The Haunted
4 Capítulo 3
Notas iniciais
"O inferno esta vazio e todos os demônios estão aqui"
—Willian Shakespear
Eu estava em uma sala vazia, com paredes arranhadas, sangue no chão e sem janelas ou qualquer fonte de luz. Nas paredes haviam dois de cada tipo. Demônios. Um diferente do outro, como eu sempre os imaginei. Monstros nojentos e gosmentos com dentes afiados e garras. Comecei a olha-los, um a um.
Um deles parecia uma centopeia gigante, com garras nos lugares das patas. Outro era um cão infernal de um dos livros que eu havia lido. Outro já era mais parecido com uma pessoa.
Quando olhei para a ultima parede, com os últimos demônios, encontro um retrato. Todas as pessoas que eu conhecia e que amava estavam ali, pálidos, com olhos negros e dentes afiados, bocas enormes, cheios de sangue e com garras enormes. O enfermeiro estava ali também. Tinha um espaço ao lado dele, junto a Mattew. Um espelho.
O ultimo demônio, o mais novo.
Eu.
Sinto alguém me sacudindo gentilmente.
-Heartblood... -escuto a voz do enfermeiro- Acorda.
Abro os olhos rapidamente, me sentando e xingando alguém (ele) ou algo (ele também). Esfrego os olhos e o olho. Não estava diferente. Mas a imagem dele no sonho não iria me abandonar tão facilmente.
-O que foi?
-Você... Estava tendo um pesadelo? -ele parecia preocupado- Eu te assustei?
-Às vezes parece que você lê minha mente, enfermeiro-que-eu-ainda-não-sei-o-nome... Mas o que foi?
-Eu fiquei preocupado com você... -ele sussurra- Me desculpa te acordar. Ah, meu nome é Harry. Desculpa não ter falado antes.
-O.k... Não precisa se preocupar. Eu já ia acordar. Só isso?
-Você está pálida. -ele ainda parecia preocupado- Está com dor? Está sentindo alguma coisa?
-Nasci pálida, querido... -respiro fundo — Eu estou ótima... Minha cabeça está explodindo e eu cortei minha bochecha de algum jeito, por dentro.
-Seus dentes devem estar começando a crescer. -ele passa a mão na minha bochecha e sinto uma corrente de energia passar pelo meu corpo e o repelir delicadamente, como imãs de polos opostos. — A sua mandíbula vai doer muito e você vai ficar mais pálida. Suas bochechas vão rascar e a boca ficar maior.
-Bom saber... Vou ficar parecendo um buldogue? -me sento o olhando.
-Não. -ele ri- Você só vai mudar se quiser. Você pode aprender a controlar os extintos e não parecer nada... Canina ou monstruosa.
-Que bom... Gosto de cachorros, mais buldogues me dão nos nervos. Aquela baba toda, e a cabeça enorme, bochechas caídas...
-Hey! -ele ri- Nós não somos cachorros. Nem perto disso.
-Eu sei. To tentando quebrar o clima ruim que está aqui e esquecer minhas costelas doendo. Meu coração e órgãos parecem estar sendo esmagados.
-Deita... -ele me faz deitar- Daqui a pouco você tem visita. -ele ri- Pelo que eu saiba, já tem duas pessoas na lista.
-Nossa, me sinto amada... Quem é?- o olho nos olhos. Ele ainda estava um pouco perto, e pude notar que o arco em volta de sua Iris era negro e sua pupila era mais dilatada que o normal.
-Não sei. -ele olha pra minha boca- Eu... Quero que você descanse o máximo que puder. -ele sorri- Você só vai ficar hoje e amanhã aqui. Depois disso, você vai ter que voltar todos os dias para fazer exames. -ele suspira- Os exames são pra saber o que eu posso fazer pra você não sentir dor.
-Entendi. -engulo a seco e desvio o olhar. A respiração quente dele batia em meu rosto frio. Seu hálito tinha cheiro de menta. Ótima coisa pra se prestar atenção. -Você está perto de mais... De novo.
