The Hand Of Sorrow
2 Capítulo 2 - Um dia que nunca vou esquecer
Eu me lembraria dos detalhes deste dia por muito tempo, o dia que tudo mudou.
Não sabia porque estava acordado, e eu tinha certeza de que não era um sonho. Por quê? Porque eu tinha o mesmo sonho, programado, por anos, embora ainda não soubesse porque. Estava escuro, mesmo enxergando melhor do que todos os que conhecia, não via mais do que vultos a minha volta, e estava silencioso. Eu simplesmente fiquei encarando o teto indistinto a minha frente, não fazia a menor idéia do que esperar. Então vieram os passos. A princípio, estavam longe e baixos, mas enquanto os minutos passavam, eles ficavam mais próximos e por fim pararam.
Uma porta se abriu do meu lado esquerdo, mas não consegui virar para ver quem entrara. Uma luz branca se acendeu logo depois, deixando-me cego por um instante. Eu não entendia, estava acordado, mas não conseguia me mover, nem ao menos piscar. Então a luz foi tapada por um rosto que eu não reconhecia, que logo virou-se e permitiu que eu visse que não estava sozinho, havia outra pessoa um pouco mais afastada.
- Não há falhas com o projeto dessa vez? — perguntou o primeiro, que pela voz, era um homem. Seu tom era duro e sério, e ele olhava para a pessoa as suas costas.
- Não senhor. — respondeu o segundo. Eu conhecia aquela voz!
Pai!, eu queria gritar para ele, mas minha voz não saiu, nem mesmo meus lábios se abriram, Pai, o que está acontecendo?
Então percebi que não conseguira vê-lo direito por causa de uma superfície transparente e fina. Vidro. Estava em uma caixa de vidro.
\"Eles prenderam você, mas não se preocupe. Logo saberá a verdade.\"
Aquela voz eu nunca ouvira, ela era fria e controlada. Não parecia vir da sala, mas sim de algum lugar ao fundo da minha mente. E de fato, não havia mais ninguém ali. Mas não tive muito tempo para pensar nisso, pois a \"caixa de vidro\" começou a levantar, até que pude encarar de frente os dois homens ali. O primeiro homem então guardou o pequeno controle em um dos bolsos do terno, sem soltá-lo. Com a mesma facilidade com que a caixa se levantara, virou-se para trás. Outra porta se abriu, do lado oposto a primeira, e fomos em sua direção.
A sala seguinte era enorme, em formato oval e branca, inacreditável e exageradamente limpa. Havia duas mesas cinzentas em forma de vírgula dos dois lados, cada uma ocupada por várias pessoas que eu nunca vira na vida. Todos olhavam espantados ou chocados, enquanto passávamos e eu sentia-me parar a frente de todos eles. Papai parou do meu lado direito, e embora o visse ainda, não podia dizer qual era sua expressão. O homem continuou andando e sentou-se no único lugar vago nas mesas. Houve vários sussurros nas pessoas, mas papai pigarreou e começou a falar, seu tom ligeiramente tremido de nervosismo.
- Senhores Representantes da Aliança, como foi programado para o dia de hoje, eu lhes mostrarei o mais novo projeto de armamento desenvolvido pela Companhia Trinity... — um dos homens das mesas de repente bufou, fazendo todos olharem para ele.
- E então, velho louco? Onde está nossa arma? — esbravejou o homem, alisando a barba rala, seu rosto ficando em tons de vermelho. — Tudo o que trouxe foi... uma criança!
- Ah, sr. Orlaf... — interveio papai, calando-o. — A sua arma está aqui. Essa criança — e ele apontou o longo dedo enrugado na minha direção. — é a sua arma.
O que?, eu queria gritar. Como assim uma arma? Eu não sou nenhuma arma, sou só diferente. Os cochichos pararam de súbito, e todos olharam céticos para nós dois. Em vez de parar, o que acontecia quando as pessoas o encaravam tão incisivos, papai voltou a falar com mais confiança ainda.
- Senhores, tenho o prazer de lhes apresentar o projeto Genesis 91. — ele deu alguns passos e parou a minha frente, e estendeu a mão em minha direção. — Desde o início da Guerra foi nosso desejo criarmos os melhores soldados, e foi isso que a Companhia fez. Após alguns meses de pesquisas, conseguimos encontrar um espécie de ser humano cujo corpo fosse capaz de suportar e se adaptar as mudanças que o projeto exigia.
- Está querendo dizer que transformou uma criança em uma arma? — esganiçou-se um homem mais atrás, sua voz ligeiramente aguda enchendo o ar.
- Ora, o senhor deve entender as exigências da guerra, não é? — retrucou papai, com um tom cético que eu nunca ouvira dele. — A criança era filha de um casal da resistência, tinha apenas alguns meses quando começamos os experimentos.
Isso é a sua desculpa, seu filho-da-mãe?! Eu achei que você era o meu pai, e esse tempo todo você mentiu! Mentiu pra mim, eu tinha pais de verdade, e vocês os mataram para criar uma arma?!
- O que exatamente foram esses experimentos? — perguntou uma mulher mais a frente.
- Bem, apesar de parecer apenas uma pessoa comum por fora, Genesis teve quase todas as suas estruturas biológicas substituídas por componentes mais forte, desde platina a Chrome Stard. Ele é internamente mantido por células sintéticas, que são ligadas ao processador central. Com isso, ele é exporencialmente mais forte, mais rápido e mais resistente do que qualquer ser humano vivo.
Todos os olhos então se voltaram para mim. Eu não queria encará-los, aquelas pessoas me viam apenas como uma arma para ser usada na guerra. E papai também. Por dezesseis anos eu confiei nele, eu permiti que ele me tornasse essa arma... Eu senti algo cair da minha mão para o chão. Sangue. Eu tinha fechado o punho tão forte que estava sangrando. Eu podia me mover.
\"Você está livre. Destrua-os.\"
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