Notas iniciais
Minha simpatia por Pattata fez com que essa história brotasse em minha cabeça. Fico feliz por ter conseguido finalizá-la. Espero que gostem.

Despertei com uma latente dor que parecia se estender pela barriga, quadril e coluna. Antes mesmo de sentir o quão molhada estava pela bolsa estourada, eu sabia o que estava acontecendo. Meu filho finalmente estava vindo até a mim. Abri meus olhos para encontrar Patterson dormindo com meus pés sob suas coxas. Provavelmente nós duas havíamos dormido enquanto assistíamos The Real Housewives e ela fazia massagem em meus pés inchados pelo final da gravidez. Um sono pouco profundo, mas pleno. Sentia-me pecar por ter que acordá-la no momento em que ela finalmente havia conseguido cochilar, mas eu sabia que assim que desvencilhasse meus pés dela, ela despertaria.

Decidi acordar ela de uma maneira mais leve e passei as mãos em seu cabelo. Seus olhos piscaram em confusão e era adorável assisti-la assim. Quando ela me olhou, deu um sorriso pacífico e eu então pude contá-la o que estava acontecendo.

— Acho que o bebê está chegando.

Quando falei isso, seu pequeno olhar contemplativo deu lugar a um observar assustado e eu então completei.

— Minha bolsa estourou. — Afirmei. — Ou fiz xixi na calça, mas acho que fazer xixi não aumentaria minhas dores assim.

— Ai meu Deus! — Ela falou de uma maneira apressada e um pouco desesperada.

Logo depois, tirou meus pés de cima do seu com a delicadeza que a pressa deixara e foi rumo ao quarto que dividíamos. Aproveitei para enviar uma mensagem para Weller acordar, para que ele viesse nos buscar no andar debaixo. Afinal, segundo ele, não seria seguro que Patterson fosse dirigindo, pois caso eu começasse a gritar de dor, ela poderia ficar desesperada. Eu confiava minha vida naquela mulher, mas sabia que ela nervosa no volante não seria o mais indicado e, tão empolgada quanto ela estava por esta gravidez, eu sabia que ela ficaria nervosa. Alguns minutos depois ela voltou com a bolsa da maternidade e outra com artigos pessoais meus.

— Acho que está tudo aqui. — Ela apontuou mostrando as bolsas. — Quer ajuda para levantar?

Antes que eu avisasse a ela que havia mandado mensagem para Weller, o carro dele buzinou.

— Weller? — Ela perguntou enquanto me puxava com delicadeza para fora do sofá, sem esperar minha resposta.

Com meus braços presos ao dela, mesmo sabendo que aquilo era apenas o começo, a agradeci por estar ali comigo. Ela agradeceu com um beijo no rosto e logo que ela me levantou eu senti uma contração e por isso me segurei nela. Ela seria meu porto seguro naquele momento, como em outros anteriores.

Quando Weller buzinou novamente, ela gritou.

— Calma, Sr. Apressadinho. Sabe o que é contração? — Mesmo que ele não escutasse.

— Desculpa. — Ela sussurrou em seguida e, me vendo tentando controlar a respiração, ela me olhou no olho. — Acha que já consegue sair?

— Consigo. — Falei me segurando nela enquanto sentia a dor no quadril aumentar. — Vamos trazer esse menino pro mundo. — E pisquei o olho para ela, que sorriu, embora estivesse visivelmente nervosa.

Chegando ao carro de Weller, Jane pegou as bolsas que estavam com ela e então sentamos juntas no banco do carona. Parecia que essa criança ia nascer imediatamente tamanha a dor que eu sentia e tamanha ela aumentava conforme os minutos passavam. Tentava não transparecer a dor, mas eles sabiam que eu ia guardar isso para mim e me viam suar frio tentando controlar.

Quando pensei que não fosse mais aguentar, virei-me de lado, olhando para as curvas que o carro fazia e torcendo para que logo escutasse barulho de ambulâncias e macas só para que essa dor passasse logo.

A dor passou a se aliviar, porém, quando sentir os dedos cheios embora curtos de Patterson em meu quadril. Eu não sabia que tipo de massagem mágica era aquela, mas estava adiantando bastante. Quando senti outra contração, o carro parou e havíamos chegado ao hospital.

Gemi antes de descer e logo vi ela com uma cadeira de rodas em meu sentido.

Weller e Jane foram entregar os documentos para entrada no hospital, me desejaram boa sorte e ela ficou lá comigo.

— Desculpa. — Ela pediu de repente. — Eu deveria estar mais calma nesse momento para lhe ajudar, mas não estou.

— Ei. — Chamei a atenção puxando sua mão esquerda para minha direita. — Não poderia ter ninguém melhor aqui ao meu lado agora. Nem o pai do bebê, ele com certeza estaria mais nervoso que você.

— Então vamos de madrasta. — Ela completou.

Rimos juntas sabendo que era verdade e fomos interrompidas por uma enfermeira que se apresentou como Cínthia e disse que me levaria. Patt logo fez questão de se apresentar.

— Oh, eu sou Patterson. Serei a doula dela.

A enfermeira sorriu para nós duas e então pediu que nós a acompanhássemos.

— Vamos lhe instalar no quarto 612, sexto andar. — Ela apontou.

Quando entramos no elevador, sussurrei para Patterson.

— O que é doula?

— É alguém que não é da área médica, mas que pode estar te ajudando e te cuidando durante o parto e nos primeiros cuidados com o bebê. — Ela explicou.

