The Great Historia
5 História de um amigo
…
Eu estava em minha casa sentado, chocolate quente em uma mão, o controle da televisão em outra. Até que alguém bate em minha porta. Fui atender e me deparei com uma garota, aparentemente imune ao frio, pois estava com uma saia, e uma camisa dizendo "Coffee, please". Perguntei logo assim que entramos em minha casa:
—Quem você é e por que estava no frio?
—Eu sou Lynn — respondeu ela educadamente -, e estava no frio por que... ele... — Ela desaba a chorar.
—O que foi?
Ela estava aos soluços quando tentou me dizer:
—Ele... conse... guiu... me... trazer... para... cá... mas...
—Calma. Pegue um pouco de chocolate quente. — Eu peguei outra xícara e dei para ela.
—Obri... gada...
—Por nada. Agora, se acalme e explique o que aconteceu.
—Tá — disse ela, cessando os soluços -, mas acredite no que digo, pois é verdade.
"Eu sou humana, mas moro no Mundo das Almas, um mundo vizinho ao Submundo de Hades. Eu vivia com Tenstareot, um Dimensional do tipo 'Storlet', que somente sobrevive em atmosferas acima do normal humano. Só não era esmagada pela Benção do Discípulo, que me protegia do esmagar, mas dificultava o andar.
"Eu fui treinando. Dia após dia, por 3 anos, melhorei minhas habilidades, almejando usar a Joia da Neve um dia. Mas hoje algo aconteceu.
"Zeroste, um companheiro de confiança, bebeu de uma substância que é literalmente os pecados purgados de uma pessoa: o GIPLIGO, que são as iniciais dos Sete Pecados Capitais. Poderia corromper uma pessoa apenas alguns mililitros, mas ele tomou tudo em uma descida, dando a ele, ao invés de corrupção, força suficiente para transformar nosso mundo em um outro pecador da dimensão deles.
"Ele e Tenstareot lutaram com suas forças, mas não presenciei toda a luta. Na verdade, há a chance do Tenstat..."
Ela volta a soluçar, totalmente desolada.
—Se não quiser contar a história, certo, só não force o que não tem mais. — Então me lembro de algo. — Eu tenho uma segunda cama. Quer passar a noite por aqui?
Ela assente, os olhos ainda cheios de lágrimas.
—Tudo bem. Vou arrumar para você.
—Espere! — Ela logo me chama. — Tem algo que quero dar para você.
Eu me aproximei. E ela me deu uma pedra azul, pendendo para o violeta. Quando eu peguei nela, a verdade do que ela dizia voou pelos meus olhos como um sonho ao reverso: passavam-se horas lá, mas apenas minutos aqui.
—Essa é uma pedra da verdade ou o quê?
—É uma Pedra das Almas. Ela dá ao usuário, além de tráfego pelo Mundo das Almas, um armamento especial das 4 Virtudes.
—4 Virtudes?
—Sim. Elas são peça-chave para a batalha contra os Sete Pecados. São:
"Bondade", para retrair a Ira;
"Humildade", para reter o Orgulho e a Inveja;
"Controle", para expurgar a Gula, a Luxúria e a Ganância;
"Determinação", para dizer 'xô, Preguiça'.
—Mas temos uma sede, chamada "Virtue Heart", o "Coração da Virtude". E ela não está muito longe. Na verdade, fica perto da próxima entrada ao M.A.
—M.A?
—Mundo das Almas.
—Ah, certo. E cadê essa entrada?
—Fica nos fundos da sua casa. Mas só vai para lá com uma bênção ou uma Joia. Você tem uma Joia. E eu tenho outra. — Ela me mostra uma varinha de gelo, parecendo mais com um cabo de espada.
—A tal "Joia" está aí?
—Aonde estaria, gênio?
—É bem rebelde, apesar de boazinha.
—Talvez.
—Vamos?
—Vamos.
—Espera aí.
—O quê?
—Você não disse seu nome.
—Ah. Eu sou Nemo.
—Certo. É que não disse seu nome para mim ainda. Agora podemos ir.
