The Heart Never Lies

1 ONESHOT - O Coração Nunca Mente.


Notas iniciais
Pois então, resolvi fazer uma fic com meus dois casais favoritos *-* Enfim, volto a repetir que Death Note não é meu e blablabla. Então, eu escrevi essa fic com muito carinho, lendo e relendo-a várias vezes para corrigir alguns erros de concordância e ortografia, mas se tiver mais, só me corrigir. Enfim, boa leitura ^^

“Algumas pessoas riem

Algumas pessoas choram

Algumas pessoas vivem

Algumas pessoas morrem”


Risadas. Era tudo o que se conseguia ouvir naquela hora. Nas televisões, a imagem de Misa. Ela estava falando uma amiga no telefone, e devia ser algo bem engraçado – ou idiota – para ela estar rindo naquela altura. Light olhou para Ryuzaki e viu que ele estava com a mesma expressão que Light: tédio. Analisava algumas listas com um cupcake pela metade na sua mão e um chá entupido de açúcar na sua frente – ou seria melhor falar açúcar com um pouco de chá? Enquanto isso, o noticiário numa das televisões mostrava uma senhora chorando: seu filho estava preso e Kira o matou. As lágrimas desciam pelo seu rosto e Light ficou com muita pena dela. Voltou a ouvir a risada de Misa e pensou que, enquanto algumas pessoas choram com todo o coração, outras riem como se não existissem problemas. Bem, para Misa, realmente parecia que ela não tinha problema algum.

– Não consigo me concentrar direito. – Light falou, apoiando a cabeça nas mãos – Se ela der mais uma gargalhada alta, vou lá e a faço engolir aquele telefone.

– Acalme-se, Light. Daqui a pouco vai dar meia noite e duvido que ela continue no telefone após meia noite.

– Regra número 1: nunca duvide da capacidade de ser chata da Misa; ela pode ser a garota mais insuportável que você conhece.

– Então porque continua com ela? – Ryuzaki perguntou, fazendo Light levantar a cabeça de uma vez e o olhar, ainda vidrado no que estava lendo. Era apenas impressão ou ele realmente havia dito aquilo com um tom diferente do normal?

– Seria o melhor a fazer... – Light falou, agora apoiado com o cotovelo na mesa – ... mas tenho certeza que ela vai continuar me importunando mesmo se eu terminar com ela.

Ryuzaki o olhou durante 5 segundos e voltou à atenção ao que estava lendo. Ele não podia ser mais apático que isso. Light voltou a olhar para frente, ignorando Ryuzaki, que havia acabado de ignorá-lo.

“Algumas pessoas correm

Em direção ao fogo

Algumas pessoas escondem

Cada desejo seu”


Era uma manhã de domingo animada. Todas as crianças estavam no pátio brincando, rindo, jogando coisas e contando casos. Todos lá, se divertindo e fazendo coisas que gostavam... Menos uma pessoa. Near pegou a última peça e colocou-a no lugar. Logo após, jogou todas as peças no chão e voltou a montá-las. Aquilo acontecia todo dia. Near nunca se cansava de montar seu quebra-cabeça, ou de brincar com seus brinquedos. Não se cansava de ficar sozinho com seus dados e jogos. Toda vez que Roger perguntava-lhe porque não brincava com as outras crianças, era isso que Near respondia.

Enquanto montava seu quebra cabeças, Near ouviu um barulho. Ele reconheceu aquele barulho, mesmo que tenha sido baixo. “Plec”. De repente, ele parou de mexer no quebra cabeças. Esperou algum tempo e o barulho veio de novo. “Plec”. Levantou-se e foi até a janela. Ele estava lá, do lado de baixo, apoiado na parede, com seu chocolate na mão e o seu melhor amigo, Matt, do lado. Ele. Mihael Keehl. Mello. Seu amigo, Matt, parecia falar sobre alguma garota, e Mello apenas ouvia, falando alguma palavra monossilábica, sorrindo e mordendo seu chocolate. “Plec”. De repente, Linda foi até Matt e os dois trocaram algumas palavras. Era evidente que Matt e Linda estavam “namorando”. Logo após, o ruivo falou algo com Mello e saiu correndo com a garota.

Near apoiou os braços na janela e ficou olhando para Mello, sem motivo algum. Como ele podia ser alguém tão nervoso e passar aquela paz para Near apenas olhando-o? Ele não entendia aquilo. Ele entendia qualquer coisa, de exercícios matemáticos complexos à livros confusos, mas a única coisa que não conseguia compreender era Mello. De repente, como se escutasse seu nome sendo chamado do pensamento do albino, Mello o olhou. Near se assustou com aquele olhar. O que mais lhe assustou ainda foi que ele não desviou o rosto. Meu Deus, ele não podia existir. Afinal de contas, quem realmente era Mello? Near pensou nisso enquanto se afastava lentamente da janela.