-Desculpa. -ele se afasta, respirando fundo. Estava corado. — Eu... Não faço isso normalmente
-É... –minha voz saiu esganiçada -Tudo bem. Na verdade... eu não...
A porta abrindo com tudo me interrompe. Ele levanta rapidamente, cruzando os braços. Me ajeito na cama, sentindo novamente a pontada em meu coração. Em seguida, o mesmo acelera.
-Por que mudaram você de quarto? Meu Deus você está acordada! Que merda toda é essa? Credo que silêncio -Mattew entra no quarto. Ele usava uma blusa rosa claro, jeans e casaco de couro, junto com all star preto. Seu cabelo estava cheio de gel, formando um topete. Parecia normal... O normal dele, vale a pena mencionar.
Harry me olha, segurando a risada. As covinhas aparecem e um sorriso surge em seu rosto. Ele cobre o mesmo com a mão e respira fundo se controlando.
-Mattew, se você puder não gritar, seu energúmeno... Minha cabeça agradece. Que merda é essa que você esta usando? -o olho seria.
-Eu não gritei, amiga. -ele fala, parando do lado da cama- Você está pálida, credo. Precisa passar uma maquiagem básica. -ele sorri- Você está acabada, meu Deus.
-Cala a boca, por favor... Talvez eu esteja assim porque eu... -interrompo a frase a reformulando em minha cabeça — Tenha acabado de acordar de um coma de uma semana. E eu me nego a passar aquilo que você chama de maquiagem. Não.
-Acho melhor não usar maquiagem mesmo. -Harry fala, rindo um pouco- E acho melhor você não irritar ela.
-Obrigada... -sorrio de canto e Mattew o olha
-Olha só quem continua aqui, O enfermeiro... Tem certeza de que ela acordou só agora?
-Me dê apenas uma boa razão para eu não te matar — meu rosto esquenta e eu coloco as mãos no rosto, tentando me esconder. Harry arregala os olhos e fica vermelho.
-Ai gente... -Mattew fala, rindo- Vocês não sabem brincar? Ou talvez vocês saibam muito bem. -ele sorri maliciosamente- Não sei do que já podem ter brincado até agora. Acho que brincar de médico seria meio óbvio.
-Mattew Ashgold, por que você não vai à esquina pra apagarem o fogo do teu rabo e dai volta mais calmo? -o olho séria — Realmente... Eu acabei de acordar seu...
-Calma, Heartblood. -Harry me interrompe, segurando a risada- Ele só deve estar tentando fazer você rir.
-Não esta funcionando. -respiro fundo e olho Mattew — Como esta a minha irmã?
-Ela vai vir daqui a pouco. -ele bufa- Você nem se importou comigo.
-Se você parasse de falar o que não deveria eu até te abraçaria agora.
-Eu vou deixar vocês conversarem. -Harry sorri de canto- Licença. Se precisar de mim, me chama.
Ele sai fechando a porta atrás de si e Mattew me olha. O ignoro, ainda olhando a porta. Talvez sem perceber, talvez percebendo. Mataria Mattew por fazê-lo sair do quarto. Quase o chamei assim que a porta se fechou.
-Você veio aqui todos os dias? -perguntei finalmente
-Sim. -ele senta na cama- Eles não deixavam eu te ver. Então eu resolvi encher o saco dos enfermeiros até eles deixarem. -ele sorri.
-Tadinhos dos enfermeiros -rio baixinho -Ficou mandando cantadas para eles?
-Para os homens, claro. -ele ri- Mas para as enfermeiras, não. A pele delas era pior do que a da minha avó.
-Credo, coitadas... O que achou dos enfermeiros? Eles são mais novos, não? -ao perguntar isso, pela milésima vez, a imagem de Harry surge em minha mente, com a boca levemente aberta, o jeito como seus músculos apareciam na blusa, às tatuagens e os olhos verdes.
-Alguns são bonitos, outros horríveis. -ele fala, arrumando o cabelo de um modo delicado- Mas o enfermeiro que cuidou de você... — ele suspira — É maravilhoso.
