Notas iniciais
É isso... Vou dar uma pausa em TGC por um tempo... Mas aproveitem este chap :3

Meus dias na Natch estavam cada vez mais melhorando. Apesar dos conflitos com Ryan, meus outros instrutores elementais eram pessoas, na verdade, muito legais. Carla — Minha instrutora de compactação de terra, que cursa o quinto ano na Natch — me ensinava movimentos básicos para deixar o que ela chama de "Energia Terrenia" fluir. Consistia em sentar na grama e fazer um tipo de mantra. Não entendia muito como era possível alguém fazer pedaços enormes de rochas flutuarem como papel e ela me explicara muito. Não parecia tão simples assim, mas, pelo menos, eu conseguia entender. Ela dissera que tudo no universo era feita de partículas subatômicas de composições e massa diferente. Newis, por obterem capacidade cerebral maior que a maioria dos seres vivos, conseguiam identifica-las,e por sua vez, conectar-se, por assim dizer, a elas atrás do processo que ela nomeou de "Ressonância Cerebral".

- É simples — Disse em quanto estávamos praticando os movimentos do mantra — É como se seu cérebro emitisse uma substância capaz de se ligar a certo tipo determinado de partículas. Funcionaria quase como um imã de polaridades iguais, eles se repelem. Basicamente é isto que fazemos.

Ela também me explicara sobre a capacidade limitada da dominação.

- Não pense que é tão simples, — advertiu-me quando questionei a facilidade com que ela elevara um enorme rochedo a cima de nossas cabeças — Existe algo chamado "lei da Conservação de massa".

- Hm... Como assim?

- Pode parecer que fazemos a pedra flutuar, mas, é como se estivéssemos sentindo o peso dela em nosso corpo.

- Uau! Então...

- Domadores de Terra precisam ser fortes, principalmente fisicamente.

- isso acontece com os outros elementos, então?

- Sim... Condutores de ar — Ela abaixou a pedra suavemente, mudando de posição — Eles fazem justamente o que o nome diz: Conduzem o ar. Mas, é uma tarefa árdua. Pense assim: A terra é solida, podemos toca-la, podemos senti-la. Mas e o ar? Condutores de ar mantem uma concentração enorme para poder, digamos "limitar" a quantidade de ar a sem lançada. É algo complexo, não posso explica-lo sobre isso, mas você deveria perguntar a Isabella, ela é sua tutora de condução de ar, não eu.

- Certo, farei isso — Ela voltou a sentar no chão na posição de lótus e eu a imitei — mas quanto a água, quanto ao fogo?

- Fica para outra hora. Por em quanto concentremo-nos no que estamos fazendo.

Não só Carla, como Isabella, me ajudavam bastante. Apesar do esforço delas não ter muito resultado. Eu simplesmente não apresentava nenhum avanço. E, por incrível que pareça, eu já estava ficando bastante chateado com isso.

Estava até para perguntar a Isabella a respeito de uma enorme lista de duvidas que eu possuía, quando o diretor anunciou no alto falante do refeitório o cancelamento do restante das aulas do dia e pediu nossa presença no auditório o quanto antes.

Já haviam se passado 10 minutos, eu e Max estávamos sentados nas poltronas acolchoadas do auditório. Observamos, pacientes o lugar ficar lotado. Entravam em grupos, sozinhos, em dupla, mas sempre conversando. Estavam empolgados. Parecia até que eles já sabiam o que estava para acontecer.

Um sorriso brotou de meus lábios quando notei Echo e Vanessa se aproximando, sentando na fileira de cadeiras a baixo a nossa. Olhei para agarota que me saudou com um "oi", seguido de um sorriso.

Meus encontros com ela estavam se tornando frequentes desde aquele dia. Eu sempre a encontrava desenhando em locais afastados. Na maioria das vezes, parava para conversar, mas sempre a saudava, e recebia um sorriso doce, em troca.

- Meus caros alunos — bradou o diretor, no palanque do auditório, levantando as mãos — vamos então iniciar o Carnival de lá Natch!

Gritos de empolgação ecoaram pelas enormes paredes do recinto. Olhei de relance para Vanessa, ela, por incrível que pareça, exibia um enorme sorriso no rosto, Assim como a Echo. Aparentemente, todos exibiam a mesma alegria em suas expressões faciais.

- Mas os novatos devem estar se perguntando, o que raios é o Carnival de lá Natch. Srª Sophia... — o diretor fez mansão a srª Sophia, que levantou-se prontamente de onde estava sentada, ao lado dos outros membros do corpo docente. Hoje ela trajava um vestido comprido azul marinho — sério, essa mulher só pode amar azul. e vestidos — e seu costureiro coque, com um pequeno laço azul preso aos cabelos — o que a deixou com cara de poodle toy — ela pigarreou algumas vezes e inacreditavelmente, a multidão de vozes se calou. Sorrindo, ela se pronunciou a frente ao microfone o qual o diretor usara.