“Algumas pessoas lutam

Algumas pessoas caem

Outros fingem

Que não se importam afinal”


– Você já está me deixando irritado, L. – Light falou, olhando diretamente para Ryuzaki, que estava sentado na cadeira de forma tradicional, como se nada tivesse acontecido.

– Se não fosse o Kira, você não ficaria tão irritado com uma especulação tão simples como essa.

– Qualquer um ficaria irritado se fosse chamado de assassino, Ryuzaki – Light falou entre os dentes. Cruzou os braços, extremamente nervoso.

– Eu não. – Ryuzaki falou, picando o olho e tomando um gole de seu açúcar com chá. Light bufou, respirou fundo, contou até dez e quase se acalmou.

– Você não ficaria irritado, L, nem se alguém te jogasse pela janela, você caísse no asfalto e te atropelassem no meio da rua. – Ele riu sarcasticamente – A única vez que eu te vi irritado foi quando eu lhe dei um soco.

–Eu não fiquei irritado. Apenas revidei. Não gosto de deixar as coisas baratas assim. – Ryuzaki falou, colocando mais açúcar no chá.

– Aposto que se eu fosse Kira, você ficaria irritado. – Light brincou – Aliás, acho que não iria se conformar se eu fosse o Kira. – Ele riu.

– Muito pelo contrário, Light Yagami. – Ryuzaki falou, tomando mais um gole do chá – Eu não ficaria irritado. Talvez um pouco contente, mas não irritado. Seria apenas mais um caso resolvido. Apenas outro criminoso preso, no lugar onde ele deveria estar.

Ele não sabia por que, mas aquilo havia sido um baque. Virou-se, chateado com o que L havia acabado de dizer. Ao perceber isso, Ryuzaki sorriu, pois sabia que aquilo era mentira. Ele se importava se Light era o Kira. Isso faria diferença para ele. E sabia muito bem disso.

“Se você quiser lutar,

Eu ficarei bem ao seu lado

No dia que você cair,

Eu estarei bem atrás de você”


Mello segurou o garoto pela gola novamente e depositou um soco em seu olho. As outras crianças gritavam: algumas choravam pedindo pra ele parar – as garotas – e outras crianças incentivavam, gritando em coro – os meninos. O loiro estava fora de si. Já Matt, seu melhor amigo, estava agindo como um apostador de corrida de cavalos: ele apostava bala e outras coisinhas inúteis com as crianças em quem venceria.

O garoto que Mello batia, Andrew, revirou o soco, acertando um na barriga de Mello. Não teve muito efeito, pois logo após o moreno ter feito isso, Mello revidou com um chute. Uma hora, os dois lutadores tropeçaram e caíram, mas a briga não parou. Os socos e arranhões ainda eram dados. Por fim, Roger chegou à sala e viu a cena. Conseguiu separar os dois com muito custo: Andrew foi para seu quarto e Mello ficou ouvindo sermão. Ele sabia que Andrew ouviria também, mas aquilo não importava no momento. Quando Roger terminou, ele olhou para frente e viu Matt e Linda olharem para atrás dele, preocupados.

– Deixem comigo. Está quase tudo bem agora. – Mello falou calmamente. Quando a sala ficou vazia, virou-se para traz e viu o motivo da briga sentado em um canto, calado, olhando para baixo. Se levantou e foi até ele.

– Você está bem, Near? – Se ajoelhou na altura dele. Segurou seu queixo com a mão e levantou seu rosto, vendo o machucado – Que droga, aquele imbecil te machucou.

– I-isso não é na-nada. – Near gaguejou e voltou a olhar para baixo. O que aconteceu foi que Near estava brincando no andar de cima, numa boa, quando chegou Andrew e seus amiguinhos. Eles viram Near e resolveram atormentá-lo. Quando viram que ele não respondia à chacota que faziam, Andrew lhe deu um soco que pegou na bochecha, machucando-o o rosto. Linda viu e chamou Mello e Matt. Mello já não gostava do garoto, e quando o viu batendo em Near, avançou pra cima dele.

– Ele poderia ter te machucado mais. – Mello pegou no braço de Near e ele soltou um leve gemido. O loiro levantou a manga e viu uma marca roxa de mão. – Aquele idiota fez isso? – Rosnou Mello – Vamos ao meu quarto, vou fazer um curativo em você. Vai ficar tudo bem.

Ele se levantou e estendeu a mão para Near. Ele a olhou durante alguns segundos e a segurou depois, se levantando. Ele e Mello saíram, então, daquela sala e foram para o quarto de Mello, onde ele poderia curar as feridas de Near.

