The Hand Of Sorrow

8 Capítulo 8 - Algumas Explicações


Eu contava os segundos, tentando distrair a mente e não escutar a briga às minhas costas. Um, dois, três, quatro... oitocentos e vinte e seis, oitocentos e vinte e sete, oitocentos e vinte e oito... O tempo custava a passar, sempre seguindo o mesmo padrão. De repente a porta ao meu lado se abriu. Eu me virei rápido, esperando que fosse Kira, mas depois ouvi seus gritos. Era só um dos guardas que eu vira antes.

Não estava olhando para mim, por isso pude observá-lo melhor. Me lembrava os guardas do laboratório, alto, musculoso, cabelo cortado estilo militar e roupas camufladas. Porém sua expressão não era dura e fria, e sim... curiosa?

- Ei, — ouvi ele dizer. Seu rosto continuava mirando o cabo abaixado do rifle enquanto falava em tom baixo, o que não combinava com sua voz grave. – você é mesmo... uma...

- Arma? – completei, entendendo onde ele queria chegar. Foi estranho, mas não me senti tão mal assim. – Sim.

- Desculpe, — ele continuou. – mas você não faz muito o tipo Exterminador do Futuro.

Eu tive que concordar. Bem, não fazia a menor idéia de quem ou o que fosse esse Exterminador, mas parecia bem óbvio que não se parecia comigo. Acho que devia fazer uma descrição física agora, para entenderem melhor: tenho mais de 1,80 m de altura e um físico um pouco mais desenvolvido que a maioria (mesmo assim nem chego perto de gente assim). Meus olhos, eu achava que eram pretos, mas descobri que mudam de cor; com isso só me resta o cabelo castanho acobreado e ondulado para encerrar. É, acho que isso é tudo.

Eu finalmente notei que o homem estava de volta ao silêncio, mas tinha algo que eu queria saber fazia horas.

- Hey, — ele se virou confuso, e pude ver seus olhos castanhos. – eu sei que é estranho... Mas eu queria saber... O que são vocês e a Aliança?

- Bem... – pelo visto ele tinha ficado surpreso. Talvez pensasse que eu já sabia daquilo tudo. Irônico. – O que sabe sobre o ataque a Tókio em 2016?

- Nada. – dei de ombros. Bem, não adiantava fingir que sabia.

- Em junho de 16 os Estados Unidos criaram uma bomba atônica mais desenvolvida ainda, e lançaram contra Tókio. A cidade foi dizimada, e isso deu início a uma guerra entre as duas potências. E alguns anos depois, essa guerra cresceu. Foi a Terceira Guerra Mundial.

– Terceira? Haviam tido outras duas guerras assim? – não consegui reprimir o impulso de perguntar.

- Guerras sim, mas não como essa. – ele continuou. – Mas por fim essa guerra foi chegando ao fim, quando Japão, Estados Unidos e outras potências poderosas se uniram em uma proposta para destruir de vez todas as bombas e acabar com as mortes. Mas era só uma fachada. Esses países se uniram para destruírem as bombas, e criarem armas mais eficazes. E quanto mais avançavam, mais suas armas destruíam as potências menores.

Eles se intitularam a Aliança, com cada líder atuando de sua sede. Mas aqueles que sobreviveram e resistiram formaram um grupo rebelde, nós. Faz muitos anos que tentamos acabar com essa chacina sem sentido... mas somos fracos ainda. E cada vez mais perdemos gente.

Ele parou de falar e deu um longo suspiro. Parecia ter memórias penosas sobre tudo o que me contou, mas não queria perguntar, algumas coisas é melhor não saber. Eu ainda tentava entender toda essa história. Como as pessoas matavam outras, apenas por poder? O que eles queriam? Ser reis de um mundo sem vida? Sem dúvida era o que estavam conseguindo com aquilo. E as armas cada vez mais eficazes... Havia outros antes de mim, outros que não funcionaram como eles queriam. O que teria acontecido com eles?

Quanto mais pensava nisso, mas tinha certeza de que as pessoas da Aliança não eram humanos. Eram ainda mais baixos do que animais.

- É por isso que seu líder ficou tão furioso quando apareci? – perguntei sem olhar para ele. – Porque fui feito pela Aliança?

- É muito provável. – respondeu o homem. – Mas ele não é sempre assim, apenas se preocupa muito com a irmã...

- Sei, — entendi a situação dele. – e ela não ajuda muito nisso?

- Você é médium?

- Não. – tive que rir.

- Hey... qual seu nome? – ele perguntou de repente.

- Eu não sei. – respondi dando de ombros de novo. – Meu projeto era Genesis 91, então me chamam de Genesis.

- William Lennox. – ele acenou com a cabeça.

- Americano?

- Sim...

Ele ia continuar, mas então a porta se abriu de novo. Voltei a me virar a espera de Kira, mas novamente não era ela. O segundo soldado surgiu na porta e apontou com a cabeça na minha direção, mas falou com William.

- Ryuusaki quer falar com o...

- Genesis. – completou ele.

- Isso aí. – concordou o homem, e então falou comigo. – Vamos.

Olhei para William, mas ele deixou os ombros caírem, consentido. Concordei para o homem e voltei para a porta. Pelo visto o chefão ainda não tinha acabado. Eu mereço mesmo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.