—Ok.
E entramos neste mundo novo.
...
—Lynn?
—Sim?
—Aqui é o M.A?
—Não. Deveria ser, mas... não!
O que deveria ser o teto, um teto negro, de minerais estígios, agora tinha nuvens avermelhadas, na cor do GIPLIGO. Planícies violetas ficaram vermelho-escuro graças ao tempo naquele momento. E as almas, que deveriam estar perambulando por aquele mundo, estão escondidas em algum lugar, pois não são vistas em lugar algum. Um castelo realça a vista, emanando uma luz vermelha.
—Foi ele. Não é mais ninguém — Ela cerra os punhos. — Aquele porcaria fez isso para esta terra.
—Ele parece alguém poderoso para lidar. Devemos procurar a Virtue Heart.
—Ela está na nossa frente.
—Onde?
—O castelo — diz ela, já com a voz trêmula — Lá deveria ser a sede principal.
—Ele já destruiu as outras?
Ela pareceu ter voltado a realidade.
—Não! — Ela se animou de novo. — A segunda maior base não pode ser destruída, pois ela está no... teto... — Desanimou de novo.
Mas aí, minha pedra começou a brilhar, e piscava, e piscava, mais rápido e mais rápido, até compreender que ela estava nos chamando. Perguntei para Lynn:
—Essa pedra tem sequência de auto-destruição?
—Como as-- — Ao ver minha pedra, ela a pega e segura meu braço, gritando: — PARA VIRTUE HEART!
Em um piscar de olhos, nossos corpos foram teletransportados para a sede mais próxima: a do teto estígio. As cores do antigo M.A. estavam lá: o violeta das campinas e do céu estava lá. A base estava inteira. Mas o comitê de entrada não foi muito amigável.
—Identifiquem-se, ou os eliminaremos. — 2 guardas estavam com lanças apontadas para nós.
Lynn imediatamente se identificou:
—Eu sou Lynn Millia, pupila de Tenstareot, atual dona da Joia da Neve, e quem me acompanha é Nemo, escolhido como dono de uma Joia das Almas.
Eles baixaram as lanças. Logo vimos que a expressão deles não eram muito diferentes da Lynn quando chegou na minha casa.
—Então é ele? O que ganhou a Joia do mestre? — Perguntou um dos guardas.
—Sim. É ele. Mas ele precisa treinar antes de ir nas missões.
—Certo.
—Por falar nisso, cadê os 6 Perseverantes?
—Pegos.
—PEGOS?!
—Sim. Zeroste os transformou em representantes dos Sete, assim como o mestre.
—E o Fundador?
—Ele conspirou contra nós e agora está com Zeroste. Virou um Original.
—Droga. E o restante das almas?
—Exército de pecadores dos Originais.
—Como estão vivos depois de uma conquista generalizada?!
—Nossas espadas são de minerais estígios. Por que acha que sobrevivemos?
—Me perdoem entrar na conversa — decidi pedir informações -, mas se o ferro estígio expurga o mal das almas, por que só vocês têm espadas assim?
—Porque o mestre é o único dos Storlet que extraiu ferro estígio para as nossas espadas, assim como a dele próprio. Mas ele não levou a espada para a barreira contra Zeroste, senão ainda estaria conosco. Eu acho que a espada está no escritório dele.
Fomos para lá. E vimos. A espada negra de Tenstareot.
—70 cm de lâmina, 10 de cabo — Lynn disse. — Polida como um espelho de obsidiana. Pegue a espada, Nemo.
—Não sei. Eu devo?
—Sim. Deve.
—Tá. Lá vou eu.
Peguei a espada. Leve, mas com um imensurável poder de destruição.
—Ative-a. Grite "Gionxai"!
—Gionxai!
ARTE DO ESPÍRITO RUBRO REAL:
TENTEEROUSS
Meus olhos agora brilhavam. Qualquer vento que fizesse destruiria a sede. Lynn e os nossos amigos guardas olhavam aterrorizados para mim.
—Esse era... o estilo do mestre?!