“Outro ano acabou

E nós ainda estamos juntos”


As pessoas pareciam formigas vistas do 11º andar. Formigas andando por ruas decoradas. Pessoas. Simplesmente pessoas. Light passou a mão pelo pulso, sentindo falta das correntes que o prendia. Ele viu que tinha marcas no pulso e aquilo era culpa de Ryuzaki. Apesar daquilo, não conseguia sentir raiva dele. Apoiou seus braços na janela e ficou olhando para a rua. Mais um ano estava acabando. E ainda não haviam conseguido pegar o Kira. Passou as mãos pelo cabelo, cansado e levemente irritado. Fechou os olhos, tentando não pensar em nada. Estava confuso. Não sabia mais o que fazer. Abriu os olhos ao sentir que alguém se aproximava dele.

– Não vai passar o ano novo com ninguém? – Ryuzaki o perguntou, se apoiando na janela juntamente Light.

– Na verdade... Não. – Light suspirou – Na verdade, a minha vontade era passar o ano novo dormindo, longe de todo mundo.

– Então você deveria estar na cama agora, porque já são 23:50.

– Insônia. Já tentei dormir, mas não consegui. – Ele passou as mãos pelo cabelo novamente. Fazia isso quando estava nervoso.

– Porque não chama a Misa para te fazer companhia?

– Porque já basta eu agüentar ela o ano todo. Quero paz, pelo menos, no ano novo. E, bem, ela está passando o ano novo com a irmã e os tios.

– Ah, entendo. – Ele piscou. – E a sua família? Porque não quer passar com eles?

Aquela pergunta corou Light. Ele sabia a resposta, queria soltar ela, mas não tinha coragem.

– Na verdade... Preferi passar o ano novo com você. – Light olhou L de canto de olho e percebeu que ele corou também com a resposta.

– I-isto é... – Ryuzaki gaguejou – Incrível. – Ele respondeu e sorriu para Light.

Discretamente e por 5 segundos, mas sorriu. Light, então, escorregou sua mão até a de L, tocando-a levemente. Ele sentiu o contato e o olhou, assustado.

“Nem sempre é fácil

Mas eu estou aqui para sempre”


O robô voltou a fazer o barulho habitual e acender as luzes. Near sorriu levemente e voltou a pegar outro boneco. Aquele era o ano novo da Wammy’s: todos no pátio, olhando os fogos, e ele brincando com os bonecos. O garoto sempre foi assim: sério, solitário, gostava de estar afastado dos outros. Desde que seus pais haviam morrido num incêndio, o garoto encontrou na solidão uma forma de superar aquilo. As crianças tentavam se comunicar com ele, mas o garoto as afastava com sua apatia. Apenas uma pessoa havia conseguido socializar. E naquele dia, especialmente naquele dia, ele queria ficar sozinho. Estavam completando-se 10 anos desde que aquilo aconteceu.

Os passos no corredor estavam ficando mais altos a medida que ele andava. Ao chegar na porta da sala, fez um último barulho. “Plec”. Near ouviu o barulho, esperou alguns segundos e olhou para a porta da sala. Mello estava parado lá, apoiado na porta, com uma barra de chocolate na sua mão.

– Mello? – Near se perguntou o que ele estava fazendo ali.

– Bem, Matt resolveu passar o ano novo com a Linda e eu, bem sobrei dessa vez. Aí eu queria saber se... se você se importa que eu passe a virada com você. – Ele pediu, mordendo novamente a barra de chocolate. “Plec”.

– Ah, tu-tudo bem. – Near se sentou.

– Você já viu os fogos, Near? – Mello perguntou, aproximando-se.

– Nunca parei para prestar atenção neles. – O garoto respondeu, ansioso.

– Então venha comigo. – Mello estendeu a mão para Near, que a pegou, hesitante. Eles correram pela escada acima, até o último andar, que era o sótão.

Raramente alguém ia lá sem a intenção de apenas arrumar o local ou achar algo esquecido. Eles correram até uma portinha que havia lá e a abriram, saindo para a sacada. As outras crianças não os viam de onde estavam porque ficava do outro lado da Wammy’s. De onde elas estavam não dava para ver direito os fogos, e aquele era o real motivo de Mello não ter ficado lá com elas. Ele queria ver os fogos... Com Near.

“Nós somos amantes”


Seus olhos se abriram excessivamente. Engoliu seco e sua respiração ficou alterada. Light ainda estava com a cabeça baixa. Criando coragem, segurou a mão de Ryuzaki assim que se acostumou com a temperatura da mão dele. A atitude fez L corar ainda mais. Ele abaixou a cabeça, constrangido. Sentia seu coração batendo cada vez mais forte, como se fosse explodir a qualquer minuto. Após respirar fundo, levantou a cabeça e olhou para Light.

