The Heir - Choices

5 • CAPÍTULO CINCO - KISS ME •


Notas iniciais
Olaaaa! Demorei, mas finalmente voltei. Eu realmente gostei desse capítulo e amei escrevê-lo. Espero que gostem e não esqueçam de comentar :) Capítulo temporariamente sem banner, mas prometo atualizar e postar o banner assim que recebê-lo. Para recompensar a demora, esse capítulo está bem grandinho. Quase 4.000 palavras. Enjoy!

CAPÍTULO CINCO

EADLYN SCHREAVE

Leve.

É assim que me sinto nesse exato momento.

Meu corpo parecia ter sido levado por uma enorme onda de calmaria, me sentia leve como uma pena, mas no momento que fiz menção de tentar abrir os olhos, senti como se tivesse acabado de cair dentro em um buraco negro. Minha cabeça doía e meus cílios pareciam pesar uma tonelada, dificultando-me na difícil tarefa de tentar abrir os olhos.

Depois de alguns segundos de insistência, abri os olhos lentamente e com um pouco de dificuldade. Pisquei algumas vezes, tentando me acostumar com a claridade que provinha das janelas. Olhei em volta, tentando me familiarizar com o ambiente.

Após despertar-me por completo, percebi que estava em um quarto hospitalar, muito semelhante ao que minha mãe havia ficado após sua cirurgia.

O monitor cardíaco ao meu lado apitava lentamente, marcando meus batimentos cardíacos e minha pressão. Havia uma agulha conectada a um tubo perfurada em meu braço. O líquido transparente percorria o tubo, levando soro até minhas veias, e consequentemente, ao resto do meu corpo.

Em questão de segundos, os acontecimentos em Hondurágua invadiram minha mente com força, fazendo-me fechar os olhos e soltar um muxoxo.

As crianças, os familiares, o discurso, os disparos, e por fim... A dor.

Pressionei os olhos com força e balancei a cabeça freneticamente, tentando expulsar aquelas lembranças e a terrível sensação de dor.

Instantaneamente, e ainda um pouco angustiada, levei minha mão até o local onde a bala havia me atingido. O ferimento estava coberto por um curativo, mas ainda doía um pouco. Não havia ninguém no quarto, nem mesmo as enfermeiras. Virei o rosto para o lado, fitando a sala de espera através da grande janela de vidro.

Não havia ninguém lá, exceto por... Ele.

Kile estava sentado no sofá da sala de espera. Os braços cruzados sobre o peito, realçando os músculos de seus braços, que estavam levemente marcados pela camiseta de botões, o cabelo loiro caindo sobre os olhos e os lábios entreabertos. Ele dormia serenamente, e eu estaria mentindo se dissesse que ele era feio quando estava dormindo. Ele mexeu-se, parecendo estar desconfortável, e lentamente abriu os olhos.

Mesmo através do vidro, nossos olhares se encontraram e eu me vi perdida em sua imensidão azulada. O monitor cardíaco ao meu lado apitou, marcando as alterações em meus batimentos cardíacos. Por mais que eu tentasse negar, Kile sempre fazia meu coração bater mais rápido.

Kile pareceu não acreditar no que estava vendo. Ele passou a mão pelo cabelo, tirando alguns fios loiros do rosto, fechou os olhos com força, e logo em seguida, abriu novamente. Sua expressão de surpresa chegava até a ser engraçada, Ele rapidamente levantou do sofá e adentrou meu quarto. Sorri ao vê-lo passar pela a porta e caminhei meus olhos pelo seu corpo. Ele usava uma camiseta preta com botões dourados e uma calça também preta, como de costume, ele havia dispensado o terno e a gravata.

— Hey você! — cumprimentou amigavelmente ao parar ao lado do meu leito. Apenas sorri a bati no espaço vazio ao meu lado, indicando que ele se sentasse na cama. — Como está se sentindo?

— Bem, apenas um pouco desnorteada. — falei lentamente, fitando seu rosto. — Por quanto tempo fiquei desacordada?

— Dois dias.

— O quê? — gritei e pude sentir meus olhos se arregalarem. O monitor ao meu lado apitou um pouco mais rápido, marcando a aceleração dos meus batimentos e eu tentei me acalmar.

