The Hell Verse
7 O Segredo da Lua
Notas iniciais
Quando a dor não veio, hesitante a morena abriu os olhos e deparou-se em seu mundo espiritual, uma planície gelada que se estende até onde os seus olhos poderiam enxergar. Uma tempestade de neve furiosa obscureceu o céu, obrigando a shinigami agachar-se no chão e proteger sua face dos blocos de neve, que deslocavam-se em sua direcção, alucinados.
– Não confias em mim, Rukia.
A pequena shinigami estendeu o seu olhar incrédulo, para encarar uma mulher ao seu lado, vestida com um kimono tradicional da mais pura seda branca com cristais brilhantes de gelo. A zanpakutou olhou penetrante para a jovem Kuchiki, com as suas pérolas intensamente azuladas desapontadas.
– Mesmo depois de tudo por aquilo que enfrentámos juntas, o mais perto que ficámos, tu ainda não confias na minha capacidade de defender-te.
– Isso não é verdade!
– Então porque temes que eu esteja quebrando? Não te recordas do combate contra o Aaroniero, nono espada? A lâmina partiu mas tu conseguiste reconstruí-la e derrotar o inimigo.
Rukia, revoltada, procurava em sua mente perspicaz, uma resposta para a albina, porém esta não existia. Mordeu o lábio inferior, confirmando com o seu silêncio, que tudo o que a sua zanpakutou falara correspondia à realidade. A morena estava indignada consigo mesma, perdera a confiança no seu próprio poder porque não estava ao lado de Ichigo, aquele maldito lugar sugara as suas esperanças de vencer…
– Exactamente Rukia. Tens de confiar em mim a tua vida, como eu entrego a minha a ti. Defender-te-ei de todo o mal, mas para isso tens de convergir o teu coração e tua alma completamente, assim poderás eliminar aqueles que te querem derrubar. Repetirei isto só mais uma vez: Rukia confias em mim?
O rosto da shinigami metamorfoseou-se numa expressão fleumática e determinada, as íris violetas demonstravam sua firmeza, totalmente desprevenidas de receios, pela primeira vez desde aquela conversa, a morena estava irrefutável.
– Absolutamente.
Sode no shirayuki exibiu um sorriso resplandecente, e o céu retomou a ficar polido e desanuviado.
– Então comprova isso para mim.
I&R
– Pronta para a morte pequena shinigami?
A morena encarou com desprezo a alma pecaminosa que lambia os lábios asquerosamente. As pupilas negras dilatadas revelavam suas intenções malévolas.
"Se o teu coração estiver livre do medo… A única coisa que verás reflectida é o rosto amedrontado do inimigo."
– Bankai. Hakka no Togame.
A temperatura do local diminuiu drasticamente após a explosão branca. A mulher distinguiu no olhar do adversário, surpresa. Provavelmente, não lhe informaram que seu oponente usufruía da última transformação da zanpakutou.
Tens razão Nii-sama… Eu posso ver seu rosto contrair-se de pavor.
Rukia sentiu um ardor em sua pele. O gelo estava a queimá-la. Olhou para suas mãos pálidas, tremiam. Pesarosa, escutou o capitão adverti-la em sua mente.
"Derreta lentamente Rukia… Lentamente…
É uma bankai esplêndida. Porém também é árdua, um mero erro poderá matá-la. É uma bankai perigosa. Utiliza com cuidado. Jamais te precipites. Lembra-te que uma espada empunhada por alguém prestes a morrer… Jamais será capaz de proteger qualquer coisa."
Obrigada Nii-sama, eu vou conseguir.
– Este é o verdadeiro poder de Sode no Shirayuki. Prepara-te, pecador.
– Pensas que me podes congelar? Não me faças rir nanica! É impossível venceres-me no meu próprio território. A tua bankai não mudará nada… Tu continuas com medo! Afinal medo é a essência da vida!
– Sim… É por isso que o medo já não me atinge. Consegues entender? Eu já… não estou mais viva.
As pérolas violetas escureceram sombriamente. Surpreendendo o homem que não compreendia a súbita coragem da adversária.
– Isso não faz sentido garota…
– Sode no Shirayuki não emite gelo dela própria. Ela é uma zanpakutou que faz com que o corpo do seu portador fique numa temperatura abaixo do zero.
Enquanto a pequena shinigami falava, uma nuvem branca saía por seus lábios, comprovando suas palavras.