— Meus queridos e adoráveis novatos, — saudou, melosamente — vocês estão a um passo do evento primordial da Natch, fora as exames finais, claro — ela deu uma risadinha abafada, mas logo se calou, assumindo o tom e a postura anterior — o Carnival de lá Natch nada mais é do que a gincana interescolar — todos aplaudiram calorosamente. O que há com este pessoal? Estavam tão felizes por uma gincana boba de um colégio qualquer. Mas afinal, a Natch não era um "colégio qualquer"... — vocês, se perguntam "como isso vai funcionar?" ora! Simples! Vocês serão divididos em 24 equipes de 10 pessoas, cada qual com seu capitão e o sub capitão. Vou logo lhes adiantando: os membros de cada equipe serão decididos por sorteio. — ótimo, isso mais me parecia um evento para "interação entre alunos", bufêi, cruzando os braços. Finalmente havia entendido o que Vanessa queria dizer com "Eles promovem eventos de interação entre as classes" — basicamente, o carnival é um evento onde os alunos serão expostos a testes físicos em que devem utilizar de seu raciocínio e habilidades como Newis para vence-los, assim acumulando pontos para suas equipes. A equipe que chegar ao final dos 10 desafios, ganhará o primeiro prêmio: uma semana de relaxamento em um Spa no leste da Austrália com Todas as despesas pagas! — silêncio foi quebrado. Todos os alunos assobiavam e batiam palmas calorosas. Se antes estavam calados, agora comentavam empolgados sobre a possibilidade de ganhar o primeiro prêmio ou até mesmo de em que equipe ficariam e com quais pessoas. Admito, um Spa na Austrália, parecia muito bom. A senhorita Sophia pigarreou novamente, atraindo todas a atrações a si — deixem para conversar mais tarde, corações. Tenho muito a falar ainda! — todos voltaram a fazer silêncio — Como os veteranos bem sabem, o Carnival não é obrigatório, mas é 50% da nota das atividades extra curriculares. Fica, então, ao critério de vocês participar ou não. — revirei os olhos, sem paciência. Max cutucou-me o braço, e uma fina linha de dor correu por meu corpo fazendo-me gemer.

- Legal, não é?! — cochichou ele, sempre positivista.

- Só se eu não entrar em uma equipe com a Rachel, ou o Luke. — só de imaginar, um arrepio me correu a alma. Max pareceu não entender o motivo da minha preocupação, porque deu de ombros e sorriu.

- Você não deveria fugir, sabe. Deveria encarar tudo de frente e esclarecer tudo com os dois!

- hm... Não, obrigado. — voltei a prestar atenção no que senhorita Sophia falava. Agora ela explicava sobre as regulamentos básicos, e afins, por fim, agradecendo a atenção e passando as palavras ao diretor, que assumiu seu posto.

- Então está na hora de tirar os times! — anunciou ele. Todo o auditório explodiu em gritos de empolgação.

Fomos guiados até o lado de fora, onde 10 urnas nos esperavam. Foram então formadas filas indianas em frente a elas.

Pensei que eu teria de esperar para sempre, mas logo a fila andou e eu estava cara a cara com o cálice de cor prateada que era a urna. Coloquei minha mão, torcendo para pegar um número que me levasse a um time livre de psicopatas ou assassinos, tirando então, um pequeno pedaço de papel azul marinho, com o numeral "10" impresso em cor vermelha. Max foi o próximo, desejei com todas as forças para que fôssemos da mesma equipe, mas as chances eram 1 em 24. Isso se confirmou depois que ele veio ao meu encontro, sorridente, segurando um pedaço de papel similar ao meu, mas com os números "21" impresso.
— 21 — anunciou ele — e você?
Mostrei a ele o número que eu tirara — há.. Mas isso é bom! Você vai conhecer pessoas novas!
— è... — claramente Max não compartilhavá da mesma preocupação que eu.
— Garotos, — senhorita Sophia se aproximou, segurando uma prancheta — Nomes e equipe.
— Max Harrigton, equipe 21 — respondeu ele.
— Nicolas, equipe 10.