— Ei, acalme-se, Eady. — Kile pediu docemente, tocando meu rosto e contornando minhas feições com seu dedo. Ele olhou no fundo dos meus olhos, e rapidamente, me senti como se estivesse em outro planeta. Ele segurou em minha mão, e entrelaçou seus dedos nos meus. Seus olhos me transmitiam uma paz inigualável, as batidas do meu coração se acalmaram lentamente e o monitor ao meu lado silenciou-se. — Os médicos fizeram uma cirurgia para retirar a bala, mas você perdeu muito sangue. Precisávamos de uma doação urgente, mas ninguém era compatível com seu tipo de sangue, além da sua mãe e ela não estava em condições de doar.

Balancei a cabeça, concordando e continuei fitando seus olhos. Meu tipo sanguíneo era O negativo, América era a única no palácio que tinha o mesmo tipo sanguíneo que eu.

— Quem me doou sangue?

— Erik — Kile respondeu ríspido. Ele parecia um pouco incomodado ao pronunciar o nome de Eikko. — Não tínhamos escolha, era isso ou iriamos perder você. Erik voluntariou-se quando soube.

— Foi muito nobre da parte dele.

Kile apenas concordou, sua expressão estava indecifrável. Ele parecia estar com... Ciúmes?

Ele apertou os seus dedos nos meus, entrelaçando nossas mãos com um pouco mais de força.

— O que aconteceu enquanto estive desacordada? — perguntei, mudando de assunto e desviando meu olhar de seu rosto.

— Bom, ninguém foi embora. América foi a última a saber sobre o acidente, os médicos acharam que uma noticia como essa poderia leva-la à outra parada cardíaca ou até mesmo pior. Maxon ficou louco. As duas mulheres que ele mais ama estavam internadas, tenho certeza que ele perdeu a maioria dos fios de cabelo durante esses dois dias — Kile falou e eu acabei soltando um risinho baixo. Conhecendo meu pai, ele não deve ter dormido durante os dias em que estive desacordada. — Os médicos liberaram América ontem, ela voltou para o quarto e está se recuperando com uma velocidade incrível. Henri está ficando louco por saber que você não acorda e tenho certeza de que está xingando a todos nós em finlandês.

Gargalhei baixo, e Kile rapidamente se voltou para mim. Fitei seu rosto, prestando atenção nos mínimos detalhes. Ele estava com a barda rala. Os seus lábios estavam mais rosados do que o normal, e seus olhos estavam rodeados por bolsas roxas. Sua aparência estava desgastada e cansada, eu me questionava o motivo disso.

— Você está horrível — acusei e Kile arqueou as sobrancelhas, antes de cair na gargalhada.

— Você também não está muito graciosa, Alteza.

— Eu levei um tiro, idiota. — me defendi e Kile gargalhou novamente.

— Oh, essa é uma boa desculpa. — ele soltou seus dedos dos meus e levantou-se da cama, parando ao meu lado. — Eu vou chamar os médicos para checarem você.

Concordei e aconcheguei-me na cama. Kile deu um beijo no topo da minha cabeça e se preparou para sair, mas eu segurei em seu pulso, fazendo-o recuar e sentar na cama novamente. Kile estava parado na minha frente, com as sobrancelhas arqueadas e os lábios entreabertos. Lembrei-me de todos os nossos momentos juntos e um sorriso bobo brotou em meus lábios. Desde criança, Kile e eu éramos extremamente próximos. Lembro-me de quando América e Marlee nos banhavam juntos em uma banheira quando tínhamos três anos de idade, lembro-me das brincadeiras de esconde-esconde e também me lembro do nosso primeiro beijo. Kile sempre esteve ao meu lado e eu sabia que ele continuaria ao meu lado se eu pedisse. Ele mesmo disse que faria tudo que eu pedir. E nesse momento, eu não tenho vergonha de pedir o que tanto anseio há dias.

A vontade de beijá-lo era extremamente forte, e dessa vez, eu me deixaria levar pelas emoções.

— Me beije. — foi tudo o que eu disse antes de agarrar na gola de sua camisa e aproximar nossos rostos. Eu não estava pedindo, eu estava implorando. Eu queria que ele me beijasse.

Deus, como eu queria.

— Que bom que você pediu, eu já estava ficando louco.

Ele segurou meu rosto entre suas mãos e sorriu, alisou minhas bochechas com seus polegares e roçou nossos narizes. E então finalmente colou seus lábios nos meus. Nossos lábios se moveram em um ritmo perfeito, era doce e delicado. Nossas línguas não se tocaram em nenhum momento, nossas bocas apenas moviam-se em sincronia, mas isso não era suficiente.

