“Finn, eu preciso te contar uma coisa...”

“Sabe, simplesmente aconteceu, né? Não é assim? Acontece...”

“Você sabia que Antibióticos anulam o efeito do anticocepicional? Não?! Que engraçado... Nem eu!”

“Parabéns papai!”

“Parabéns papai? Sério? Rachel Berry... você já foi melhor”

Rachel estava sozinha em seu camarim, ensaiando de frente para o espelho as diversas formas de contar para Finn as boas novas. Ela tinha acabado de interpretar ‘Nowadays (Hot Honey Rag)’ pela última vez e estava se preparando para a after party que teria em seguida. Ela avistou Finn durante a performance de ‘Cell Block Tango’ e teve que lutar muito para manter a personagem e transmitir todo o ódio que a cena pedia. Ele estava na segunda fileira entre Kurt e Santana. Também vira Puck, vocalista da banda de Finn, ao lado de sua esposa Quinn, e seus pais, Will e Shelby. Tentou não olhar na direção deles até o final e focar no que estava fazendo, mas era impossível não dirigir seu olhar para Finn às vezes.

Depois da festa ela contaria tudo a Finn. Ela estava morrendo de medo da reação dele. Ele iria querer mata-la! Pior! E se ele quisesse matar seu bebê? Ela tinha dado a ele a certeza de que ela tomava contraceptivo, o que não era mentira, mas agora ela estava ali, grávida de um filho, ou filha, dele. Ele iria surtar. E se ele nunca mais quisesse olhar na cara dela? E se, e se...

Alguém bateu na porta “Pode entrar”, ela disse. Devia ser sua mãe.

Mero engano, um Finn Hudson muito elegante entrava em seu camarim segurando um lindo buquê.

“Parabéns, você estava maravilhosa”, disse, entregando o buquê a ela “Você estava muito melhor do que a mulher do Zorro no filme, eu sei que você não aceita isso porque ela até ganhou um Oscar e tal, mas é a verdade”, ele falava e ela nada dizia, só o encarava com uma expressão indecifrável em seu rosto. Geralmente era o contrário.

“Você é bem digna de ganhar o prêmio Finn Hudson na categoria melhor atriz de todo o universo”

Ela continuava calada.

“É um prêmio criado especialmente pra você, sinta-se honrada”

De novo, ele ganhou o silêncio dela e já estava ficando nervoso.

“Pelo amor de Deus, Rachel! Fala alguma coisa! Isso já está indo longe de mais, por favor, você disse que tudo ia voltar ao normal e não é isso que está acontecendo”, ele respirou fundo “Por favor, fala comigo. Nem que seja pra me chingar, por favor, eu não suporto o seu silêncio”

“Eu tô grávida” Merda! Ela pensou. Ela tinha planejado contar para ele depois da festa e tinha colocado tudo abaixo.

Finn arregalou os olhos e sua boca não sabia se ficava aberta ou fechada.

“Como?”

“Eu estou esperando um bebê e você é o pai dele”

Finn continuou calado por um tempo. Ele seria pai. Ele nunca teve um pai presente em sua vida, só Burt, mas ele já era mais velho. Nunca teve um pai para ensiná-lo a andar de bicicleta, para carrega-lo nos ombros durante os jogos de futebol americano, para lhe ensinar a fazer a barba, falar sobre garotas... E naquele momento ele estava recebendo a oportunidade de ser o que nunca teve para outro ser que ele ainda nem conhecia. De repente, lágrimas começaram a escorrer dos olhos dele, ele faria de tudo para não deixar nada faltar a essa criança, já a amava com todo o seu coração. E seria um filho de Rachel, também. Finn sabia que não existia mulher melhor para ser a mãe do filho dele.

Às vezes, muito antes, ele se imaginava ao lado de Rachel. Na adolescência ele planejava mil maneiras de arrancar a cabeça de Jesse St. James, empalhar e pendurar na parede. Quase soltou fogos quando descobriu, na formatura do ensino médio, que eles haviam terminado tudo, mas cumpriu o papel do bom amigo e emprestou seu ombro para ela chorar e concordava com toda a certeza em todas as vezes que ela disse que Jesse não prestava. Só que o papel de bom amigo durou tempo demais e ele sabia que ela não o via de outra forma. Resolveu se conformar, antes a amizade do que nada. Assim, pelo menos, ele ainda podia cuidar dela e tinha todo o direito e autoridade para amaldiçoar todos os caras que a fizeram chorar. Agora ele estava ali, diante dela, naquele camarim silencioso. Diante da mulher que estava esperando seu filho. Ele a abraçou e não queria soltar mais.

“Eu achei que você fosse querer me matar”, ela disse no meio do abraço.

Ele a soltou, olhou em seus olhos e disse: “Jamais, Rachel. Você está me dando o melhor presente que eu já ganhei na minha vida”, Rachel sorriu e dessa vez foi ela quem o abraçou.

“Só tem uma coisa que eu não entendi: Você não disse que tomava contraceptivo?”

“É que... Bem, ao que parece, os antibióticos que eu tomei anulam os efeitos do contraceptivo”, disse Rachel e Finn começou a rir. Okay, ela não estava entendo mais nada.

