The Heart Wants What It Wants
1 Prólogo
Notas iniciais
Solidão, para alguns um sentimento depressivo que muitas vezes causa medo, para mim, essa sensação de estar sozinho é o único modo de compreender a vida com uma maior profundidade. Já pensou que sempre que estamos em uma relação, seja ela de amizade ou namoro, nós esquecemos de diversos compromissos, muitas vezes de extrema importância, para ajudar nossos amigos e namorados com seus vários problemas que muitas vezes podem ser resolvidos por eles mesmos?
Eu era essa pessoa que deixava de estudar para às provas bimestrais para ficar horas no telefone conversando com minha amiga que tinha terminado o namoro, eu era essa pessoa que ficava no hospital cuidando da minha amiga que sofreu um acidente enquanto todos estavam nas festas, eu era essa pessoa estúpida. Os anos se passaram e essas mesmas pessoas não fizeram o mesmo por mim quando estava em meus piores momentos, eles continuaram estudando para as provas, continuaram nas festas, continuaram agindo como não se lembrassem de tudo que eu fiz por eles, não se lembravam dos sacrifícios que eu fizera.
Anos atrás quando eu estava saindo do ensino médio, minha mãe morreu e alguns meses depois meu pai. Os dois contraíram uma bactéria raríssima em uma de suas viagens para o exterior, o local em questão foi a África. Eu já era acostumada com a solidão desde cedo como vocês perceberam, porém nunca ficava de cara feia, eu tinha que entender que o emprego de jornalista era assim, eles arriscavam suas vidas para viajarem aos locais mais selvagens do planeta para justamente mostrá-los às inúmeras pessoas curiosas que cercam o nosso planeta. Eles eram meio que heróis para mim.
Como nunca tive digamos, uma relação forte com eles, decidi me formar em jornalismo já que em minha concepção esse era o único meio que encontrei para senti eles e entender como eles trabalhavam, dessa forma a sensação que eu tinha era a de que eles nunca se foram, eles estavam guardados em minha câmera. Então logo após a minha graduação, embarquei nas mais diversas aventuras ganhando gradativamente credibilidade, eu estava honrando o nome da minha família.
E foi em uma dessas aventuras as quais encontrei Taylor Lautner. Esse rapaz 10 anos mais velho que eu, conseguiu destruir uma parte da minha muralha da solidão. Foi em uma viagem ao Rio De Janeiro na qual fui fazer um documentário sobre a expulsão dos traficantes do famoso "Morro do alemão", que conheci esse jornalista e me empurrou para filmar o tiroteio antes de mim. Passamos 15 minutos discutindo, naquele dia usei palavrões que eu não tinha nem ideia que sabia, então no meio da "pequena" briga com o rapaz que tinha acabado de conhecer, um barulho de tiro é ecoado por todo o espaço. Então, corri para me esconder diferentemente dele que ficou parado por alguma razão, mas foi só ele tirar a mão de seu peito que eu entendi o que acontecera, uma bala tinha entrado em seu peito.
Coloquei-o em minha moto e o levei para o hospital mais próximo( a linguagem mesmo eu sendo do Texas não era problema pois eu aprendi diversos idiomas entre eles a língua portuguesa) pois senti uma certa culpa, se eu tivesse deixado ele de lado e fosse comprar outra câmera nada disso teria acontecido e bem, ele não estaria nessa condição. Observei toda a cirurgia para retirar a bala do local que felizmente ocorreu sem complicações. Exatamente às 7 da manhã, a minha "vítima" acorda e como é esperado de quase todos os jornalistas respeitados, o mesmo fala inglês.
— Alguém pode me explicar o que essa louca está fazendo aqui ? — Lembro-me dessa fala como se fosse ontem.
— Bom queridinho, se a doida aqui não tivesse lhe levado cedo para o hospital, talvez você não estivesse mais aqui para me chamar de — Respondi com um tom sarcástico todavia mais relaxado.
— Então obrigado 'madame", espero que tenha levado a câmera consigo, quem sabe os doutores podem repará-la.
