The Heiress
1 Oh vida dificil, Oh vida tirana
Sabe o que eu acho engraçado? Quando as estórias, fanfics ou qualquer treco pra ler começe sempre com acordei na minha cama toda descabelada e talz, isso e tão hilário pra mim, mas...não posso falar muito, afinal agora mesmo a boboca aqui esta dormindo. Sim, estou dormindo. não, eu não estou na minha casa e nem na minha cama. sim, esta de manhã mas não, tambem não estou na casa de ninguém. estou na escola nesse exato momento dormindo, ou eu acho que estou, na minha opinião eu estou em coma mas eu consigo ouvir tudo ao meu redor. Os idiotas do fundo da sala conversando sobre quem pegaram, as patricinhas ricas que chamo de vadias da playboy estão cochichando sobre as garotas e humilhando elas, eu fico me perguntando como elas conseguem fazer isso tão naturalmente, mas acho que nunca vou saber. Dos Nerds da sala não ouço nada, da pra acreditar? Tem um pequeno bando de nerds na minha classe, eu acho uma blasfêmia chamar eles de Nerds so porque gostam de estudar e querem ter um bom futuro fora desse inferno que chamamos de Ernest Falls. Porque esse nome pra uma cidade? Eu que vou saber!? Lembro de ter estudado que foi por um cara que descobriu algo muito importante, que ninguém soube o que é mas que todo mundo da valor, em homenagem..colocaram o nome dele na cidade, isso é brega pra mim. Continuando ao que eu estava falando, tem o grupo do povo que não quer nada, esses estão ouvindo rock no fone de ouvido mas da pra ouvir do outro lado da sala, que é onde me encontro agora, os maconheiros que gostam de reggae, no caso três alunos que se encontram na minha sala estão totalmente brizados e não prestam atenção em nada. Estamos na aula de química, ai me perguntam...como pode dormir na aula de química? Simples, meu vizinho de 5 anos que é simplesmente uma peste e que claramente não gosta de mim, estava tocando bateria a plena três da manhã, eu estava ate estudando na hora mas...não deu muito certo por causa daquele filhote de capiroto, jurei pra mim mesma que um dia quebraria aquela droga de bateria e faria ele calar a boquinha dele por tanto medo que ele tivesse de mim. Sabe uma coisa estranha? Estou ouvindo meu nome ser chamado de longe, é muito louco...estou tentando buscar no meu subconsciente onde que essa voz me chama mas ai meu ficha finalmente cai, não é minha cabeça que esta fazendo isso, não..eu não teria tanta sorte...é o professor mesmo, agora eu to lascada!!
Levanto minha cabeça num pulo e fito o professor em frente a louça olhando pra mim, me viro e vejo toda a classe de bobocas me olhando e dando risinhos, volto a olhar o professor que acho que tem mais de 50 anos, ou então são suas rugas de irritação por dar aula a um bando de adolescentes sem rumo pro futuro. Ele esta com sua camisa azul clara de botões e uma calça jeans surrada que parece que foi lavada umas 30 vezes no tanque de lavar roupa, no mesmo dia. Ele calça uma bota de cowboy que fixa escondida pela calça, mas todo mundo sabe o que é. Olho pro seu rosto e vejo as rugas e grandes e profundas olheiras em volta de um olho azul que parece cansado, sua face que parece nao ter tanta vida quanto antigamente.
"Senhor? Desculpe- me professor, eu...estava cansada e com sono de uma noite péssima sem dormir, peço que me perdoe pela minha ousadia de me deitar em sua aula." Ai vocês me perguntam, pra que diacho eu estou falando assim!? Simples, o professor de química também seria o professor de literatura, então ele pede que nos falemos assim em suas aulas, mas acho que estou tão acostumada que falo assim nas outras aulas também, oh vida difícil, oh vida tirana.
