, ela se virou assustada para encara-lo, deixando a cesta com todas as maçãs cair no chão.
– É o caçador.... — Sussurrou Saddie, sem ter nenhum tipo de reação.
– Desculpe, eu... Quer dizer, bem... Eu não quis te assustar — Harry abriu um sorriso sem jeito e se abaixou para pegar o rifle, com isso Saddie deu um passo para trás, desconfiada. Ela já tinha visto Harry antes, em Montana, estava descascando atrás de um arbusto na sombra quando foi surpreendida por um tiro que por pouco não acertou sua pata, alarmada ela decidiu seguir o caçador, pois, se ele realmente estava atrás de algum animagis então aquela área não era mais segura, e ela teria que seguir para algum outro lugar mais ao norte. No final, ele só estava atrás de um Fdestugor, o mais bonito que ela já vira. Fdestugors eram criaturas extremamente raras, viviam espalhadas no mundo, era com certeza um dos animais mais belos que existiram. Ele tinha seu formato parecido com o de um cavalo, mas ao invés de pelos eles tinham penas, e essas tinham padrões de cores conforme o sexo, os machos possuíam tons de azul, roxo e verde, enquanto as fêmeas carregavam tons de vermelho e branco, eram animais excepcionais, tanto pelo fato de poderem se teletransportar para qualquer lugar que sua visão abrangesse. — Meu nome é Harry, calma, eu não vou te machucar.
– Sou Saddie — A menina de cabelos escuros se acalmou e foi ficando mais confortável na presença do estranho, confortável o suficiente para poder reparar nele. Ele tinha cheiro de bruxo, mas era fraco, mesmo assim ela devia ficar alerta, bruxos não eram pessoas pra serem confiadas.
– Bem, oi Saddie — Harry enrubesceu e sorriu para a menina e ficou com as bochechas avermelhadas e o rosto quente, quanto tempo que Saddie não se sentia envergonhada....
– Deuses, deixe que eu te ajude com essas maçãs — Harry chegou mais perto e se abaixou para recolher as maçãs e colocá-las na cesta, Saddie também se abaixou para pega-las, e quando estavam todas bem guardadas Harry pegou a cesta -que se mostrou incrivelmente pesada, fazendo com que ele se perguntasse como ela a fazia parecer tão leve- e a entregou para Saddie. — Bom... É, bem... Eu... Eu vou indo, foi um prazer conhecê-la, senhorita — Harry sorriu e, tomando a mão da menina beijou-a se despedindo.
– Espere! Você não quer entrar? Estou com uma torta de maçã no forno, deve ficar pronta o quanto antes — Saddie sorriu, aquilo poderia ser um erro tremendo, mas sua intuição a dizia que ele não era o tipo de caçador que ele precisava temer.
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