—Ele não vai conseguir dominar isso nem mesmo em um século!
—Tem razão — eu disse. — Não vou dominar. Porque não preciso! Esse estilo parece ser da minha infância! Acabei de aprender e já sei de todos os golpes!
Lynn me diz, porém:
—Só porque sabe dos golpes, não significa que irá executá-los. Treine primeiro, batalhe depois.
Pensei um pouco, e respondi:
—Um mês.
—Como?
—Preciso de um mês para me aprimorar com esse meu estilo.
—Não acha isso pouco?
—Sim, é pouco. Mas todos nós precisamos estar preparados para treinar e lutar. Além dos seus estilos mais poderosos. Acho que dois, então.
—Certo. Vamos treinar!
—Vamos!
E fizemos assim: em um mês, nos aprimoramos ao máximo, tentando esquecer nossos compatriotas perdidos pelo Zeroste. No segundo discutimos a estratégia de entrada do castelo. E treinamos um pouco mais. Finalmente, no final do segundo mês, estávamos prontos.
—Chegamos — disse eu. — Estamos prontos?
—Sim.
—Certo. Peguem suas espadas!
Eles pegam e dizem, em sincronia:
—PARA A ANTIGA BASE!
E fomos para lá. Damos de cara com todo o exército de almas corrompidas. Logo disse:
GIONXAI:
ARTE DO ESPÍRITO RUBRO REAL: TENTEEROUSS!
ESTILO BRANCO REVESTIDO:
AVANÇO ESTÍGIO!
Todas as almas em nossa frente foram salvas. As almas não sabiam o que faziam ali. Estavam confusas. Deixei o trabalho de atualizá-las para depois. Ainda tínhamos mais almas para salvar.
ARTE DO ESPÍRITO DA ROSA GÉLIDA: LIRINDHOU!
ESPADA ESTÍGIA DESCENDENTE!
Estalactites estígios crescem em uma absurda velocidade, atravessando as chamadas nuvens "indestrutíveis" de GIPLIGO, atingindo mais almas, salvando-as.
ARTE DO ESPÍRITO DAS LANÇAS GÊMEAS: FIHALION!
TEMPESTADE DE PENAS DE FERRO!
Uma tempestade de cortes passa pelo exército, salvando eles também. Em 10 minutos, 95% do exército caiu. Estávamos imbatíveis. Mas a cavalaria chegou. Os Sete chegaram, cada um com 100 seguidores em sua retaguarda. Claro, não arredamos o pé. Pelo menos, a maioria de nós.
Lynn petrificou onde estava. Viu algo aterrorizante. A gente não percebeu de primeira, mas logo se tornou claro. Nossos companheiros — Symion e Sinka — também petrificaram ao ver que 6 d'Os Sete eram os Perseverantes perdidos em combate. Lynn, que foi a que mais se chocou, descobriu que o sétimo era ninguém menos que Tenstareot, o dono da espada negra. Ele era o líder: A Ira. Ira que sentiu ao ser subjugado, e ainda tentar atacar Zeroste.
—Pai, é você? — Lynn balbucia.
Ele vê a garota, os olhos vazios, dominados.
GAVIÃO NEGRO.
Um espírito de gavião se lança contra Lynn. Eu repeli o ataque por pouco. Mas era muito forte. E Lynn ainda não voltou para o mundo real. Assim como Symion e Sinka, que ainda estavam presos no devaneio de ver os Perseverantes dominados.
—Voltem a si, companheiros! — clamavam eles, em sincronia. — Somos nós! Seus pupilos!
Eles olharam como Tenstareot: os olhos vazios e dominados.
TREM DA FORÇA REAL.
São jogados para longe, pois não pude alcançá-los. Ninguém acordava para a batalha aqui. Apenas eu agia; e ainda assim, fui impotente.
CHUVA DAS TREVAS.
Meu semblante se mantinha firme, o sentimento de luta ainda fervendo, com pessoas atrás de mim, querendo que eu pare, mas não iria.
TEMPESTADE DA RUÍNA MUNDIAL.
