…

—E então, me explica! Esse é o seu-- digo, nosso quarto?

O que estava diante era um quarto de madeira, replicado como na história do Nemo. As roupas que ele utilizou na VIRTUE HEART estavam penduradas em um cabide á mostra, junto com a espada estígia, não muito longe. Ele tinha mais algumas coisas, mas acho melhor não citar todas.

Nemo fecha a porta do quarto. Fui para o banheiro me trocar. Mas, antes que vocês pensem que me molhava no chuveiro, eu inventei um sistema estranho: eu retirava a sujeira do meu corpo como se ela fosse uma casca, e me irrigava com um sistema de banho a seco, deixando um monte de vapor. Depois, mentalizava minha roupa para a ocasião: no caso, um terno social branco. Vi o Nemo ainda de toalha, esperando que eu saísse do banheiro e me trocasse no quarto.

—Você tá fazendo ilusão? — Ele perguntou, abestalhado.

—Não, cara — eu respondo -, sou eu mesmo, aqui, na sua frente. Bem — disse eu -, vou para o auditório. Te vejo lá! — E saí.

O caminho não era difícil. Apenas 100 metros para o grande elevador, subindo a maior torre do mundo vezes 2, andar mais 200 metros, e chego em minha cadeira, em frente aos tronos do Olimpo, onde provavelmente serei julgado por uma das maiores autoridades já vistas (ou não) pela humanidade. Era 13:30. Tava meio cansado e decidi dormir um pouco.

...

—E então, esperando?

Me dou de cara com o Landrew, me esperando naquela tão pessoal dimensão.

—Sim, Landrew. Eu até esqueci do meu treinamento aqui.

—Lembre-se que você só tem meia-hora aqui.

—Certo. E então, vamos começar?

—Sim, claro. O navio está te esperando agora.

—Navio?

Um grande navio aparece em minha frente, derrubando uma parede distorcida, e me dou de cara com um mar de sonhos.

—Chamam esse mar de Hypnos. É o único mar que dá acesso ao verdadeiro mundo dos sonhos.

—E você me dizendo que este mundo era pequeno!

—Para alguém que transita por todas as dimensões em segundos, é pequeno sim.

Ao saber que minha aventura demoraria um pouco para acabar, ao invés de ficar sem saber o que fazer, eu só ficava empolgado.

—Mas por que não me leva logo para a garota?

—Porque não tem como trazê-la de volta para a dimensão dos vivos. Talvez dominando um pouco mais seus poderes. TALVEZ.

—Ok. Entendi o que está querendo dizer. Mas será mesmo que--

—NÃO.

—Tá — Agora, prestando atenção para o navio, pergunto: — Quando embarcamos?

—Precisa ser na sua próxima hora de dormir. Assim os preparativos estarão prontos, e seguiremos para a garota de Moani.

—Garota de onde?

—Seu tempo acabou. Até mais tarde!

E eu me despacho para o mundo real.

...

Eu abro os olhos. E meus olhos são enchidos do que o lugar virou: pilares da Grécia antiga, uma arquibancada de teatro antigo. Na minha frente, o panteão grego estava em minha frente. Não apenas os 3 Grandes. Todo o Olimpo estava na minha frente. Porém, não eram eles todos os Fundadores; apenas os 3. Os outros 9 estavam abaixo deles: Wrawyon, Fyon, Marluna, Keopart, Agina, Deena, Tenstareot (a descrição do Nemo na história foi ruim, mas reconheci porque ele ajeitou suas palavras), Lito Geo, e uma pessoa que tinha altura para ser uma entidade de outro planeta. Zeus já tomou a palavra:

—Aqui iniciamos uma grande reunião! — Ao contrário do que li em 5 livros, ele tinha uma voz alegre, mas ainda assim, assustadora. — O filho de Odin do panteão vizinho: Inkaylor Anio Odinson!

Todos bateram palmas. Ao longe, vi Nemo e Lynn. Poseidon bateu o seu tridente, e todos se calaram para ouvir. Logo, foi ele que tomou a palavra:

—Muitos de vocês já sabem que Inkaylor veio de uma descendência divina, assim como o irmão dele, Nova-Kai. — Lito Geo tinha se apressado em tapar os ouvidos da Deena, mas ela os afastou. Sem um ataque ou coisa parecida. — Não são todos os filhos do panteão vizinho que vêm até aqui. Eles sem dúvida são bravos heróis, mas respeitamos nossas tradições.