O observou durante alguns segundos. Notou que o seu cabelo era castanho com um toque loiro-escuro. Ele tinha uma cor bonita, e parecia ser sedoso. E o seu cheiro? Devia ser ótimo. Desceu os olhos e olhou para o rosto de Light. Seu cabelo estava tampando parcialmente os olhos, de forma que não conseguia vê-los. Desceu mais um pouco e viu seus lábios. Pareciam tão convidativos...

Light sentiu o olhar de L sobre ele e respirou fundo novamente. Contou novamente até 10 e levantou os olhos até os olhos de Ryuzaki. Este se assustou quando seus olhos se encontraram com os de Light, mas o susto se dissolveu em calma. Ele se virou um pouco e aproximou-se mais de L. Ele tinha que fazer aquilo. Após dois passos, ficou próximo o bastante de L.

– 5... – As vozes das pessoas formavam um coro perfeito – 4... – Light pôs a mão no lado do pescoço de Ryuzaki enquanto a outra ainda segurava a mão do detetive – 3... – L, por sua vez, colocou sua outra mão segurando a cintura de Light levemente – 2... – Seus rostos se aproximaram de uma forma que sentiam o hálito quente do outro em seus rostos.

– Feliz ano novo, L.

–1... – Light beijou Ryuzaki e os fogos estouraram no céu.

Aquele era um momento único. Soltaram-se as mãos e Light o puxou mais para si. Ryuzaki passou as mãos pela nuca de Light, e o outro matinha o braço abraçando Ryuzaki pela cintura.

“Eu sei que você acredita em mim”


Mello mordeu o chocolate e o ofereceu para Near. Ele recusou, mas o loiro o fez comer um pedaço. O céu estava escuro e as estrelas brilhavam, embalando o coração de Near. Ele sentiu-se completo, de uma forma que nunca havia se sentido desde que seus pais morreram. Uma leve brisa passou e ele fechou os olhos, sentido-a. Mello o olhava, curioso. Como ele podia ser tão diferente e especial ao mesmo tempo? Sentiu seu coração apertar ao se lembrar do dia que Near chegou ao orfanato.

“Todas as crianças brincavam e corriam de um lado para o outro. Mello estava brincando com alguém, mas não se lembrava de quem no momento. De repente, Roger adentrou o salão com um garoto em seu colo. O garoto estava adormecido. O garoto era Near. Mello prestou atenção naquela cena e seguiu Roger, indo para um quarto que estava vazio. Roger percebeu que ele estava lá e o disse: ‘Cuide dele, Mello, irei precisar de você agora’. Mello se sentou na cama e ficou observando o pequeno dormir. Tinha os cabelos brancos e a pele igualmente branca. Quando ele acordou, a primeira pergunta que foi ‘onde estavam seus pais’. Mello não soube responder e o garoto começou a chorar. Aquela foi a primeira vez que viu o pequeno expressar algum sentimento“.

Sorriu e viu que ainda fazia o que Roger lhe pediu há 10 anos.

– 5... 4... 3... 2... 1... – Os gritos começaram. Gritos e risadas. Os fogos explodiram no céu, cobrindo-o de pequenos pedaços coloridos e brilhantes. Distraído em seus pensamentos, Mello não percebeu quando Near o olhou. Quando percebeu, corou.

– O que foi, Mello? – O garoto perguntou. Mello apenas se aproximou de Near e o abraçou. O garoto, que costumava ser branco, ficou vermelho no ato. Separou-se um pouco dele, ainda segurando-o em seus braços.

– Feliz ano novo... Nate. – Near sorriu timidamente ao ouvir seu nome sendo pronunciado, mas não teve tempo nem para desmanchar o sorriso direito: Mello puxou-o pela nuca, o beijando. Near estava com os olhos abertos, assustados, mas a partir de um momento, simplesmente deixou-se levar e correspondeu o beijo de Mello. Agora sim estava totalmente completo.

“Nós somos amantes

Eu sei que você acredita em mim

Quando você olha nos meus olhos

Porque o coração nunca mente

Sim, nós somos os amantes

Se você não acredita em mim

Apenas olhe nos meus olhos

Porque o coração nunca mente

Porque o coração nunca mente

Yeah, porque o coração nunca mente”


Notas finais
Então, a fic ficou bem fofinha, na minha opinião. A música que eu usei para me inspirar e coloquei trechos foi The Heart Never Lies, do McFly. É a minha música favorita deles ^^
Então, mereço reviews? *-*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!