The Guild Of The Phoenix
1 Prólogo
Notas iniciais
Abri as janelas para observar a rua. Vazia, como sempre... Sempre espero ver alguma rebelião ao abrir as janelas após o toque de recolher, mas nunca acontece. Sempre os mesmos guardas parados ao lado dos postes observando o que acontece ao decorrer da rua.
Fecho as janelas, e logo depois disso ouço uma explosão, mas á só meu irmão mais novo jogando o vídeo game dele.
Dou alguns passos para perto dele, mas ouço uma conversa entre meus pais na cozinha e resolvo me aproximar:
— Não sei o que fazer, Kurt... Eles vão morrer de fome. Você foi despedido, eu sou desempregada. Como vamos sustentar as crianças? — minha mãe falava com uma voz fraca, quase chorando.
— Joanne... Não vou abandonar as crianças! — meu pai sussurrou com a voz trêmula.
— É preciso, até a situação se estabilizar... Eles podem ficar no abrigo e quando melhorarmos as nossas condições eles voltam. – minha mãe baixava cada vez mais a voz.
— Joanne... Você sabe muito bem que não conseguirei outro emprego e que as mulheres não podem trabalhar... Temos o dinheiro que o governo dá...
— Kurt, isso não sustenta uma família de cinco... Vai ter que ser assim. – minha mãe caiu no choro, e eu me afastei da porta da cozinha quando meu pai veio andando para fora.
Fui para o meu quarto e encontrei minha irmã, Jessica, fazendo alguma coisa no celular. Dei uns tapinhas no braço dela e sentei do seu lado, acariciando seus longos cabelos negros:
— Jessie, tenho que contar uma coisa. – ela largou o celular na cama e me fitou por algum tempo.
— O que houve, James? – me perguntou com uma voz preocupada.
— Ouvi nossos pais conversando na cozinha...Papai está sem emprego... Vamos ter que ficar no Abrigo Municipal...
— Mas James... Como? Só poderemos sair de lá com dezoito anos... – ela estava aumentando o tom de voz enquanto sentava cada vez mais perto de mim.
— Eles não têm condições... Entenda. Mulheres não podem trabalhar, e o papai foi despedido... – falei calmamente – Só nos resta ficar lá... Não tem como, Jessie, o dinheiro dado pelo governo não alimenta a família toda.
Jessica não falou mais nada, apenas afundou o rosto no travesseiro, em uma tentativa de abafar o choro, e ali mesmo dormiu.
Antes de deitar olhei mais um pouco pela janela, e só consegui ver os mesmos guardas na rua escura.
Na cama, fiquei pensando em um mundo novo, livre dessa soberania, dessa maldade, dessa opressão... Um mundo ideal... O meu mundo.
Olhei mais uma vez para Jessica e pensei em como ela seria mais feliz em um mundo totalmente feito por mim... Pensei no meu irmão mais novo, e nos meus pais, e só assim consegui adormecer.
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