Hades toma a palavra, seus olhos penetrando a alma de qualquer um que o olhava.

—Sinceramente, um grande herói tem que ter muitas virtudes: Bravura, coragem, trau-- digo, motivações fortes, entre outros requisitos.

—Eu gostaria de tomar a palavra, pai. — Wrawyon pede, sem pestanejar. E ele começa a dizer: — Eu tenho que dizer que este na nossa frente é poderosíssimo. Ele tem motivação, coragem, boa-educação, etc. Se acharem que estamos aqui para apenas o elogiar, estão enganados. Pois ele declarou uma guerra com os 2 remanescentes dos Voidern! E agora devemos lidar com esta situação, mudando as raízes que há tempos se instauraram.

Todos se explodiram em murmúrios. Afinal, estamos falando de alguém que recomeçou os trabalhos do irmão na guerra.

—SILÊNCIO! — Zeus ruge, um trovão ribombando com a voz. Logo após isso, ele retorna com o tom alegre do início, agora me fazendo uma pergunta: — Herói, por que fez isso com os Voidern?

—Meu irmão entrou na guerra. Abraçou o destino como um bom amigo. Ele merece ter seu trabalho terminado por alguém. Principalmente aquele que é da família.

—Eu protesto contra o que disse, herói. — A voz que fala foi Poseidon. Todo o pessoal se vira para ele. — O seu irmão entrou na guerra, não como trabalho, mas como protetor dos planetas.

—É exatamente isso que eu falo! Por que protesta contra a minha fala, se eu estou certo, e a sua opinião é a mesma que a minha?

Ele parece ter falado algo errado, e bate a mão na cara.

—Não foi nada.

—Mas então por que bateu a mão na cara?

Ele parece estar se martirizando, o sofrimento tomando conta do semblante.

—Eu não consigo dizer. Eu não quero reviver esse dia... por favor... parem... parem... — E gritando, Poseidon diz: — PAREM DE MATAR TODO MUNDO! PAREM! PAREM! PAREEEEE--

—INTERVALO! — Marluna precisou gritar para que escutassem. E saíram para o intervalo.

...

—O que acabou de acontecer?

Estava conversando com Nemo e Lynn, logo após o colapso mental de Poseidon.

—Ninguém soube até hoje — Lynn diz, certa do que estava falando. — Eu também quis saber. Mas o Tenstat não quer contar. Somente os Fundadores sabem. E eles nunca contaram para ninguém.

—Como assim? — Nemo pergunta, tão duvidoso quanto eu.

—Eles juraram nunca contar seus possíveis trágicos passados, tendo em mente que nunca ninguém ouviu deles nada.

—É um gigante mistério, em suma — Concluo.

—CHAMANDO DE VOLTA PARA O AUDITÓRIO. O INTERVALO ESTÁ ENCERRADO.

Seguimos de volta para a reunião.

...

Poseidon retornou ao seu trono olimpiano, o semblante com um sorriso marcado pelo momento anterior. Todos ali (com uma exceção óbvia do panteão) pareciam ter se machucado.

—Vamos retomar a reunião — tomou a palavra Keopart -, antes que alguém surte de novo. Enfim — ele agora se direciona para mim -, vimos que tem poderes extraordinários em sua disposição. Por favor, execute-os para nós.

—Com quem? — Eu pergunto, já sabendo da resposta.

—Eu. — E ele tira o casaco que tinha (por...razões) e segue para o meu encontro. Estava com uma camiseta amarela e uma bermuda.

—Espere.

—O quê?

—Vou me trocar para essa batalha. Estava querendo usar esse uniforme já faz algum tempo.

—Aqui?

—Não.

—Aonde?

—Uma cápsula.

—E onde--

—Pulseira, cápsula! — E surge a cápsula na frente de todos. E eu entro.

Dentro dela, eu falo para o Landrew, que me escutava:

—Quanto ainda falta para ficar pronto, eu?

—Os preparativos ou o uniforme?

—Preparativos. O uniforme consigo fazer.

Ele/eu solta um suspiro e diz:

—21:00. Em ponto.

