…

Finalmente, fomos jantar. O mar estava negro feito noite, e uma grande luz iluminava a sala de jantar. Quando terminamos, a mesa ficou sem assunto.

—Então, Poseidon – eu disse, quebrando o gelo -, quem é Vívion? Para que tomou conta do corpo de Grandvoid?

—A minha resposta é a mesma para as duas perguntas: não sei — ele respondeu, sincero.

—O que significa a parte de Vívion? — Marluna pergunta, um tanto confusa. — Quer dizer que a culpa não é de Grandvoid, mas dele?

—Isso mesmo, filha. Foi ele quem fez a declaração mútua de guerra: ele, por dizimar a população. Eu, por pura fúria sobre ele.

—Mas – eu perguntei -, em relação ao seu Pior, quer dizer então que o seu não é o pior de todos. Então, isso nos deixa com Wrawyon. O pior dele supera o seu?

—Acho que sim – Poseidon respondeu. — Afinal, Phílin não foi encontrada em nenhum lugar, e como ela morreu, deveria estar no submundo. Mas aí está: ela não foi.

Então significa que ela está no Mundo dos Sonhos. Então decidi dizer:

—Marluna, se lembra do dia logo após que cheguei na Fundação?

—O que o Lito quase te mata quando viu uma esfera aparentemente venenosa? Sim, eu me lembro.

—Naquele dia – continuei -, descobri um Mundo dos Sonhos. Lá estava minha consciência, Landrew.

“Naquele dia, ele fez alusão a uma garota que vivia lá. Ele disse que eu a encontraria depois. Eu segui o conselho dele, e esperei.

“No dia da Reunião, fui descansar numa cadeira, e fui novamente para lá. Ele disse que, na noite do mesmo dia, deveríamos ir para um tipo de Central dos Sonhos. O verdadeiro Mundo dos Sonhos. Mas um pouco antes de voltar para o mundo real, ele disse, com estas palavras: ‘Precisa ser na sua próxima hora de dormir. Assim os preparativos estarão prontos, e seguiremos para a garota de Moani.’ Eu não entendi de início, pois afinal, eu lá sabia o que era Moani. Mas logo vi que era um lugar tão importante para se ganhar um fuso horário como referência. Na hora de dormir, voltando para lá, Landrew me disse de verdade o que era o lugar: ‘Moani é uma raça de um planeta de mesmo nome. É um planeta-ilha, pois ao invés de ter grandes continentes, tem mais de 1000 ilhas, regidas pelos 4 Reis Arquípelos. Ela vem recebendo visitantes inusitados todo santo dia. De fadas a humanos que caíram no Triângulo das Bermudas. Até mesmo um dos Fundadores caiu.’

“Logo após, ele disse o nome do Fundador que caiu: Wrawyon. Ao chegar lá na Central, ele chama uma garota chamada Phílin para falar conosco. E ele tinha me dito alguns minutos antes que ela conhecia Wrawyon como amado. Isso não pode ser coincidência. Essa é uma gigante trama. Phílin está viva, e o Pior de Wrawyon é uma ilusão de alguém, que supostamente matou ela. Tudo faz sentido!”

Ao terminar aquela história, Marluna diz:

—Isso é um absurdo! Têm de nos--

Mas Poseidon a interrompe, dizendo:

—Isso é verdade. Inkaylor, apesar de acreditar em você, nós precisamos de uma prova concreta. Nos leve para este tal Mundo.

—Sim. Eu irei. — Então chamo meu grande amigo: — Landrew!

Após um dúbio minuto, ele fala:

—Desculpe a demora para responder. Estava cuidando de uma mudança de sonho.

—Tudo bem, eu lhe perdoo.

—Então está se perdoando?

—Só me responde isso, por favor.

—Tudo bem, tudo bem. Vamos acabar com isso logo. O que é?

—Posso levar alguns convidados para o Mundo dos Sonhos?

—Tudo bem. Mas é para agora ou na hora de dormir?

—Agora.

Ele suspira e diz:

—Estale os dedos quando as pessoas tiverem encostado em sua pulseira. Com isso, irá transportar você e as outras pessoas para cá.

