The Human House Elf

1 Capítulo 1-My first friend


Notas iniciais
Então essa é minha primeira fic aqui no nyah :) Espero que gostem.

Você já sentiu que não valia a pena? Já sentiu vontade de dormir e nunca mais acordar? Que você não passa de um insignificante ‘nada’? Que seria bem melhor se você não existisse? Se você simplesmente morresse?

Porque eu já. Aliás, sinto isso todo dia.

Certo, você pode estar pensando: que drama! Mas ninguém entende. Ninguém entende como é. Vou dar um exemplo. Sobre meu nome. Certo, eu tenho um nome. Mas sabe quantas vezes meu nome é utilizado em um dia? Uma se eu tiver sorte.

Sangue-ruim, escória, nojentinha, praga, verme, inútil...as possibilidades são infinitas. A primeira vez que usaram esse nome no inferno em que vivo...Merlin, vocês não sabem como fiquei feliz. Vou lhes contar como foi.

Eu devia ter uns sete/oito anos de idade. Havia chegado naquela casa enorme e escuro há um ano. Até lá havia aprendido várias coisas:

1ª-Que eu não deveria falar com eles, se eles não tivessem falado comigo;

2ª-Se eu não quisesse que zombassem de mim: não deveria chorar na frente deles;

3ª-E que pessoas como eu não devem reclamar: de quartos ruins, escuros, frios e sujos, de surras, de comer pouco, de não ter brinquedos, de não ter amigos, de não ter roupas, de ter que trabalhar ou de qualquer coisa. Por que? Porque nós merecemos.

Com aquela idade eu ainda não fazia muita coisa. Limpava a casa, basicamente. Parei do lado de uma janela discretamente, as outras crianças que viviam comigo brincavam na paisagem coberta de neve. Eram 3: que eu conhecia como: Draco, Madison e Alderamin (eu sei, acredite demorei anos para entender esse nome). Os encarei por alguns momentos, triste. Queria estar lá. Queria brincar também. Mas o senhor Malfoy tinha deixado algo bem claro: nunca me dirigir a eles.

“O que está fazendo parada?” Escutei uma voz ríspida e fria atrás de mim. Me virei abaixando a cabeça para não encarar o homem loiro. Ele me aterrorizava, desde o primeiro dia que o vi. Acho que ele só não havia me batido porque a senhora Malfoy o impedia. Mas...ela não estava em casa.

“Desculpa senhor.” Falei em tom baixo. Ele me empurrou para o lado para chegar até a janela. Cambaleie um pouco, já que não tenho muita força e sou bem menor que ele. O rosto dele se contorce em um sorriso malvado, estremeci e recuei com um passo.

“O que foi, nojentinha?” Ele perguntou e pegou meu braço. “Quer ir para lá?” Ele aponta para a janela. Tento me soltar, mas ele me apertou com força me fazendo gemer.” Então vamos lá para fora.” Ele diz e começa a me arrastar.

Nem tentei me soltar. Machucava muito. Ele abriu a porta e eu senti o vento frio batendo em mim. Minhas roupas eram bem acabadas e comecei a tremer no mesmo instante. Consegui ver bem melhor os três: Draco: o garoto de cabelos bem claros, assim como sua pele, Alderamin: o garoto de cabelos escuros, um pouco mais alto que Draco, e por fim Madison: a menina de cabelos marrons, pele morena e um pouco mais baixa que os dois, mas ainda mais alta que eu.

“Por favor, senhor...” Sussurrei enquanto ele me levava para a neve, meus pés só estavam cobertos com uma espécie de sapatilha velha e usada e senti eles esfriando. Lucius me jogou no chão e solto um gritinho, o frio envolvendo meu corpo. Ele pegou meu cabelo ruivo o puxando, soltei um gemido e fechei meus olhos com força.

Senti algo gelado caindo sobre a minha cabeça e sabia que ele tinha jogado neve encima desta. Ele me largou e eu caí no chão, senti as lágrimas descendo pelo meu rosto, assim que o ar gelado tocou essas senti meu rosto ficando mais frio.

Quando não senti mais nada, arrisquei abrir meus olhos, ele entrava de volta em casa. Suspirei aliviada e comecei a me levantar trêmula de frio. Alguém tocou em meu ombro e fiquei tensa me virando. É o garoto mais velho: Alderamin. Tinha um pouco de curiosidade sobre ele, todos naquela casa tinham magia. Mas ele...eu já havia percebido que ele era mais poderoso. Parecia que tudo que queria: puf! Aparecia. Tenho um pouco de inveja dele aliás.

Ele me entregou um cachecol, acho que o dele. Peguei-o enrolando em meu pescoço, agradeci baixinho e rapidamente, antes de acelerar para dentro, ainda morrendo de frio.

Corri para a cozinha, poderia arrumar alguma coisa para arrumar lá, que era bem mais quente que meu quarto, aliás, qualquer coisa é mais quente que aquele lugar. Não sei nem se posso chamar aquilo de quarto, é mais como um porão, uma cela.

Ao chegar na cozinha fui para perto do fogo. Senti um cheiro maravilhoso e quando o ar quentinho bateu em meu rosto um alívio percorreu meu corpo todo.

“Senhorita?” Uma vozinha chamou atrás de mim. Me virei e me deparei com uma criatura de orelhas pontudas, vestia trapos piores que os meus, e era bem pequena.