—Certo. Obrigado. — E digo: — Pulseira, uniforme!

E uma luz branca me envolve, projetando o uniforme. Era uma regata branca, com uma estrela de seis pontas nela, e uma bermuda negra.

—Desfazer cápsula!

E ela se desfez, deixando minha nova forma a mostra. O pessoal achou simples demais, mas não ligaram muito. Era a luta que estava por vir que se importavam. Para me avaliar de verdade.

—COMECEM! — Wrawyon grita, e Keopart avança.

...

Nunca, jamais, tente encarar alguém como o Keopart. Se não saber onde olhar, não vai sobreviver. Seus golpes, contundentes com o poder do pai, são energizados com raios, e tão rápidos quanto os próprios. Se não fosse pela visão avançada que ganhei com meus poderes (sinceramente, ainda vai demorar um pouco para eu descobrir todos esses poderes), eu não preveria golpe nenhum vindo de Keopart. Os meus reflexos aumentaram tanto que todo golpe previsto consigo defender.

Ele se cansa de perto e se afasta. Ele estava formando um punho de raios. Eu me preparei para o ataque. E ele lança:

SOCO HAZARD!

Eu, como não era tolo, lancei o meu também:

MILLENIUM PUNCH!

O choque destas duas forças foi extraordinário. Ventos incríveis emanavam do choque. Parecíamos dois rivais de longa data. Agora nós trocávamos socos na mesma velocidade um do outro. O público assistia, abestalhado, a nossa demonstração de força.

Eu já estava cansando quando Zeus pediu tempo.

—Já chega! — Ele disse, o semblante sério. — Acho que podemos prosseguir normalmente a reunião.

—Deixe que eles terminem, tio — Wrawyon falava. Sua voz estava mais feliz que o normal. — Ele é bom, não precisa retirá-lo do auditório!

—Tá tudo bem, Wrawyon — Keopart fala. — Ele é meu pai. Tem todo o direito — E ele se vira para mim. — Você tem meu respeito, herói. — E ele estende a mão.

—Você também é muito forte, Kio — E eu cumprimento, sem levar nada. Mas ele parece estar surpreso com algo. — Que foi?

—Primeiro — ele mostra a mão -, eu ia tentar te eletrocutar.

—Minha mão virou borracha.

—Ah. Segundo — ele agora me pergunta -, por que me chamou de Kio?

—Não sei, apenas chamei. E também queria perguntar algo.

—Sim?

—Por que escondem o passado de vocês?

Kio agora parece que levou uma pedrada, e largou minha mão.

—Como sabe que escondemos o nosso passado?

—Meus amigos souberam de um amigo Fundador.

—Mas eu quero que saiba de algo.

—O quê?

Ele vai até meu ouvido.

—É um acordo que selamos. Não podemos revelar a ninguém, sob qualquer circunstância. — E ele completa, dizendo: — É trágico demais para muitos que vivem conosco, e até mesmo para nós. Exemplo disso é Poseidon. Ele é o que teve um dos 2 Piores.

—2 Piores?

—Pior dia de sua vida. E o dele é o pior, porque o dele é irreversível. Nem mesmo no submundo vai encontrar o que ele perdeu.

—O que ele perdeu?

—Eu lhe explico quando essa reunião for encerrada, pois as próximas palavras serão minhas.

E ele retornou para a sua cadeira de fundador, assim como retornei a minha. Chegando lá, ele tomou a palavra:

—Agora que a nossa luta terminou, gostaria de fazer essa proposta para os Fundadores: ELIMINEM O JURAMENTO DAS 12 CADEIRAS!

Mais uma explosão de murmúrios, incluindo no próprio panteão, se instalaram. Zeus, claro, prudente que ele é, já se contrapôs a decisão:

—Isso é loucura, filho! Quer nos expor para o mundo ver quem nós somos? — Ao ver a confusão que já estava acontecendo, mais um trovão ribombou com sua palavra: — SILÊNCIO! — Foi cessada imediatamente toda e qualquer confusão emergente. E então ele se pronuncia: — Me desculpem, mas é que meu filho--

—BASTA, PAI! JÁ CHEGA! — Pelo tom, ele parece bem irritado. — VOCÊ NUNCA ME DEU UMA CHANCE DE TENTAR FALAR ALGO DE NÓS SÓ PORQUE QUER — ele faz uma imitação zoando o pai dele — "proteger o passado" — ele volta ao tom irritado -, SÓ POR CAUSA QUE FOI TRÁGICO PARA VOCÊS, QUE PERSEGUEM OS HUMANOS NAS TRAGÉDIAS, SE ACHANDO OS IDEAIS DA HISTÓRIA, MAS NÃO SÃO! PROVA DISSO SOU EU, QUE SOU SEU FILHO, FYON E WRAWYON, FILHOS DE HADES, E NOSSAS MÃES, AMBAS VOIDERNS INVASORAS!