Eu queria mais. Muito mais!

Deitei-me no colchão e Kile ficou por cima do meu corpo. Ele levou uma mão até minha cintura e a outra se perdeu no meu cabelo. Passeis meus braços ao redor do seu pescoço e agarrei sua nuca, puxando um pouco do seu cabelo e emaranhando seus fios loiros entre os meus dedos finos. Kile aprofundou o beijo, e sua língua percorreu cada cantinho da minha boca. Era uma sensação única e eu não podia explicar o quanto senti falta daquilo.

O ar em meus pulmões se fez necessário e eu afastei nossos lábios, mas logo os colei novamente. Kile passou a mão pela curva da minha cintura, e rapidamente sua mão desceu pela lateral do meu corpo. Ele apertou minha coxa e levantou a mesma, fazendo com que a roupa hospitalar deslizasse pela minha perna. Kile colou a minha perna em sua cintura e apertou minha pele. Nossas bocas continuavam juntas e eu acabei soltando um gemido no meio do beijo. Ele mordeu meu lábio inferior com força e o puxou. Meus batimentos se aceleraram e o monitor cardíaco ao meu lado apitou alto. Kile afastou-se rapidamente e eu ajeitei minha roupa, tentando cobrir ao máximo minhas pernas brancas.

— Desculpe, Eady. — pediu um pouco envergonhado. Pude sentir minhas bochechas queimarem. Meu sangue estava quente e cada mísera parte do meu corpo clamava pelo toque de Kile.

— Tudo bem.

— Acho que fomos... Um pouco longe demais.

Eu apenas ri. Era engraçado ver Kile com vergonha.

— Mas isso não significa que quando eu sair daqui não poderemos repetir, certo?

— Certo. — Kile concordou e soltou uma risada nasalada. Ele deu mais alguns passos e sentou-se em minha cama novamente. — Eu falei sério quando disse que faria tudo que você pedir, Eady.

Eu apenas concordei e puxei o seu rosto, selei nossos lábios rapidamente, apenas um simples toque. Kile pareceu surpreso, mas acabou sorrindo.

— Eu vou chamar os médicos. — falou e eu apenas concordei.

Kile levantou-se, depositou um beijo casto em meus lábios e começou a caminhar até a porta, mas antes que ele pudesse sair, eu chamei seu nome, fazendo com que ele parasse e virasse em minha direção.

— Eu sei que você não consegue ficar sem mim, Eadlyn, mas eu realmente acho que devemos chamar os médicos.

— Você vai voltar, não vai? — perguntei com medo da resposta. Não queria ficar longe dele.

Ele cruzou os braços e sorriu.

— Eu passei dois dias naquele corredor esperando você acordar, Eadlyn. — ele confessou e eu senti meu queixo cair. Meu pai havia feito a mesma coisa com a minha mãe. Ele esteve ao seu lado todos os dias em que ela esteve desacordada, e isso mostrava o quanto ele a amava. Kile havia acabado de fazer a mesma coisa por mim e eu não sabia se ficava feliz ou aterrorizada. — Acha mesmo que eu não vou voltar logo agora que você acordou?

E então ele se retirou, deixando-me sozinha com os meus pensamentos e uma enorme dúvida em meu coração.

Kile voltou alguns minutos depois, acompanhado por um médico cujo nome eu não lembrava. O doutor sussurrou algo para Kile e logo em seguida eu pude vê-lo se afastar. O médico adentrou meu quarto, sem a companhia de Kile e eu inevitavelmente franzi as sobrancelhas, assustada com a possibilidade de Kile ir embora e me deixar sozinha naquele quarto mórbido.

— Olá, Alteza, eu sou o Dr. Geoffrey. Não se preocupe, o Sr. Kille irá voltar logo — tranquilizou o médico, quando percebeu a minha inquietação. — Eu apenas preciso de um tempo à sós com a senhorita. Preciso examiná-la e fazer algumas perguntas, tudo bem?

Eu apenas assenti e o médico se aproximou lentamente. Antes de focar as minhas atenções no médico, virei o rosto para o lado e olhei através do vidro, vendo Kile com uma cara de impaciência e os braços cruzados sob o tecido da camisa, marcando os músculos de seus braços. Não queria que ele fosse embora. Ao perceber que eu o encarava, ele sorriu de lado e lançou-me um olhar reconfortante, como se quisesse confirmar que ele realmente não me deixaria.

