The Haunted
25 Capítulo 24
Notas iniciais
Longas palavras perdidas, sussurradas lentamente para mim
Ainda não consigo descobrir o que me mantém aqui
Quando todo esse tempo eu tenho estado tão vazia por dentro
Eu sei que você ainda está lá
—Haunted, Evanescence
Alice Heartblood
Acordo com o despertador do Harry tocando no meio de nossos travesseiros. Era uma manhã fria, talvez mais fria do que a do dia anterior. Pude ver a neve caindo pela janela, deixando tudo lá fora branco e os vidros embaçados. Harry já estava acordado, terminando de se trocar para recomeçar seu trabalho de médico (e eu insisto em dizer que ele é enfermeiro) em agora apenas um hospital. Ele usava uma jeans escura e uma blusa quentinha em baixo de sua jaqueta de couro. O cabelo dele estava totalmente bagunçado, e tenho a leve impressão de que ele procurava os coturnos. Sorrio me sentando na cama e esfregando os olhos.
-Acho que você deixou os coturnos perto da porta ontem, junto com os meus -falo baixinho, prendendo o cabelo em um coque. Harry me olha e sorri.
-Obrigada, anjo... Bom dia -ele ri baixinho e beija a ponta do meu nariz, saindo do quarto atrás dos sapatos. Bocejo, me levantando e vou em direção ao outro quarto. Fecho as cortinas e abro as portas do armário, a procura de uma roupa. Acabo escolhendo jeans, um moletom de Instrumentos Mortais preto e uma touca azul. Escovo o cabelo e vou para o banheiro, fazendo minha higiene matinal. Passo um pouco de maquiagem para esconder as veias escuras que permaneciam em meu pescoço do lado esquerdo do rosto após o acidente na iniciação e coloco a touca, indo para a cozinha. Na mesa estava carteira de Harry, junto com nossos celulares e minha bolsa e pastas. Seu jaleco deveria estar em seu armário no hospital. Sinto o cheiro de café e torradas, esboçando um sorriso em seguida e entrando na cozinha.
Ele estava encostado na bancada, com uma xícara na mão, encarando o café. Ainda parecia com sono, o que deixava a cena a minha frente adorável.
-Bom dia... -sussurro, ficando na ponta dos pés e depositando um beijo em sua bochecha. Ele sorri me olhando, enquanto eu pegava uma xícara no armário e colocava café na mesma. Sento na mesa, de frente para ele, pegando uma torrada e a mordendo. -Então, qual os seus planos para hoje?
-Hm... voltar a rotina, e ajudar Anthony a se acostumar com o ambiente de hospital. Ele disse que quer cuidar da parte de cirurgias. Oliver trabalha lá agora também, com a parte dos ferimentos leves, mas todos nós estamos na emergência por razões um tanto... óbvias. Ah... Sean vai morar aqui perto. Resumindo, vou trabalhar. E os seus?
-Estudar. Acho que vou passar lá na casa da minha mãe hoje e talvez eu saia com a Mel de tarde. Sean deve estar com ela, procurando um trabalho, já que se mudou pra cá... É, não tenho nada planejado.
Ele ri baixinho e terminamos de comer, decidindo como e onde arrumar a árvore de Natal. Eu fiquei tanto tempo "debilitada" que teria uma semana de aula antes do Natal apenas. E com os trabalhos que entreguei antes e irei fazer essa semana, não vou repetir de ano.
Logo estávamos no carro de Harry, a caminho da minha faculdade. Quando ele para na frente do edifício, me dá um selinho antes de eu descer. Sorrio e me despeço dele, pulando fora do carro e vendo ele dar a partida em seguida. Mattew já corria em minha direção, gritando meu nome. Rio e o abraço.
Tive que contar tudo (ou o que me era permitido contar) o que aconteceu no tempo em que sumi. Principalmente sobre o namoro com Harry etc.
O dia foi longo e estranhamente calmo. De tarde fiz os trabalhos acumulados, que não eram difíceis. Depois, saí com Melody e Mattew, comprando alguns presentes e roupas. No final do dia, voltei pra casa e comecei a arrumar as coisas para o Natal. Harry voltou apenas à noite, a tempo de me ajudar com a árvore. Ele contou como foi o dia dele, e como o hospital estava calmo. Anthony se deu muito bem no novo trabalho, e nenhum novato chegou lá. Contei sobre meu dia e ficamos a toa depois de arrumar tudo.