Estava tentando de tudo, o estilo mais forte, o ataque mais efetivo, mas nada. Nada funciona. Já estava fraquejando. Zonzo, sem forças. Nem mesmo a determinação conseguia.
PÉROLA NEGRA.
"Acabou", disse a mim mesmo. "Os Sete são poderosos demais para enfrentar, não consigo. Se tivesse alguma força a mais..."
"Você tem a mim. A sua alma lhe fala: levanta-te guerreiro! Você é a chave para a vitória das almas!"
"Não tenho esperança nenhuma. Sou apenas um humano que interferiu em uma batalha do bem e o mal."
"Pode achar isso. Mas eu sou sua alma! Se quer se levantar, você irá! Você precisa ser a Quinta Virtude!"
"Eu não sei o que é essa 'Quinta Virtude', mas eu não consigo atingir ela! Eu não consigo!"
"Você não consegue porque conseguiu. As almas já te respondem. Recua por enquanto! Iremos te ajudar."
As cores voltaram. Ganhei poder suficiente para sair dali, e ainda levar todas as almas comigo para a base. Recuamos com sucesso.
...
—VOCÊ FEZ O QUÊ?! — Perguntou nosso amigo Symion que voltou a si, já de volta na base.
—Eu escutei a voz de uma alma, que diz ser a minha. Ela ordenava que eu me levantasse, e quando fui ver, ganhei poderes para sair de lá vivo com vocês, e essa multidão de almas atrás de mim. Incrível, não? Ter determinação revestindo a nós.
—Mas o que faremos? — Lynn escuta e tenta entrar na conversa. — Nós somos baixos comparados aos Sete. Não dá para derrotá-los, agora que estamos fracos.
Eu penso: como derrotar eles, sendo que ninguém consegue? A resposta me vem logo:
—Eu irei sozinho. Derrotarei os Sete e os Originais.
Como qualquer grupo, eles se surpreenderam com a decisão. Lynn foi a primeira a intervir:
—Não, não, não! Isso é loucura! Se nem mesmo o estilo do Tenstat conseguiu derrotar eles, o que vai?
—As almas. Elas são boas no momento em que seu GIPLIGO é expurgado. E elas vão ajudar a gente.
—Como?! — Sinka finalmente entrou na conversa.
—Uma invocação. Chamarei para a reunião com a minha alma, e o meu poder será aumentado o suficiente para se equiparar aos Originais.
—Não faça isso! Só vai destruir seu próprio corpo! — Symion entra na conversa.
—Talvez. Mas eu ainda sou revestido de Determinação. Se a minha alma quer, eu vou. Mas se não quiserem...
—Não queremos! — Lynn parece começar a implorar. — Mesmo se soubesse da vitória, você não iria sozinho para a luta. Somos sociedade, não importa o que aconteça!
—Sim. Mas vocês não conseguiram lutar com eles, apenas pelo fato deles serem os Perseverantes e o Tenstareot.
—Mas o que isso quer dizer?
—Eu fui o único a estar de pé, mesmo sabendo quem era na minha frente. Seus sentimentos estão bloqueando a determinação.
—Eles são a determinação! Não tem como a gente conseguir sem ter alguma consequência futura!
Eu paro para pensar: como a gente não consegue ferir, se é o único jeito de salvar?
—Não preciso lutar com eles.
—O quê?
—Não está claro? Os Sete foram criados pelo Zeroste. Se derrubarmos ele, derrubamos os Sete!
—E o Traidor?
—Ele é apenas um guarda-costas. Foi Zeroste que começou tudo. Ele que capturou os Perseverantes. Foi ele que influenciou Tenstareot a seguir aquele caminho. É por isso que devem ficar aqui: agora que ele sabe que vocês admiram as pessoas que são os Sete, ele com certeza vai influenciar a vocês a não machucar eles, somente para os machucar. Eu me preocupo com todos vocês, por isso devem ficar aqui. Me desculpem.