— Como se sente, Alteza? — perguntou o médico, enquanto me examinava.

— Estou bem, apenas um pouco confusa e tonta.

— É por conta dos remédios, mas garanto que logo a senhorita ficará bem novamente.

Eu apenas assenti e Geoffrey continuou com sua análise.

— Sente alguma dor? — neguei e ele sorriu. — Isso é ótimo. Significa que conseguimos retirar todos os pedaços da bala.

Estremeci, mas não pude deixar de questioná-lo.

— O que exatamente aconteceu?

— A senhorita foi atingida por uma bala, e infelizmente, ela se partiu em pequenos pedaços quando atingiu o seu braço. Vossa Alteza perdeu muito sangue e teve que fazer uma cirurgia urgente para retirar os fragmentos da bala. Felizmente, conseguimos retirar todos os pedaços e evitar um terrível acontecimento.

Engoli em seco e desviei o olhar do médico. Eu não sentia nenhuma dor, pelo menos não fisicamente, mas era terrível pensar que o meu próprio povo havia tentado me matar.

— Vossa Alteza está bem? — eu apenas assenti e passei a mão pela bochecha, enxugando as lágrimas que temiam em escorrer por meu rosto. — Precisará ficar em observação esta noite, Alteza, mas se tudo correr bem, será liberada pela manhã.

Apenas concordei e antes que pudesse dizer mais alguma coisa, um furacão de cabelos ruivos tomou conta do corredor da sala de espera e adentrou o meu quarto em questão de segundos.

— Eadlyn! — o furacão, mais conhecido como América Schreave, minha mãe, gritou antes de correr até meu leito e abraçar-me com força. Meu pai, Osten e Kaden entraram logo atrás dela.

O médico saiu e meu pai fechou a porta, antes de se aproximar da minha cama.

Passei meus braços ao redor do pescoço da minha mãe, inalando o cheiro do seu perfume importado. Era tão bom poder abraçá-la novamente.

— Eu tive tanto medo de perdê-la, meu amor — América tinha lágrimas nos olhos e chorava descontroladamente. Era tão bom vê-la de pé, era tão bom vê-la recuperada e por mais que estivesse chorando, continuava linda.

— Estou bem, mamãe.

América afastou-se e foi a vez do meu pai se aproximar de mim.

— Eu juro que irei encontrar os responsáveis por isso, querida — falou próximo ao meu rosto, enquanto me abraçava com força. Senti algo pingar em meu braço e quando meu pai se afastou, pude perceber seus olhos marejados e vermelhos.

Osten e Kaden foram os últimos a me abraçar. Osten praticamente se jogou em cima de mim e Kaden sentou-se ao meu lado e envolveu minha cintura em um abraço amoroso. América e Maxon também se juntaram ao abraço e só nos separamos quando o ar foi se acabando e a máquina ao meu lado apitou, indicando as mudanças em meu nível de oxigênio.

— O que o médico disse? — perguntou meu pai, sentando-se na poltrona ao lado da minha cama.

— Terei que ficar em observação esta noite, mas se tudo correr bem receberei alta amanhã de manhã.

Minha suspirou aliviada e meu pai concordou.

— Então… — meu pai começou, soltando um assobio logo em seguida. — Eu suponho que gostaria de ter um acompanhante para passar a noite com você…

— Ah, sem essa Sr. Schreave — minha mãe cortou-o, estapeando meu pai no ombro e fazendo todos na sala rirem logo em seguida. — Eu serei a acompanhante da Eadlyn durante a noite.

— Minha querida, você ainda não está em condições de…

— Eu estou em perfeitas condições, Maxon, e nada nem ninguém irá me impedir de ficar ao lado da minha filha.

— Baixem a bola, ela é minha irmã e eu irei acompanhá-la — Osten falou firme, arrancando um olhar de surpresa de todos nós. Nunca imaginei meu irmãozinho falando algo desse tipo, muitos menos com essa entonação.

— Para o seu governo, ela também é minha irmã.

Minha família continuou discutindo para ver quem me acompanharia durante a noite. Era cômico de se ver e por mais que fosse uma "discussão", eu não conseguia levar a sério.