“Quem é a senhorita?” Ele perguntou dando um passo para perto de mim. Recuei por puro instinto o olhando desconfiada, era difícil confiar em qualquer um naquela casa, qualquer um.

“Alice.” Respondi baixinho agora meio curiosa. Afinal quem era ele? O que era ele? Então acabei por perguntar “Quem é você?” Perguntei, supondo que ele não iria gostar muito se eu perguntasse ‘o que é você?’.

“Dobby, senhorita Alice. Dobby, o elfo doméstico.” Ele respondeu com um sorriso bondoso, meu coração parara por alguns segundos quando ele falou senhorita Alice, mas logo acordo. Franzi a testa em confusão e questiono virando a cabeça para o lado.

“Elfo doméstico?” O rosto dele se contorceu em compreensão o que sinceramente me fez ficar mais confusa ainda.

“Elfos domésticos como Dobby são usados pelos bruxos para realizar os serviços de casa.” Dobby explicou e olha em volta antes de sussurrar “Como se fossemos escravos.”

“Mas eu sou uma bruxa.” Falei incrédula. Fora a senhora Malfoy que me explicara isso em poucas palavras, que eu era uma bruxa e que eu iria viver com eles agora. “E não tenho um elfo doméstico.” Acrescentei.

“Não são todos os bruxos que tem elfos domésticos.” O elfo continuou a explicar. “Só os tradicionalistas sangue puros.”

“Tra...tra o que?” Perguntei confusa. Outro detalhe: ninguém me ensinava a ler, escrever ou falar naquela casa, ocasionalmente Narcissa (quem eu parei de chamar de senhora Malfoy) me ensinou alguma coisa ou outra, mas na maior parte do tempo tinha que me virar sozinha. Bom, até conhecer Dobby, claro.

“Tradicionalistas, senhorita Alice. Isso quer dizer que eles seguem costumes antigos.” Ele me explicou sorrindo orgulhoso de saber o que eu significava. “A senhorita Alice é uma sangue puro?” Ele me perguntou.

“Não sei, mas às vezes o senhor Malfoy me chama de sangue ruim.” Respondi o olhando. O rosto do elfo se contorceu em pena.

“Ah não, senhorita Alice.” Dobby disse com um suspiro. ”Para sangue puros como os Malfoy, nascidos trouxas ou...sangues ruins são o pior tipo de bruxo que existe.” Ele me encarava como se morresse de dó de mim.

“Por que?” Perguntei me sentando no chão, brincando com a borda do cachecol.

“Dobby não entende senhorita. É um preconceito, se consideram melhores que a senhorita por não terem sangue trouxa.” Ele falou sem se sentar, apenas se pondo na ponta dos pés para pegar mais madeira em cima da bancada e aumentar o fogo.

“Obrigada.” Agradeci baixinho e balancei a cabeça. “Isso é ridículo.” Afirmei em alto e bom som.

“Dobby concorda senhorita.” Ele diz e de repente seu rosto se escureceu, ele pegou uma panela e começou a se bater.

“DOBBY MAU! DOBBY MAU!” Ele exclamava se espancando. Entrei em pânico, meio assustada e tento tomar a panela dele.

“Dobby, pare!” Pedia, mas logo ele sossega me fazendo suspirar aliviada. Passei a mão na cabeça dele.

“O que foi isso, Dobby?’ Perguntei com indignação. Ele me olhou como se se desculpasse.

“Desculpe se te assustei, senhorita Alice.” O elfo se desculpou e eu fico na ponta dos pés para colocar a panela encima da bancada de novo. “Mas é necessário, elfos como o Dobby jamais devem falar mal de seus mestres. Tive que me punir.”

“Não precisava.” Falei com sinceridade. “Eu não ia contar para ninguém.” Garanti e Dobby sorriu docilmente para mim e eu também abri um sorriso.

“Dobby gosta de você, senhorita Alice.” O elfo disse e eu ri meio divertida.

“Eu também gosto de você, Dobby.” Falei e o sorriso dele aumentou. Cheio de satisfação.

Eu poderia começar a contar minha história de vários jeitos, mas escolhi esse. Por que? Porque Dobby foi meu primeiro amigo. O único com quem eu realmente podia contar. Se tinha uma dúvida, ele me ajudava.

Às vezes ele me ajudava a sair de casa. Onde eu ia passear nas ruas trouxas de Londres, pegava dinheiro ‘emprestado’ de Narcissa, trocava por dinheiro trouxa e ia no cinema, comprava livros...enfim, me tornei independente muito rápido.

Claro, quando Lucius descobria...sempre havia punição. Muitas vezes essas punições me levavam à beira da loucura.

Mas, foi em uma dessas escapadas que eu descobri minha segunda amiga e um jeito de me segurar à sanidade: música. Sempre que estava prestes a me jogar ao desespero murmurava canções trouxas, que aprendia em filmes ou lojas.

Mas, não foi só a música. Sem Dobby, eu provavelmente acreditaria em tudo que falam que sou. Sempre que me sinto triste, sempre que eles me colocam para baixo: eu lembro dele falando que gosta de mim, eu lembro dele falando meu nome.

Notas finais
Os personagens Alderamin e Madison foram criados por Winky Weasley, eu os controlo na fic com a opinião dela.Deixem suas opiniãos. Aceito críticas, mas lembrem-se: sempre construtivas.Beijos :)