Reviro os olhos. Devo deixar meus pensamentos óbvios ultimamente.
-É, ele é bonitinho, mas não é tudo isso...
-Não é tudo isso? Ele é lindo, fala sério.
-Por que acha isso?- Eu realmente o achei maravilhoso, mas Mattew não precisa saber disso... Não mesmo. Ele já iria me encher o saco sem saber, imagine quando soubesse. -Sério, já vi melhores. — Ele ri, deitando do meu lado. -Vou sair daqui depois de amanhã, mas vou ter que voltar todos os dias. -falo o abraçando
-Sério? -ele ri- Eu não negaria se aquele enfermeiro cuidasse de mim como ele cuida de você...
-Mattew, sossega. Harry só ta fazendo o trabalho dele, o.k?
-Harry? -ele me olha, sorrindo maliciosamente- Nem é pelo sobrenome, é pelo nome mesmo? -ele ri, me abraçando- Nossa... Também quero ser atacado por um urso.
-Ele só me falou o nome dele, e acredite você não vai querer passar o que eu estou passando. Ele é muito irritante. E muda de humor muito fácil.
-Desculpa, Ali. -ele sorri de um modo fofo- Eu... Só estou feliz em te ver.
-Aw, que fofo — sorrio e beijo a bochecha dele — Sentiu tanto assim minha falta?
-Não. A minha melhor amiga estava em coma e eu nem senti falta dela. -ele mostra a língua — Aguentei aquelas vagabundas sozinho por você.
Rio alto dando um tapinha na barriga dele
-Você estava ocupado de mais passando o rodo nas festas e no hospital pra sentir minha falta. Tem algo que você fez que devo me envergonhar?
-Não. -ele me abraça- Eu nunca faço você passar vergonha. -ele ri- Para de ser teimosa e querer ver defeitos em mim. Sou perfeito.
-Me fazer passar vergonha é o que você mais faz -sorrio -Para quem passou a "melhor cantada da semana"? -imito a voz dele, falando o que ele geralmente dizia uma vez por semana quando encontrava um cara perfeito que viesse falar com ele.
-Ah... Para o "Harry ". -ele faz aspas- Eu disse que ele era tão bonito que até os deuses gregos deveriam ter inveja. Muito boa essa.
-Você chama isso de "melhor cantada da semana"? -rio alto — Qual foi a reação dele?
-Ele ficou mais vermelho do que as minhas meias. -ele ri- E depois me perguntou se eu estava confundindo ele com alguém. Muito fofo ele, amável de mais.
Rio e tapo a boca, colocando a mão sobre o peito e fazendo careta. Não aguentava mais isso.
-Até rir dói agora...
-Tadinha. -ele ri alto- Vou pedir pra ele fazer uma massagem nos lugares que você ta sentindo dor. E se ai esta doendo...
-Cala a boca -reviro os olhos -Idiota.
Mattew deve achar que sou uma prostituta às vezes, que pego muitos igual a ele. Que agarra até os enfermeiros, bombeiros, médicos, o que aparecer na frente. Não sei ser assim. Ele é a parte sociável e feliz de nossa amizade. Sou menos social. Bem menos. E gosto assim mesmo.
-Licença, Alice... -escuto a voz de Harry vindo da porta. -Eu vim aqui avisar que chegou outra vizita. Mas... O Mattew precisa sair para ela entrar, já que só pode uma pessoa por vez, porque o quarto é menor que os outros.
-Ok... Matt, você ouviu ele, né? -sorrio para Mattew de um jeito irônico. Ele olhava as unhas. Fingia, na verdade, já que olhava Harry com a cabeça baixa. Depois que falei isso, ele me olhou incrédulo e levantou, me dando um beijo na testa. Ele olha para Harry novamente de cima a baixo, mordendo o lábio e saindo dali. Harry revira os olhos.
-Sabe quem é? -olho para ele, tentando me sentar. A dor estava ficando pior, mais nada do tipo "minhas costelas estão quebrando".