Virei meu rosto para o lado novamente, fitando o vidro da sala de espera pela milésima vez. Kile continuava lá, mas dessa vez, a expressão de impaciência em seu rosto era dez vezes mais forte. Ele estava com a testa grudada no vidro e as mãos ao lado do rosto, igualmente coladas no vidro. Ele suspirou e logo o vidro foi embaçado pelo ar de sua respiração. Eu queria ficar com a minha família, mas também queria ficar com Kile. Queria tanto que chegava a doer.

— Papai — falei, chamando a atenção de todos. — Por favor, chame o Sr. Woodwork.

Maxon franziu as sobrancelhas.

— O que quer com Kile, Eadlyn?

— Ah, Maxon, chame o menino, por favor — America interrompeu novamente e lançou-me um olhar cúmplice. Minha mãe era uma ótima observadora e eu sabia que ela me conhecia como a palma da sua mão.

Maxon relutou um pouco, mas logo saiu do quarto e voltou alguns segundos depois, acompanhado por Kile.

— Mandou me chamar, Alteza? — Kile perguntou, enfiando as mãos no bolso da causa e balançando os ombros largos. Eu controlei a risada. Era estranho vê-lo me tratar tão formalmente, eu já estava tão acostumado a ouvi-lo me chamar pelo meu próprio nome ou pelo meu apelido, e já estava me acostumando com os nossos "apelidos carinhosos" como pé no saco real e trouxa.

Eu sorri de lado para Kile e ao fixar meus olhos castanhos em seus olhos cristalinos, as lembranças de apenas alguns minutos atrás voltaram com força em minha cabeça.

Os beijos, os toques, todas aquelas sensações estranhas, sentimentos desconhecidos e por fim… A tristeza quando os beijos chegaram ao fim e seu corpo afastou-se do meu.

— Gostaria de me fazer companhia durante essa noite, Sr. Woodwork?

Kile tentou conter o sorriso que eu sabia que ele estava querendo esbanjar e apenas concordou com um aceno de cabeça.

— Eu adoraria, Alteza.

Eu sorri e a minha família me encarou de boca aberta. America parecia não acreditar que eu não a havia escolhido para passar a noite na enfermaria comigo.

Poucos minutos depois, Geoffrey voltou à sala e disse que a minha família teria que se retirar e apenas a pessoa que me faria companhia durante a noite poderia ficar. Kile pediu para que minha mãe me fizesse companhia enquanto ele ia até seu quarto tomar um banho e mudar de roupa, além de pegar algo que pudesse nos distrair durante a noite. Minha mãe aceitou de prontidão, mas Osten bateu o pé e disse que caso ele não me fizesse companhia por pelo menos alguns minutos, iria aprontar mais uma de suas várias pegadinhas. Minha mãe até tentou contrariar, mas Osten enxotou todos para fora do quarto e sentou-se na minha cama.

Foi divertido conversar com Osten, ele me contou histórias, falou-me de suas pegadinhas e também confirmou que o balde de tinta que estava posicionado em cima da porta do quarto de Ean há algumas semanas e acabou fazendo um enorme estrago no terno caro do rapaz havia sido mais uma de suas traquinagens.

Kile retornou logo depois, ele usava uma roupa simples. Não estava vestido como um Selecionado. Usava uma blusa lisa azul que destacava a cor dos seus olhos e uma calça preta, sem bolsos. O cabelo estava molhado, indicando que ele havia acabado de sair do banho. Kile usava chinelos e carregava uma pasta preta em baixo do braço.

Osten me deu um beijo rápido na bochecha, um abraço desajeitado e saltou da cama.

— Ele consegue ser bem persuasivo quando quer — falei, quando Kile aproximou-se de mim e sentou na poltrona ao lado do meu leito.

— Eu me pergunto a quem ele puxou.

Eu ri e me movi na cama, deixando um espaço para Kile ao meu lado. Bati no colchão, indicando que ele se sentasse e ele rapidamente o fez.

— O que é isso? — perguntei apontando para a pasta preta que ele segurava entre suas mãos.

— São apenas alguns projetos, mas achei que gostaria de ver — eu assenti e sorri, Kile parecia inseguro e isso era estranho, pois ele sempre se mostrou muito confiante em relação ao seu trabalho. Kile abriu a pasta e retirou algumas folhas do interior do objeto. Agarrei nos pés e passei meus olhos por seus desenhos, admirando-me com o seu talento. Cada traço, cada linha… Tudo era impecável. — São apenas rascunhos, mas imaginei que seriam uma ótima adição para os projetos do seu reinado — eu assenti, ainda com os olhos fixos em seus desenhos. — São prédios. Essas construções eram muito famosas algum tempo atrás, mas por alguma razão, a população passou a achar uma loucura viver em cima da casa de outra pessoa. Apenas um prédio é capaz de abrigar dezenas de famílias.