O pessoal estava atônito com aquela declaração. Parece que me deixariam ir. Mas quando estava indo, não pude evitar. Precisava de um abraço deles. É claro que quis dar esse abraço, mas não poderia. O dever me chama.
—Até mais. Almas, venham comigo.
Elas foram. E desci para o campo de batalha novamente. Na frente do castelo, os Sete me esperavam.
—Então, veio nos importunar de novo, guerreiro caído? — Falaram em espantosa sincronia.
—Sim, mas não para lutar. Eu peço permissão para entrar.
—Não terá esta permissão.
—Certo. Então eu quero entrar!
—Nós já dissemos, você não terá--
Eles logo dão passagem, embainhando as espadas.
—O QUÊ?!
—Obrigado. Será que poderiam se salvar?
—Como as--
Com os espíritos, fica até sem graça. Eles expeliram todo o GIPLIGO sem dificuldades. A influência sobre eles foi forte, graças ao desfalque (surpreendentemente) fácil dos Sete. Eu pensei que iria lutar com eles, mas não. Eles foram facilmente influenciados.
—NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOO! — Um grito forte enche os ouvidos de todos.
—Quem fala aí?
—Não é da sua conta!
—Não é mesmo, nem tenho cartão de crédito.
METEORO NEGRO!
Uma gigante massa negra voa para cima de nós. É claro que não deixaríamos barato.
T:GAVIÃO VERMELHO!
N:RAQUETE TELEGUIADA!
Repelimos o ataque com sucesso. Zeroste sentiu o gosto do próprio ataque.
—Nós podemos continuar — disse Tenstareot, um rosto jovem, mas com uma voz realmente adulta e responsável -, mas os Perseverantes estão esgotados. Almas — disse ele para as próprias -, levem eles de volta para a base. Symion e Sinka irão cuidar deles.
Elas foram para a base por um buraco aberto na grossa camada de GIPLIGO.
—Quem é você? — Tenstareot agora se dirigiu pra mim.
—Eu sou Nemo, escolhido pela Lynn para carregar a Joia das Almas.
—Lynn? — Ele logo assume um tom de desespero, lágrimas já surgindo nos olhos. — Ela está bem?
—Sim, ela está. Está na base, se refugiando.
Ele solta um suspiro de alívio, as lágrimas já escorrendo.
—Ainda bem. Obrigado.
—De nada.
Uma risada vem do interior do castelo.
—É o Traidor. Ele já está mandando os exércitos. Não devemos demorar mais.
—Certo. Qual é seu espírito de luta?
—Místico-Elemental Glineaud. E o seu?
—Espadachim-Místico Tenteerouss.
—Então essa é a espada na minha parede?!
—Sim. Eu posso ficar com ela?
—Se ela já te escolheu...
—Obrigado! Assim defendo bastante gente com ela.
—Vamos nos focar aqui?
—Tá. Vamos fazer isso!
E corremos pelos largos corredores do castelo.
...
Vez ou outra, topamos com almas seguidoras dos Sete. Todos foram salvos ao continuar subindo e salvando no castelo. Andar por andar, alma por alma, todos sendo conquistados. Até que chegamos no último andar antes da torre de Zeroste.
—Sou Illis Pekio, encarnação guardiã! — Uma criatura feita de GIPLIGO se forma em nossa frente. Ele já estava preparando um soco quando percebemos. Esquivamos rapidamente, quando um soco que rachou o chão pousou. Passamos para o ataque. Mas o guardião era rápido. Logo após pousar o soco, ele se coloca em guarda novamente, se defendendo do ataque facilmente.
—Esse é durão! — Eu disse logo. — Nem mesmo o ferro estígio da espada teve efeito!
Então vi que algo brilhava em suas costas. Um ponto único brilhante em suas costas indicava um ponto fraco para atingir.
—Nemo-- — Tenstareot começou, mas sinalizei que já sabia do ponto fraco.
—Lance um dos seus golpes para arremeter com a espada!
—Certo!
GAVIÃO VERMELHO!
Um gavião sai das mãos que emanavam. Illis tinha guarda, mas apenas para o gavião. Logo pulei, peguei o gavião, canalizei na espada, e fiz o ataque:
ARREMETIDA PEREGRINA!