Escuto algumas vozes no corredor. Harry me olha, sorrindo e senta no sofá sem tirar os olhos de mim. Sua postura estava reta e seus músculos tensos. Parecia alguns dos personagens de meus livros favoritos. Pronto para atacar inesperadamente a qualquer segundo. Ele tinha o mesmo porte físico dos vilões que desenhava quando pequena em histórias em quadrinhos; alto, não muito forte, olhos grandes e dedos longos.
-Eu não sei... -ele ri. A risada dele agora não era mais tão irônica quanto ontem, quando acordei. -Só me pediram para avisar e não sair daqui. Também não sei o porquê.
Sorrio. Eu não queria que ele saísse, na verdade. A presença dele, de certa forma, me reconfortava. Mesmo eu não o conhecendo, havia alguma coisa nele que me chamava mais atenção que sua aparência. Seus olhos me chamavam bastante atenção. Sempre gostei de olhos claros.
-O.k então... Hm, Mattew disse à cantada que te passou mais cedo. -fiz careta e ri.
-Pois é... Ele acha que aquela cantada de deuses gregos foi boa? Digo, boa mesmo? Ou perto disso? -ele ri baixinho, olhando pro chão, balançando a cabeça e arrumando o cabelo. Ele o arruma de um jeito não tão delicado quando Mattew, nem tão bruto.
-Ele acha que essa foi a melhor da semana e pela cara que ele fez ao contá-la para mim, ele sente que foi a melhor do século — ri mais baixo, brincando com o lençol que me cobria.
-Se para ele essa foi boa, imagine as outras... -ele ri alto, desafinando e tapa a boca em seguida. -Me desculpe.
Acabei rindo da risada dele e da cara que fez em seguida. Seus olhos haviam se fechado um pouco e ele entortou um pouco o nariz, ficando com um biquinho e a testa levemente franzida. Depois que ri, coloquei a mão sobre a costela sentindo uma dor que poderia ser comparada a de uma facada. Harry me olha preocupado.
-Alice... -ele começa, mas é interrompido pelo grito agudo de Mattew. Vinha do corredor, e pelo jeito estava perto da porta.
-Meu Deus... -arregalei os olhos e olhando a porta.
Novamente começamos a rir. Harry estava um pouco vermelho e com os olhos marejados. Eu não devia estar diferente. Depois que paramos de rir, eu olho para a porta sorrindo, ignorando os pensamentos que passaram em minha mente. Como "eu queria abraçá-lo agora".
Tudo fica em silêncio, e então vejo minha irmã mais velha, Melody, na porta sorrindo de canto. Ela estava com uma calça preta rasgada das coxas aos tornozelos. Vestia um casaco de couro por cima de uma blusa roxa e por cima de tudo um casaco preto de lã. Ela usava uma maquiagem preta forte, o que realçava seus olhos azul- acinzentados. O cabelo loiro claro (que perto do meu parecia platinado) estava com mechas em azul. Melody sorri, vindo até mim. Eu sorri de volta.
-Oi, Mel...
-E ai, pequena. -sua voz estava meio rouca e baixa. Ela sorri um pouco mais. -Que susto, hein? Você está melhor?
-Eu estou acabada ainda. Mas estou bem, e você?
-Eu estou bem — ela ri baixinho. -E ai... Está com dor? Está sentindo o que? -ela acaricia minha cabeça, mexendo em minha franja. A mão dela estava gelada, as unhas sempre compridas estavam pintadas de um vermelho forte.
-Bem, é como se meus ossos estivessem sendo quebrados lentamente todos os dias. Já estive pior. -assim que digo isso, ela ficou quieta por um tempo, me olhando fixamente nos olhos. Sua expressão era de preocupação. Retribui o olhar. -O que foi?
-Você está sentindo tanta dor assim? -ela fala, desafinando um pouco e sentando ao meu lado. -Droga. Minha garganta está horrível hoje.
-É mais ou menos isso. A dor não está tão ruim, tomei remédio mais cedo.