– Tudo o que o usuário toca… Congela. A espada é apenas uma arma que aumenta o alcance do congelamento.
– Chega de dizer disparates! Se congelasses o teu próprio corpo para menos de zero graus, as moléculas dele parariam de se mover, tornando-se impossível de manter a vida. Em outras palavras, estarias morta.
– De facto, no momento… Estou morta. Eu aprendi momentaneamente permanecer num estado de morte, controlando a minha própria reaitsu. Todas as moléculas do meu corpo estão em estado de suspensão. Então… o medo do Inferno não consegue penetrar-me.
– Isso é… impossível.
O pecador tinha os olhos arregalados, cético não queria acreditar no que escutara. Um poder dessa dimensão seria desastroso para si, ele não poderia triunfar aquela batalha.
–18 Graus. O sangue congela e não consegue fluir para fora do ferimento.
O homem não teve tempo de reacção, conseguiu observar a shinigami passar por ele e cortá-lo ligeiramente no abdome.
–50 Graus. A água dentro do chão que meus pés tocam congela, causando um terramoto de gelo.
Olhou sob o ombro, esperando reencontrar a mulher de costas para ele, porém ela já não estava lá. Sentiu a lâmina perfurar suas pernas, enquanto pela primeira vez na vida, sentiu frio. Quem diria, um pecador, no Inferno, estremecer de frio.
–273.15 Graus. O zero absoluto. Nesta temperatura movo-me… Por apenas 4 segundos.
O pecador estava com o tronco contorcido em dores, e exaltou-se ao sentir seu peito ser atravessado por um objecto. Sua visão não chegou a captar o movimento, mas a alma pecadora sabia do que se tratava.
– Então… isto é medo?
Surgiu um sorriso de canto no homem, enquanto caía pesadamente contra o piso. Medo é uma emoção, se ele sentia medo, isso significava que estava vivo. Vida, o que qualquer pecador ambiciona.
– Até a cair és lento.
A morena levou a lâmina branca até o pescoço do inimigo, e com um único movimento, dividiu o corpo dele. Pequenas gotas de sangue estavam marcadas na espada e no rosto da shinigami que olhava o homem estendido no chão, reflectindo sobre seus actos e suas palavras. Seu irmão disse-as para Ichigo quando o feriu, uma forma de humilhar ainda quem foi derrotado. Riu sarcasticamente, ela era uma Kuchiki e honraria esse nome. Honraria seu irmão, nenhum adversário iria troçar deles e ficar impune.
Rukia estava alheia à realidade, não suspeitando de um vulto aproximar-se de si, golpeando-a no pescoço fortemente, e ela cair inerte no chão. Rukia caiu nos pés de Kokuto que sorria macabro, ao lado dele surgiu outra pessoa. Kaien, observava a shinigami estendida no chão, orgulhoso por ela ter-se tornado poderosa, melancólico relembrava o tempo que ainda conviveram juntos.
– Já vi o suficiente. Ela é forte, mas não é quem eu procuro.
– Então porque sequestrá-la Kokuto-sama?
– Estás a questionar-me Kaien?
– Nunca meu senhor! Só estou curioso, nunca mandaria raptar a Rukia se houvesse o risco de ela ser desnecessária.
– Bela observação, como esperado do meu fiel shinigami. Tens razão Kaien, mesmo ela não tendo o poder que preciso, ela me ajudará a alcança-lo.
– Compreendo. Peço perdão pela minha ousadia.
– Não te preocupes com isso Kaien-kun. Agora leva prisioneira para o seu quarto. Certifica-te que ela não escape… Conto contigo.
– Sim senhor, eu não o desapontarei. Com a sua permissão, irei-me retirar.
I&R
– Bom trabalho, Aizen.
Mal Kaien abandonou a sala com a shinigami nos braços, o moreno apareceu entre as sombras, com seu sorriso cínico no rosto.
– Obrigada Kokuto-sama. Enganar os shinigamis foi muito fácil…
– Quem diria? Criar a ilusão de uma Rukia morta… Poder interessante o da tua zanpakutou. Manipulação, gostei disso.
– O estado emocional deles estará debilitado. Acreditaram que tudo foi em vão, já que ela está morta, e serão facilmente destruídos por nós.
– Engana-se Aizen, eu não os quero mortos. Muito pelo contrário, preciso deles vivos.
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