—Certo. Obrigado. — Quando sinto que a voz dele finalmente saiu do modo fala, eu digo para os que estavam na sala de jantar: — Escutaram Landrew. Vamos!

Nós fizemos o que foi pedido. E fomos para o Mundo dos Sonhos.

…

Quando chegamos, tudo parecia normal. Landrew estava redirecionando alguns sonhos para outras memórias no subconsciente de inúmeras pessoas.

—Olá novamente, eu. Quem são seus-- EITA! — ele disse, parecendo conhecer quem são. — São os dois de verdade? Poseidon, rei dos mares, e sua filha Marluna?

—Sim, eles mesmo, eu – digo, com aquela piada. — Onde está Phílin?

Após uma pequena reverência, ele responde:

—Está treinando com Hypnos, lá no reinado dele.

—Hypnos mora aqui? — perguntou Poseidon.

—Sim, sim. Ele vive neste reino, enquanto o irmão dele, Thanatos, e até mesmo Nêmesis vivem na Dimensão Real, escondidos.

—Certo…

—Landrew! — eu chamo. — Ela voltou!

Todos olharam para minha direção, enquanto uma nuvem roxa se fazia. Dela, foi criada uma porta, logo aberta por ela mesmo: Phílin, com as mesmas roupas que eu a encontrei no dia em que nos vimos pela primeira vez.

—Boa noite do plano real, Landrew. — Quando ela nos viu, ela não ficou tão surpresa como quando me encontrou. Ela até ficou sociável. — E boa noite para todos vocês também, Inkaylor, Poseidon e Marluna.

Os dois últimos se perguntaram: “Como ela sabe nossos nomes?”

Como não foi na mente, ela não escutou.

—Enfim – ela disse -, parece que já me viram. Agora podem ir sabendo que era todo o Pior de Wrawyon era uma ilusão, mas eu quero que não contem ainda.

—Você lê mentes, certo? — disseram pai e filha em uníssono, em um tom cansado.

Ela se surpreende, pois mais gente sabe do segredinho dela.

—Antes que comece a me culpar, não fui eu – eu disse. — Eles são os que têm poder de dedução.

—Você fala a verdade – ela responde. — Afinal, conheço se uma pessoa mente ou não.

—Mas por que quer que não conte para Wrawyon que está aqui?

—É melhor. Pois consegui ler a mente dele no espancamento.

Poseidon olhou torto para mim, achando que fiz algo de errado para sua bela filha, sabendo que não era eu de qualquer forma. Phílin continuou:

—A memória dele estava envolta em uma espessa nuvem negra. A personalidade dele, sendo a qual conhece agora, não é sua real. Ele esconde algo que não consigo penetrar.

—Sim, mas queria lhe perguntar algo – eu digo. — Você pode me treinar por 5 dias, aqui no Mundo dos Sonhos, enquanto treino lá fora, enquanto tento despertar esse tal “Poder Lendário das 8 Pontas”?

Ela pensou, viu meus pensamentos por um tempo, e disse:

—Sim. Eu aceito. Retorne aqui daqui a pouco para o início do treinamento.

Eu assinto e me viro para Poseidon e Marluna, que me esperavam alguns metros longe. Virei novamente para trás e disse:

—Bom, em uma hora estarei de volta. Me esperem!

Eles assentem. E estalo os dedos, quando voltei para Poseidon e Marluna, me trazendo de volta para a Dimensão Real.

…

Quando voltamos, eles estavam um pouco confusos; eu não os culpo, afinal, uma ilusão mexe com qualquer um. Mas aquilo não era ilusão. Era real. A única ilusão aqui era o Pior de Wrawyon.

Pensando bem, acho que estamos falando demais sobre o Wrawyon. A maioria das revelações até agora foram dele. Tipo: ele supostamente perdeu a amada e agora seu Pior ganhou consciência própria. Acho que algo mais está vindo com essa última questão. Algo cheira.

—São 20:00 na superfície – disse Marluna, interrompendo meu pensamento. — Acho que devemos nos preparar para dormir.

Poseidon não mudou a expressão. Afinal, ele é um deus. Não precisa dormir.

