The Great Historia
4 Colegas e amigos
...
Ainda sem entender, eu acordo em um saco de evidência, achando que eu sumi sem deixar rastro, só deixando minha pulseira para trás. Vi se ainda estava de roupa. Estava. Mas tinha gente lá, o que me assustou o quanto a minha chegada assustou eles, dada as caras de susto. Tinha lá Marluna, filha de Poseidon, Lito Geo, e (creio eu) recém-curada Deena.
—Lito Geo já me disse tudo — disse Marluna, com tom já agressivo. — Explique-se!
—Certo — disse eu, e contei os eventos depois da iniciação. — ...e assim acabei voltando para cá.
—Ele mente, senhora — Lito Geo diz. — Ele apenas veio para assumir o controle desta fundação. Além disso, tentou matar a senhorita Deena! Sabe o que é isso?
—Sim — Marluna retruca -, é falta de análise.
—E mesmo que quisesse fazer o que diz — Deena foi responder também -, já teria conseguido com o desempenho excepcional, mandando longe o que os veteranos mal puderam fazer. E mais — ela aponta para mim -, ele veio para me salvar, tirando o que era minha fragilidade maior: Nova-Kai.
O nome parecia ter ribombado a sala toda, como um trovão. Mas nada aconteceu com ela. Agora não foi um sonho, era real. De verdade.
Lito Geo se aterrorizou diante disso e percebeu que errou. Percebeu que comi do "veneno" dela, não para fugir da punição, mas para impedir que ele mesmo pudesse reposicionar esse veneno.
—Eu...- ele começa, mas alguém chega. Wrawyon parece ter sido avisado, já que chegou de cara séria.
—Marluna, meu irmão le-- digo, Fyon está querendo reunir os fundadores para discutir sobre o nosso amigo aqui.
—Certo. 2 da tarde, auditório do Olimpo. É para eles saberem e ouvirem da boca dele. Mas irá reunir todos?
—Sim, todos. Os 12 fundadores precisam aparecer.
Eu lá sabia quem eram esses tais fundadores, mas parecia que estava na frente de 4.
—Com licença — perguntei -, o que vai acontecer?
—Será o início do seu treinamento — Wrawyon responde. — Estamos te supervisionando para ter uma ideia de quem estamos em frente neste momento.
—Eu posso falar com outras pessoas como uma pessoa normal? Porque da última vez que alguém me supervisionou, estava numa sala que mais parecia uma câmara, que era justamente meu quarto rodeado de câmeras.
—Calma aí, cara. Isso é loucura, até mesmo para os nossos padrões.
—Ok. Eu queria ir para o meu treinamento, mas não dá.
—Como assim?
—Estalo os dedos e vou para o meu treinamento alternativo.
—Alguém sabe do que ele está falando? — Wrawyon pergunta, já que chegou depois da explicação que dei. Mas eles me deram uma força, e explicaram tudo para ele. Junto comigo, claro. — Ah, certo. Pera, ele disse uma garota?
—Sim. Mas não me disse quem era ela. Por quê?
Ele se devaneia por alguns segundos e só responde:
—Não, só tolice. Desculpe — E virou-se para Marluna. — Vou começar a dar o aviso. Keopart tá quase pronto pra mandar as mensagens.
—Certo. E mais uma coisa.
—Sim?
—Diz para o Fyon que só falta um mês.
—Nem sei quanto tempo faz desde aquele dia.
—Quatro anos.
—Ah, certo. Vou dar seu recado. Até mais.
E ele foi fazer seus deveres como fundador desse lugar.
—Com licença — perguntei, na mais pura das curiosidades -, mas do que estavam falando? Eu não entendi bosta nenhuma.
—Bom, é só... — Ela cora. — Não é da sua conta, tá? Acho que já pode andar.
Eu me levantei. A minha mão não doía. Nada doía no momento.
—Acho melhor ir andando mesmo. Seus assuntos não serão resolvidos sozinhos. Até mais tarde!