A semana se passou assim. Tranquila quase sem nenhuma coisa sobrenatural acontecendo. Anthony levou um pouco de sangue de rosas para nós na sexta. Melody e eu compramos um vestido pra mim, já que seguinte ela eu poderia começar a usar mais roupas assim e Harry foi jantar na casa da minha mãe no final de semana. May parecia muito mais calma, assim como Melody. Segundo ela, Harry parecia transmitir segurança e um sentimento bom de proteção, e era ótimo eu estar com ele. Já na outra semana, Sean conta ter conseguido um emprego, tocando violão em um ótimo restaurante. Melody me contou sobre um tal de Ethan que ela conheceu em uma festa, e que voltou a vê-lo apenas duas semanas depois. O cara não parecia ter ficado contente em saber que ela voltara com Oliver, que por um acaso virou um dos meus melhores amigos.
Oliver achou Ethan suspeito e começou a investigá-lo. Eu também tinha o achado suspeito, e toda vez que o via (já que eu e Melody cruzamos com ele algumas vezes na rua) um frio estranho percorria meu corpo, como se eu já o conhecesse e tivesse que tomar cuidado com ele. Seus olhos, seu rosto... Ele não me era nada estranho. E ele olhava pra mim com um sorriso maquiavélico antes de continuar seu caminho. Eu geralmente ficava tonta, e Oliver disse sentir o mesmo. Tentei ignorar isso, afinal... Minha vida estava finalmente dando certo.
* * *
Mais semanas se passaram e logo estávamos na véspera de Natal. Tínhamos feito uma pequena festa (bem pequena mesmo) no apartamento. Melody ajudava Harry na cozinha enquanto eu, Sean e Anthony conversávamos sobre coisas aleatórias, como trabalho, vida nova e esse tipo de coisas. Minha mãe aproveitou o espírito de Natal e foi até a casa de meus avós. Oliver ainda não tinha chego, e já era tarde. Melody estava parecendo bem preocupada e confesso que eu também estava. Ele nunca se atrasa assim, espero que não tenha acontecido nada.
-Ele deve estar bem, Mel... Calma. -Harry sai da cozinha, junto com Melody. -É o Oliver, esqueceu? Se alguma coisa tivesse acontecido com ele, nós sentiríamos.
-Você está certo... -ela respira fundo e nos sentamos na mesa. Não tinha aquela comida toda que é servida no Natal, mas o cheiro estava ótimo, e eu estava morrendo de fome. Voltamos a conversar, tentando distrair os pensamentos, não só de Melody. Eu sabia, apenas olhando para as expressões deles que todos estávamos preocupados com Oliver, pensando na possibilidade de ele ter voltado ao que era há alguns meses. Nos servimos, colocando um pouco de sangue nos copos e começamos a comer.
Por um instante, todos parecem esquecer. Nós riamos de histórias antigas que Anthony contava, falávamos sobre coisas estranhas ou bizarras, sonhos, lugares que queríamos ir. E nesse momento eu notei o quanto foi bom ser Transformada. Se aquele ataque no parque, cinco meses atrás, eu não teria me aproximado tanto da minha irmã. Não teria conhecido Anthony, Sean ou Oliver. Não estaria namorando Harry e não teria entendido os motivos da minha mãe ser tão rígida a locais que eu frequentava. Eu não teria notado o quanto rosas são importantes para as vidas dos demônios, por serem fontes de sangue. Não teria descoberto que existem quatro tipos de demônios, os normais, os escolhidos, os híbridos e os alados, mais conhecidos como anjos. Não teria a vontade secreta de visitar meu pai e colocar para fora todas as dúvidas e xingamentos. Não teria vivido.
Afinal, esse é meu destino, sempre foi. Já estava planejado, os primeiros demônios já sabiam disso. Eu nasci para ser um demônio. Nasci para viver de sangue e pizza. E eu, que achava que minha vida iria apenas piorar, estou amando ser assim.
Fui tirada de meus pensamentos e devaneios quando vi Melody e Harry largarem os garfos e facas, colocando as mãos no lado do corpo, onde suas blusas começam a sujar de sangue. Arregalo os olhos, colocando as mãos no rosto de Harry, de modo que ele continuasse me olhando. Seus olhos estavam escuros, e quando me olha nos olhos pude sentir sua dor. O sangue levemente dourado para de sair e sujar sua blusa. Minha respiração falha. Pensei que seu sangue dourado tinha sido uma miragem... Mas pelo jeito não.
-Harry... O que foi? -falo com o tom mais calmo de voz que consegui
-Oliver... -ele tenta falar, mas nenhum som sai de seus lábios.