- Okay... — ela começou a rabiscar algo em sua prancheta e logo voltou seus olhos negros em nossa direção — vão atrás do resto de sua equipe — ela nos enchotou fazendo um gesto de mão.
Logo, Max juntou-se a um pequeno grupo de pessoas que gritavam pelos participantes do 21. Ele sussurou algo como "boa sorte", deixando-me sozinho em um mar de pessoas.
Eu pensei que seria difícil, mas não foi. Logo encontrei um garoto que gritava entre pulmões "número 10! Equipe 10!", com o braço esticado para a frente. Na mão, o pequeno retangulo de papel com o número.
— Oi! — saudei, aparecendo de repente a sua frente — sou número 10. Nicolas... Prazer.
— Ola! — Ele sorriu para mim e ficou claro que eu estava em frente a um Max versão miniatura dos olhos castanho escuros. — Richard. Muito prazer, Nicolas. Hm, você é novato, certo?
— Sim, sou. Você...?
— sim sim! Sou primeiroanista, assim como você. Eu o vi na cerimônia de abertura.
— Ah... Também lembro de te-lo visto — menti.

Na hora eu estava tão concentrado, procurando uma razão para a insanidade que julguei ser a Academia Natch, que não lembro dos rostos de quase ninguém que assistirá a cerimônia de abertura. Não conversamos muito depois daquilo. Nos concentramos em achar o resto do grupo. Encontramos a Amélia, uma garota de longos cabelos encaracolados até a cintura, ela viera do Brasil e estava no terceiro ano da Natch. Cloe era uma típica garota da Californiana, com seu bronzeado forte e seus cabelos loiro e olhos azuis. Ela era segundanistas. Não sei por que, mas logo de cara simpatizei ela. Logo descobri que James também estava no meu grupo, o que foi um alívio. Afinal, antes um doido de manias conhecidas do que um desconhecido. Diana, uma garota de cabelos mais escuros que os meus e de olhos bem pretos, juntou-se a nos logo em seguida. Assim como Cloe, ela era segundanistas. Descobrimos rápido que as duas não se suportavam pela troca de olhares. O que não era uma coisa boa para a equipe.

Mas no fim das contas, cada batalha deve ser travada por vez. Decidi, então, dar prioridade a me preocupar com as chances de Rachel e Luke estarem na mesma equipe que eu. É, por sorte, estas chances foram diminuindo gradativamente com a adição de Anne, uma quintanista como James e Jonathan, quartanista ao grupo. Enfim éramos nove e procurava-mos pelo nosso décimo membro, quando ouvi, contente, uma voz desconhecida as minhas costas.

- Vocês São do grupo dez?
— Sim! Somos. Sou o... — virei-me de costas, para ficar frente a frente com o garoto. Foi então que meu coração parou. Ou pelo menos pareceu parar. Eu estava em frente a Luke, a poucos centímetros dele. Meu corpo gelou, e por mais que tentasse, as palavras não se formavam em minha cabeça. Ele olhou para mim, intrigado, e, para minha surpresa, abriu um enorme sorriso.
— Nicolas! — completou ele — eu sei quem você é. Meu irmão não gosta de você... — a última frase saíra de seus lábios com um explícito tom de vergonha.

Como eu não mostrava sinais de vida, ele continuou — Suo Lucca, Lucca Thieve. irmão do Luke.

- Ir-irmão... — suspirei, aliviado. — mu-muito prazer, Lucca — eu nunca senti tanta vontade de apertar a mão de alguém como a dele. Finalmente éramos dez, e os meus riscos de vida diminuíram para zero. Pelo menos em quanto eu andasse com o pessoal do grupo 10, teria escolta garantida. Pelo menos eu acreditava nisso.
— Muito bem, muito bem! — exclamou Richard — estamos todos reunidos, devemos eleger um capitão e o sub.
— Bem, eu voto no James! — anunciou Cloe, secando minuciosamente as mínimas partes do corpo do meu colega de quarto.
— Acho melhor a Anne ser nossa líder. — opinou Diana, tirando um sorriso da garota mais velha.
— Não sei se posso ser líder.. — disse Anne, encabulada.
— Eu também acho uma boa ideia a Anne ser nossa líder — disse Lucca. Ele sorriu para a garota, que ajeitou uma mecha de seus cabelos ruivos para trás.
— Certo — começou Jonathan — Anne será nossa líder e o James nosso sub, todos concordam? — O grupo todo, sem exceção balançou a cabeça em aprovação.
— Tudo bem, mas agora precisamos saber quem domina o que aqui nessa joça — Disse Richard de um jeito engraçado.
— Eu sou Condutora de Ar. — Disse Anne