Ao ouvir esse último trecho, acontece algo estranho com todos os 12 Fundadores. Eles abrem a boca, e bolas de energia saíram deles, fazendo com que elas se juntem. Essa nova massa foi se moldando no ar, girando e girando, até parar e formar um livro. Um livro de capa branca com um símbolo estranho: um triângulo equilátero dividido em três outros isósceles. Dentro do livro, na primeira página, se escrevia:

The Great Historia.

Escrito por:

Figurantes da GUERRA DO VAZIO

Dedicatória:

Não é preciso, não é pra ninguém.

Eu estava vendo as páginas quando Zeus acertou o livro. Mas ele não foi destruído. Protegido pelo livro, eu também não fui. Eu fui olhar para a cara dele. E minha surpresa foi muita. A reação de todos foi mista. Enquanto Poseidon e Wrawyon choravam, Fyon e Marluna estavam olhando... er... um... para o outro. Keopart tinha um semblante bom, dizendo evidentemente que conseguiu. Agina mantinha os olhos em Kio. Tenstareot mantinha uma cara triste. Lito Geo praguejava para mim e para algo. Hades estava tentando consolar Poseidon, e controlar Zeus, que tinha uma vontade desesperadora de jogar raios em mim e em Kio. A Deena sumiu.

—INTERVALO! — Kio logo disse, e nós fomos.

...

A reação dos meus melhores amigos foi de alívio e ódio ao mesmo tempo.

—O QUE BOSTA VOCÊ FOI FAZER?! — O Nemo foi bem sincero. — VOCÊ TEM ALGO NA CABEÇA?! ERA CLARAMENTE PARA CALAR A BOCA, NÃO ESCANCARÁ-LA!

—Desculpa, quem fez isso foi o Kio!

—SIM, MAS VOCÊ PUXOU O GATILHO!

—Não foi porque eu--

—RETORNEM TODOS PARA O AUDITÓRIO. INTERVALO ENCERRADO.

—Espero que não faça algo mais assim. — E ele segue para o auditório.

...

Quando voltamos, parecia que estava tudo normal de novo. MENOS a cara de assassino que Zeus estava fazendo para mim. E também que a Deena não voltou. Agora foi Lito Geo que tomou a palavra:

—Bom, nesse intervalo, uma presença ilustre apareceu. Parece que apareceram em uma hora inusitada. Eu lhes apresento: meus irmãos e seus recrutas, OS WRECKERS!

"Presidente da companhia, e o homem de socos de aço: Pedrini!"

"Vice-Presidente, e o 'Homem-Meteorito': Fisto!"

"Recruta, e o maior atirador do mundo: Daiss Kiden!"

"Recruta, e filho de um da Tríade: Silver Pendragon XV!" ("AQUELE MALDITO!", Lynn já dizia, quando o reconheceu.)

"E a única garota no time, abrigando a Rainha dos Dragões Stratanos, a princesa-dragão, Jezi!"

Minha exclamação foi imediata. E então apareceram: Pedrini, Fisto, Daiss, Silver e... Jezi.

...

"Putz!", pensei. "Mais outra, e é a garota que eu gosto!"

Eu vi aquele seleto time na minha frente. Agora, o negócio ficou estranho: eu estava caindo de paraquedas na reunião ou o quê?

—AONDE É QUE TÁ A DROGA DA BOA RECEPÇÃO?! — Jezi já estava irritada. E quando ela está irritada, solta palavrão do plano de baixo á casa da Mãe Joana. Você só não escuta a fúria total porque estou rebaixando alguns dos palavrões que ela diz.

