De não aguentar nem um minuto mais daquilo, abri o diário, um caderno encapado em couro preto e repleto de folhas já amareladas, no auge de meus vinte e quatro anos e eu não conseguia conter um segredo, lembrei-me levemente das garotas do colégio sem deixar de me sentir incomodada, balancei a cabeça e alcancei uma das canetas tinteiro, em especial uma que vazava tinta pela qual eu mantinha um apreço totalmente inútil, e comecei batendo a ponta no papel, até me tocar com um pequeno desgosto que manchava o papel com manchas azul escuro, tornei a meus pensamentos enevoados e decidi por escrever o pequeno relato dos acontecimentos que haviam me deixado feliz e eufórica durante aquela manhã, em referencia aos acontecimentos da noite passada, uma noite fria daquelas que só fazia congelar os dedos dos pés e acumular neve nos beirais.
Eu fiz, fiz e nem posso acreditar, tornei-me uma guardiã dos vasos canópicos, encarnação de Hapi e Néftis, serva do Faraó, vinda do norte, receptáculo da respiração, agora meu corpo e mente eram imortais e eu somente deveria servir e viver para o meu Faraó.Halo VonSchwarz13 de Abril de 1993Havia mais algo que preenchia uma parte de meus pensamentos, maior do que eu gostaria de admitir, era o tal algo os olhos esverdeados do garoto- ele não era um garoto, mas eu o descreveria como tal, ele era moreno, com uma pele acobreada e cabelos negros como carvão, havia sido declarado o guardião do vaso Imseti, a mera lembrança do garoto deixou sair como um turbilhão cada passo curioso da noite anterior, a carta endereçada a mim, o café que eu havia tomado antes de me dirigir ao local numa tentativa branda de me acalmar, eu escolhi as roupas erradas, uma saia e meia fina acompanhada de uma camisa de botões...mas bem, o que eu poderia fazer? recentemente havia saído do trabalho em escritório...bati os olhos na fachada espelhada e entreguei com os dedos enluvados o cartão a recepcionista, que acenou ao elevador e indicou o ultimo andar, bati os saltos pelo mármore branco com apreensão ao tocar a campainha mas logo fui recebida, um homem de ombros largos e feições intelectuais, com os olhos marcados por kohl, o resto passou como um filme em que eu só nomeava poucos fatos, a primeira visão dos vasos de alabastro, muito maiores do que eu esperava, o circulo feito em pedra branca no chão negro, as roupas de linho, os outros guardiões, o vinho rubro, o cheiro de mofo e algo como ervas que emanava das paredes, o cajado e o açoite em ouro e lápis-lazuli ao centro e depois de tudo aquilo a caminhada exaustiva até meu apartamento, algumas quadras dali, junto a um banho quente me fizeram apagar em meio aos lençóis desarrumados, então a inconsciência.
Notas finais
Estou um pouco orgulhosa de ter coragem de postar isso sem nem ter nada planejado nada...mas espero que gostem, kissus kissus.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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