- Fogo — anunciou Cloe, passando os dedos pelos cabelos loiros, o que fez Diana revirar os olhos.
— Água — pronunciou-se Diana, logo em seguida.
— Sou um compactador de terra. — assumiu Jonathan, o que explicava sua massa corporal. Só podia ter algum tipo de relação...
— água — disse luke — e a Amélia é ar — completou, fazendo a garota afirmar com um movimento sutil de cabeça.
— Bem, eu domino o ar!! — anunciou Richard, sem conter sua empolgação. Todos me encararam, esperando que eu dissesse algo, mas a verdade era: eu não sabia que elemento eu supostamente posso dominar.
— Bem... Eu... Er... — As palavras estavam na ponta da língua, mas algo em mim não queria dizer-lhes. Pela primeira vez, odiei não poder controlar um elemento — Eu não sei... — todos me olharam, espantados, menos Lucca, que sorriu para mim, como se compartilhassemos de um segredo ou algo do tipo.
— Bem... Como assim "nao sabe"? — Fora Anne quem perguntara.

- Não sabendo... — em poucos minutos, expliquei a eles a cerimonia de identificação no chafariz, passando para a conversa com o senhor Edilson, finalizando com o novo horário que eu seguia. Não sei porque, mas algo dentro de mim deveria deixar a visita ao ponto cardeal do sul em segredo. Ao fim, todos me encaravam, mais perplexos ainda.
— Já vi casos de pessoas que nao conseguiam despertar seus elementos matriz — explicou Anne — e isso é muito comum.
— Entre dez Newis, dois não conseguem acessar o elemento matriz com facilidade, — explicou Amelia — seu caso deve ser algo parecido. Talvez um bloqueio, não sei...
— Mas de qualquer forma, — Interrompeu James — Você deve dar um jeito de descobrir o quanto antes, se não ficará em desvantagem no desafio.
— E por falar nisso, — interveio Richard, animado — olhem! — Ele apontou em direção as urnas onde agora Srª Sophia segurava um microfone, pedindo atenção.

- Eu sei que vocês estão alvoroçados e empougados! — disse, de maneira enérgica — então vamos descobrir o primeiro desafio! — Novamente, todos explodiram em gritos de alegria. — Os lideres de cada grupo façam o favor de vir ate aqui.
— Bem, isso é comigo — Disse Anne — volto logo — e foi em direção a senhorita "azulão". Deixando-nos para trás. Aos poucos, mais ou menos vinte garotos estavam junto a ela, dentre eles, pude distinguir Ryan, Echo e um garoto de olhos azul piscina e cabelos loiros iguais aos de Lucca. Luke direcionou o olhar em minha direção sorrindo maliciosamente, ele socou a palma da mão aberta, apontando discretamente para mim, em seguida. Algo me dizia que o Carnival seria a desculpa perfeita para uma pequena vingança da parte dele. Lucca pareceu notar minha tensão e acompanhou meu olhar, desviando-o logo depois que notou que tratava-se de seu irmão.

Não demorou muito ate que Anne estava de volta. Ela trazia consigo um pedaço de papel em sua mão e um sorriso radiante no rosto.

- Pelo o que vejo, são boas noticias — comentou Jonathan
— Maravilhosas! — completou ela — O primeiro desafio esta no papo!
— Minha nossa, se a Anne esta contando com a vitoria antes da hora, é por que o negocio ta serio.
— Deem uma olhada — ela estendeu dois papeis em nossa direção, um parecia ser um tipo de tabela com o registro de todos os times e seus integrantes, já o outro era algum tipo de panfleto, com os dizeres: "1 semana — Waterfall's Surf; Escolha sua pranchas de windysurf e tente lutar contra as forças da natureza subindo a cachoeira da donzela.". Todos, menos eu e o Richard, urraram de alegria. Não entendia como algo daquele gênero poderia ser considerado um desafio de jogos escolares tendo em vista o perigo eminente, alem de ser humanamente impossível "subir" uma cachoeira, mas afinal, seriam Newis classificados realmente como "humanos"?

Richard pareceu pensar a mesma coisa que martelava em minha cabeça pois dissera:

- E como isso poderia ser bom? — seu tom de voz era neutro, nao demonstrava empolgação tão pouco medo.
— Temos um mestre em Waterfall's Surf no grupo — Disse Amelia, sorrindo para Lucca que automaticamente corou.
— Bem, — começou Lucca — no meu primeiro ano na Natch, meu desafio foi o justamente esse, o qual peguei o segundo lugar.
— E no terceiro ano, — interveio James — ele pegou o primeiro lugar.
— O que significa que ele é a melhor aposta para esse desafio — concluiu Anne.
— Parece fazer sentido — concordou Richard, um pouco mais animado — mas por acaso o Ryan participara desse desafio em algum dos anos? — a aflição atingira o rosto de todos.
— Ele nunca tentou em todos esses anos — Informou James — para que ele tentaria justo esse?
— Mas vocês não descartam a possibilidade de este ano, ele participar, certo? — Retrucou Richard
Todos concordaram com a cabeça.

