The Guardians - The Beginning
5 III. Um pouco de tempo part. 2
Notas iniciais
Não sei por quanto tempo eu dormi, só sei que gostaria de dormir mais tempo. Foi tão tranquilo, e sem sonhos. Os remédios me levaram a inconsciência, e depois que os efeitos passaram, eu mesmo fiquei a deriva, dormindo.
Ouço uma leve batida na porta, não me mexo e nem abro os olhos, continuo como se estivesse ouvindo.
– Entre — disse a voz calma de Helen.
A porta se abre e logo é fechada. Inspiro fundo, tentando sentir o cheiro do Guardião. Tem um aroma maravilhoso, de flores. Sei quem é antes de Helen anunciar.
– Rose. Oh, minha querida, oque faz aqui tão cedo? Desculpe, o Nat está dormindo ainda, ele não pode conversar. E ele precisa de um tempo. — disse ela se levantando de algum lugar, consigo escutar o estofado da cadeira de couro se contorcendo.
– Desculpe, não, eu dessa vez não vim falar com o Nathan, vim falar com você. — disse Rosalie, sua voz estava diferente. Ela ofegava em todos as palavras. — Tem um tempinho?
Abri um pouco os olhos para ver a cena. Elas estavam perto da porta. Helen estava como antes, e Rose, estava com o mesmo vestido. Só que dessa vez, ele estava sujo nas barras, e as mangas de rendas um pouco rasgadas. E algo prateado meio que escorria de suas costas manchando o vestido. Sangue.
Helen, examinou Rosalie dos pés a cabeça.
– Oque houve com você? Meus Guardiões — disse Helen, preocupada — venha sente-se nessa maca.
Elas seguiram para uma maca no fundo da sala.
Rosalie se virou para mim. Fechei os olhos rapidamente. Eu sei que é errado escutar conversa dos outros. Mas, eu não podia simplesmente sair dali.
– Ele parece tão calmo dormindo. Tão frágil — disse Rosalie, com piedade.
– Ah, Nat, sim. Dei um dos seus soníferos para ele. Ele já estava exausto, dormiu logo que passou o efeito. — disse Helen com amor. — Ele tem passado por maus lençóis.
– Creio que sim. Sabia que logo ele viria para cá. Estive examinando o livro. Ele mudou drasticamente a partir do momento que Nathan, gritou comigo. — ela suspirou fundo, e produziu um leve gemido. — Helen... — ofegou ela novamente — Eu preciso te mostrar algo. Mas, deve jurar não contar nada à ninguém. Principalmente meu pai e a Nathan.
Abri um pouco os olhos, havia dor no rosto de Rosalie. Helen preocupada só assentiu.
– Assim, que contei tudo para o Nathan, o livro já estava registrando tudo que logo iria acontecer, pois Nathan, estava tomando decisões. O livro, praticamente, prevê o futuro. Mas, com Nathan, não. Ele espera o Nathan tomar a decisão pra depois escrever. — disse Rosalie.
"Nathan gritou comigo, dizendo que não salvaria ninguém. E eu apenas deixei ele ir, ele precisa de um tempo. Só que, ele disse tão decisivo o 'não' que Senix, e o Livro aceitaram. A nossa barreira enfraqueceu mais um pouco. Ela só está um pouco mais fraca do que a de Zugar. E Senix... ela enfraqueceu muito também.
"Eu preciso te mostrar, mas meu pai não pode saber, se não ele vai querer tentar convencer Nathan, à ir buscar Pólux e Fêlix. Mas, ele tem que ir porque quer. E não quero que Nathan, saiba pra não querer ir por mim. Você promete?"
– Claro, Rose. Sou sua Curandeira. Vou sempre te ajudar e proteger. — disse Helen confiante.
Abri mais um pouco os olhos. Rosalie estava de costas pra mim. E Helen sentava ao seu lado. Também de costas.
– Você acha que ele logo acordará? — perguntou Rose.
– Acho que não, ele está muito cansado. — disse Helen.
– Ok. Me ajuda a abrir o vestido? — pediu Rosalie.
Helen começou a desabotoar os pequenos botões do vestido de Rosalie, enquanto ela segurava a parte da frente. Assim que terminou, Helen se afastou para olhar as costas. Tive um angulo melhor de visão. As costas delicadas e brancas de Rosalie, seriam lindas, se não estivessem com um tom de roxo de onde saia as asas e com um pouco de prata.
Com muito esforço e gemidos, Rosalie libertou suas asas. Elas eram lindas, assim como já havia visto no livro das asas. Eram de um formato de asas de borboletas, só que com penas e mais pontudas, eram brancas demais, até brilhavam, e varias flores eram incrustadas em alguns cantos. Mas elas seriam lindas. Não nesse momento.
Uma asa de Rose, estava perfeita, só faltando algumas penas, e deixando outras cair. Só que a asa da esquerda, ela estava totalmente desfigurada. Estava faltando muitas penas, e eu podia ver os buracos na armação das asas, e muito sangue prateado as lambuzava. E Roselie, gemia de dor.
Era horrível... Rosalie!
– Rosalie! Oque houve? Meus guardiões... — disse Helen exasperada.