Acertou em cheio o ponto fraco. Mas não destruiu ele. Aquilo ativou uma sequência de auto-destruição de 10 segundos. Conseguimos escapar por pouco, mas a torre das escadas também começou a ruir. Se não fosse o gavião assumir uma forma montável, aí sim teríamos caído.
Chegamos a torre final. Lá estava o Traidor, que tinha uma barbicha negra, e um corpo estranhamente baixo. Ao lado dele, estava Zeroste, que estatura humana normal, como Tenstareot.
—Então chegou aqui, Tensty? — A voz de Zeroste era debochante e inconfiável.
—Sim, Zeroste, vamos logo terminar o que começamos. — A voz de Tenstareot agora soava confiante.
—E caim ven con você? — O sotaque do Traidor era russo.
—Eu sou Nemo, e venho com Tenstareot! — Digo isso com confiança, com minha voz normal.
—Ok — Zeroste pega o Traidor pelo pulso -, vamos acabar logo com isso.
O Traidor se liquefaz em GIPLIGO, até se tornar uma faca gigante. Logo após, uma explosão de aura negro-avermelhada se faz em Zeroste, deixando-o com uma aparência sobrecarregada de poder.
—E agora — o tom de voz dele ainda estava normal -, preparem-se para a luta.
Eu já me preparava para o ataque, quando dois tentáculos perfuradores tentaram me acertar. Errou um, acertou de raspão na perna outro. Tenstareot já tentou agir, sem sucesso. Seu golpe foi facilmente repelido.
—Eu acho melhor recuarem — disse Zeroste, no mesmo tom debochante. — Seu tempo acabou!
—Eu não vou parar de dançar tango aqui se não liberar tudo logo! — Eu estava tentando me desviar de tudo, por isso disse que estava dançando tango.
—Não pode liberar tudo! — disse Tenstareot. — Seu corpo será destruído!
—Fazer o quê? Não dá mais!
—Não dá mais o quê? — Zeroste ouviu a conversa, cessando os ataques para nos ouvir.
Eu dei um suspiro e disse para Tenstareot:
—Vá. Você precisa ir.
—Não, não posso! — Ele diz, já desesperado. — O que eu digo para seus companheiros?!
—Que fui a luta junto com um dos Mestres Dimensionais. Que já foi envolvido na maior guerra não contada pelos livros de história. Que virou mestre da melhor amiga que já tive.
Ele agora já estava com lágrimas nos olhos.
—Mas agora — digo — me dê o poder do seu gavião.
—Eu... eu não posso. Não posso dar para alguém como você. Não aguentaria.
—É por isso mesmo que deve dar. Mesmo que eu morra — eu pensei na frase correta -, não haverá vitimas. Apenas eu — me viro para Zeroste -, e eu somente.
Ele dá o poder, hesitante e soluçante de lágrimas. Solto um grito para nunca esquecer, o poder penetrando como cobras rastejando.
—Obrigado — agradeço a Tenstareot, ainda com a voz marcada de dor -, por sua ajuda no meu plano. Agora, diga as seguintes palavras para o pessoal:
"A espada é seu braço, e se viver, emanará justiça para sempre!"
Ele já estava fazendo um mar de lágrimas.
—Agora vá. Herói.
—Sobreviva até o golpe final — ele solta uma palavra que nunca esqueci -, lenda.
Agora eu derramava lágrimas. E ele foi embora.
—Com licença, "lenda" — Zeroste me chamava -, mas podemos começar nossa luta?
—Não. Ainda vai demorar um minuto.
Ele parecia birrento quando falou:
—Tá.
Então tirei um saquinho, onde estavam as almas. Levantei a espada, na confiança que ele não interferiria na transformação. As almas começaram a entrar em mim. Minha aura aumentava a cada segundo que passava no prelúdio da transformação, espiralando em minha volta, um pilar central de luz emergindo, e a explosão definitiva acontece. Uma roupa branca me encobre. A espada também ficou branca. E meus olhos ficaram brancos. Sentia como se quisesse correr o mundo. E começo o ataque na velocidade da luz, como se não houvesse nada a perder. Ele bloqueia, quase cedendo a quantidade de energia que emanava de mim.
