Notas iniciais
A palavra [Returned], refere-se a quando for rebobinar, voltar no tempo.

No restaurante próximo...

– MENINO ESTÚPIDO! – diz uma moça grande e gorda, me batendo na cabeça – Aqui NÃO é lugar para pobres imundos e sem classe, SUMA!

– Aqui não é lugar para animais, dona elefante. – consigo falar sem rir – Veio buscar seu amendoim? – explodo na risada, e ela me ameaça com um guarda chuva.

– Algo está havendo aqui? – chega um elegante garçom em minha direção.

– Há algum tipo de “Lei” que proíbam certas classes sociais de virem aqui?

Ele me olha franzindo a testa.

– Não mesmo... Por quê? – Tomba levemente a cabeça pro lado

– Bom, essa gorda, UPS – levanto a mão em defesa – disse que aqui não é lugar pra mim, por ser pobre.

– Nossa. – olhou-me com espanto – Minha senhora. – Virou-se e lançou um sério e perturbado olhar pra ela – Que eu saiba o que proibimos aqui são animais. Suma hipopótamo. – estressou-se, a empurrando pra fora enquanto eu caía na risada. Ao me ver rindo descontraidamente, riu também, e abriu um belo sorriso.

– Onde você mora?

– Bom SENHOR garçom, não costumo falar essas coisas pras outras pessoas. – fui irônico, mas me arrependi ao notar que ele estava sério, e com interesse claro no olhar.

– Ér.... – Fiquei corado, sem graça – Eu moro na rua de baixo.

– Ah... mas espera, “SENHOR” garçom? – tampou a boca segurando o riso – Só tenho 17 anos. Me sinto 30 anos mais velho.

ÓTIMO! Agora estou vermelho como um camarão.

– Mas por que precisa saber onde moro?

– Bom, não tenho muita coisa pra fazer amanhã... Podíamos sair talvez? – desviou o olhar meio decepcionado, como se no fundo achasse que a resposta seria não.

– Tudo bem. – Aceitei de bom grado, e abri um sorriso, estúpido pra uma pessoa que já tem 18 anos. O pior foi ele, que parecia que havia recebido uma martelada, ou que foi pra lua, estava boiando, com um sorriso totalmente infantil e engraçado no rosto.

Depois de uma longa conversa combinando o local e o horário, fui pra casa, pensando no que aquela chata mulher, ou “Ivone”, havia me dito... Na verdade nenhum lugar é lugar para pobres, porque eles são uma desgraça, pensei. Não sou pobre.... só moro em um bairro humilde. A situação financeira em casa é boa. Digo “boa” no estilo : Dá pra sobreviver, no problem. Decidi me deitar, e dormir por algumas horas. Ao despertar, gritos.

– Me larga seu imbecil! – grita uma garota. Pela voz....Lara!

Corri para fora, e a vi brigando com seu ex-namorado. Pelo o que entendi, normal. Ele não aceita rejeição. Quando ele deu um tapa bem forte na cara dela, a derrubando, chamei pelo nome dela, e levantei minha mão direita em sua direção. Nesse momento minha cabeça doeu, e parece que desmaiei. Quando vi estava ainda na minha cama, pesadelo... Até ouvir gritos, e a mesma coisa. OPA! Pensei. Vi a mesma cena, levantei a mesma mão... e de novo na cama. Já foi suficiente pra perceber... que eu podia voltar no tempo. Pode ser.. Ás exatamente 4:30 Lara começa a gritar, cinco minutos depois, seu ex agride. Esperei, e dando o horário, fui pra fora. Na parede perto da porta de casa, havia uma barra de ferro. Quando ele levantou a mão pra ela, bati bem forte na cabeça dele, o deixando atordoado.

Lara me observou por um bom tempo, e me abriu um sorriso. Após, deu um forte chute no estômago do ex que rolava no chão de dor, e rimos. Lembrei-me do encontro, e me arrumei correndo.

***

Era só o que me faltava. O que ele pretende me trazendo ao um bar? Se tivesse prestado atenção no papel que me entregou aquele dia, recusaria de imediato. Só havia cara barra pesada, sorte que conhecia alguns antes de entrarem na vida de homicidas, me tranquilizando ao saudarem a minha chegada. Tinha tanta gente, que não fazia ideia de como acha-lo. O gritando pelo nome talvez? Ah sim, você foi esperto o suficiente em não perguntar, diz meu inconsciente sarcástico.

– Steve? – grita a atendente – Prefere a cerveja com ou sem espuma?

– Hmm... Sem, por favor. – diz um homem de jaqueta preta, sentado no banco próximo à bancada. Havia um lugar vazio, e me sentei perto. Ao olhar pro lado, ele sorriu, e na hora me liguei que era ele mesmo.

– Que bom que você veio – sorriu – Quer tomar um drink?

– Bom, ok. – ele me oferece seu copo cheio – Não me admira que você consiga beber, já que parece tão velho.

– Olha quem fala – Riu, observando minha barba – Eu tenho 18 anos.

– Você me falou que tinha 17.

– Hoje é meu aniversário.

– Ah.... – não pude deixar de corar – parabéns...

– Brigado, “Senhor”

– Mas ou. – franzi a testa. – Você não devia estar em casa comemorando com a sua família?

– Eu moro sozinho.

Uau.

– Você consegue se sustentar só como Garçon? – encorajei em perguntar isto — Não estou desvalorizando o trabalho, mas...

