The Hudson-Berry Baby
15 Capítulo 15
Notas iniciais
A barriga dela estava enorme. Na verdade, não estava tão enorme se comparada à outras mulheres no oitavo mês de gestação, mas como Rachel era pequena, ela se sentia como um balão. As costas dela doíam, ás vezes seus pés ficavam inchados, e era difícil arrumar uma posição confortável para dormir e para manter uma vida sexual agradável com seu marido também, se bem que as transas vinham diminuindo conforme a barriga dela crescia, mas Finn não reclamava, ou tentava não reclamar, pois ele reconhecia o esforço que ela fazia.
“Compra uma garrafa de água pra mim?”
“Claro”
Ela sentou num banco do Central Park que ficava em baixo de uma das inúmeras árvores dali e não demorou para que Finn se juntasse a ela com a garrafa de água recém-comprada. Ele sentou ao lado dela, colocou seu braço esquerdo ao redor dela e depositou um beijo no lado de sua cabeça.
“Será que a nossa filha vai ser assim?”, ela perguntou.
“Assim como?”
Ela não falou nada em resposta, apenas indicou com a cabeça uma menininha que fazia piquenique com a mãe numa toalha não muito longe deles. A garota não devia ter mais de quatro anos, mas já pegava o pão e passava a manteiga nele perfeitamente, sem fazer sujeira, ao juntar as duas fatias, ela as amaçou com as mãos para poder comer. Então um menino que parecia ser bem mais velho que a menina, chegou com um cara, que devia ser o pai, e se juntou a elas. O garotinho, diferente da irmã, pegou o pão de qualquer jeito e o comia sem um pingo de delicadeza, fazendo bastante sujeira.
“É verdade o que dizem... As meninas amadurecem mais cedo que os meninos”, Rachel disse.
“Isso não quer dizer nada”, ele falou.
“Mas é verdade”, ela disse lançando um olhar assassino. Então ele foi obrigado a concordar, para seu próprio bem.
“Eu quero ter mais um filho, um menino. Daí teremos um casal, está ótimo. Dois é um bom número”
“Mas e se eu engravidar e tivermos mais uma menina? Vamos ficar tentando até termos um menino?”
“Não... Acho que dois filhos, ou duas filhas, no caso, está de bom tamanho. Mas eu adoro o processo de tentar ter filhos”, ele riu e ela bateu na mão dele que estava em seu ombro.
“Assim eu me sinto uma máquina de fazer bebês, usada apenas para reprodução e para seu prazer”
“Aw, desculpa amor, mas eu sei que você também gosta”, ele disse tentando fazê-la sorrir, mas a cara dela estava estranha. “Rachel, fala alguma coisa”. Silêncio. “Eu prometo que não brinco mais”. Silêncio. “Eita, acho que a garrafa tá furada, tá caindo água no chão”
“FINN”
“Oi”
“A bolsa estourou” (Nota da autora: ETACARAI)
Finn demorou alguns segundos para absorver a informação. Sua esposa estava grávida. Eles estavam no meio do Central Park numa manhã de sábado. A bolsa dela havia estourado. SUA FILHA IA NASCER. Certo, agora ele começou a surtar.
“Ai meu Deus, o que eu faço? FICA CALMA RACHEL, RESPIRAÇÃO DE CACHORRINHO FU FU FU, RESPIRA COMIGO FU FU FU”
“FINN”, ela gritou para que ele olhasse para ela e acabou atraindo a atenção de algumas pessoas que estavam em volta. “Eu é que vou parir uma criança aqui, fica calmo, por favor”
“Certo, certo...Vamos pegar um táxi e iremos para o primeiro hospital que aparecer”
Rachel concordou com a cabeça e Finn ajudou a levantá-la, mas uma dor muito forte atravessou o corpo de Rachel e ela descontou apertando a mão do marido.
“AIIII”, os dois gritaram de uma vez só, o de Rachel foi muito maior, é claro.
