The Hospice Interativa
1 Alicia, a assassina de olhos coloridos
Notas iniciais
—Não se arrepende do que fez?—Perguntou o oficial de justiça com as mãos sobre a mesa de mogno.
A garota de onze anos simplesmente negou com a cabeça, movimentando os cabelos negros com mechas azuis. Seu olhar calmo e o tapa-olho no olho esquerdo haviam assustado o oficial durante todo o interrogatório. O documento aberto diante do oficial mostrava, além dos detalhes habituais, recortes de jornais publicados entre seis anos atrás até a data em que se encontravam. Dois deles diziam:
"Jovem é assassinado acidentalmente em orfanato de Londres. Testemunhas apontaram como assassina uma das crianças."
"Massacre: Mesmo orfanato de incidente é atacado seis anos depois pela mesma criança. A pena sera decretada na sexta-feira (13 de dezembro)."
Os detalhes do crime, colocados em palavras simples, diziam simplesmente que Alicia Katherine Underwood D'llary, 11 anos, havia cometido o crime de assassinato em massa e que possuía distúrbios psicológicos.
—Senhorita D'llary, sendo menor de idade e sofrendo de possíveis... distúrbios psicológicos, foi decretado que terá de frequentar uma... clínica psiquiátrica—Suspirou o oficial fechando os arquivos e olhando para o rosto da garota.
—Quer dizer um hospício?—Perguntou ela falando pela primeira vez no interrogatório.
—Pode colocar nessas palavras—Falou ele se levantando—Já terminamos por aqui. Seus responsáveis irão levá-la até uma clínica na América do Norte, hoje à noite.
A garota apenas deu de ombros e caminhou até o exterior do cubículo, sendo acompanhada por duas freiras de olhares severos. As ruas estavam cheias de pessoas felizes. Os enfeites das lojas brilhavam por ser quase natal.
Alicia era cercada de olhares, por estar usando um vestido próprio para dois séculos antes e um tapa-olho, e também por estar acompanhada por duas freiras. As ruas eram cobertas de neve, que parecia deixar o ar anormalmente frio ao redor de Alicia e das freiras, que caminhavam até o orfanato em silêncio.
—Entre e arrume suas coisas—Disse uma das freiras quando chegaram, ranzinza.
—Sim, vossa santidade—Brincou Alicia se reverenciando. A freira ergueu a mão, sendo parada pela outra freira.
—Deixe. Não teremos que aturar essa pestinha por mais tempo—Sorriu a freira maldosamente.
—Vai ser um prazer sair dessa caverna de monstros—Provocou Alicia correndo para dentro do orfanato.
Alicia correu até a metade do caminho para seu quarto isolado, até as outras crianças, que desconheciam a causa da expulsão de Alicia, saírem de seus quartos, expelindo comentários maldosos.
—Olhem. É a garota que conseguiu ser expulsa—Zombou uma garota alta com com tranças loiras.
—Quão longe ela foi para conseguir esse feito? Seu defeito ocular fez todos os candidatos a pais se assustarem?—Perguntou um garoto sardento, fazendo um sorriso escapar dos lábios de Alicia.
—Bom, meus caros ex-agressores...—Começou ela colocando a mão na bota que usava e retirando um canivete coberto com sangue seco—Essa foi a arma que matou mais da metade do orfanato no fim de semana.
—Você a roubou? É apenas uma ladra— Zombou uma garota de cabelos ruivos.
—Não a roubei, idiota...—Disse Alicia revirando os olhos e se aproximando da garota, apontando o canivete para seu pescoço—Eu a usei para fazer aquilo. Por isso estou sendo expulsa—Sorriu ela apertando o canivete no pescoço da garota.
—O que está fazendo? Vai matá-la!—Gritou um garoto em choque.
—Desculpe. Apenas achei que queriam uma demonstração. E sobre meus olhos, é bom ser diferente de estúpidos como vocês—Disse ela rapidamente fechando e guardando o canivete—Nem pensem em falar sobre isso—Disse ela friamente, voltando para seu caminho.
Alicia saltitou pelos corredores, até entrar em seu quarto. O quarto tinha paredes que pareciam uma tela de pintura, feitas pela garota.
Uma cama vitoriana contrastava com os outros móveis e com as roupas pretas e cinzentas, que se encontravam no armário de madeira queimada.
Uma mala estava aberta na cama, com pertences importantes colocados no fundo. Alicia pegou as roupas que tinha e as colocou na mala de uma vez, fechando-a e suspirando.
Um hospício na América... Realmente querem ficar longe de mim...
—Já esta pronta? O voo foi adiantado. Partimos em uma hora—Gritou uma freira na porta do quarto, fazendo Alicia colocar as rodas de um skate antigo nos pés da mala pesada, carregando-a com menos dificuldade.
Abrindo a porta, sorriu friamente para a freira com um olhar zombeteiro.
—Agora que não estou sob sua custódia posso chamá-la de Agatha, não é mesmo?—Perguntou a garota enquanto andava.
—Faça como quiser, mesmo que meu nome não seja Agatha—Retrucou a freira.
Alicia simplesmente deu de ombros e acenou para as garotas e garotos que se encolhiam quando passava. O medo era visível em seus olhos e seus corpos tremiam.
—Adeus, projetos de idiotas. Comportem-se ou Agatha vai abandoná-los—Riu Alicia, acrescentando em um sussurro inaudível—Assim como Aggie fez comigo...
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