— É maravilhoso!

— São apenas rascunhos…

— Não se diminua, é realmente incrível.

Kile sorriu e eu lhe devolvi os papéis. Observei-o guardar as folhas no interior da pasta e colocá-la sobre a poltrona logo em seguida.

— Então… Aquilo era a nossa distração? — perguntei após alguns segundos de silêncio. — Eu realmente adorei ver seus projetos, mas…

— Relaxa, Eady — ele tocou em minha bochecha e aproximou seu rosto do meu, me fazendo prender a respiração e perder o controle sobre meu próprio corpo. — Por sorte, eu tenho outras ideias...

Ele não aproximou o rosto do meu como imaginei que faria e isso foi um tanto quanto frustrante.

— Que tipo de ideias?

E antes que eu pudesse falar algo a mais, Kile selou nossos lábios e cobriu minha boca com a sua. Era intenso e extremamente quente. Nossas línguas se tocavam com voracidade e eu não sabia explicar o quanto aquilo era bom. Suas mãos percorreram meu corpo e logo em seguida eu senti um aperto em minha cintura. Kile movimentou-se, fazendo com que deitássemos na cama e logo nossos corpos estavam extremamente colados. Ele desceu mais as suas mãos e acariciou minha coxa por debaixo da roupa hospitalar. Meu sangue esquentou e mais uma vez o calor descomunal percorreu meu corpo.

Kile separou nossas bocas e posicionou-se em cima do meu corpo. Seus beijos desceram para o meu pescoço, alternando entre mordidas e beijos sobre a minha pele pálida.

Um gemido rouco escapou por minha garganta e eu rapidamente mordi o lábio inferior, tentando evitar que outro som escapasse por meus lábios. Agarrei no cabelo de Kile com força, puxando-o e emaranhando seus fios loiros entre meus dedos.

Ele voltou a beijar os meus lábios, até que senti algo se elevando em sua calça. Afastei nossos lábios e pude sentir meu rosto queimar. Eu queria mais… Queria tanto que nem conseguia explicar, no entanto, eu tinha consciência de que se continuássemos daquele jeito não teríamos força o suficiente para parar.

— Acho que devemos parar — foi Kile quem disse isso e eu apenas concordei. — Desculpe — ele pediu ao sair de cima do meu corpo e deitar ao meu lado. Kile depositou um beijo rápido em minha testa e virou-se para mim, tocando em cima cintura.

— Não precisa se desculpar. Foi bom.

— Foi constrangedor, você ficou vermelha.

— Não foi constrangedor, foi apenas... Estranho, não sei como explicar, apenas nunca tive nenhuma experiência como essa.

Kile riu e só então eu notei o rumo que aquela conversa constrangedora estava tomando.

— Você está parecendo um tomate.

— Cala a boca — mandei, batendo em seu ombro e me ajeitando sobre o seu peito logo em seguida. Ainda estava meio grogue por conta dos remédios, e por mais que quisesse aproveitar mais o meu tempo com Kile, não podia negar o sono que começava a me dominar e o peso em meus cílios. — Vamos mudar de assunto — pedi bocejando, enquanto apoiava minha cabeça sobre seu peito e ouvia as batidas calorosas do seu coração.

Kile rodeou minha cintura com um de seus braços e beijou o topo da minha cabeça.

— Por que passou dois dias naquele corredor me esperando acordar? — perguntei de uma vez, fazendo Kile travar seu maxilar e arregalar os olhos. Eu estava com medo da resposta, mas precisava saber e sabia que não poderia fugir dos meus sentimentos por muito tempo. Não somente em relação à Kile, mas também em relação à todos os outros selecionados.

— Por que apenas a possibilidade de perder você já me destrói por completo, Eadlyn.

XXX

CONTINUA...

Notas finais
FINALMEEEEENTE. EU REALMENTE AMEI ESSE CAPÍTULO E ESPERO DE TODO O CORAÇÃO QUE VOCêS TENHAM GOSTADO!! O PRÓXIMO CAPÍTULO PODE DEMORAR, MAS FAREI DE TUDO PARA TENTAR POSTÁ-LO O MAIS RÁPIDO POSSÍVEL.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.