“Com licença, eu não pude deixar de notar a cena, eu sou pediatra, meu nome é Mathew, esta é minha esposa, Idina, ela é ginecologista, nós podemos ajudar”
“Ah, olá, eu agradeço, eu sou o Finn, ela é a Rachel...”, começou Finn.
“AAAAAI”, Rachel gritou.
“Vamos correndo pro St. Louise, minha equipe está de plantão lá”, falou Idina.
“Vocês estão de carro?”
“Não”, disse Finn.
“Vamos no nosso”, falou Matthew.
Ele e Finn juntaram seus braços e formaram uma ‘cadeirinha de bombeiro’ e levantaram Rachel. Idina ia na frente guiando eles até onde estava o carro. Finn sabia que o hospital não ficava muito longe, já que o mesmo ficava em frente ao prédio da gravadora dele e de Puck, então eles não iriam demorar para chegar lá. Ele achava estranho dois estranhos aparecerem do nada, ele poderia ter medo deles, mas ele temia pela saúde da sua filha e de sua esposa, até porque ainda faltavam três semanas para o previsto do nascimento dela.
“John, prepare uma sala de parto, eu estou chegando com uma paciente”, Idina falava com alguém ao telefone. Ela estava no banco da frente enquanto Mathew dirigia.
Finn não deixava de segurar a mão direita de Rachel por nenhum segundo. “Vai dar tudo certo, meu amor”
Rachel ofegava, mas ainda assim consegui dizer mesmo com a voz falha, “eu te amo”
“Pais de primeira viagem?”, perguntou Matthew.
“Sim”, disse Finn. “E vocês?”
“Nós temos um casal, gêmeos, Allan e Michele, os dois são muito levados”, respondeu Idina. “Finn, você deveria ligar para alguém... Vocês prepararam alguma mala pro bebê?”
“Sim, sim.. Ai meu Deus, pra quem eu ligo?”
“Liga pro Kurt, ele tem a chave lá de casa porque estava me ajudando a decorar o quarto da Barbra”, falou Rachel
“Certo, certo”, mesmo atrapalhado, Finn conseguiu cumprir a missão impossível – para o momento – de pegar o celular no bolso e discar o número de Kurt. “Kurt, preciso que faça um favor muito grande e me escute com atenção e não enlouqueça mais do que eu... A Rachel entrou em trabalho de parto, nós estamos indo para o St. Louise e eu preciso que você vá lá em casa e pegue a malinha amarela da Barbra que está dentro do berço e a mala da Rachel que está do lado dele... A Rachel tá bem... Certo... Avise a todos, por favor... Obrigado, cara”
“Você é Rachel Berry de Chicago, não é? Eu vi você como Velma Kelly cinco vezes, você foi bem melhor que a Catherine Zeta-Jones no filme, eu sou sua fã”, falou Idina e Rachel esboçou um sorriso e murmurou um fraco ‘obrigada’, “E meu filho adora você, Finn, ele quer ser baterista quando crescer”
Demorou mais cinco minutos para que chegassem ao hospital e dois enfermeiros esperavam por Idina com uma cadeira de rodas. Matthew ajudou Finn a tirar Rachel do carro e um dos enfermeiros ajudou a coloca-la na cadeira.
“O quarto 301 está preparado para receber a paciente e a sala de parto 32-a também”, falou o enfermeiro que aparentava ser mais novo.
Quando chegaram na recepção, Finn recebeu uma pilha de papéis para preencher enquanto Idina levava Rachel para o quarto para prepara-la.
“Eu já vou meu amor”, Finn ajoelhou-se para ficar na altura de Rachel sentada e deu um pequeno beijo em seus lábios. “Eu te amo”
“Eu também te amo e não vou deixar a Barbra sair enquanto você não estiver naquele quarto”, ela disse apertando a mão dele bem forte enquanto vinha mais uma contração. Então uma enfermeira, que o crachá dizia se chamar Clara, levou Rachel para o quarto e Finn voltou sua atenção para a papelada.
“Finn! Que bom que eu te encontrei aqui, o Kurt me ligou e como eu estava na gravadora, foi só descer e atravessar a rua... E aí, cadê a Rachel?”