Os golpes eram como a aproximação: na velocidade da luz, e fortes.
Mas ele também não arredava o pé. Seus ataques eram tão rápidos e fortes quanto os meus, deixando-nos empatados. O choque era tão grande que ondas de choque oscilavam a realidade por fora do castelo. Lutamos por 10 minutos na mesma situação, até que nos cansamos e afastamos. Logo, Zeroste fala:
—Eu acho que não devemos lutar desse mesmo jeito por muito. Vamos acabar isso em um golpe!
—Eu concordo, Zeroste — Uma voz minha um pouco alterada sai.
E nos preparamos para o ataque final. Zeroste está carregando com a espada para cima, como eu, na minha transformação. Eu giro a minha espada, mais rápido e mais rápido. Nós nos olhávamos; na conjectura, estava claro: um olhar errado e seria morto. Enfim, Zeroste terminou seu ataque, e não tarda a lançar:
MINA DAS TREVAS!
Lançando seu ataque, eu termino o meu. É claro, não perdi tempo. Cravei a espada no chão e disse, com toda a força nos pulmões:
WORLD PURGE!
E uma explosão branca acontece, liberando a energia das almas. Eu apaguei no instante da explosão, deixando-me inconsciente pelo que pareceu anos...
...
Todos rondeavam minha cama: Tenstareot, Lynn, Symion e Sinka.
—Aonde estou? — Perguntei logo que acordei. Dei de cara com todo mundo derramando lágrimas em cima de mim. — Calma aí, pessoal, olha eu aqui.
Todos olharam para a voz aparentemente desconhecida. Eu acordei, acendendo um sorriso de pura felicidade em todos. Eles nem sabiam como falar, de tão felizes que estavam.
—O que aconteceu depois da explosão? — Eu perguntei. Tenstareot teve a educação de me explicar:
—Você explodiu o castelo. E expurgou o GIPLIGO do M.A. E derrotou Zeroste. Mas ficou inconsciente por 3 dias, graças a explosão que fez. Eu peguei seu corpo e levei para a sala de feridos, e depois para o dormitório, onde está.
—Quer dizer que não fui destruído?
—Não. Você foi destruído.
—É o quê?
—Sua alma, graças a grande quantidade de determinação, colou seu corpo inteiro. Mas você foi destruído. Mas isso não importa agora. Você está bem. E é isso que tem de ser.
—É. Talvez seja.
E mais uma vez, fui descansar dos ferimentos da batalha, que chamamos de...
VIRTUE HEART.
…
—E foi assim, Inky. Pelo menos é como lembro.
Acho que se passou meia hora desde que ele começou a contar a história dele. Ela é incrível! Se é verdade, então, meu amigo é muito poderoso!
—Mas e a Lynn? — Perguntei, lembrando que ela não foi para a luta.
—Ela treinou, e agora está em apenas um patamar para chegar ao meu nível de habilidade.
—Tá. E o Mundo das Almas?
—Voltou ao normal. Agora tenho acesso rápido para lá, graças a uma entrada que tem aqui na instalação.
—Certo. — Quando disse isso, um ronco que não vi chegando explodiu.
—Deve estar de barriga vazia. O refeitório fica a alguns metros do elevador, virando a direita.
—Tá certo. Até mais tarde, Nemo!
—Até, Inky!
E fui ao refeitório. Esqueci de perguntar que horas eram, mas logo vi: 11:00 da manhã. Fui comer. Retornei para a uma caminhada pela Fundação ás 12:30.
—Ei — Uma voz me chama. Era Lynn. — O que o Nemo te contou?
—A história dele com você — disse, na maior honestidade. — Ele disse que...
—Não precisa, Inkaylor — disse ela, em um tom evasivo. Então ela fez uma pergunta que não estava esperando: — Ele disse que gostava de mim, não disse?