Ficamos trocando insultos por uns 2 minutos até o momento em que o doutor chegou e me orientou para que eu levá-lo para sua casa já que seu coração necessitava do mínimo esforço possível.
— Faça ele tomar todos os remédios que assim o seu namorado ficará saudável!
Comecei a rir na hora, mas bem que faria sentido, por qual motivo eu ficaria 6 horas dentro de um hospital com uma pessoa que eu ao menos nem conheço? A situação que estava ocorrendo era muito parecida com o que ocorrera comigo juntamente com a minha única amiga restante, Taylor Alison Swift. O médico estranhou eu ter dormido no hospital com ela que no dia passou por uma cirurgia na garganta. " Admiro muito vocês não se importarem como preconceito" frase dita pelo doutor que me fizera rir bastante.
— Não Doutor, eu não namoro com mulher estressada, creio que ouve um mau entendido — meu colega jornalista falou como se quisesse me desafiar a rebatê-lo.
— Nem eu com homens desastrados que não olham por onde andam — Falei enquanto sorria para ele lembrando do incidente da câmera.
O Doutor ficou bastante constrangido e disse que se fosse melhor ele poderia chamar algum dos médicos para acompanhar o paciente já que eu demonstrava certa antipatia com o mesmo. Fiquei com vergonha de ter demonstrado tanta grosseria então me desculpei alegando que não era preciso pois já que passei horas esperando o fim da cirurgia, não seria incômodo levá-lo à sua residência,
Coloquei ele com cuidado na moto e então fui recebendo as instruções para me dirigir à sua casa. Durante todo o caminho ele não disse uma palavra pois estava muito cansado. Então chegamos ao seu pequeno apartamento de dois andares pintado de um verde bastante vivo que na minha opinião era bastante enjoativo. Tirei ele da moto e apoiei seu braço em meu ombro o que incomodou bastante já que sua musculatura era bastante forte e sua altura provavelmente de mais de 1,80 metros não contribuíram muito. Subimos ao segundo andar pelo elevador ( me expliquem o porquê de um prédio de dois andares ter elevador.) e então abri a porta dando de cara com a sala e ficando cega na mesma hora com a tamanha beleza do ambiente.
paredes todas em branco com citações de inúmeros filósofos e escritores renomados como Clarice Lispector, móveis de tons amendoados e um lustre de ouro eram alguns elementos daquele magnífico lugar, quem me dera que minha casa no Texas fosse assim, não tenho quase nada lá já que metade do dinheiro que possuo é destinado às minhas viagens semanais.
— Pelo o que posso ver o senhor pode pagar uma câmera nova para mim, e bem melhor que a anterior!
— Tudo isso foi dos meus pais porém daqui à algumas semanas deixarei tudo isso virando realmente uma pessoa independente. — falou com um ar muito desgastado devido à cirurgia.
— E que planos você tem senhor ... ?
— Lautner, Taylor Lautner
— E eu Gomez, Selena Gomez ou a garota estressada como você diz — Rimos juntos como se toda aquela confusão tivesse sido esquecida porém um problema maior estava chegando.
— vou fazer um chá pra você e pegar os comprimidos que o Doutor pegou se não se importa, e a propósito onde fica a cozinha?
— no fim da sala na primeira porta a direita e acho que não tenho muitos ingredientes para chá. E ei por que você ainda está me ajudando?
— Não estou lhe ajudando porque gosto de você ou porque quero, minha família me ensinou que quando nos envolvemos em algo que afeta a vida de alguém devemos nos comprometer para resolver o problema, agora se o senhor desastrado não se importa eu irei fazer o chá!
Fui em direção a cozinha que era toda cheia de equipamentos de cor vermelha de estilo bem oriental, acho que até o banheiro dessa casa vale uma fortuna. Abri a primeira pratilheira que achei e para a minha surpresa encontrei diversos remédios anti-psicóticos. Fiquei parada imaginando que tipo de doença ele poderia ter e o quão agudo era o grau dela, fiquei magoada comigo mesma por ter chamado ele de desastrado, será que tudo isso seria efeito da possível "doença psicótica?"