- Richard, o Ryan é bom, mas me esforçarei ao máximo e não pegarei menos do que o segundo lugar. — Disse Lucca, seu tom não soara com egocentrismo, mas sim em uma tentativa de animar a todos.
— Meu irmão não é só bom, ele é o melhor. — Advertiu o garoto.
— Espera ai — Dessa vez, eu quem falara — Ryan Hinckell é seu irmão?!
Richard assentiu com a cabeça, deixando transparecer a admiração que tinha por seu irmão.
— Sou o caçula de seis irmãos — oras, Psicopatas tem família, afinal. Por que Ryan não poderia ter a dele?
— Mas não pense que não quero derrotar a equipe dele! — explicou, com confiança no olhar.
— Todos queremos, — Disse Diana — e vamos nos esforçar ao máximo para isso.
— Assim que se fala! — concordou Anne — Então, já que estamos todos cientes do desafio, e concordamos em quem o enfrentará — ela fez uma pausa, olhando um por um esperando objeção, mas como todos permaneceram calados, ela prosseguiu — estão dispensados, por hora. Nos encontraremos em frente a mansão principal, 10 minutos antes do desafio, que será as 15:30 desta tarde. Só quero que o Lucca e o James fiquem, temos que retirar o equipamento no ginásio.

Todos se despediram, e logo seguiam seus caminhos. Eu estava atônito com tudo o que acontecera hoje. Talvez o Carnival de La Natch fosse uma experiencia divertida, sem sombra de duvidas perigosa, mas, como todos pareciam estar felizes com a competição, não me parecia algo mortal e eu realmente orei em silêncio para que não fosse.

***


Encontrei o Max, no caminho que fiz de volta ao dormitório, ao que parecia as aulas foram suspensas por esta tarde para que nossas equipes pudessem se organizar. Como sempre, meu colega de quarto estava falante, e em menos de 5 minutos me contou que estava na equipe do sataná... Do Ryan — o que me deixou um pouco aflito por meu inocente amigo -. Ele me contara sobre os outros membros de sua equipe também, mas um nome em especial chamara minha atenção. "Vanille Hime". Inclusive, Max notou meu espanto ao ouvir o nome da garota, e perguntara-me a respeito da mesma. Eu conhecia o garoto fazia apenas uma semana, mas como estava bloqueado de todo contato externo e de todos meus amigos, passei a confiar em Max. Claro, existiam certas coisas a quais eu não me sentia nem ao menos confortável em falar, mas aos poucos, ele ganhou conhecimento de algumas aventuras minhas com Vini, ate do inicio de meu namoro com a Rafaela e como havíamos nos tornados bons amigos apos o rompimento.

Contei-lhe então, um episodio que se passara a um certo tempo em minha vida.

- Eu deveria ter uns 5 ou 6 anos — comecei — Alec tinha apenas uns 2 anos de idade e dormia comigo, em meu quarto. Certa noite acordei ouvindo o que me pareciam vozes vindas do andar de baixo. Raramente minha mãe e meu pai discutiam, e mais raramente ainda eram as vezes em que levantavam a voz. Tentei ignorar o alto barulho, mas sem sucesso. Logo, Alec choramingava baixinho em seu berço, e eu estava de pé, ninando ele. Depois que meu irmãozinho voltara a dormir, eu estava decidido a dar um fim naquilo. Eu tinha um bom argumento, que era o sono do bebe. Alec sempre fora o xodó dos meus pais, e por incrível que pareça, eu nunca sentira ciúmes dele. Mas qualquer que tenha sido o motivo da briga, eles parariam ao saber que Alec estava chorando, no quarto.

- Ele não pode mandar um de seus serviçais reivindicar algo que deixou de pertence-lo a tempos — interveio papai, seu tom era o mesmo de sempre: Firme, calmo e seguro, mas seus olhos exibiam algo inédito para mim: Medo. Quem quer que fosse aquele homem de cabelo platinado, só poderia ser encrenca.
— Não sou um serviçal, sou um velho amigo da família Piccinato — Explicou o rapaz, com a voz e expressão inalterados, mesmo depois do bom argumento que meu pai apresentara — alem do mas, vocês concordaram em guardar aquilo que pertence a meu bom amigo Ian, em troca do favor que já lhes fora pago.
Nunca vi meus pais tão amedrontados quanto estavam naquele momento.
— Por tanto — ele levantou-se bruscamente — entendam de uma vez: Uma hora ou outra, Callum voltará aos Piccinato. Sigam meu conselho, Fae, Edward, é melhor se prepararem, pois esse dia esta para chegar.
— Já entendemos o Recado. — Avisou meu pai, rispidamente — peço que se retire de nossa casa.