Anthony levanta, segurando Harry e sussurrando alguma coisa para ele. Sean fica parado, com os olhos arregalados. Meu coração estava acelerado e eu estava entrando em pânico. Melody solta um soluço e se apoia na mesa, se abaixando lentamente e ficando de joelhos. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas e ela tremia muito.
"Se seu protetor se machucar a ponto de quase morrer, você sentirá como se fosse em você. Se ele morrer... Você desmaiará e sentirá como se parte de você tivesse ido" . As palavras de Anthony voltam a minha cabeça.
Melody me olha, suspirando e deixando algumas lágrimas escorrerem.
-Abre a porta... -Harry sussurra com a voz falha para Anthony — Rápido!
Ouvimos uma batida fraca na porta e eu corro abrir a mesma. Oliver estava apoiado ali, a cor havia sumido de seu rosto. Ele estava coberto de suor, como se tivesse corrido até aqui em sua forma de lobo. Ele tinha um corte no exato lugar que sangrava em Harry e Melody. Seu sangue era escuro, quase negro. Hematomas se espalhavam por seu rosto e braços descobertos e ele não parecia se aguentar em pé. Anthony corre até mim e me ajuda a carregá-lo até o sofá enquanto Sean trancava a porta. Vou o mais rápido que consigo pegar o kit de primeiros socorros que Harry mantinha no banheiro. Quando volto, todos estavam em volta de Oliver.
Melody estava sentada no sofá, com a cabeça de Oliver em seu colo. Ela acariciava de leve o canto de sua bochecha. Harry e Anthony estavam olhando e analisando o corte, enquanto o mago dava um jeito de tirar o excesso de veneno dali. Sean estava segurando uma bacia com água quente e um pano.
-Isso! Me dá isso ai e pega uma garrafa de vodca. -Harry fala para mim. Naquele momento eu soube que o médico extremamente sério tinha voltado a dominar sua mente e o obedeço, dando a ele o kit e indo pegar uma garrafa de vodca na geladeira rapidamente.
Entrego a garrafa a Harry. Eu tremia e queria desabar, começar a chorar como uma criança, mas não o fiz, pois sabia que Oliver ficaria bem.
-Oliver... Você viu quem fez isso? -Sean o olha, preocupado — Consegue falar?
Oliver abre a boca para falar, mas Melody coloca a mão sobre sua boca, sussurrando para ele em seguida.
-Acho melhor você descansar -ela sussurra para ele -Não se esforça agora. Depois você fala.
Ele me olha nos olhos e me sinto tonta. Um arrepio estranho percorre meu corpo e minha visão fica turva. Minhas mãos começam a tremer e eu escuto a voz de Oliver na minha cabeça, murmurando algo. Fecho os olhos rapidamente, e quando os abro, minha visão estava normal novamente.
-Ele quer falar... É urgente. -me apoio no sofá, ainda tonta. Era como se pudéssemos conversar apenas por olhares.
Melody franze a testa de leve, preocupada, me olhando. Ela tira sua mão da boca dele e ele respira com dificuldade. O sangramento havia parado, e Harry me olhava preocupado, segurando minha mão que estava no braço do sofá. Sorrio de canto para ele, o acalmando e voltando a prestar atenção em Oliver, que batalhava para fazer sua voz baixa sair. Quase não o ouvi, e depois que ouvi suas palavras, preferia não ter ouvido.
-O cara que me atacou... Ele é o mesmo que me transformou e transformou você, nós dois temos o sangue dele nas veias... -ele para, respirando com dificuldade e fecha os olhos, franzindo a testa como se sua cabeça doesse. -Ele... Ele quer vocês duas mortas, disse que faria de tudo para ter isso, e que te morder e não ter certeza de que estava morta foi um erro, e que Harry não o deixou terminar o serviço. -meu coração acelera e a imagem do homem que invadiu minha iniciação volta a minha mente. " Estou chegando" ele havia falado -Ele disse que queria vingança, queria que o pai de vocês sofresse pelo que fez com a família dele. -Oliver engole em seco, me olhando nos olhos novamente — Era o mesmo cara que estava "me controlando" meses atrás.
-Quem é ele? -sussurro, vendo pontos pretos em minha visão, sentindo um enjoo terrível. Me apoio em Harry, que me olhava preocupado.
As palavras que Oliver pronunciou em seguida pareciam doer, isso era evidente em seu olhar.
-Ele... -seus olhos ficam brancos e sua voz muda, ficando mais fina, como se outra alma, outro espírito o possuísse nesse segundo — Eu sou Ethan Darkhunter. E vou matar vocês duas.
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