E saí. Fui dar uma volta. E logo topei com Nemo, vigiando algo do local. Ele não parecia estar muito bem.
—Ei, Nemo, o que há?
Ainda um pouco pálido, responde:
—Nada, só o meu amigo que... — Ele pareceu ter sido atingido por uma pedra quando me viu, vivo e intacto. — INKY! — E me deu um abraço.
—Calma aí, não é hoje que eu morro. Cadê a Lynn?
—Ela foi jogar o celular no pico do Everest. Por causa da ligação com o gelo, ela consegue ir em lugares assim.
—Certo. O que está fazendo agora?
—Vigiando a sala de treinamento. A Lynn estava na biblioteca antes de querer jogar o celular fora.
—E quem está aí, para chegar no ponto de ser vigiado de fora?
—É o ilustre filho de um da Tríade.
—Tríade? O que é essa Tríade?
—Se trata do trio de heróis da guerra. Estavam lá o — ele começa a sussurrar — Rei das Fadas, Dondor — voltou ao seu tom de voz -, o mais conhecido deles, Nova-Kai, e o cujo dito, Solin Pendragon XV.
—Pendragon? — Perguntei, intrigado. — A linhagem existe?
—Sim.
—Não deveria ter sido destruída quando Melehan e Melou morreram pelas mãos de Lancelot ou Rei Constantine?
—Você pegou a história errada. Na verdadeira linha do tempo, Mordred tem um terceiro filho, chamado Meliodens. Ele foi como espião para os reinos germânicos, e só voltou quando teve um filho, Kiolia. Chegou no reino da Inglaterra, na metade do século VI. E os descendentes migraram para tudo que foi país, até chegar aqui, em Nova Yalie. A mansão está construída em algum lugar, onde os outros filhos do Solin estão.
—Certo. — Tá, eu vou explicar. Mamãe disse que iria para a Noruega, mas como a língua stratana é mais parecida com a brasileira, foi para cá que se mudou. Ela tomou a liberdade de construir uma cidade na costa do mar, criando uma nova ilha para isso. Essa mesma ilha virou a embaixada das Fadas, mas como queria se manter no anonimato, se mudou para longe da costa, querendo que Kai estudasse com semelhantes a humanos. Com isso, ele teve a provável infelicidade de também ter seu passado escondido por muitos anos, até ir para Strat combater e morrer na Guerra do Vazio. Antes que pergunte, sim, eu entendi a lembrança que não era minha. Mas me pergunto por que eu entendi...
—Alô? Inky?
—Desculpe, acho que viajei na maionese de novo. Enfim, qual o nome dele?
—Eu não disse?
—Não. Enrolou, enrolou, mas não disse.
—Tá. — Ele deixa claro o que sente por quem estava lá dentro pelo tom sombrio que a sua cara pegou quando falou: — O nome dele é Silver Pendragon XVI. Mais conhecido como... — Ele dá um longo suspiro. — Sílin.
Deveria ter limpado esse ciúme do Nemo junto com a memória ruim.
—Então é ele? O cara que já ficou com a Lynn? Só tem ciúme dele por causa disso?
Ele respondeu calmamente minhas perguntas.
—SIM, SIM, E... talvez.
—Sério, você está caidinho pela Lynn.
—CALABOCA!
—Isso deixa ainda mais... mmmph!
Esqueci que ele podia calar a boca dos outros dizendo isso.
—É sério, não fala pra ela. Eu guardei tudo de mim para tentar me declarar, mas aquele idiota vem e namora com ela. Sinceramente, os melhores e piores momentos de minha vida passei com a batalha de Virtue Heart.
—Você nunca me contou que batalhou algo nessa escala. — Me livrei do espírito do silêncio rapidamente.
—É, acho que não. Mas como virou um de nós, e com isso não tenho nenhum motivo para esconder o que aconteceu, vou te contar.
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