- Sim, eu já estava de saída. Obrigado pelo chá, Fae — mamãe o fuzilou com o olhar. Já a porta, nosso visitante noturno, virou-se em direção a meus pais — Sei que lhes disse que não se arrependeriam de negociar com ele, e percebo que estão desgostos do desenrolar da historia, apesar de conhecer o inicio, o meio e o fim de tudo.
— Sim, — concordou meu pai — eramos tolos, na época em que o conhecemos. Jovens, recém casados e já com as esperanças mortas... Assim que nos propuseram, não víamos por que não aceitar, era uma tarefa simples. Mas, acredite, Vicente Hime, nos arrependemos muito de certas escolhas que tomamos.
Vicente deu de ombros, com indiferença e passou pelo arco da porta.
— Como eu já disse: Um pacto com o Ian é como um pacto com o Diabo. Cumprindo-o ou não, sua alma acabará nas mãos dele. — e saiu porta a fora.

— Meu Deus — Max estava de olhos arregalados, e me encarava assustado — quem...?
— ...era o sujeito? Não sei. O que ele queria? Isso também vai além da minha compreensão. Eu era pequeno na época, tudo que ele falara aquela noite não fez o mínimo sentido.

- Mas então... O que aconteceu depois?
— Nada... Subi para meu quarto a toda velocidade e me escondi de baixo das cobertas. Tive pesadelos por meses com aquele estranho.
— Você nunca tentou descobrir algo a respeito disso? Do tipo: quem é Callum? Ian? Que pacto foi esse?
— Calma, Max — temi que as informações fossem de mais para meu amigo. — Respondendo a sua pergunta: Não, nunca tentei sequer entender o que se passara. E por mais estranho que pareça, Todos os nomes citados, "Piccinato"; "Callum"; "Ian", parecem fazer algum sentido para mim.
— Cara, isso é estranho de mais... — Nada falei, apenas concordei com a cabeça. — Mas o que isso poderia ter a ver com a Vanille? Os sobrenomes são iguais mas devem ter muitos Himes por ai, não é?

- Cê ta brincando comigo? Podem ter muitos Himes, mas poucos poderiam ter um sotaque tão estrangeiro quanto aquele homem. Mas de qualquer forma, não comente isso com ninguém. Apenas você e a Rafaela sabem sobre isso, então...
— 'Podexar', chefia! — ele levou os dedos aos lábios onde imitou segurar uma chave e tranca-los
Não conversamos muito depois disso porque, todas as vezes que tentava puxar um assunto diferente, Max voltava a falar do episodio o qual eu narrara, implorando por mais detalhes e para que eu repetisse algumas coisas que eu escutara. Eu realmente não estava afim de falar sobre o assunto e então, passei a ignora-lo toda vez que tentava voltar a falar sobre. Me questionei se eu estaria me transformando em uma "Vanessa" da vida, o que me fez sentir um arrepio de repulsa pelo corpo todo. De qualquer forma, aquela tarde as horas pareceram voar, e em duas piscadas, estávamos todos da equipe 10 reunidos em frente a mansão principal a umas 15:20.

Os últimos que chegaram foram nossa capitã, James e Lucca, que assim que me viu, sorrio. Retribui, não tão intimamente como o qual ele me dera.

- Pessoal! — Saudou Anne — Esta tudo pronto para nossa vitória! — todos comemoravam alegremente. Devo admitir, eu mesmo tinha muita esperança de que ganharíamos o primeiro desafio. Se Lucca modelasse a água tão bem quanto o Luke doma o fogo, estaríamos feitos.
— Não sei o porque pedi para nos reunir antes do desafio, apenas me pareceu simbólico estarmos todos juntos para pô-los a par da situação.
— Vejo então que temos notícias — anunciou Jonathan.
— Muito boas por sinal — falou James — Anne e eu Pedimos a Cloe um pequeno favorzinho...
A garota jogou seus cabelos loiros em direção a Diana, como se indicasse que sua presença no grupo, era mais importante que a da garota morena, o que a deixou fervente de raiva, julgando que seus olhos estreitaram-se.