— Olha, filho, como você é chique. Tem até uma doula. — Falei alisando a barriga e então rimos uma para outra.

— Por que você faz mistério com o nome do bebê? Acho que você não escolheu ainda e ta enrolando.

— Estou enrolando porque você ta curiosa. — Provoquei e então o elevador chegou no andar indicado.

Assim que saímos no elevador, uma nova enfermeira veio falar conosco e se apresentou como Lauren. Após me instalar no quarto, com todos aqueles fios chatos, ela fez o exame de toque. A dilatação já estava alta, mas não a ponto do parto acontecer.

Bufei em reclamação e ela então me entregou uma espécie de controle, que serviria caso eu precisasse de atendimento.

— Posso apertar agora? — Perguntei com ironia.

— Ela não gosta de hospitais. — A loira explicou para a profissional de saúde, que riu.

— Olha, em breve seu filho estará chegando. Doula, tente fazer exercícios com ela enquanto a hora não chega.

Patterson apenas afirmou que sim com a cabeça e a enfermeira saiu do quarto.

— Nem pense que vou me levantar daqui para fazer qualquer exercício.

— Oh, Tasha. Vamos lá!

Antes que ela insistisse mais, porém, uma nova onda de contração veio e aquela infernal dor tomou meu corpo. Novamente as mãos da loira fizeram massagem nos meus quadris e aliviou pouco da dor.

Enquanto seus dedos aliviaram a tensão do meu corpo, ela cantou baixinho.

“So give me the hard stuff

The kind that makes you real

I'll be there when the storm comes

'Cause I want the hard stuff”

Tradução:
“Então me mostre os momentos difíceis

Do tipo que te faz ser real

Eu estarei aí quando a tempestade chegar

Porque eu quero estar nos momentos difíceis”

Sua voz era leve, mas bonita e servia como um calmante em meio à tempestade de dores que meu corpo sentia. Eu poderia ficar por horas ali escutando cantá-la.

— Acho que você nasceu para isso. — Sussurrei enquanto a dor dava uma folga.

— Cantar ou fazer massagem?

— Os dois.

— Acha que devo deixar o FBI por isso? — Ela provocou.

— Claro que não. Você é perfeita em todos os lugares.

Ela me abraçou como podia e depois me chamou novamente para fazer exercícios.

— Eu juro que tudo vai passar mais rápido se você sentar nessa bola aqui. Vai te ajudar a acelerar a dilatação. Vem. — Ela chamou, me obrigando a levantar da cama enquanto me ajudava com delicadeza.

— Pronto. — Ela disse após me equilibrar sob a bola suíça e começou a me guiar quanto aos movimentos.

Não parecia fácil me equilibrar com aquela barriga ali, mas aquilo realmente acelerou a dilatação, e consequentemente as dores. Tanto que ela teve que chamar um enfermeiro para me ajudar a colocar de volta na cama.

Poucos segundos depois, Cínthia apareceu com outras duas enfermeiras e a doutora. Mais um exame confirmou que eu estava apta a trazer meu filho ao mundo. Eu só estava torcendo para aquilo acabar. Elas trocaram meu vestido e pediu que Patterson se embalasse, o que ela fez. A partir dali, lembro da força que tive que fazer como nunca antes. Senti falta da mão firme de Reade ali comigo, mas quando procurei apoio, encontrei os dedos de Patterson já se encaixando aos meus e eles também se encaixavam bem na palma da minha mão.

Ela me dava força e incentivo, como sempre fez na vida e, mesmo me sentindo tão vulnerável naquele momento, me senti acolhida, senti que meu filho ia ser amado nesta terra não só por mim, mas também por aquela mulher.

Dentre tantas dores, mas com muita luz e acolhimento, ele nasceu.

Era início da manhã quando isso aconteceu e eu só percebi quando voltei a reparar no ambiente ao redor e vi os raios de sol invadindo o quarto pelas frestas da janela. Quando o peguei no braço, ainda todo sujinho, lágrimas nasceram no meu olhar. Não era tristeza, mas um sentimento louco que não sei descrever. Como pessoa que não sabe acolher sentimentos, era ainda mais difícil dar palavras a ele. Porém, senti em nós uma conexão que nunca havia provado na vida. Um orgulho de ter gerado aquela vida e de ter ali comigo, uma parte única do pai dele agora sob meus cuidados.

— Parabéns, amiga. — Patt disse de repente, me tirando de meu devaneio com o bebê enquanto passava a mão na minha testa. — Ele parece com o pai.

— Sim. Ele parece com o pai. — Respondi, decidindo que aquele seria o momento em que revelaria a surpresa para ela. — Mas ele terá o nome da mama. Não é, William?

Ao ouvir que dei o seu nome para meu filho, a loira travou com uma cara que flertava entre a dúvida do que estava escutando e a surpresa pela homenagem. Suas lágrimas responderam por ela, mas antes que ela pensasse em pegar o bebê, Cinthia veio pegar para limpá-lo.

Patterson ainda estava incrédula olhando pro nada, até que seus olhos azuis encontraram o meu.

— Isso é lindo, Tasha. Não precisava.

A convidei para um abraço, como nós podíamos dadas as condições e ela então começou a rir.

— Eu te amo, Tasha.

— Também te amo, Mama Patt. E bem, agora eu tenho um pedaço de vocês dois comigo para sempre. O que mais posso querer?

Ela beijou meu rosto em resposta e complementou.

— Nada.



Notas finais
Comentários são sempre bem vindos. Embora não seja Repata shipper, não poderia excluir o Reade desse momento, afinal, o filho é dele.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!