The Hell Verse
20 Inferno no Mundo Real
Notas iniciais
A reaitsu poderosa de Kokuto degradava o solo arenoso que envolvia a sua fisionomia conforme Ichigo se edificava, estipulado a prosseguir com a luta e assim poder salvar Rukia. De alguma forma a determinação do shinigami não agradou Kokuto.
– Não é esse o poder…
– Que disparates dizes?
– Eu preciso daquele poder!
O ruivo não conseguia atingir o significado oculto das palavras proferidos pelo pecador. Qual o poder a que ele se referia? E principalmente o que ele pretendia com isso? Ichigo sustentava seu peso pelo cabo de sua zanpakutou, constatando que a pressão espiritual do inimigo diminuiu, capturando a sua atenção.
– A shinigamizinha deu luta, sabes? Foi difícil domá-la, mas não nego: foi divertido.
– Maldito! O que fizeram com ela?
A simples viabilidade do nome da Kuchiki estar relacionado ao termo de "tortura" transportou o substituto de shinigami para uma galáxia longínqua da razão. Um mundo semelhante a uma noite sem a sua Lua. Ichigo sentiu um formigar em cada célula de seu ser, incentivando-o a descarregar aquela corrente eléctrica negativa. O olhar acastanhado fulminante era alimento para a alma condenada perturbada.
– Preocupado, Ichigo?
O Kurosaki trincou entorpecido o seu lábio inferior, rasgando o mesmo, e amargamente começou a rir surpreendo o pecador.
– Do que estás a rir?
– Kokuto, tu estiveste sempre comigo, é impossível saberes o que aconteceu com a Rukia nesse tempo.
Um rosnado era aprisionado na garganta do pecador, ao perceber que as suas tentativas em importunar o shinigami estavam a fracassar vergonhosamente. Ele apertou o cabo de sua espada, pronto para continuar com sua manipulação esperando que o outro pudesse perder a capacidade do pensamento e se entregasse de braços abertos ao charmoso e inquietante desespero.
– Sabes… Eu confio na Rukia.
– O que dizes?
– Acredito no poder dela. Aquela baixinha irritante não precisa de mim para se defender…
– Isso quer dizer que não a vais salvar!?
Pela primeira vez, Ichigo foi completamente imprevisível para Kokuto que estava perplexo... Quando ele mencionou o nome da shinigami supôs que isso fosse o suficiente para o shinigami se entregar às sombras porém teve o efeito oposto. Foi como uma vitamina para este refortalecer sua confiança.
– Não. Significa que até eu chegar, ela estará bem. Rukia está à minha espera.
As palavras do ruivo espantaram ainda mais Kokuto, consequentemente o deixando irritado por seu plano não ter corrido como planeado. Contudo não desmanchou sua expressão jocosa, voltando a sorrir.
– Então será assim…
– O quê?
– Eu não queria fazer isto Ichigo, mas tu me obrigas-te a isso. Rukia foi sequestrada porque seria um isco perfeito para te atrair para aqui e assim trazeres o teu precioso poder… Mas não resultou.
Kurosaki ficava chocado a cada palavra, sentindo um ardor pontiagudo em seu peito que se alastrava até o resto do corpo.
– Confias nela por ser uma shinigami mas e se por acaso fosse uma humana?
– O que queres dizer com isso Kokuto?
– Se com a Rukia não resultou… O que achas se um dos nossos fizesse uma visita a uma das tuas irmãs? Como ela se chama mesmo… Karin não é? Tem um poder espiritual mais elevado…
Um formigar no estômago perturbou o ruivo, ele tinha consciência que nunca chegaria a tempo de salvar sua irmã. Por sua vez, Kokuto sorriu maligno vendo que finalmente o shinigami estava a ficar angustiado e que possivelmente iria socorrer-se ao poder maligno para impedir que algo de ruim sucedesse a sua irmã.
– Nem te atrevas a tocar nela, Kokuto!
Ichigo atacou com toda a pouca força que conseguiu reunir, mas Kokuto movimentava-se como um tornado e bloqueou a investida.
– Patético. Este é o guerreiro que derrubou Sosuke Aizen, no auge de seu poder? Você está falando sério? Isto não pode ser de perto esse poder tão forte, Ichigo Kurosaki. Talvez seja necessário uma motivação mais persuasiva.
Fechando os olhos por um momento e se concentrando, o pecador convocou uma bola brilhante de energia azul em sua mão vazia.
– Sabes o que é isto, Ichigo?
O brilho arrepiante nas orbes de Kokuto fizeram com que o ruivo se amedrontasse, a tal ponto que um arrepio percorreu sua coluna figurando o seu mau pressentimento.
– Acho que pelo teu silêncio a resposta é não. Muito bem, deixa-me dizer-te. Na verdade, não ... Deixa antes eu te mostrar. Isso é sempre mais eficaz.
No centro da esfera brilhante uma imagem apareceu reflectida: Karin jogando futebol, rindo, com o sol a iluminar seus cabelos negros resplandecentes.
Kokuto encarou o substituto de shinigami petrificado, voltando a sorrir, sentindo que o seu objectivo estava próximo de ser alcançado.
– Ah, eu vejo que agora tu podes entender. E o que achas que vai acontecer quando eu faço... Isso?
Ichigo tinha a certeza que gritou, a plenos pulmões, de alguma forma estrangulada um sonoro "não"; quando viu os dedos do pecador se fecharem em torno da força vital de Karin e esmagá-la. Porém ele não chegara a ter uma certeza disso. Sua mandíbula se afrouxou quando assistiu a queda de sua irmã para a grama, escutando com atenção o baque provocado.
