Rachel estava em frente à porta dele há 10 minutos. Ela estava decidida a bater, mas estava nervosa. Então, de repente a porta abriu, revelando um Finn Hudson pronto pra sair e assustado ao ver a morena na sua frente.

“Rachel?”

“Hm, oi Finn”, ela disse e um sorriso começou a nascer em seus lábios, finalmente ela pareceu notar que tudo o que ela precisava estava ali, na frente dela. “Eu preciso falar uma coisa com você, mas acho que está de saída...”

“É, eu estou indo ao mercado. Acabou tudo e eu não tô a fim de pedir pizza pra comer no jantar, quero comida de verdade, sabe?”

“Sei, sei... Então a gente se fala mais tarde”

“Não! Porque você não vai comigo? Depois podemos aproveitar e jantar juntos... O que acha?”

“Tá bom, mas só se eu escolher o que iremos comer”

“Ah, não acredito que eu vou ter que comer gororoba vegetariana”, disse Finn, fingindo estar decepcionado. A verdade é que ele já estava até acostumado a comer as mesmas coisas que ela.

“Na verdade, minha médica recomendou que eu começasse a ingerir proteína animal por causa do bebê, então é melhor você cozinhar, mas eu escolho”, Rachel disse cruzando os braços e impondo a autoridade, que é claro, pertencia à ela.

“Feito”, disse Finn depois de trancar a porta e depositando um beijo na testa dela.

Ele colocou o braço esquerdo ao redor da cintura dela, como sempre fizera, afinal, eram amigos, certo? E os dois se dirigiram ao elevador.

“E então, por onde andou até agora?”

“Na casa da minha mãe, eu dormi lá e almocei com ela”

“A Shelby e o Will estão bem? Mal falei com eles ontem”

“Aham, eles estão muito bem... Até demais”

– — -

O carrinho já estava cheio até a metade e a maioria das coisas era besteira, não comida de verdade.

“Finn! Finn! Compra isso pra mim?”

“Pudim? Assim você vai ficar gorda, Rach. Olha quanta coisa já tem no carrinho.

Gorda. Ela iria ficar gorda. Então a cara de Rachel se fechou numa expressão triste e ela começou a chorar.

“Rachel, pelo amor de Deus, não chora, o que foi?”

“Eu vou ficar gorda... Enorme de gorda... Uma baleia... E a culpa é toda sua, sua e do seu filho”, ela disse, distribuindo mil tapas e socos no braço dele.

“Ei, ei, ei, para com isso”, falou, segurando os dois braços dela, enquanto ela olhava pra baixo. “Olha pra mim, Rach”, ela balançou a cabeça negativamente. “Olha pra mim, por favor...”, ela o encarou. “Você não vai ficar uma baleia, a sua barriga só vai crescer porque nosso bebê também tem que crescer... E você não vai ficar feia, na verdade você está até mais bonita e eu que achava que era impossível você ficar mais linda do que já é”

O rosto de Rachel se iluminou ao ouvir as palavras dele e um sorriso brotou em seus lábios.

“Obrigada, Finn”

“Não precisa agradecer, eu só disse a verdade”, ele disse. Finn estava meio inclinado para baixo e ela estava com uma imensa vontade de encostar seus lábios nos dele, quando...

“Tia Rach, você viu a minha mamãe?”

Ela olhou pra baixo e uma menininha loira de quatro anos puxava a barra de seu vestido.

“Kate! O que você está fazendo aqui sozinha?”, foi Finn quem perguntou, pegando a caçula de Quinn e Puck no colo.

“Eu tava lá com a mamãe, ela tava pegando a cenourinha pra fazer o bolo, aí eu vi o shampoo do Bob Esponja, aí a mamãe sumiu, aí eu vi a tia Rach e a mamãe sumiu e não tá com a tia Rach, tio Finny”

Por incrível que pareça, a menina não chorava.

“Eu vou ligar pra sua mãe, tá?”

“Tá! Avisa pra ela que eu tô no colo do tio Finny”, ela disse e Finn riu com a inocência dela... Quinn devia estar morrendo de preocupação.

“Quinn, eu encontrei a Kate aqui no mercado... Ela está comigo e com o Finn na parte da confeitaria... Okay”, ela falou ao celular. “Sua mãe está vindo”

“Yaaaaaaaaaay!”, ela disse batendo palminhas.

Não demorou muito e uma Quinn Fabray desesperada apareceu no corredor.

“Katherine Puckerman, nunca mais, eu disse: NUNCA MAIS se afaste pra mim pra nada!”

“Mas eu só queria lavar o cabelo com o Bob Esponja, mamãe”

“Era só você me pedir! E se uma pessoa má tivesse pegado você?”

“Eu encontrei o Finny e a Rach, ‘eles não são má’, eu gosto deles”

Quinn soltou um suspiro. “Você não tem jeito, né? Seu pai vai ficar sabendo dessa história, mocinha... Vem cá”, ela disse, pegando Kate do colo de Finn e a segurando bem forte. “Finn, Rachel, muito obrigada... Não quero nem imaginar o que teria acontecido se vocês não tivessem encontrado ela”

“Relaxa, Quinn. O importante é que nada de ruim aconteceu com ela”, disse Rachel.