Bom isso era um assunto da vida dele e acho que ninguém principalmente uma estranha como eu deveria se meter em algo tão pessoal, se ele tem todos esses remédios ele está se controlando e logo logo parará de tomá-los. Pego uma folha de chá de camomila e preparo, o cheiro estava tão perfeito que bebo um pouco. Antes de sair da cozinha abro os comprimidos receitados pelo o doutor ( passei tantas horas lá e nem perguntei o nome dele?!).
Ao chegar lá vejo uma cena que me deixou pálida em um milésimo de segundo, o choque foi tanto que derrubo a xícara quebrando-a na hora. Ele estava em cima de sua varanda como se fosse pular, corri na mesma hora em sua direção.
— Por que você está aí?
— você demorou um pouco então resolvi ligar a TV. Sabe o tiroteio? Pois bem ele foi maior do que eu imaginava e algumas pessoas foi atingida por uma bala também.
— E você conhecia alguma delas? Quem — Falei enquanto uma lágrima escorria pelo meu rosto, eu podia sentir o que a família daquelas pessoas estavam sentindo e esse não é um bom tipo de solidão.
— Sim, Simon Lautner, meu tio, a única pessoa que eu tenho, agora não mais, após a morte dos meus pais. Sabe, eu sobrevivi à um acidente de carro quando eu tinha cinco anos mas eles não, foi horrível eu fiquei olhando o vidro atravessar o olho da minha mãe enquanto ela gritava até a sua respiração sumir. Então eu fui para a casa do meu tio, ele me deu todo o amor necessário que eu conseguia sentir a alma de meus pais nele, ele me fazia querer continuar. Agora nada mais tem sentindo sem ele, não existe motivo para querer ficar nesse mísero planeta, eu devia ter morrido com ele. Por que Deus tirou as pessoas que eu mais amava — ele falava rapidíssimo em um tom agudo enquanto suas as lágrimas e emoções saiam para fora
Fiquei em silêncio por um curto intervalo de tempo, me identifiquei com sua experiência de vida tão profundamente. Ninguém como eu sabe como é ver seus pais morrendo, no meu caso gradativamente mas o sentimento, a dor, a sensação de ter perdido algo que lhe completa, é a mesma.
— Por favor não faça isso, você pode construir uma família, pode honrar a sua família! — supliquei a ele
— Nada faz mais sentido, vou me encontrar com minha família agora.
Ele fez o último impulso para pular e na mesma hora agarrei minha mão ao seu braço e o puxei com toda a força que possuía, esse garoto não precisava disso. Meu avô me disse no dia em que meus pais faleceram uma frase a qual irei carregar comigo a vida toda: " A vida continua, o luto acaba e você um dia irá rir de todos os momentos felizes que teve com aquela pessoa que se foi, a sua presença ficará na sua alma para todo o sempre. Você não deve desistir da vida, ao contrário, você deve agir como se cada dia fosse o último, você deve usar todos os momentos inclusive os tristes para ajudar os outros que de alguma forma compreendem o seu luto, você deve fazer eles continuarem. continuar a vida como se nada tivesse acontecido não lhe faz uma pessoa desumana, e sim uma pessoa sensata que vê que tudo acontece por uma razão, afinal O CORAÇÃO QUER O QUE ELE QUER."
Tudo fazia sentido com a situação que estava acontecendo, eu devia usar minha experiência com ele eu devia mostrar a ele que a sua vida estava apenas começando, eu devia honrar a minha família e provar que uma história triste pode dar lugar a um final feliz.
Ele se debruçava enquanto eu segurava seus braços com toda a força que eu tinha, por mais que ele chorasse eu continuei e a cada lágrima eu contava um pedaço da minha história, até que as lágrimas dele pararam, o vento parou e então ficaram só eu e ele olhando um para o outro. Aquele sentimento de compreensão que tive ao ouvir toda a sua história se intensificou e então nossos corpos se tocaram, nossas bocas se encontraram, era como se toda a tristeza tivesse sumido. NOSSAS ALMAS TINHAM SE ENCONTRADO.
... Bom era o que eu achava.
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