- Bem, — começou Cloe — Todos sabem que o Noah Alberthiny sempre fora afim de mim e de minhas virtudes — ela piscou para James, que retribuiu com um sorriso de canto de rosto. — E, oras! Usei isso a meu favor. Hoje mais cedo, assim que nos despedimos, tratei de fazer uma pequena lista dos meus tietes e as equipes em que estavam. Eles praticamente fazem tudo apenas por um selinho meu. Foi fácil descobrir a equipe do Noah, e isso graças a Anne. — ela sorriu para a garota de cabelos vermelhos.
— Loira de farmácia, adianta que isso é pra ontem ta?! — Diana cruzara os braços e bufou, impaciente, assim que acabara de falar. Cloe estava prestes a revidar, mas, para minha surpresa, deu de ombros e prosseguiu:
— Como eu estava dizendo antes de ser bruscamente interrompida, — Diana revirou os olhos — Noah faz parte do time 21, juntamente com Ryan Hinckell. Conversei um pouquinho com ele e o garoto me entregou o esquema completo! Nada de Ryan neste desafio!

Todos vibraram, empolgados. Acho que eu e o Richard eramos os únicos que permaneciam inabalados com a notícia.

- Uma hora ou outra vamos enfrenta-lo. — Falou Richard.
— Exatamente, — concordei — e o melhor que temos para fazer é esperar pacientes por este momento. Não se esqueçam que teremos de enfrentar Vanessa Russel e Khandal Lancaster, que são sigmas, Além de Echo Aoki. Por tanto, vamos nos preparar e ir com tudo!
Meu discurso motivador foi seguido de "Ebas" e "vivas" animados. Logo, estávamos todos tão envolvidos na vontade de ganhar que Ryan, Vanessa, e quem quer que fosse, já não nos causavam tanta preocupação quanto a pouco tempo atras.
Não sei se era de nervoso, mas passamos o resto dos minutos rindo, falando bobagens. Particularmente, a expectativa me matava por dentro. Cada segundo me pareciam horas. O único que aparentavam segurança eram Lucca, Anne e James.

Mais uns minutos se passaram, e os alto falantes presos aos postes anunciaram a voz do diretor que pedia a todos os times que se apresentassem na guarita apos a ponte. Rapidamente, marchamos em direção a nosso destino. O clima permanecia de tensão. Um ou dois comentários de Richard nos fizeram cair em gargalhadas, mas era algo tao superficial e cenográfio, que, cada vez que nos aproximávamos mais da guarita, mais calados ficávamos.


Devo admitir, nunca em toda minha vida eu vira estrutura tao grande quanto o muro de pedras que separava o mundo exterior e a Natch. Estávamos, assim como as outras equipes, indo em direção a ele, quando notei protuberâncias concavas construídas do próprio material — eu não saberia dizer se aquilo existia quando cheguei, provavelmente sim -. Haviam duas aberturas no muro, uma era a da guarita, e a outra nos levou por uma enorme escadaria de iluminação fraca.
— Quanto mais em baixo melhor — explicou Anne — Dito isso, descemos as escadas, passando pelos corredores que levavam aos "camarotes".

Descemos cada vez mais, ate que Lucca despediu-se de nós, seguindo pelo caminho dos competidores. Andamos mais um pouco até Anne julgar bom e entramos no corredor.

Passamos por algum dos "camarotes" que já estavam cheios, ate descobrirmos um vazio e nos estalarmos la. Ouvi o barulho de água chocando-se contra as rochas. Richard puxou-me pela manga da camisa e nos aproximamos da grade de segurança para dar de cara com os respingos gelidos da água em nossos rostos. Deveríamos estar apenas a um metro e meio da corredeira. Não pude deixar de pensar que cair ali, era morte na certa.
— Olhem eles la! — Anunciou Cloe, apontando em direção ao pequeno cais de madeira, onde estavam os competidores vestidos com roupas de neoprene, dentre eles, Lucca segurando sua prancha azul.
— Atenção, atenção todos! — Uma figura pequenina, agitava-se, segurando um microfone a mão. O diretor, como sempre, pigarreou e logo voltou a seus discurso — Esta na hora do nosso primeiro desafio do Carnival de La Natch! — Como esperado, os garotos vibraram de alegria, inclusive, desta vez, eu. — Vocês escolheram os seus campeões! E esta na hora de verificar se a escolha foi correta! Todos os competidores, fiquem apostos, o sinal de largada anunciara o inicio do jogo em menos de 2 minutos. — Todos, incluindo Lucca, colocaram os aparatos de proteção, dentre eles capacetes cotoveleiras e afins.
— Senhores, — chamou Sr.ª Sophia, ao microfone, dirigindo-se aos competidores mas certificando-se que todos estavam escutando. — Senhores, quero me certificar de que se lembrarão das regras do evento: — Ela fez uma pausa, voltam em seguida a falar — Dominação Elemental é essencial para a realição da prova, mas lembrem-se que a utilização de qualquer outro recurso, além de atrapalhar seus adversários para vantagem própria, levara a desclassificação.
Bem, pelo o que eu entendi, trapaça estava válida, e isso me fez repensar o sentido de tudo aquilo.
— E, por favor, divirtam-se! — ela devolveu o microfone ao diretor, sussurrando algo em seu ouvido. Não sei se os demais notaram, mas depois daquilo, ele fechara a cara por completo. Provavelmente eram problemas escolares, Tanto faz.