“É verdade”, Finn concordou. “E Beth, como está?”

“Ela está na escola, daqui a pouco eu tenho que ir busca-la”

“Eu também quero ir pra escola, meu vovô disse que a Beth vai lá só pra comer merenda”

Rachel e Finn riram e Quinn revirou os olhos.

“Bem, nós temos que ir. Obrigada, mais uma vez”

“Não há de que, Quinn”

“Tchau tia Rach, tchau tio Finn”, elas foram se afastando e mesmo assim, Kate não parou de acenar para eles até sumir de vista com Quinn.

“Será que nosso filho, ou filha, será tão levado assim?”, Finn perguntou.

“Eu não sei... Mas ela é filha do Noah, o que você queria?”

“É verdade”, Finn riu. “Espero que a nossa criança seja mais parecida com você”

“Por quê?”

“Porque você é honesta, alegre, tem essa risada contagiante, é bastante cuidadosa, otimista, determinada, sonhadora, você é o meu motivo pra viver, Rach. Você é tudo pra mim”

“Você também é tudo pra mim, Finn. Obrigada por estar sempre do meu lado”, dizendo isto ela o abraçou.

“E eu nunca vou sair do seu lado. Nunca, minha pequena, nem pelo shampoo do Bob Esponja”

Ela riu. Ele faria tudo por ela e para ouvir a risada dela.

“Vamos logo pra sua casa? Eu tô com fome”

“Vamos”

– — -

“Então, o que você queria falar comigo naquela hora?”, ele perguntou, enquanto virava um bife no grill.

“Ah”, ela já tinha até se esquecido disso. “É que eu andei pensando na sua proposta”

Finn ficou tão surpreendido que até deixou o garfo que estava segurando cair.

“Vo-você resolveu voltar atrás?”, os olhos dele se iluminaram de esperança.

“Não, quer dizer, não totalmente”

“Como assim, não totalmente?”, Finn já não entendia mais nada.

“A gente pode ir de vagar, né? Não precisamos casar agora só por causa do bebê... Nós nos conhecemos há anos e eu não quero mudar tudo de repente, podemos ir devagar... Entende?”

“Devagar... Certo... Eu acho que eu gosto de ir devagar”

“Sério?”

“Não, por mim a gente casava agora”, ela riu com o que ele disse e Finn abriu seu famoso sorriso de lado. Ela não resistiu e depositou um beijo bem na covinha dele, ele por sua vez, capturou os lábios dela e sem hesitar ela lhe deu livre acesso a sua boca, aprofundando o beijo.

“Finn”, ela disse o nome dele, mas soou como um gemido, o que só o incentivou a continuar “Finn, tem alguma coisa queimando”

“Droga!”, ele tirou os bifes do grill e o desligou. “Nem queimou tanto, Rach”

“Ah, é que meu olfato está sensível”, Rachel disse enquanto observava Finn cortar um pedaço do bife e colocar na boca. “Finn?”

“Diga”

“Acho que eu ainda não estou pronta pra comer bichinhos”

“Se você acha que não está pronta, você não precisa comer agora, só que você precisa comer”

“Mas...”

“Come só um pedacinho pra experimentar, se não gostar, você pode jogar fora”, ele falou enquanto cortava um pedacinho de carne. Ele espetou com o garfo e deu na boca dela.

Ela mastigou, mastigou, mastigou. “Eu quero mais”

“Vai querer que eu te dê na boca?”

“Aham”, dito isso, ele levou o garfo até a boca dela novamente.

“Finn”, ela disse depois de engolir. “Minha mãe já sabe”

“Já sabe de que?”

“Que eu tô grávida, oras”

A face de Finn congelou. “E o que ela disse?”

“Ela ficou animada, muito animada pra dizer a verdade”

“E seu pai, já sabe?”

“Ainda não, e eu fiz minha mãe prometer que não iria contar pra ele”

“Ufa...”, Finn relaxou com as palavras dela.

“Por quê? Tem medo do meu pai, é?” Rachel riu, erguendo uma sobrancelha.

“Eu morria de medo do seu pai nas aulas de espanhol dele... Porque você acha que eu nunca entrei para o clube do coral?”

“Eu não acredito que eu tentei de convencer a entrar pro New Directions por tanto tempo e você não entrou por causa disso!”

“É sério! Sem falar que ainda tinha aquele Jesse lá”

“Então o que você sempre teve pelo Jesse era ciúmes de mim?”

“Ciúmes? De você com aquele lá?”, ele riu tentando disfarçar. “Claro que não”

Ela suspirou, “Eu acho que no fim de tudo eu também tinha ciúmes”

“Ah, é? Por causa de quem?”

“Por causa da Sophie, da Carlie, da Ivy e de todas aquelas vacas vestidas de cheerio que chegavam perto de você”

“Ahh... Tadinha de você...”

“Pois é, e eu odiava quando eu tinha que te dar conselhos sobre o que você deveria fazer para elas e odiava mais ainda quando você ficava falando delas pra mim”

Finn não pode deixar de sorrir ao ouvir aquilo dela, ela também gostava dele esse tempo todo.

“Você pode parar de rir? Isso não é tão engraçado”

“Eu te amo, Rachel”