—Calma, Jezi — Pedrini está num tom amistoso demais. — Como quer que eu apresente você se não se--

—VAI PRA QUIETOLÂNDIA! EU JÁ DISSE, ISSO É UMA COMPLETA-- — Ela me viu, na cadeira em sua frente. O eu dela se desfez no mesmo instante. Se ela não fosse tão durona, aposto que teria ido me abraçar, quem sabe até mesmo me beijar de novo. Mas ela só disse para o Pedrini: — Só apresenta a gente logo.

E ele logo toma a palavra:

—Como o Lito disse, nós somos os Wreckers. Uma organização que tenta juntar as forças do mundo, apesar do nosso nome. Nós sempre trabalhamos paralelamente a essa instalação pelo fato de nunca pudermos ter alguma aptidão, além de não sermos Fundadores. Mas nos apresentamos aqui, sabendo da reunião de todos vocês, para deixar que adentremos na sua Fundação.

Murmúrios aqui e acolá.

—Bom — disse Fisto -, pedimos licença aos estimados Fundadores que possamos apresentar nossos poderes, e nos avaliar de acordo.

Eles assentiram, ao mesmo tempo. E eles começaram sua grande apresentação.

Fisto foi o primeiro. Ele manipulava as rochas como massinha de modelar, criando variados bonecos de acordo com sua vontade. Ele cria um boneco de rocha, e dá ele para Pedrini. Ele então, num momento quase milesimal, destrói o boneco. Daiss, não se deixando para trás, num momento tão breve quanto o de Pedrini, lança flechas nos escombros do boneco, atingindo todos. Como as flechas atravessaram os escombros, rumaram para Silver, que num só movimento de espada as destroçou. Mas Jezi fez o inesperado. Ela virou um dragão oriental, e circundou a minha cadeira até a enrolar completamente. Ela me levou por essa "Spectro-Fera", deixando o dragão no piloto automático, e foi falar comigo dentro do espectro.

—É você mesmo, Inky? — Ela perguntou, seu eu bom falando comigo. — Queria ter falado sobre isso a algum tempo, mas não dava!

—Hey, calma aí — disse eu, não gaguejando nada -, acho que não é hora ainda de contar. Pelo menos não nesse espectro de dragão.

—É. Talvez.

—Será que podem acabar com esse clima, por favor? Tá querendo que eu dê uma crise de sobrecarga pelos ciúmes?

Foi Landrew que disse isso.

—Fica quieto, o que quer comigo?

—Os preparativos estão prontos. E são 17:00!

—Perfeito! Te vejo depois.

E ele para de falar. Jezi estava querendo perguntar o que aconteceu.

—Outra longa história.

—Seu bostinha!

Nós rimos um pouco. E começamos a olhar um para o outro, sem motivo algum. Agora acontece algo clichê DEMAIS: nós tentamos falar algo, ao mesmo tempo, mas não conseguimos. Pegamos nas mãos um do outro e... Sim, acontece de novo.

Quando esse momento (CLICHÊ DEMAIS!!) termina, a gente percebe a mancada que fez. O espectro perdeu os poderes no meio do ar, e estávamos de pé, em frente da minha cadeira. O povo inteiro viu. Hera viu. Zeus viu. A Fundação toda viu. Eu comecei a soltar literal fumaça de tanta vergonha que sentia. O pessoal olhava para mim, como se eu tivesse cometido um tabu na frente de todos. Eu gritei, por instinto de perigo:

—INTER--

—EU FAÇO ISSO! — Keopart logo viu o que eu ia fazer e disse logo: — INTERVALO!

...

—Para que. Precisou. Daquilo?

Esse intervalo demorou mais que os outros, por minha sorte. Jezi agora conversava comigo como uma pessoa normal. Sem poderes. Sem nada. Apenas um clássico "cara a cara". Ela me respondeu:

—Estava querendo fazer isso no dia que nos encontramos de novo.

—Ontem?

—É.

—Não pensava que gostava tanto de mim.

—Eu sei. Parece que as aparências enganam.

—De novo. Como quando a gente se conheceu.

—É. Eu disse que foi algo muito bom para mim, quando você virou meu primeiro amigo...

Quando estávamos a entrar em lembranças de novo, o tempo me prega uma peça, contradizendo o que disse antes:

—CHAMANDO TODOS OS PRESENTES. O INTERVALO ESTÁ ENCERRADO.