The Hand Of Sorrow
5 Capítulo 5 - Decisões
Já fazia algum tempo que eu estava andando, sem saber onde aquele caminho terminaria. Kira parecia conhecer tudo ali, mas só falava as direções.
- Para onde vai me levar? – perguntei. Fazia muito tempo, anos, que eu não me sentia tão impaciente.
- Para onde você vai me levar. – ela corrigiu.
Era verdade. Por eu estava ficando tão confuso? Não sabia porque, mas eu estava melhor do que antes. Tudo parecia tão simples antes, seguir ordens e aceitar ordens. Agora... eu podia fazer o que bem entendesse!
- Por que você está sorrido desse jeito? – perguntou Kira, erguendo uma sobrancelha.
- Eu estou? – como eu não percebi?
- Sim. – ela sorriu também. – Você é muito estranho.
Estranho? Eu era muito mais que isso. Mas mesmo assim, não gostei de ouvir.
Incrível, senti mais raiva, confusão, felicidade, aborrecimento, medo nos últimos dois dias do que em todos os meus 16 anos. Viver devia ser assim.
- Você ainda não me respondeu. – me lembrei de repente. Além de confuso, estou ficando esquecido. – Para onde vamos?
- Para minha casa. – ela ergueu os olhos. – Se você não faz parte da Aliança, não terá problemas lá.
Eu pensei nisso enquanto andava. Pap... O Dr. Robberts me criou, e ele trabalhava para essa Aliança. Eles iam me usar na guerra, e eu pertenceria a eles.
Mas como eu podia tomar minhas decisões agora...
- Não faço parte de Aliança nenhuma. – respondi. Era a mais pura verdade. – Porque eles não podem ir na sua casa?
- Acontece que a minha casa – ela hesitou, mas aparentemente não fazia diferença me contar isso. – é um dos esconderijos dos resistentes. E a casa de vários de nós.
- Parece legal. – viver com tanta gente devia ser mesmo bom, nunca ficar sozinho...
Kira ficou me olhando como se eu fosse um anormal de novo.
- Agora que eu respondi a sua pergunta. – ela emendou. – Me responda uma?
- Claro. – me pareceu justo.
- O que você é, de onde veio e o que está fazendo aqui?
Peraí! Ela despejou as palavras sem parar, e eu levei um bom minuto para pensar quando ela parou de falar. Ela disse uma pergunta!
- Foram três perguntas!
- Ok, ok. – ela revirou os olhos. – Considere as duas últimas como um jeito de compensar isso.
Ela apontou para a perna ferida. Não era justo Kira usar isso para ganhar respostas, mas ainda sim devia alguma coisa a ela.
- Tudo bem. – fazer o que?
- Então?
- Vou por ordem... – fiquei pensando por um minuto, e simplesmente disse a verdade. – Não sei, prefiro nem saber, e não faço a menor idéia.
Kira ficou aborrecida e cruzou os braços, me soltando. Não foi bom, porque pareceu que ela não confiava mais em mim.
- Nem ao menos sabe o que é? – perguntou, cínica. Me senti mal, na verdade, essa eu sabia. Mas como explicar?
— Eu sou uma arma.
Ela ergueu as sobrancelhas, mas não sabia dizer se tinha ou não acreditado em mim. Bem, nem eu acreditava nisso direito ainda. Ninguém mandou ela me perguntar!
- Uma espécie de... arma humana. – emendei, tentando melhorar a situação. – Mas acho que sou um pouco humano ainda... Eu não estou mentindo.
Silêncio. Ela só ficava me olhando com aquele olhar espanto. Então seus olhos brilharam satisfeitos.
- Me diz uma coisa, se quiser. – o que era agora. – Você tem pra onde ir?
- Não. – não era difícil falar. Ela parecia já esperar essa resposta.
- Ótimo, você vai ficar comigo na resistência!
Hã?! Eu tinha certeza de que ela não estava falando sério. Quer dizer, se uma pessoa normal visse outra coberta de sangue quebrar um rifle militar como uma folha de papel, e ela ainda dissesse que era uma arma... bem, não levaria a lugar algum!
- Por quê?
- Porque você não tem pra onde ir, e é óbvio que precisa de ajuda. – isso era tão óbvio assim? – Além disso, como sou oficialmente parte dos soldados, preciso de uma arma, mesmo que não vá usar. Detestaria fazer isso.
Então o que me diz?
Eu não sabia o que dizer.
Naquela noite eu aprendi uma coisa que não foi implantada no meu cérebro. Mesmo naquela situação desesperadora, podia existir uma pessoa que tornasse tudo melhor. Era só procurar.
- Claro.
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