The Hidden Kiss
27 Cena Extra 2 - "The Truth Between Us"
Notas iniciais
* * *
Regina balançava os dedos freneticamente com extrema impaciência. Não era como se pudesse controlar o tempo, mas era como se este estivesse parado. Depois que seus pés tocaram o chão novamente, deu de cara com a velha construção do estábulo. Um sorriso melancólico brotou em seu rosto. Ela adentrou o pequeno estábulo, caminhando diretamente ao único animal do lugar.
Rocinante bateu os cascos no chão, balançando a cabeça ao ver a dona após tanto tempo. Durante todos os dias de treinamento, Regina mal conseguia ver o velho amigo. A Rainha correu até o cavalo, envolvendo seus braços dentre a crina. O animal consentiu ao abraço, resmungando baixinho.
“Meu amigo...” Choramingou Regina. As lágrimas formavam em seus olhos. A dor em seu peito era forte e deixaria uma marca permanente. A morena pôs suas mãos na lateral da cabeça do animal. “Onde está o lobo?” Perguntou.
Seu olhar fitou o lugar, mas não havia um sinal sequer de que alguém havia passado por ali. O dia estava amanhecendo, mas a lua ainda insistia em permanecer no céu. Eros não havia cuidado de Rocinante pelo, no mínimo, três dias ou mais. As lacunas onde deveria haver comida e água estavam completamente vazias. Regina abriu a porta deixando que o animal saísse e então adentrou com ração e a água para repor. Assim que ambos estavam completos, ela pediu que o amigo retornasse. E como um cavalo bem treinado, Rocinante o fez. Minutos se passaram enquanto o animal bebia com ansiedade. Regina acariciava seu corpo suavemente, apreciando seus últimos momentos.
“Eu vou fazer uma viagem.” Ela disse. O animal continuou a comer. “Para àquela terra da qual vim.” Explicou ao animal. Rocinante então parou para fita-la. Regina podia sentir o olhar questionador do amigo.
“Lá é onde meu final feliz está, entende?” Disse Regina, apoiando as costas na parede em frente ao cavalo. Rocinante virou-se de modo que sua cabeça ficasse para fora de sua sela, observando a amiga. As lágrimas passaram a escorrer pelo rosto da Rainha. Se ao menos houvesse uma maneira de ser melhor... Mas não havia.
Regina permitiu que suas costas escorregassem até sentar no chão. Engolindo o pranto contra a própria vontade. Rocinante deu passos firmes até a mulher, empurrando-a levemente com a cabeça.
“Não, meu amigo...” Ela disse com a voz trêmula. “Eu e meu filho.” Ela impôs um sorriso contra os lábios. “Você não irá conosco.”
Rocinante protestou, batendo a pata contra o chão fortemente. Regina soluçou baixinho, cobrindo o rosto com o braço por um minuto. O animal abaixou, dobrando as patas traseiras antes das dianteiras até deitar ao lado da Rainha. Mesmo deitado, o cavalo era o dobro do tamanho de sua dona. Seus olhos estavam marejados, Regina sabia o que o amigo sentia. O conhecia desde pequena. Ela acariciou sua cabeça, mas o animal protestou magoado.
“Não faça isso.” Ela pediu, deixando sua voz vacilar. “Sabe que é uma das minhas preciosidades, mas eu não posso... Não posso ser feliz aqui.” O cavalo bufou brevemente.
“Você sabe o que isso significa, não é? Sabe que a cavalaria chegará o mais cedo possível e que será levado com eles.” As lágrimas já caíam a esse momento. O cavalo abaixou a cabeça, apoiando-se nas pernas da Rainha. O peso era desconfortável, mas Regina não se importava. Ela o acariciou, permitindo que seu pranto viesse à tona finalmente. “Eu o amo, meu amigo.” Rocinante bufou.
“Esteve comigo em todos os momentos. Até quando perdi o que tinha de mais importante.” Dizia ela entre soluços. “Sabe que naquele momento, pensei que minha felicidade havia se tornado pó junto com aquele coração.” Ela teve de fazer uma pausa. Os gemidos dolorosos da Rainha se misturavam ao choramingar animalesco de Rocinante.
“Nunca vi um coração tão puro quanto de Daniel. Nunca.” Regina disse. “E quando cogitei tirar-lhe a vida ao iniciar a maldição, não pude deixar de lembrar-me da pureza de Daniel.” O choro se misturava a fala, mas nenhum deles parecia se importar. “Por isso a maldição não funcionou.”
Rocinante ergueu a cabeça para a dona. Seus olhos negros fitavam os achocolatados da Rainha. Ambos sabiam que seria a última vez que veriam um ao outro. E a dor da despedida era igualmente dolorosa para os dois. Regina abraçou o pescoço do amigo com força, deixando que seus pulmões sofressem a dor de seu choro excessivo.
“Me perdoe por isso.” Ela disse levantando-se. O cavalo rapidamente ergueu-se, dando uma boa olhada em Regina. “Eu sei o que quer.” Ela virou-se para os portões, abrindo-os em um empurrão forte. Rocinante galopou até a dona, parando logo ao seu lado. “Eu o amo tanto.” Disse ela abraçando o amigo.
Rocinante bateu a pata no chão, caminhando estábulo a fora. Quando se encontrava no meio do gramado. Seu olhar fitou o mundo ao seu redor, enquanto o pranto de Regina o dizia o que deveria ser feito. O animal olhou para trás pela última vez, dando seu adeus. A única coisa que Regina podia fazer era sorrir de volta.
Então, o animal passou a correr tão rápido quanto a Rainha jamais vira. Seus cascos faziam um barulho sonoro quando estavam prestes a adentrar a florestas. Ela envolveu seu próprio corpo, sentando-se novamente no chão. Talvez Rocinante sobrevivesse pouco tempo sozinho na floresta, ou talvez encontrasse alguém para cuidar e amá-lo como Regina uma vez o fez. Rocinante não era só o melhor amigo de Regina, como também era a vida que ela havia abandonado. O passado que ela estava deixando para trás. Ela não esperava que doesse tanto.
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