“CARA, EU NÃO SEI O QUE FAZER, MINHA FILHA TÁ NASCENDO E SE EU FOR UM PÉSSIMO PAI? E SE EU DESMAIAR NO PARTO? E SE EU SEGURAR MINHA FILHA E DEIXAR ELA CAIR NO CHÃO? A RACHEL VAI ME ODIAR, MEU...”
O surto de Finn foi interrompido por um tapa sonoro, doloroso e certeiro em seu rosto. Cortesia de Noah Puckerman.
“Seja homem, Finn! Agora fique calmo, a Rachel não pode ficar nervosa, quem está tendo um bebê pela vagina é ela, não é você. Vai lá ficar com ela e deixa que eu cuido desses papéis”
Finn respirou fundo, contou até dez e se encaminhou pelo enorme corredor branco que dava no elevador. As pessoas passavam por ele, mas ele não as notava. O elevador chegou ao térreo, ele entrou e apertou o botão do número 3.
“Finn! Tenho uma coisa boa pra te contar!”, Rachel chegou por trás dele, que pegava algum livro em seu armário.
“O que é de tão bom que você tem pra me contar?”, ele perguntou se virando para ela.
“Eu fiquei menstruada hoje de manhã”
“Nossa, acho que você é a primeira garota que eu conheço que fica feliz por estar menstruada”, ele riu e ela deu um tapa em seu ombro.
“Isso significa que eu não estou grávida, seu idiota”, ela falou baixo enquanto olhava para os lados na esperança de que nenhum fofoqueiro do McKinley a ouvisse.
“Graças a Deus, se não eu iria castrar aquele St. James para ele se arrepender de não ter usado camisinha com você e você também tem certa parcela de culpa nisso”
“Tá, mas o susto que eu tive por pensar que estava grávida já foi castigo o suficiente... Nem sei o que eu faria se estivesse”
“Mas você sabe que eu estou aqui para te apoiar, para o que der e vier... Sempre”
“Eu sei, Finn... Mas você sabe que eu vou me cuidar, nem que a partir de agora eu faça abstinência, afinal, eu tenho minha meta: Tonny, casamento...”
“... e depois filhos”, ele a completou. “Eu sei pequena, eu sei”
Quando Finn entrou no quarto, ela já estava numa maca com a roupa hospitalar e com uma touca e mesmo assim, aos olhos dele, ela continuava linda.
“O senhor é o marido, certo?”, a enfermeira Clara perguntou e ele assentiu “Coloque a roupa hospitalar e não se esqueça da máscara, nós já vamos levar sua esposa para a sala de parto”
Ele colocou a roupa rapidamente enquanto dois enfermeiros empurravam a maca para fora do quarto, alcançou Rachel o mais rápido que pode e voltou a unir sua mão com a dela e beijou sua testa.
“Daqui a pouco nós vamos ver a Barbra”, ela falou.
“E com toda a sorte do mundo, ela vai ser como você”
Rachel riu e abafou um grito enquanto apertava mais a mão de Finn.
“As contrações dela estão bem rápidas, não vai demorar muito para que a menina de vocês esteja aqui”, falou Idina que já estava na sala.
Finn se posicionou ao lado de Rachel com sua mão direita colada com a dela e com a mão esquerda segurando uma toalhinha para poder enxugar o suor da testa dela.
“A dilatação já é de sete centímetros, Finn, eu vou precisar da sua ajuda para incentivá-la a empurrar”, Idina disse.
Finn não soube quanto tempo demorou, ele apenas ficou ali apoiando sua esposa. Ele não aguentava vê-la naquela situação, ela gritava e ele mal podia imaginar a dor dela, ele nem queria imaginar. Se dependesse dele, eles não teriam mais filhos, ele não podia suportar vê-la daquele jeito. Rachel o xingava, falava que não o deixaria mais tocar nela, o culpava por tudo aquilo. Foi então que depois de um dos maiores gritos que ele ouviu naquela tarde um choro desesperado tomou conta do ambiente.
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