Estava indeciso. Nem sabia como daria as caras na rua. Steve deve ter desistido de tentar ligar, ou mandar mensagens, já que o ignorei. Com muita coragem, abri levemente a porta de casa, e vários repórteres, curiosos, manifestantes... Rebobinei, e saí pela porta dos fundos. Depois de muito esperarem, foram embora cansados. E quem eu vi na rua? Steve. Não, não e não. Saí correndo, mas ao me avistar, desesperou-se em vir atrás. Quando pensei em atravessar a rua, o sinal abrira, e como a cidade é muito movimentada, ficou impossível de ir até o outro lado, e me alcançou.

– O que foi Steve? – gritei – veio me perturbar ou jogar na minha cara que sou uma aberração?

Olhou decepcionado.

– Não mesmo. Queria só conversar. Mas já que sua ignorância fala mais alta, acho que tenho coisas melhores pra fazer do que me preocupar com você. – se virou bravo e foi embora.

MERDA, EU NÃO POSSO FERRAR MAIS COM ISSO.

[Return]

– Steve?.... o que precisa?

Olhou-me triste

– Precisamos conversar.. eu sei que está sendo difícil lidar com tudo, pensei que um amigo talvez seria bom..

– Amigo? – abafei o riso — Você queria me pegar certo? Ou já estou na friendzone?

– Não conte com isso – abriu um sorriso – sei de um lugar ótimo para conversarmos.... se você quiser .

Fiz que sim com a cabeça, e o segui. Subimos um barranco florido, que ficava alguns quarteirões após minha escola. Ele me ajudou a subir, porque quando se trata em correr, subir, ou descer, sou um desastre. Por aí já se imagina a minha prática de esporte. Chegando ao topo, deslizamos para o outro lado, onde havia uma casinha, aparentemente abandonada. Tirou as chaves do bolso, abriu. Mas era limpa por dentro, com alguns móveis velhos, e um frigobar.

– Quem mora aqui? – perguntei

– Posso dizer que moro aqui também. Venho aqui muitas vezes quando preciso pensar.

– Gostei do lugar. Poderíamos vir pensar aqui juntos – lancei um olhar sarcástico

– Sei, pensar. – sorriu, mordendo o lábio inferior.

– Mas e então, o que queria dizer?

– Se não se importar... – olhou pro chão, como se estivesse procurando palavras – falar sobre...seus poderes.

Respirei fundo, e olhei no fundo dos seus olhos. O que o deixou encantado por alguns segundos, me encarando. Contei tudo desde o começo, desde os mínimos detalhes. Quando acabei, Steve levantou a mão direita querendo dizer “espere”, e buscou cervejas na cozinha improvisada.

– Aqui, beba – me entregou – Podemos fazer um teste?

– De que tipo?

– Só pra eu ver como é. Não estou duvidando, só estou curioso.

Ele jogou derrubou um copo que estava sobre a mesa, e com a mão esquerda em direção ao copo, fez com que se reconstruísse, e levitasse até a mesa. Olhei pro chão sem rumo, pois não sabia o que Steve estava pensando. Ao olhar pra ele, vi que estava perplexo, cheio de admiração e um sorriso besta na cara.

– Aprovado – continuou com a cara de idiota, e fez um coração com as mãos, o que me fez ser obrigado a rir – Tudo bem, agora vamos testar a volta no tempo. Adivinhe o que tenho nos bolsos.

É ÓBVIO que eu não sabia. Chutei as coisas mais comuns.

– Dinheiro e carteira?

– Não mesmo. – esvaziou os bolsos, tirando vários objetos – tenho a chave da minha casa, um cartão de loja, e 4 cigarros.

– Hmm....

Vamos lá.

[Return]

– Adivinhe o que tenho nos bolsos.

– Chaves da sua casa, cartão de loja, e 4 cigarros.

Quando começou a tirar as coisas e ver que era isso mesmo, ficou admirado.

– Impressionante. É como se você já tivesse visto...

– E vi. – afirmei com olhar sério – Você me perguntou uma vez, e eu errei. Assim, você me mostrou o que tinha, e voltei no tempo. Eu não sou afetado pela mudança do tempo, se eu não quiser.

– Uau – arregalou os olhos – Mas... o que pretende fazer com esses poderes?

– Pra ser sincero, vou usá-lo só como autodefesa, ou em alguma situação extrema.

– Bem... então acho que vou precisar da sua ajuda.

Voltamos para a ponta do barranco, e me apontou uma mansão enorme ao longe, rodeada de guardas, com um cafetão cheio de mulheres e sendo servido por um homem de terno, próximo a uma enorme piscina.

– Já o atendi no restaurante. Na hora de embora, viu que minha amiga havia esquecido seu celular em cima do balcão, e o pegou. Foi recente isso, e o celular é caríssimo, de última geração, foi preciso de ela sofrer muito para comprá-lo.

– Imagino que aqueles guardas ficaram rodeando ele, então não teve como você agir...

– Exatamente.

– Você precisa de mim pra recuperar... mas no caso de entrar, por exemplo. Onde encontro?

– Ele tem um cômodo onde coleciona celulares. Nesse dia, quando estava levando o da minha amiga, ele quebrou o chip no meio, e jogou na rua. Por sorte peguei os pedaços. Imagino que você possa reparar.

– Sim. Tudo bem, vou ajudar – respirei muito fundo antes de dizer isto – Mas claro, vou precisar de você. Quando começamos?

Steve abriu um sorriso meigo, envolveu minhas costas com o braço, me puxou pra perto de si e disse.

– Hoje mesmo. Á noite.

Notas finais
Agradeço a essa pessoa que começou a acompanhar meus capítulos. Por enquanto é só uma, mas fico muito feliz. Obrigado