Então, quando terminei de me ajeitar, as 20:45, na sala de observação do reinado de Poseidon, fui dormir.

…

Quando voltei para lá, Phílin estava de braços cruzados, provavelmente me analisando.

—Parece que você tem alguma determinação – ela parece concluir. — A partir de agora, seu treinamento começa.

—É aonde quero chegar – eu disse, ansioso. — O que vai ser?

—Bom… Não será frente a frente, mas será o quanto aguentará. Usarei uma das minhas técnicas mais poderosas em você.

Então, logo após ter falado isso, pontas de fios apareceram em seus dedos.

—Eu vejo fios – eu digo. — Para que servem?

—Isso é parte da minha técnica. — E após dizer isso, ela diz:

MALIO: PERSONA!

E os fios saem de seus dedos, me penetrando. Mas não sentia nada de fio entrando, nem se entrelaçando em meus ossos ou algo assim. Na verdade, parecia totalmente normal.

Quando ela ergue uma das mãos em posição estranha, como se quisesse apertar as 5 pontas de um botão em formato de estrela, ainda não senti nada. Mas quando moveu um dos dedos para cima, mais especificamente o indicador, eu levantei meu braço. Quando ela afastou o dedo dos outros, com o mesmo ainda levantado, eu senti meu braço, ainda levantado, se afastando do meu corpo.

—O que está acontecendo? — perguntei confuso. — Eu não deveria estar me movendo!

—Esse é meu poder: Malio – ela responde. — É como se diz marionete em Moani. Nunca entendi por que é a única palavra que varia com sua língua lá. Enfim, essa é minha técnica mais poderosa.

—Eu nem quero saber! — eu disse. — Eu só quero me livrar--

Mas quando tentei me desvencilhar do controle dela, meu corpo teve a sensação de que estava queimando logo após. Mas não havia nada comigo externamente.

—Os Fios da Submissão – Phílin disse, em um tom explicativo. — Se ousar desobedecê-los, eles irão passar a sensação de que seus ossos estão queimando. Eles foram uma grande arma do meu avô em seu reconhecimento ao povo. Mas nunca utilizou-os muito, graças ao seu reconhecimento a todos. Eu herdei esse poder, e ele é bem útil. Despertei ele quando ainda estava na Dimensão Real, pouco antes da batalha contra Pesadelo. E essa será sua prova: resistir ao meu controle, até o ponto de ser invulnerável a ele, provando, assim, sua força mental e determinação. Sua tarefa é complicada, mas tenho certeza que seu eu externo irá se conectar ao interno em tempo de lutar contra Grandark. Agora – ela disse -, resista contra seus passos.

Eu comecei a virar para o outro lado, tentando evitar a começar a andar, mas como disse Phílin, meus ossos pareciam começar a queimar. Eu continuei a tentar a resistir, mas a sensação de queima só aumentava. Logo, meus músculos começavam a ceder, e minha vontade também. Comecei a perder totalmente meu controle… era naquele momento só o alívio de não estar mais queimando… eu queria mais… mais… até que finalmente, me cedi completamente ao controle.

Phílin faz sinal de desapontamento e diz:

—Determinação não te falta, assim como sua força mental, movida pela primeira. Mas seus músculos cedem muito rápido ao meu controle. Chega a não ter graça usar essa mesma técnica em você, que é um fracote esquelético. Você terá que continuar treinando comigo por esses 5 dias, enquanto treina lá fora também. Agora deixa de moleza e tenta de novo!

Durante toda a estada no Mundo dos Sonhos naquela noite, eu treinei, penei, fui torturado, enfim, tudo para despertar aquele novo poder. Mas no final do treinamento da noite, Phílin disse:

—Seu ponto forte é a determinação. Use ela para ser sua força, ao invés da sua força mesmo! Tente e vencerá!

Ao dizer a última palavra, o sono acabou, e eu acordei. Poseidon, ainda atento ao seu reinado, consegue dizer:

—Bom dia, Inkaylor. O café está lá embaixo.

Então eu desço pelo elevador, tomo meu café da manhã, e me preparo para o treinamento que começaria logo após.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.