– Oh, não fiques tão triste… Pelo menos eu dei-lhe um enterro para a alma também. Ela estará aqui antes que tu percebas, Ichigo.
Ao som de uma voz conhecida, o coração de Ichigo tomou um solavanco e a sua alma ficou agitada, acordando dessa forma um poder que esteve adormecido até agora.
"Matar."
A voz começou suave e enternecida, enquanto que a pele bronzeada de Ichigo fora substituída por uma camada alva.
"Matar."
A expressividade do som aumentou gradualmente, cada vez menos compassivo e mais insistente como a brancura que escalava pelos braços do shinigami e este por sua vez nada faz para impedi-lo, recebendo o seu hollow interior de braços estendidos.
"Matar."
A voz ficou mais furiosa e persistente, no tempo em que a camada atingiu os ombros de Ichigo, o início de um sorriso rastejando sobre o rosto pálido de morte.
"Matar."
A persistência da voz do hollow tornou-se quase insuportável como a brancura que se dispersou sobre o peito e as pernas de Ichigo, o poder negro correndo em suas veias ao mesmo tempo em que seu interior oco se manifestava mais e mais concretamente.
"Matar."
O hollow de Ichigo gritou pela sua necessidade primária, a raiva que era alimentada por sentimentos ainda maiores que a tristeza do Kurosaki. Ele queria sangue; e o shinigami completamente subjugado, como um cavalo ao seu rei, estava mais do que feliz para acomodar o seu irmão gémeo do mal. A transformação chegou ao fim quando a a pele alva finalmente alcançou o rosto de Ichigo, que se converteu no branco da sua máscara.
Erguendo uma Tensa Zangetsu nívea, a criatura feita de puro ódio rosnou para o seu adversário. Kokuto riu com alegria, finalmente poderiam iniciar a luta real. A liberdade, estava cada vez mais próxima.
– Isso é o que eu estava esperando… Este é o poder!
Como um sussurro, lágrimas ínfimas escapam dos cantos dos olhos do Kurosaki convertido em hollow. Provavelmente o último requisito de sua razão.
Fatalmente, Ichigo esquecera-se do que Rukia lhe dissera quando esta o converteu em shinigami:
“Só existe um meio para proteger sua família:
Torne-se um shinigami!”
Esse era o verdadeiro poder para protege-los contudo ao entregar-se ao sofrimento, converteu-se no inimigo da sua família.
I&R
Uma aura negra avermelhada alastrara-se por toda a cidade de Karakura, cobrindo-a como uma cúpula. Drasticamente, a temperatura aumentou violentamente. A raiva de Ichigo despoletou a abertura do portal do Inferno que residia no Mundo Real. Próximo deste, encontravam-se Orihime, Sado, Jinta, Ururu e Tessai para reprimirem os portões enfernais, preservando a segurança dos humanos do ar intoxicado.
Ao passo que Urahara e Yourichi se dirigem à Sociedade das Almas, pedindo auxílio ao Gotei 13 devido a este inconveniente, que ameaçava a vida de seres vivos.
I&R
A menina de cabelos negros curtos se levantou, trémula, esfregando os olhos distraidamente com o antebraço.
– Estranho, a última coisa que eu me lembro, era que estava jogando futebol com os rapazes…
Subitamente, a dor que ela esquecera que sentira atravessou novamente o seu peito, fazendo com que esta agarra-se o seu peito, onde estaria localizado seu coração. Nesse momento, lentamente, começou a perceber a terrível verdade.
Ela, Karin Kurosaki, estava morta.
Flácida pelo peso de sua situação incompreensível, a menina de olhos escuros cambaleou para o lado e voltou a desabar contra o relvado, levantando seu braço esquerdo para proteger o rosto do luar excepcionalmente brilhante.
Ela quase desmaiou pelo enorme cansaço quando alguém apareceu na sua frente, bloqueando a lua por completo. Olhando para cima, hesitante, Karin se deparou com um jovem aparentemente com a idade de seu irmão, com cabelos castanhos empoeirado e uns olhos castanhos animados.
– Você está bem?
Karin assentiu sem convicção. O jovem percebendo sua exaustão, sorriu.
– Nossa, onde estão os meus bons modos?
Ele aproximou-se cauteloso, estendendo a sua mão para Karin. Quando esta não se moveu, ele suspirou e avançou com o seu braço um pouco mais perto.
– Não temos mais tempo, lamento ter que fazer isto com uma jovem tão encantadora como você.
– Nani? O que…
Um clarão passou diante da visão de Karin antes que tudo fosse engolido pela escuridão. Ao perder os sentidos, o pecador a toma em seus braços, a carregando, pela brecha que os levaria ao Inferno, onde ela poderia finalmente encontrar seu irmão mais velho.
Nesse período de tempo o hollow comandava as acções do Kurosaki. Seus medos e frustrações corrompiam-se junto daquele submundo, onde no fundo Ichigo desejava que Rukia conseguisse escutar sua angústia e o ajudasse. Porque bastava um floco de neve dela para ele redobrar a consciência.
Por ironia do destino ou não, foi ela – e apenas ela – que conseguiu dá-lo um motivo para viver. Para proteger. E esse único fato, dava a ela completa exclusividade do coração dele. Porque apenas alguém muito especial e incrível, para conseguir tirá-lo das trevas, para fazê-lo brilhar. E foi apenas por ela que ele cruzou mundos para protegê-la. Que ele cruzou mundos para deixá-la viva. Que ele se fortaleceu, que ele enfrentou os próprios medos... Para enfrentar os medos dela, por ela. No fim de contas, ela era a chave de tudo.
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