“Isso não é curioso? É tipo mágica! Os antibióticos anularam os efeitos do contraceptivo e agora nós vamos ser pais! É como se o destino estivesse pregando uma peça em nós dois! A melhor peça de todas”

“Mas Finn, você ainda não entendeu a gravidade da situação? Eu, Rachel Berry, sua amiga, estou grávida de você”

“E daí, Rachel! Se é esse o problema, é só a gente se casar...”

“Só a gente se casar? Finn, nós não podemos só nos casar, a gente não se ama, eu não quero esse tipo de convívio pro meu bebê”

“E que tipo de convívio você quer pro nosso bebê? Eu quero e eu vou ser um pai presente pro meu filho ou filha.”, ele olhou diretamente nos olhos dela e a segurou pelos braços “Rachel, por favor, nós somos amigos há anos, eu sinto uma coisa muito forte por você, aquela noite... Aquela noite foi a melhor da minha vida, por favor, deixa essa sua teimosia de lado, Rach. Nós podemos ser uma família, eu, você e o nosso bebê”

Rachel , que já chorava, tirou os braços dele dela.

“Mas é claro que você vai ser um pai presente! Eu nunca negaria de você, Finn. Nós somos amigos e jamais deixaremos de ser”, ela soluçava “Só não complica as coisas pra mim agora, as coisas ainda estão muito confusas pra mim”, ela pegou a mão dele e colocou sobre o ventre dela, que não mostrava nenhuma diferença de volume “Você e eu estamos juntos nessa, como sempre estivemos, mas agora somos unidos por mais um laço em comum. Como vai ser daqui pra frente eu ainda não sei, as coisas mudaram muito de repente e eu não quero que elas mudem mais, por enquanto, você me entende?”

“Eu sempre fui o único a te entender. Sempre. Mas não consigo aceitar essa sua teimosia... Você é a única que está dificultando as coisas por aqui. Eu não vou pra festa, você me deu um grande motivo pra comemorar, mas me deu outro pra querer ir direto pra casa. Divirta-se na sua festa e, mais uma vez, você estava ótima naquele palco”

Dito isto, ele deixou o camarim sem nem olhar pra trás. Finn sabia que ela era teimosa e muito determinada, mas ele não iria desistir tão facilmente. E ele sabia exatamente como driblar Rachel Berry.

Não se sabe quantos minutos Rachel ficou ali, dentro de seu camarim, chorando. A vontade que ela tinha era de ir pra casa, mas ela tinha que marcar presença. Então levantou confiante, retocou a maquiagem e foi para o hotel que ocorreria a after party só para cumprimentar as pessoas e logo depois sair à francesa.

- -

“Rachel! Meus parabéns, você estava maravilhosa como sempre”, disse Blaine, o assistente de direção da montagem de Chicago, beijando sua mão direita.

Kurt, que por algum motivo estava junto de Blaine, já foi mais animado e agarrou a amiga num forte abraço.

“Raaaaaaaaaaaaaaaaaach, você estava muito diva naquele palco. Até chorei, verdade. Parecia até que foi a primeira vez que vi essa montagem de Chicago, que por sinal foi muito bem dirigida”

Rachel olhou de Kurt para Blaine e de Blaine para Kurt. Alguma coisa estava acontecendo e sim, ela iria querer detalhes depois.

“Kurt eu vou pegar uma bebida, quer também?”, perguntou Blaine.

“Ah, é claro”

“E você, Rachel, quer?”

“Ah, não. Obrigada, Blaine”

“Tudo bem, já volto”

Blaine se afastou e Rachel reparou que Kurt não tirava os olhos da bunda dele enquanto ele caminhava.

“Rachel, eu vou te matar! Eu assisti sua peça sete vezes e você não foi capaz de me apresentar esse cara em nenhuma dessas vezes”

“Desculpa Kurt, mas eu nem sabia que ele era gay”

“Rachel Berry não sabia que alguém é gay? Mas isso é novidade!”, disse Santana, já se aproximando com Brittany e abraçando Rachel. “Você arrasou, Rach. Aliás, as duas arrasaram”, falou soltando Rachel e colocando os braços ao redor da cintura de Brittany.

“Obrigada, de verdade, mas eu não tô em sentindo bem e vou logo pra casa, vou só dar uma última volta por aqui”

- -

Rachel já estava quase na porta quando foi avistada por Puck e Quinn.

“Finalmente uma pessoa conhecida!”, disse Puck.

“Oi, Rachel”, disse Quinn “Parabéns! Você estava ótima”

“Ah, obrigada! Fiquei muito feliz pela presença de vocês, de verdade”

“O prazer foi todo nosso. Hm, aproveitando que eu te encontrei, por acaso você sabe onde o Finn está?”, perguntou Puck.

“Ele já foi pra casa, acho que meus pais também foram... E eu também já estava de saída”, ao falar isso seu celular tocou anunciando a chegada de mais uma mensagem:

Rachel, não vou pra sua casa agora, vou para algum lugar com Blaine. Não me espere.

- Kurt

“Ótimo, perdi minha carona. Vou indo, já que ainda terei que pegar um taxi”

“Nada disso, nós também estamos de saída e eu faço questão que você vá conosco. Não é, Noah?”

“Mas é claro que sim, vou indo na frente para pegar a carruagem para levar as duas donzelas”

Puck deu um selinho em Quinn e se foi, deixando as duas sozinhas.

“Vocês dois formam um casal muito lindo”

“Obrigada, Rachel. Casar com meu melhor amigo foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida”

Notas finais
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