– Senix... Ela, meio que enfraqueceu demais dessa vez. Você lembra quando eu só perdia uma pena ou outra? — ela suspirou e gemeu. — Dessa vez quando abri minhas asas para regar o jardim, comecei a voar e as penas soltaram, sangue jorrou, e doeu demais, e eu cai. Josh.. Josh me encontrou. Ele me ajudou a fechar as asas e estancar um pouco do sangue. Recolhemos as penas e guardamos. Ele jurou não contar.
– Rose, doí muito? — perguntou Helen tocando as asas machucadas, Rose se contraiu. Era uma cena horrível de se ver.
– Sim, mas, eu posso aguentar. Eu consigo, é só esperar um pouco mais. Deixar elas guardadas até melhorar, como antes... e eu posso esconder, vai ser difícil já que eu amo voar, apesar de ser por pouco tempo e pouco espaço mas eu consigo... por Nathan, eu posso fazer esse sacrifício! — disse ela se atropelando nas palavras, sua calma de sempre se foi, dando lugar a dor e agonia.
– Rose, lembra que eu disse que poderia chegar um dia, que você não pudesse mais voar. Que você perderia suas asas? Lembra? — disse Helen, quase chorando.
Fechei os olhos. Eu não podia mais olhar aquilo. As asas desfiguradas. Não podia mais ouvir aquilo. Os gemidos, as fungadas, os lamentos, e a força de vontade de Rose de me proteger. Ela estava sofrendo por mim. Porque eu disse não. Porque, eu disse que não salvaria ninguém, muito menos ela. E ela era a mais digna de salvamento.
Um suspiro, e um gemido.
– Sim, eu lembro. — disse Rosalie, o mais calma possível.
– Isso era previsto para daqui a uns dois anos ou três. Mas, a decisão de Nat, foi tão forte que reverteu tudo. Rosalie, sinto muito, mas você está perdendo sua asas. Você está ficando fraca, sua pele está ficando muito mais sensível. Seus poderes estão fracos, e suas asas estão morrendo. Estão se perdendo. — Helen suspirou. — Você não pode mais voar, sinto muito. Guarde as asas, e não as use. Eu só posso fazer uns curativos e limpar. Não á poções que ajudem, nem remédios que desacelerem isso.
Um pequeno gemido.
– Rose, sinto muito. Mas, só podemos esperar. Esperar. Nathan, vai se decidir, se ele quiser salvar, bem, sabemos que procurará as pedras quanto mais rádio ele ser, mais chance você tem de salvamento. A nossa batalha é te mantar ainda Guardiã, para Senix ser protegida e continuar nos protegendo. Mas -, ela faz uma pausa. — Se ele disser não, já sabemos oque acontecerá. Todos vamos cair, e você, será a primeira.
– Eu sei, e estou pronta para isso. Vou aguentar até onde posso... Mas está doendo muito, quando eu guardo as asas alivia um pouco, mas ainda doí. — ela suspirou — Vou tentar esconder, não deixe eles saberem, nem meu pai nem Nathan, quero que ele decida por si só, não por saber que estou ficando fraca e perdendo minha essência.
– Você sabe, que está perdendo a sua essência de Guardiã não é? Pois, você não se suicidou. Algo me diz... não posso ter certeza. Mas, você está virando humana... e você já tem mais de 2 mil anos. Um humano não pode viver tudo isso... se voltar ser humana, morrerá no mesmo instante... — disse Helen se perdendo em seus raciocínios.
Abro os olhos, e vejo Rose sorrindo.
– Não se preocupe. Vou lutar até onde conseguir, e se eu for destruída, pelo menos eu tentei até conseguir. Heróis não são só aqueles que vencem as batalhas, mas também aqueles que lutam atém o fim de suas forças. — ela acaricia o ombro de Helen. — Pode guardar o segredo, e me ajudar com as asas?
Helen sorri, e limpa algumas lagrimas.
– Será um grande prazer te ajudar, e guardar um segredo tão poderoso. — disse ela sorrindo.
Helen ajudou a abotoar o vestido e ambas saíram para fora da sala, e indo para a tal sala de curativos. Era a minha deixa.
Levantei da maca quase caindo dela, vesti meus sapatos que estavam no chão, e sai da sala rumo a escada de emergência, e comecei a subir.
Peguei meu amuleto e segurei com força e pensei em Josh. Tomara que aquele babaca esteja com o seu amuleto. Logo uma luz roxa saiu da pedra e como um holograma o rosto de Josh surgiu.
– Aleluia! Onde você estava seu pivete?! Estou igual louco te procurando! — disse Josh sorrindo.
– É uma longa história.. posso te pedir um favor? — disse subindo as escadas rapidamente.
– Claro, maninho. Oque quiser. Mas já vou avisando, em Planet Guard não tem Playboy — disse Josh morrendo de ir. Comecei a rir também.
– Ah, que droga, vou ter que ir no mundo humano buscar uma então, — disse brincando. — Não é serio. Não é isso, é um enorme favor. — disse eu ficando sério.
– É só pedir. — disse ele ficando sério também. Cheguei no terraço.
Subi encima do murinho baixo do terraço e encarei o chão.
– Tecnicamente não é um pedido. É mais uma decisão. — disse sorrindo e olhando para o chão lá embaixo.
– Certo e qual é a decisão? — disse Josh calmamente.
Suspirei e disse.
– Eu quero ficar com a Angelina, eu vou ser Guardião da Angel. — disse eu e pulei do prédio.
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