Eu queria dizer a verdade, mas se dissesse, estragaria a amizade deles. E a memória que vi ontem (sim, aquela que era um alívio de peso de costas) é que ela não estava a fim de ninguém. É. Que decepcionante. Mas prefiro mil vezes a verdade.
—Sim, Lynn — eu disse, já com pesar do meu amigo por perder a garota que gostava por minha culpa -, ele gosta de você.
Nisso, acontece algo estranho. Ela começa a congelar aonde está, deixando claro que era uma explosão de raiva, mas quando quebra o gelo, ela está totalmente corada.
—Não conta que isso aconteceu. — E ela me entrega duas cartas: uma era a de ontem, endereçada a mim ("O Lito me deu", ela disse). A outra, ao Nemo. E ela se manda para algum canto gelado.
Eu não entendi, mas fazer o quê? Eu fui contar para o Nemo. Ele ainda estava lá, na entrada da sala de treinamento, quando entreguei a carta.
A reação dele quando leu a carta foi... peculiar. Seu semblante sério se levantou a uma dupla reação: um sorriso lacrimoso.
—Inky... isso é... dela? — Ele pegou a carta para eu ler. Dizia:
"Nemo, sei que o que falarei agora é burrice. Mas você sempre foi meu amigo, desde Virtue Heart. E já se passou um ano daquela história toda. Mas se tive algo que odiei tanto quanto a posse de Zeroste no M.A., foi ficar com aquele babaca do Sílin. Sinceramente, nem sei como projetei aquela memória falsa para o Inkaylor ver..." Então era falsa?! "...mas isso ocultou o desejo dele de contar para você, o que me deu tempo para pensar. O Sílin é um babaca, e ele quis minhas amigas. Agora me mandei dele, e melhorou bastante minha vida." A partir dessa parte, comecem a torcer por eles.
"Você está sempre me seguindo aonde quer que eu vá, sem que eu peça, mas ainda assim eu queria isso. E eu me afastei de você só por causa das difamações das minhas amigas. Quando eu vi você beijando a Sofia, minha mente dominante não sofria nada, mas lá no fundo, lá no fundo MESMO, estava com um ciúme imensurável, sem saber por quê. Vai que eu gostava de você. Mas, por enquanto, ainda vamos ser só amigos. Pelo menos até os 14. Ainda vou pensar no caso." Esqueci. O aniversário deles foi dia 11/3. De 13 anos.
Mas a reação do Nemo foi impagável. Aquele mesmo semblante virou para mim, triunfante.
—OBRIGADO, INKY! — Ele respondia em meio a um rio de lágrimas. Em palavras simples, ele estava muito feliz.
—Ei, cara, calma aí! Tá se perdendo já. — Quando terminei de falar, uma voz nos diz:
—REUNIÃO NO AUDITÓRIO DO OLIMPO, MARCADA ÁS 2 DA TARDE NA TERRA, 3 EM MOANI. MOTIVO CONFIDENCIAL. SOLICITAMOS A PRESENÇA DE TODOS OS PRESENTES NA FUNDAÇÃO PARA SE APRESENTAR. OBRIGADO.
Logo me lembrei de mais cedo:
"-Marluna, meu irmão le-- digo, Fyon está querendo reunir os fundadores para discutir sobre o nosso amigo aqui.
—Certo. 2 da tarde, auditório do Olimpo. É para eles saberem e ouvirem da boca dele. Mas reunirá todos?
—Sim, todos. Os 12 fundadores precisam aparecer."
Nemo pergunta a si mesmo:
—O que é tão urgente ao ponto de solicitar a todos que se apresentem nesse auditório?
—Eu. — Respondo o que sabia.
—O que tem-- — Veio aquela iluminação. — Será que é por causa de ontem?
—É provável. Mas só vamos descobrir lá. Temos uma hora para nos preparar para a reunião.
—E cinco minutos para chegar no nosso quarto!
—Nosso?
—Eu te explico depois. Vamos!
E seguimos para o nosso quarto, na maior pressa possível.
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