The Heiress
26 Vivendo O Crepúsculo. Epilogo.
Notas iniciais
Já faz três dias que estamos na casa dos Denalis. Tanya fica cada dia mais estranha. E continua olhando pro Matt. Amanhã é domingo, ou seja, o ultimo dia de nossa ─ ou só a minha ─ existência por aqui. Só que eu não faço ideia de como vamos embora... E nem sei se Matt vai comigo.
“Lya, aconteceu uns imprevistos...” falou Sal preocupado.
“O que houve?”, perguntei.
“Permaneça todo o tempo junto com Matt, porque vai ser hoje.” Ele respondeu e eu engoli em seco. Matt! Ele estava na sala junto com Emmett... Quando eu estava prestes a ir até lá, ouvi vozes.
─ Vamos! Você vai gostar... ─ era a voz de Tanya.
─ Tanya, me largue. ─ Matt reclamou. Andei até eles que iam em direção a um bosque congelado. Eles pareciam não perceber que eu estava ali.
Tanya o puxava e ele tentava se soltar do aperto dela.
─ É sobre a Lya ─ disse Tanya e eu percebi que ele havia ficado confuso.
O que Tanya poderia dizer a ele sobre mim? Desconfiei na hora, obviamente.
Continuei os seguindo, até que chegamos mais ou menos em uma clareira.
─ Matt, Matt, Matt... ─ disse Tanya balançando a cabeça. ─ É impressionante como você ainda não me reconheceu...
─ O que você quer dizer com isso? ─ perguntou ele estreitando os olhos.
─ Eu passei tanto tempo te procurando, mas sua mãezinha adotiva não quis me dar às pistas. Ninguém soube me dizer onde exatamente você estava, e eu adorei isso, sabe? Foi tão maravilhoso torturá-los... ─ disse Tanya gargalhando.
Era realmente Tanya ali? Quem diabos era ela e o que ela queria com ele?
─ Eu tentei tanto te ver sozinho, mas sempre estava junto com sua namoradinha imbecil. Você não largava dela, pareciam colados... Mas agora, você não vai escapar como da ultima vez.
Matt a encarou horrorizado.
─ Quem é você? ─ perguntou ele, mas parecia que ele já sabia. Só queria confirmar...
─ Você sabe quem eu sou, amorzinho. Quem mais pode possuir corpos assim, se não eu? ─ perguntou a criatura à frente dele. Ela não era Tanya. O corpo era, mas quem a controlava... ─ Está com medo?
─ Calissa. ─ disse Matt amargamente. ─ Sabia que não iria desistir tão fácil. Não é de seu feitio.
─ Que bom que lembrou-se de mim, queridinho. ─ disse ela e então olhou em minha direção. ─ Quer se juntar a nós, Lya?
Saí de meu esconderijo improvisado e fui até Matt, ficando ao lado dele.
─ O que você quer com Matt? Quem é você? ─ perguntei estreitando os olhos e cruzando os braços.
─ Não importa, o que importa é que vocês não sobreviverão tempo o suficiente para alguém dar falta de vocês. Vão pensar que estão namorando, e quando demorarem e eles vierem procurar, a existência de vocês já não será percebida. Como se sentem em encarar a morte? ─ discursou a tal Calissa sorrindo maldosamente. Percebi que um fogo roxo nos circundava.
─ Morte? Você não é a morte, e se fosse, eu a reconheceria. Afinal, quem não reconhece o próprio pai? ─ falei com um sorriso sádico e a encarei perversamente, como um predador encara a sua presa.
─ A morte não tem filha. ─ ela disse com os olhos estreitos, mas não parecia tão segura disso.
Peguei-a pelo pescoço e ela gritou. O fogo roxo pareceu aumentar descontroladamente.
─ Sua idiota! Agora vamos todos morrer aqui. Não tenho mais controle da chama... ─ ela berrou.
─ Não era isso o que você queria? ─ perguntou Matt puxando o cabelo dela.
─ Pois vamos todos morrer aqui! ─ continuei e a soltei no meio do circulo de fogo. Ela nos olhou com ódio, mas ao ver as chamas se aproximando cada vez mais, ela se apavorou.
Matt se aproximou de mim e segurou meu rosto entre suas mãos, olhando em meus olhos.
─ Eu te amo, Lya. Pra sempre! ─ disse ele e eu sorri tristemente. Parecia que era nossa despedida.
─ Eu também te amo, meu amor. Sempre e sempre, meu Matt. ─ falei e ele me beijou. Um beijo doce e cálido.
Como as chamas foram se aproximando, continuamos a nos beijar, de olhos abertos. Eu morreria olhando nos olhos de Matt e o beijando. Era uma boa morte até.
Olhando para as chamas que viam e pros olhos de Matt, observei o crepúsculo. Sendo que o sol era minha vida, que estava se pondo, assim como o sol se põe no crepúsculo ao entardecer. Então percebi que eu vivi o crepúsculo, mas mesmo assim o sol tinha que se por para que então a lua e as estrelas aparecessem e brilhassem no céu. E foi olhando nos olhos de Matt, o beijando suavemente, que eu morri...
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