O professor que ainda me olha da uma suspirada longa olhando pro chão e esfregando suas têmporas, retorna a olhar pra mim e fica por alguns meros segundos. "tudo bem senhorita, mas peço que não torne a fazer isso, e o que quer que tenha feito ficar acordada...trate de resolver" assim ele volta a explicar sua matéria
Querido professor, se soubesse que estou a 4 anos, a idade em que aquela peste começou a falar, tentando resolver meu problema...ai sim você facilitaria pra mim. Eu simplesmente acho que não nasci pra cuidar, falar ou fazer qualquer coisa envolvida com crianças, isso é um ultraje e um preconceito com minha pessoa. Depois de alguns minutos em que finalmente me concentrei na matéria que o professor passa no quadro a merda do sinal que eu tenho pavor porque parece que vai estourar nossos tímpanos toca e eu começo a arrumar minhas coisas, depois de fechar a mochila me levanto e vou pra fora da sala, começo a caminhar pelo extenso corredor pra chegar a cantina do colégio, lugar sagrado onde nos entregam comida. Sim, so gosto da cantina pela comida mesmo, porque tirando isso, é onde todos os grupinhos de todas as salas de encontram e viram grandes babuinos bobocas balbuciando em bando (amo essa frase da Minerva de HP, esse mulher diva).
Opaaa, onde estão meus modos? Acho que deixei em casa...enfim, nem me apresentei. Meu nome é Jasmin Hazel Lovelace, nome estranho ne? Posso fazer nada, são dos meus pais. Eu tenho 1,63 de altura, sim, sou uma anãzinha e alguns me zoam por isso, por outras coisas também mas...eu sou branca, tipo, muito branca mesmo, pálida é melhor de se dizer, e pra piorar minha situação fico vermelha rapidinho. Tenho cabelos pretos, pretos nao, eles são negros, muito escuro mesmo, ele bate na cintura, mas sempre escondo ele, coisa minha. Meus olhos?...bom, eles são diferentes, o que me faz acreditar que sou especial, tenho olhos de duas cores, heterocromia é o nome científico pra isso, tenho um olho azul e outro castanho, lembro que por ser muito zoada implorei a minha mãe pra me comprar uma lente e assim foi feito, tenho uma lente que so uso no olho direito, que é o olho da cor azul, tendo os dois castanhos agora, e isso é bom pra mim. Nao tenho vergonha do meu "defeito" mas, algumas pessoas não conseguem entender e me zoam, então prefiro esconder. Dentre os bandos do colégio eu nao me encaixo em nenhum, eu sou so a maluca que senta sozinha, come mas não engorda, pálida que usa roupas nada a ver e que é inteligente quando necessário. Alguns me confundem com os nerds, mas querido posso lhe afirmar que se fosse um Nerd não tiraria nota ruim em História, Oh vida difícil, oh vida tirana. Voltando, minha vida não é tão agitada assim, me mudei pra Ernest Falls quando tinha 5 anos de idade, e não sai da minha casa e do mesmo colégio desde então, não tenho amigos, meus pais são meus melhores amigos. Minha mãe é escritora, ela é linda, branquinha de bochechas rosadas, loira e tem olhos azuis. Meu pai e mais lindo ainda, moreno, alto, ele é historiador, o que me faz perguntar porque sou tão ruim em história, ele tem cabelos negros ao qual eu puxei e os olhos castanhos, Ai você junta os dois e...nasce eu. Meus pais sempre me ajudaram em tudo, e eu admiro muito eles, são meus super heróis, sempre juntos, e o amor dos dois? Me faz acreditar que é possível ser feliz, é so encontrar a pessoa certa pra isso.
Chego na cantina e pego meu lanche, vou pro gramado da escola, no campo de futebol e me sento na arquibancada, como meu lanche tranquilamente ouvindo Lana Del Rey enquanto os meninos de muitas salas mas principalmente da minha, jogam futebol, sem camisa contra com camisa. De repente, do nada, uma bola vindo do além vem na minha direção e eu como tenho um ótimo reflexo tomo uma grande e forte bolada na testa. Coloco minha mão na testa dolorida e olho pros garotos parados olhando pra cara da invisível boquiabertos por provavelmente ter uma galo enorme e vermelho no meio da minha testa, olho pro lado e vejo a droga da bola, pego ela, me levanto e lanço de volto pro campo, pego minhas coisas sem dizer uma única palavra e simplesmente me retiro de la. Grandes babuinos bobocas, filhotes de exu, como podem me lançar uma bola? Ai que ódio! Vou no banheiro e vejo o estrago, suspiro e pego base e pó compacto na minha bolsa. Sempre preparada pra tudo. Passo o reboco no meu rosto fazendo o vermelho desaparecer gradativamente e volto pra sala de aula.
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