-Eu estava preocupada. -ela sorri, fazendo apenas uma covinha aparecer. Sempre odiei isso. Ela havia ficado com os olhos azuis, cachos e covinhas. Eu fiquei com o cabelo mais liso e escuro, olhos verdes e sardas. -A mãe virá amanhã. Hoje ela tinha que trabalhar e não podia faltar...
-Olha só! Ela se lembrou da segunda filha dela. Que amor. -falo tentando ser o mais sarcástica possível.
-Ei... para. Ela ficou preocupada também, ok? Eu tive que dar remédio para ela dormir. E tomei para eu dormir também, ou ela acordava chamando por você. -ela fala isso séria. Eu continuei em silêncio. Não me dava bem com minha mãe, sempre brigávamos. Estou surpresa por ela ter se preocupado. -Você está ficando o dia todo sozinha aqui? -ela suspira, mexendo no cabelo.
-Não sei. Acordei ontem. Mas acho que não... -ela não havia notado Harry, que continuava sentado na poltrona marrom ao canto do quarto, em silêncio, apenas nos observando.
-Mas quando acordou, ficou sozinha? -fiz que não com a cabeça. Ela abre a boca para falar alguma coisa e depois olha para a parede atrás de mim. Fiz o mesmo, franzindo a testa. -Tem... Alguém aqui, não tem? -ela sussurra, rindo baixinho.
-Tem sim... -eu sorri de canto. Ela olha pelo quarto, rindo. Quando finalmente olha para Harry, fica séria. Fiquei em silêncio ao ver que ele a olhava sem qualquer expressão ou algo que demonstrasse o que se passava em sua mente no momento.
-Ele é seu enfermeiro? -ela arqueia uma sobrancelha. Eles se olhavam como velhos conhecidos.
-Sim... Por quê?
-Nada. -a voz dela estava tensa, assim como sua postura. -Vocês... Conversam? -ela me olha. Jurei ouvir Harry murmurar algum palavrão. Eu quis rir.
-Sim. Melody, você está estranha.
-Eu sou estranha, E você sabe disso — ela sorri.
-Não comece com isso de novo. Por que quer saber se eu converso com ele?
-Porque sim. -ela fala normalmente, o que me fez revirar os olhos e todos ficaram em silencio. Respiro fundo, querendo profundamente achar algum assunto. -O que te atacou?
-Uma coisa que acham ser um urso. Lembro-me de ser muito magro para um urso, mas...
-O que você acha que era?
-Qualquer coisa menos um urso. Uma pessoa louca, um super cachorro, um urso que estava muito magro... Um demônio talvez.
Ela fica me olhando séria. Jurei poder ouvir seus batimentos cardíacos aumentando a velocidade. Um cacho cai sobre seu rosto e eu fico com as mãos coçando para tirá-lo dali. Foi ai que Harry se pronunciou pela primeira vez.
-A ultima parte é sério. -sua voz estava deliciosamente rouca. Não era aquela voz do tipo que te da agonia, estava... Ainda melhor do que quando conversamos pela primeira vez.
Ela o olha, levantando da cama e fazendo sinal para ele sair do quarto. Harry respirou fundo e foi, como se já soubesse o que iria ouvir e já pensasse nas respostas.
-Eu já volto. -ela me olha, sorrindo de canto — Não vou demorar.
Eles saem dali e eu fico em silêncio tentando ouvi-los. Tentei imaginar a cena... Melody e Harry se encarando no corredor branco do hospital, ambos com braços cruzados. Ele com uma mecha teimosa do cabelo, tirando-a dali constantemente, bufando já irritado. Ela brigando com ele por alguma coisa, com um olhar mortal. Em outras circunstancias, eu iria querer estar no lugar dela.
Eles voltam depois de um tempo, parecendo irritados. Sussurravam alguma coisa. Harry tinha as mãos no bolso da calça e ela estava de braços cruzados. Os olhei confusa. Pelo olhar de Melody, mais segredos seriam revelados e minha vida iria mudar ainda mais.
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