– Tudo bem, eu tenho mais 2 empregos. – Me olhou, decepcionado com a minha reação.

Merda! Pensei. E se eu hm... Voltasse? Levantei minha mão discretamente, e ok.

< Return >

– Eu moro sozinho.

– Nossa, que incrível! – Não escondi minha admiração – Quais são seus outros 2 empregos? – deixei escapar, fazendo ele me fitar, e me deixando sem reação.

– Como sabe? – Me fitava com os olhos apertados

– Hmm... – PENSA PENSA.... AH! – bom, quem me disse foi Juliet.

– Ah sim, Juliet... a que trabalha comigo. Parece que você andou pesquisando sobre mim – Me lançou um olhar irônico

– Não ér.... hm.... – Fiquei sem palavras, porque mesmo não tendo perguntado nada a ela, sempre morri de vontade de tirar informações. Steve abriu um largo sorriso diante da minha cara vermelha – Impressão sua. Ela disse por livre e espontânea vontade. – Falei corajosamente, ele não pôde esconder sua decepção.

Merda, então bora lá.

< Return >

– Parece que você andou pesquisando sobre mim – Me lançou um olhar irônico

– Realmente. – exclamei soltando o ar – Você é um garçom gostoso, eu precisava saber tudo sobre você. – falei, encorajado pelos copos de cerveja.

Seus olhos brilhavam. Sorriu de orelha a orelha. Não pude esconder meu sorriso, diante dessa reação tão fofa, que foi estragada pelo celular dele que toca.

– Nossa, que ótimo momento – falou com raiva, após desligar o celular – Vou precisar voltar ao restaurante... Pensei que meu pai encheria a despensa amanhã cedo... Ah.. – respira fundo – Desculpa... É muita coisa pra guardar.

– Entendo... – desviei meus olhos – Bom... se não for incômodo, eu posso te ajudar.

– Sério? Nossa não precisa sério..

– Claro que precisa “senhor” Steve. – brinquei – Bora, mesmo que eu não fosse realmente não tenho nada pra fazer.

– Ah... – me olhou com certa decepção

MERDA DUPLA! Pensei. Tá, eu poderia ser mais gentil, e menos egoísta.

< Return >

– Sério? Nossa não precisa sério..

– Precisa sim! – exclamei – Vai ser um honra te ajudar.

– É impressão minha ou você tá tentando me pegar? – sorriu

– Claro, como em filmes pornográficos. – o fitei ironicamente.

– Faz sentido – riu — você me ajuda com a despensa, e a gente transa.

– Steve! – o repreendi rindo – Bom, eu já devia notar que você já me queria desde a primeira vez que fui ao seu restaurante. – brinquei

Ele começou a me olhar profundamente, e ficou vermelho. Ahh hoje vai ser um resto de dia deveras interessante, exclama minha vadia interior. Steve começou a ficar vermelho, como um pimentão, por causa do meu silêncio... então o apressei.

***

– Não são tantas caixas filhão – brincou seu pai, alto e bonito igual – e quem é este, seu namorado?

– É claro. – brincou esteve colocando o braço em meus ombros – Ele se ofereceu em ajudar, e faremos cenas de um filme pornô.

– Ah sei – riu – vocês terminam tudo e transam.

– Exatamente – Steve falou isso na maior cara lavada, e eu não pude deixar de o olhar com vergonha.

– Bom, desde que vocês não sujem muito o chão, e sua jaqueta cara, se divirtam – deu leves tapinhas no ombro dele, e explicou que precisava ir buscar mais caixas. As que tinham foram deixadas do lado de dentro.

– Bela jogada – falei rindo – Agora seu pai pensa que iremos mesmo transar.

– Se tudo correr bem, quem sabe. – não acredito que ele fala essas coisas tranquilamente. Apenas abriu um sorriso como se não houvesse dito nada demais.

E começamos a trabalhar. Ele me explicou tudo direitinho, onde guardava as coisas, em qual ordem, de qual maneira. Foi divertido, e cansativo. Quando tudo terminou, o sol já estava se pondo.

– Ótimo. – falou Steve num suspiro, limpando o suor da testa com um lenço – Agora podemos transar. – riu

– Ahaha, seria ótimo se não tivesse tão cansado. – ri – vou voltar pra casa agora... não avisei minha irmã que sairia, então deve estar louca.

– Pode ser – sorriu – Amanhã nos encontramos?

Peguei um pedaço de papel de um caderno velho que estava sobre o caixa, e comecei a escrever. Rasguei, e o entreguei.

– Aqui, meu celular. Me ligue e diga sobre seus horários disponíveis.

– Okay, até mais – parece desapontado – Bom, já vou.

Abriu e porta, e fomos embora, cada um pro seu canto. Acho que se eu quisesse rebobinar, realmente teria feito algo louco. Mas com esse cansaço, não estou muito afim.

Em casa, minha irmã insistiu em me colar o sabão. Geez, ela não cansa de piranhar na rua, e ainda quer falar merda, diz meu inconsciente impassível. “Que dia maluco” – pensei. Não há nada pior do que descobrir um poder maluco, tão tarde. Você também nunca tentou imbecil. Ah, é claro, acordar de manhã : “Olha, que belo dia pra ver se tenho poderes de voltar no tempo” GEEEZ.

Notas finais
É minha primeira fic, não se contenham em dizer o que preciso melhorar. Críticas construtivas são aceitáveis :D