Mal se passara um minuto, e la estávamos nos, na contagem regressiva para o toque do sinal, assim que todos em, uníssono, pronunciamos o "1" , a sirene avisou que a prova começara.

Dada a largada, um garoto que não conheço é levado por uma grande onda, passando na frente dos outros participantes.

Um sonoro "uau!" é dito por alguém ali perto, enquanto Sra. Sophia começava a narrar o que acontecia.

"E Felipe começa a prova tomando a liderança com uma manobra bem esperta de sua parte. Mas o que foi isso?" Algumas vaias vinham do público.

Felipe caiu da prancha, que foi arrastada pela correnteza. Ele agora se encontrava agarrado a algumas pedras. Como isso aconteceu? Virei para trás por apenas um segundo e... Foi isso.

Agora quem estava na liderança era uma garota, que também desconhecia.

"Felipe está fora — azar da equipe dele. Marina toma a liderança, mas Lucca está na sua cola. A briga acirrada pela primeira colocação fica entre Marina, Lucca e Andrew"

Retomando minha atenção a cachoeira, vejo que os três estavam realmente numa briga feia — ora um, ora outro passava na frente, mas nenhum por muito tempo.

Uma rajada de água é lançada na parte traseira da prancha de Andrew, forte o suficiente para acelerar sua velocidade — e também derrubar uma garota que estava poucos metros as suas costas.

Tentando evitar a queda, ela faz uma grande onda surgir as suas costas — o que só serviu para piorar sua situação, mandando a prancha para longe de si e desviando o curso de outros dois competidores.

"Lucca na frente. Mas o que foi isso que aconteceu? Mais três longe da vitória"

- Então, realmente temos chance de vencer essa! — declara Richard, notavelmente animado.

"Parece até que só temos três pessoas competindo... Boa Lucca!"

Foi realmente por pouco. Lucca estava tão rápido, que por sorte não colidiu diretamente com um enorme rochedo. Mas ao notar, fez uma espécie de gaiser levanta-lo, o que ainda permitiu que fizesse uma manobra giratória para ganhar velocidade.

"Lucca na liderança. Será que o time 10 vence essa?"

Sinceramente não entendi perfeitamente o que aconteceu em seguida. Parecia que algo havia empurrado Lucca para trás. Não apenas ele, como Andrew também.

Enquanto isso, Marina acelera repentinamente.

- Ei, isso é trapaça descarada! — esbraveja Richard.

- O que houve? — pergunto.

- Ela é do ar. — começa Diana — Deve ter usado a condução para que isso acontecesse.

- Pensei que a prova fosse só para dobradores de água...

- Na verdade, não tem restrição de elemento. — termina Richard.

Volto a observar a prova a tempo de ver a prancha de Andrew se partindo por entre as pedras. Enquanto isso, Lucca se aproximava aos poucos da adversária.

"E assim, restam apenas dois na prova. Disputa acirrada no Carnival de La Natch!"

Marina parecia sorrir a essa distância, quase certa de sua vitória. Começava a ficar pessimista, achando que ela venceria também — estava a menos de cinco metros da linha de chegada.

Uma onda de cerca de dois metros de altura vinha na direção contrária, empurrando tanto Lucca quanto Marina para longe da linha de chegada.

Pude observar, próximo a eles, o Andrew se aproximando em pé num pedaço de prancha quebrada.

- Isso é errado. Ele foi eliminado. — Richard ao meu lado parecia indignado.

A onda continuava a arrastar os dois competidores para trás, enquanto Andrew se aproximava.

Marina vira-se para trás, olhando furiosa para Andrew — se pudesse desferir-lhe um soco agora, tenho certeza que o faria.

Com uma manobra do ar, derruba-o novamente da prancha, fazendo assim com que a mesma se despedaçasse na correnteza.

Porém, por azar e falta de atenção, sua prancha se prende em um amontoado de pedras em meio a cachoeira.

"Se ela não sair logo daí, com certeza a vitória será do Lucca Thieve. Vamos Marina!"

Gritos de encorajamento e também de vaia eram ouvidos entre os alunos,da Natch. Entrando no ritmo, torcemos para Lucca a todos pulmões.

"Parabéns ao time 10, Lucca Thieve acaba de cruzar a linha de chegada!"

Notas finais
Thanks For Ready, deixem Reviews >-< See Ya oQ
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.